16 de agosto de 2016

Esquadrão Suicida - Tendências Suicidas

O erro dependendo da perspectiva de um pode se transformar em um veiculo perfeito para demonstrar o quanto está equivocado em seguir esse caminho ou uma oportunidade de observar tudo que aconteceu e absorver para evitar semelhantes equívocos. Pois bem, com isso em mente, parece que Esquadrão Suicida de David Ayer que é o que podemos dizer: um preludio para A Liga da Justiça, mas também uma grande oportunidade de estudo cinematográfico.  


A trama segue os eventos de Batman Vs Superman e Amanda Waller (Viola Davis) em reconhecimento ao que aconteceu tem uma ideia interessante: a criação de um esquadrão formada por criminosos com habilidades especiais para tarefas "especiais". Após uma crise em Midway City, a equipe é escalada e vem com: Slipknot, El DiabloKiller Croc, Capitão BoomerangDeadshot e Harley Quinn. Juntos com Rick Flag e Katana, eles vão a essa cidade para um resgate que não terá volta. 

O projeto Esquadrão Suicida é o terceiro filme do Universo Cinematográfico da DC que começa a tentar caminhar após os eventos do filme anterior. Entretanto a realidade seja dita: o filme não é bom. Se nota desesperadamente a busca de encontrar uma identidade como acontece não somente nos filmes da Marvel, mas no cinema em geral. Ao mesmo tempo, é uma classe de duas horas de como se pode cometer vários erros em um único filme.  

Entretanto, se inicia falando das poucas coisas genuinamente boas no filme: parcialmente o seu elenco. É interessante ter em conta que por enquanto é o filme que tem o melhor casting em comparação aos dois projetos da DC. Will Smith continua fazendo bons papeis e é um dos poucos atores de Hollywood que seu carisma leva um filme inteiro, mesmo não gostando do ator ou do filme. Além disso, também rola destaques para Jai Courtney e Jay Hernandez que mesmo sendo atores "secundários" fazem a diferença em tela e cada um rouba interessantes momentos. Joel Kinnaman mesmo a passos lentos, consegue subir no conceito como um ator com seu oponente Rick Flag. E Viola Davis ... ela dispensa comentários. Para se ter uma ideia de quanto a mulher é poderosa: ela em cena o filme cresce. Ela sai de cena, o filme decai drasticamente.  

Agora quando tira essas coisas boas em cena, o que sobra, bem ... não muito. Para inicio, é notavel que o filme é extremadamente mal editado. Sabe quando se assiste algo e fica aquela sensação que está faltando ou que deveria ser mais ... visceral. Outro ponto é que a fotografia desse filme é absurdamente escura e que por isso muitas das cenas de ação se perdem por essa excessiva escuridão.  O roteiro de David Ayer tenta fazer mágica para funcionar e termina sem direção nenhuma ao ponto de acreditar que sua trama relevante é chave para o que vai acontecer em Liga da Justiça. 

Jared Leto e Margot Robbie com seus respectivos Joker e Harley Quinn que desde do inicio do projeto tinham o fardo pesado de carregar os momentos mais esperados do filme. E o filme chega e os dois carregam decepções e mais decepções. Leto que provou de uma maneira triste que o método de viver o personagem 24 horas não é para ser endeusado. Alias, é até uma vergonha alheia em alguns momentos ver que é esse tipo de Coringa que a DC quer no seu universo. O que ameniza um pouco é saber é que a edição conturbada faz com que o mesmo apareça pouco. Leto compreendeu a sua maneira o personagem, já o público aceitar é outro tema. 

E Margot Robbie carrega um fardo engraçado aqui. Como muitos já comentaram, é como se ela realmente encarnou perfeitamente a personagem com suas nuances e desventuras. Por outro lado a personagem em si é um problema. Entretanto, para uma personagem que nasce de uma relação abusiva-manipulativa (até surpreende por mostrar todo o "processo" de transformação) e ter uma situação que ela poderia ao menor lutar contra isso, mas isso não acontece.  

E para pregar o ultimo prego do caixão: a escolha das músicas no filme. Apesar de ter uma variedade impressionante de músicas, uma coisa é você pegar e escutar elas isoladamente e durante o filme é completamente diferente. E que diferença horrível por sinal. Em uma parte, as músicas junto com a edição catastrófica pareciam um conjunto de videoclips sendo que ao invés de ter os músicos, tinha os vilões que nem as vezes tinham relação com a música em si. Ou seja, faltou e muito contexto musical para a trama.  

Ao final de tudo, Esquadrão Suicida é um filme que não nega suas tendências suicidas. Entretanto, com um conjuntos de falhas desde peças chaves serem decepcionantes, trilha sonora deslocada ao filme, trama que não tem pé e nem cabeça e principalmente, uma tremenda oportunidade perdida para fazer a DC subir ao menos no conceito de criar um universo cinematográfico valido. Talvez seja o pior filme do Universo DC no cinema, entretanto, esses erros visíveis podem fazer que nos próximos filmes desse universo cinematográfico seja ao menos de um bom agrado aos críticos. Pelo menos o mais difícil já conseguiu, agradar uma boa parte dos fanáticos. Mas fã service não salva filme ... E exemplos se tem de monte ...  

15 de julho de 2016

As Caça-Fantasmas

Paul Feig não tem noção do perigo que se meteu quando assumiu a direção de As Caça-Fantasmas (sim, chamo assim e não só de Caça-Fantasmas). O cinema americano hoje entra em uma crise profunda de falta de originalidade. Ou acreditamos que se seja isso. Claro que se observar bem, hoje a maioria dos filmes de sucessos no mercado americano são em sua maioria adaptações ou continuações de filmes que nem imaginaríamos que teria uma sequencia. Por outro lado, se transformou em uma regra que se tocas em algo sagrado do cinema, principalmente para o público "nerd", como é Os Caça Fantasmas está destinado ao fracasso.   

As Caça-Fantasmas toma como ponto de partida com a tentativa de Erin Gilbert (Kristen Wiig) ter uma carreira acadêmica renomada mas após um desejo desesperado de um senhor contra um poltergeist em uma mansão mal assombrada, ela volta a se unir com a sua amiga Abby Yates (Melissa McCarthy) e junto com Jillian Holtzman (Kate McKinnon) descobrem uma verdade assustadora: existem fantasmas na cidade de Nova York. Juntas formam a agencia de Caça Fantasmas e contará com a ajuda de Patty Tolan (Leslie Jones), uma funcionária do metro que teve um contato paranormal e o Kevin (Chris Hemsworth) que mesmo sendo uma porta de pessoa, detém um bom coração. 

A trama do novo filme faz algo interessante. É uma nova visão para a trama escrita por Dan Akroyd e Harold Ramis que apenas tem bases básicas: uma equipe descrente da sua capacidade diante a um mal inexplicável. Entretanto o diferencial não é somente ter um elenco feminino, mas aproveitar algo bem mais interessante e que realmente um bom olho vai deixar de passar por alto. Transformar a trama do filme como uma oportunidade perfeita para demonstrar que existe uma problemática pior que achar que as vacas sagradas não devem ser tocadas. 

É chato por um lado começar a citar a questão da negatividade que assolou o Youtube com qualquer vídeo que contenha o trailer do filme ou até mesmo defendendo o projeto. Quando saiu o primeiro trailer (que infelizmente é bastante mal editado e uma problemática que segue em quase todos os filmes de Paul Feig) foi praticamente ler : Minha infância foi arruinada. É bastante assustador como muitos já começam a deduzir isso somente pelo trailer.  

E claro que após isso, cada noticia que saia sobre o filme, era visto com ojeriza por uma boa parte da comunidade nerd, principalmente a masculina, e que muitos que se acham os maiores experts do movimento começaram a dizer claro o boicote e tudo. Claro que se está no direito, mas ao mesmo tempo, para aqueles que não tinham uma voz clara sobre o tema, ver tudo isso é como se fosse apoiar em uma voz para um disco arranhado que se transformou o próprio movimento hoje.  

Mas a virada de mesa aconteceu com as criticas positivas dentro do site Rotten Tomatoes (e possivelmente medianas para cima dentro do Metacritic, mas esse site propriamente dito é mais rebuscado em termos de criticas cinematográficas) e muitos começaram a não acreditar que estavam vendo ao ponto de invadir o IMDB e dar notas negativas para o filme só para desmerecer a possibilidade de reconhecer algo positivo dentro dele.  

Em um olhar bem mais clinico, se pode associar o roteiro de Paul Feig e Katie Dippold (Parks and Recreation e The Heat) demonstra o tempo inteiro o quanto é frágil e até repetitivo o discurso dos haters e transforma em um tipo de incentivo para as heroínas a fazem o seu estilo. Além claro de um estigma que já começou com outros projetos de Feig no qual é a nulidade da figura masculina como estupida, imatura e preconceituosa. Claro que o diretor ri da negatividade que aconteceu para o filme com grande piadas e uma reflexão pertinente.  

É interessante de como o diretor de Spy cria de uma maneira quase subliminar um tipo de pergunta para o espectador que no fundo começa a assombrar: a nostalgia está deixando o cinema cego? As Caça-Fantasmas molda essa ideia desde seu começo que realmente utiliza alguns elementos clássicos porém começa a criar sua própria forma e quando começa a criar, os outros personagens começam a desmerecer o tempo inteiro elas e mesmo com inovações de encher os olhos, só pelo fato delas seguirem o que elas acreditam, fazem que isso seja chacota. Até mesmo as motivações do vilão consegue ser essa associação com essa negatividade criada por muitos nerds durante esse tempo.  

Essa cegueira de muitos nerds vai custar caro durante o progresso da fita. Por que vão deixar de ver uma das melhores químicas entre comediantes depois de muito tempo. A afinidade que se cria entre Melissa, Kristen, Kate e Leslie é algo de outro mundo. Além disso, a revelação cômica de Chris Hemsworth nesse filme é tão de outro nível que consegue arrancar tantas risadas quanto suas parceiras. É tão especial quanto aconteceu com o elenco original do filme. Além disso, as piadas e a trama são afiadas. Não precisava ser nada de outro mundo, mas é cativante e prende do inicio até o final. Além claro de efeitos visuais impressionantes e um colorido maravilhoso quando chega no seu climax final. Não pode ter sido aquele climax, mas pela sua proposta é mais do que maravilhosa.  

As Caça-Fantasmas transformou o negativismo que recebeu durante esse tempo de produção e transformou em uma ferramenta narrativa e um grito de poder que não vai ser calado tão cedo. É uma comédia direta que detém efeitos visuais deslumbrantes e uma trama enérgica que procura o tempo inteiro ter sua própria forma e voz. Paul Feig para muitos vai ser considerado um infame por ter tocado em uma vaca sagrada e ter transformado algo que os fãs hardcores não queriam. Mas a mira do diretor foi outra e tão certeira quanto se imagina: Provou que para ter voz, é necessário deixar a nostalgia de lado e seguir o seu próprio rumo.