Poder Sem Limites

Poder Sem Limites poderia ter sido apenas mais um filme clichê de primeira pessoa, sistema que entrou em uma profunda saturação nos últimos anos. Poder Sem Limites sem duvida pode entrar e se tornar um projeto Cult que no qual se pode explorar muito mais do que poderias imaginar. Motivos? Tem vários e ao mesmo tempo interessantes pontos de vista que valem a pena ser explorados.

A câmera na mão se torna para muitos um novo tipo de diário. Para Andrew é uma nova necessidade de entrarmos em seu mundo. Um pai repressor, uma mãe doente e constante vitima de bullying. Tem uma solida amizade com seu primo Matt, um estudante que lê um pouco de filosofia. Após uma festa rave mal sucedida, os dois mais o popular Steve, encontram uma caverna uma pedra especial que após o contato, os três ganham superpoderes. Após isso, a cada momento que seus poderes crescem, as mentalidades de cada um começam a se transformar... Para o bem... Ou para o mal.

Poder Sem Limites conta com um detalhe que poucos ou quase nenhum filme desse estilo tem que no qual pode ser um filme com múltiplas visões. E o detalhe mais importante é que todas as visões que são exploradas dentro do filme são bem construídas, mas a que sem duvida merece um destaque maior é a filosófica no qual é citada a alegoria da caverna de Platão que sem duvida tem um charme extremadamente interessante.

No filme, a caverna e os poderes representam aos três uma nova visão do mundo e de tudo que se ganhou após ter “saído” da caverna. Porém ao desenvolvimento da trama vem a grande questão, será que todos que ganham novas visões sabem como compartir? Será que o homem quando detém um dom acredita que tem que fazer isso para o bem e não para si próprio? Ou melhor, é uma falácia a concepção de que os poderes devem ser compartidos como uma necessidade de salvar vidas?

É notável ou até justificável ser uma trama “clichê”, mas o que faz a diferença é a veracidade do personagem chave, Andrew. Em tempos nos quais as reações dos que sofreram bullying estão mais em evidencias, a construção desse personagem consegue ser mais concreta que muitos filmes já que teve ou já sofreu, se sentirá extremadamente identificado ao personagem. Não pode esquecer que chega a um ponto que o filme não parece de primeira pessoa já que os poderes do personagem fazem com que a câmera flutue e em seu ápice, uma clara homenagem a Akira e uma esperança de que possam fazer um filme nesses moldes, múltiplos pontos de vista.

Poder Sem Limites prova que com muito pouco pode se fazer muito. Transformar uma ideia “ultrapassada” e construir uma nova perspectiva no qual se torna muito mais crível que os famosos super-heróis que foram construídos em egos ocultos de seus criadores. É transformando heróis em falácias e fazendo o verdadeiro questionamento do poder: Quando descubro o que sou capaz, o que é o limite? Um filme que talvez não tenha um grande apelo de público, mas sem duvida, deixará a semente da desconstrução de limites.

Ficha Técnica
Poder Sem Limites (Chronicle)
Diretor: Josh Trank
Gênero: Drama/Aventura/Ficção Cientifica
Cotação: 85% - ****

Comentários

  1. Interessante, tinha ouvido falar muito mal e agora é a segunda crítica positiva que leio hoje. Não pude ver ainda.

    bjs

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  2. Acho interessante a abordagem narrativa que esse filme teve, por meio da utilização do ponto de vista do Andrew e da câmera que ele carrega inseparavelmente consigo. Entretanto, por mais interessante que isso seja, fico triste de ver o filme caindo pra um caminho clichê, com um desenvolvimento narrativo altamente previsível. Achei o final muito simplista, tendo em vista a força que Andrew adquire e desenvolve por meio da sua entrega ao lado obscuro de sua personalidade.

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  3. Fiquei curioso, vou procurar assistir.

    Abraço

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  4. Nunca tinho ouvido falar desse filme, rsrsrs. Fiquei curiosa...

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  5. Fiquei sabendo que foi um dos melhores lançamentos das últimas semanas (e por gente confiável). A partir de então minha curiosidade só aumentou!

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  6. Infelizmente eu tive uma recepção bem oposta ao filme. Me incomoda demais o tempo que ele perde acompnhando esses adolescente idiotas e imaturos fazendo idiotices. A tentativa de dar profundidade aos dramas pessoais do personagem poderia ser mais representativa, porque acho que é a grande chave para entendermos a revolta e, principalmente, o surto dele depois que recebe os poderes. De qualquer forma, acho que o filme fica pelo meio do caminho.

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