O Brasil Nunca Vai Ganhar O Oscar ... Se ...

Sejamos realistas. O Brasil nunca vai ganhar o Oscar. Antes de tudo, guardem essa mesma frase para o ultimo momento, por que é o que vai fazer a diferença quando chegar ao final. Os responsáveis da indicação do nosso representante ao Oscar 2011 escolheram com uma “unanimidade” Lula, O Filho do Brasil. O primeiro filme biográfico do presidente mais popular do país e uma figura estrondosamente respeitada no mundo inteiro é a chance brasileira de tentar mais uma vaga ao Oscar. Mas essa “unanimidade” não foi sentida em muitos comentários em vários blogs e páginas de cinema na internet.

O filme estrelado por Glória Pires e dirigido por Fabio Barreto conseguiu desbancar vários filmes interessantes e tiveram mais apelo da critica especializada como As Melhores Coisas do Mundo, Proibido Fumar, Os Famosos e os Duendes da Morte e também de filmes de bilheterias expressivas como Chico Xavier e Nosso Lar. A maioria que não sentiu empatia a biografia começa a sentir sentimentos de cólera em saber que Tropa de Elite 2, um dos filmes com maior bilheteria expressiva brasileira em um final de semana, tem mais riqueza cinematográfica e não deu nenhum sinal de que poderia está na lista.

Existe uma busca de resposta sobre esse comportamento dos representantes brasileiros sobre suas indicações. Acredita-se que desde daquela minissérie de quinta categoria que se diz filme Olga, a Academia brasileira está não só apenas conseguindo dar tiro no pé, mas sim metralhando de uma forma masoquista com seus erros. Então, começa a pensar qualquer sensato que gosta de cinema, qual é o verdadeiro problema dessa academia brasileira?

Antes de tudo, uma mini-critica ao filme escolhido. De antemão, há a concordância da maioria que infelizmente foi um erro sua escolha, porém o filme em si não é um desastre completo. A direção mecânica, edição de algumas cenas que demonstram erros primários e um roteiro didático como se fosse uma cartilha de livro de história para o ensino fundamental (uma tentativa negativa da linguagem cinematográfica universal) desentoam e se o projeto tivesse em mãos coerentes, seria um trabalho magnífico.

Nem tudo é o desastre. As atuações de Glória Pires, Milhem Cortaz e Rui Ricardo Diaz conseguem dar um pouco de vida ao projeto. A trilha sonora de Antonio Pinto é algo de tirar o chapéu, destaque aos créditos iniciais que sem duvida a melancolia dos acordes associada às inúmeras pessoas que saíram de seu lugar de origem a tentar uma sorte longe de casa é memorável.

Muitos reclamam dizendo que o filme foi eleito para ser o nosso representante por causa da questão eleitoral e principalmente para aumentar a propaganda para a candidata de Lula, Dilma. Poderia até se questionar essa questão SE o filme tivesse recursos federais, porém se todo o filme foi feito sem nenhum recurso do governo e sim de instituições privadas. Ou seja, incoerente.

O verdadeiro motivo no qual a película ser selecionada é algo que alguns não acreditam ou pela cólera ou desprezo ao governante, ficaram mais indignados. A força que o líder tem aqui no exterior é de uma coisa a se admirar. Muitos ficam admirados como uma pessoa como ele conseguiu colocar o Brasil como posto de país soberano assim aumentando o respeito a essa nação e acima de tudo esquecer aquela imagem que o país só vende sexo, carnaval e violência.

Vendo isso, os representantes da academia brasileira seguem a lógica da imagem do líder brasileiro fora do país é tão imenso que poderá sensibilizar o publico dos outros paises e o primeiro teste foi aqui na Argentina. As criticas daqui foram quase sistemáticas as brasileiras no qual reclamam da frieza da fita brasileira, mas ao mesmo tempo ressaltam as atuações do filme. Para se terem uma idéia, a diferença entre o trailer brasileiro e o trailer argentino do filme é extremamente gritante. É um outro filme.



A aposta em uma linguagem cinematográfica universal ou em uma das suas principais características no qual a sensibilidade que a fita pode proporcionar ao espectador de qualquer parte do mundo é louvável, mas se o filme também ajudasse na situação. Em uma das melhores cenas do filme, em sua maioria nos minutos finais do filme, o filme consegue ser extremamente frio. No caso que do tipo, o momento é emocionante, mas a construção mecânica da cena inibe esse contato emocional entre o filme e o espectador.

Mas confiar nisso e deixar de lado qualidades cinematográficas se torna um equivoco grave, porém para uma academia que deixou de lado vários filmes importantes para representar o nosso país como Cidade de Deus (que depois de um ano errôneo, o filme foi indicado ao Oscar, mas existia um Senhor dos Anéis no caminho...), O Cheiro do Ralo, O Céu de Suely (se não for um dos melhores, o melhor filme nacional), o primeiro Tropa de Elite (que depois só ganhou o Urso de Berlin encima de Sangue Negro...) e Á Deriva. Lista extensa não?

A academia brasileira por muitas vezes pensa que sabe como funciona o maquinário do Oscar e pensava que fazia escolhas coerentes e o resultado foi apenas o esquecimento. Outro ponto interessante é que a maiorias dos filmes que essa mesma academia brasileira tentava para o Oscar é de uma mesma produtora, Globo Filmes. E esse monopólio limita que muitos filmes pequenos ou de grande potencial de festival de chegarem muito longe. Assim e infelizmente, se querem ter alguma visibilidade para premio, há de recorrer ao monopólio.

Poderia citar inúmeros erros. Mas é só apenas em uma palavra que ajuda a iluminar a grande afirmação que está no começo do texto: Seriedade. Vejamos um exemplo de como funciona essa seriedade. A academia argentina escolheu o filme Abutres (Carancho) de Pablo Trapero para representar a Argentina no próximo ano na Academia. O filme ainda de quebra tem o maior ator argentino dessa geração, Ricardo Darin, que compartilha talento e veracidade com Martina Gusman, que fez Leonera e é atual mulher do diretor Trapero.

O filme em si é um dos melhores do ano, sem duvida. Mas a escolha do filme é algo a se admirar. Presidido por Juan José Campanella, Carancho foi agraciado com o filme que mais recebeu votos da academia argentina ganhando de filmes como El Hombre de al Lado, Dois Irmãos (que estreou recentemente no Brasil), Três Desejos e Sem Retorno (novo filme do ator Leonardo Sbaraglia). O mais chama atenção disso tudo é que apenas 78 representantes da academia argentina votaram, porém o numero total de votantes são mais de 240 e a Argentina tinha na lista de agraciados para serem representantes mais de 70 filmes o que não é pouco.

O cinema argentino, ou as pessoas que lidam com o cinema, tem consciência em si de que se estas entregando um filme para ser aclamado por fora, antes de tudo, sabem da necessidade em ser uma obra de arte maravilhosa e que exista o link entre o publico. Infelizmente o nosso representante desse ano é extremamente falho nisso e ainda aliado à oposição de muitos críticos ao filme por causa da figura publica do presidente, esse teto de vidro fino e sensível começa a rachar.

O Brasil nunca vai ganhar o Oscar se não começar de uma maneira urgente uma reforma estrutural em seu sistema de votação e acima de tudo lembrar que não adianta satisfazer os outros sem fazer o mais coerente, os que estão dia a dia aumentando a força do cinema nacional, aqueles que a cada dia quebram recordes de bilheteria e aumentam mais o teor de qualidades das fitas. Se continuarmos assim, fazendo escolhas erradas, infelizmente nunca seremos soberanos em nesse requisito.

Comentários

  1. O que aqui é dito, também se aplica a Portugal — país que nunca vai ganhar o Óscar e, nem sequer, uma nomeação...

    Cumps cinéfilos.

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  2. Sim. Vai ser difícil! Desta vez parece ainda mais distante. Mas também o cinema brasileiro não liga muito para o Oscar, daí o desleixo na escolha dos filmes.

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  3. Concordamos em vários pontos de seu texto. Precisa-se haver uma reformulação no sistema de escolha do nosso representante ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Mas, também precisa haver a mudança de mentalidade nos que escolhem o nosso representante. Precisamos escolher filmes com linguagem universal e que falem sobre o nosso país. O Brasil precisa se mostrar como um país de linguagem cinematográfica tradicional para ser respeitado como merece.

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  4. Essa reforma é necessária. Odeio ter que dizer isso, mas o Brasil jamais ganhará Oscar mesmo se continuar dessa forma. Ainda bem que não é por incompetência do nosso cinema, que está cada vez melhor.

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  5. Acho que a comissão que escolhe os filmes que tentam uma vaga ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro não quer saber da estatueta. Quer saber é da repercussão que essa decisão vai dar ao filme em termos de bilheteria, locação em DVD etc. No caso de LULA, nada me tira da cabeça que foi uma escolha política para aproveitar as eleições deste ano. Não digo exatamente que foi algo para promover a Dilma, mas pra pegar carona nessa briga entre os candidatos. Tudo em nome do cinema nacional, que precisa ser divulgado. Pena que dessa forma.

    Abs!

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  6. Acho que o nosso grande problema é que as pessoas não entenderam que o crítério para essa escolha deveria ser qualidade, pura e simples. É preciso abandonar de vez essa mentalidade de tentar prever qual filme seria melhor recebido lá fora, qual teria melhores chances de ganhar a depender de sua temática ou grupo ao qual está atrelado.

    Gosto de usar o exemplo de A Fita Branca, do Haneke. Um filme totalmente atípico dentro do conceito hollywoodiano, sem um personagem definido, filmado em preto-e-branco, que tem final em aberto, filme amargo, sem grandes atores conhecidos, cheio de significações que ficam nas entrelinhas, e mesmo assim conseguiu uma vaga entre os cinco finalista, chengando na premiação favorito, embora tenha perdido para o filme argentino. Mas só de estar ali, já representou uma vitória para um cineasta totalmente conceitual.

    Falta essa coragem para quem seleciona nosso representante.

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  7. Concordo com seu texto. E parece que alguns membros do Minc são aliados ou amigos de Lula, ou seja, apoiam Dilma. Para mim, foi questão política. Não vi o filme, mas é uma pena que deixem de lado filmes de qualidade muito superior e de qualidade.

    Beijos! ;)

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