Especial - Las Viudas de los Jueves - Crítica

Para finalizar com chave de ouro esse mini-especial de volta do blog: a critica exclusiva de Las Viudas de los Jueves. Antes de começar a critica, mando um grande abraço a todos que sempre prestigiam esse blog a mais de 4 anos. Passou a data de comemoração e nem deu para estourar um balão. Aqueles dias de maio foram difíceis, assim como os blockbusters que apareceu desse mês em diante, mesmo tendo o melhor blockbuster em anos que foi Star Trek, vimos mais uma vez que por muitas vezes, trazer de volta algumas franquias não deram certo como foi com Velozes e Furiosos 4 e (mesmo gostado) Exterminador do Futuro 4. Mas agora é olhar para frente, escrever novas resenhas e expressar com palavras precisas e marcantes desse blog que sempre foi feito de um homem comum para pessoas comum que tem algo em comum, o cinema em nossas almas e nossos corações.

O filme foi a segunda aventura nos cinemas argentinos. Apesar de não ter visto em um multiplex incrível quando fui ver El Secreto de Sus Ojos e sim em um espaço cultural onde passa muitos filmes nacionais e enfrentando uma fila extensa e detalhe, sala lotada. Bem, vamos começar a falar sobre o filme, logo em seu inicio já se vê os corpos na piscina em uma e a câmera rodeando os mortos com uma riqueza mórbida e principalmente é a porta de entrada para o filme.

O roteiro de Marcelo Figueiras e Piñeyro demonstra uma delicadeza com todos os principais personagens no inicio, principalmente com o casal principal. Porém durante o filme é acentuado um desenvolvimento denso em quase todos os personagens, que sufoca o espectador até no seu final. Outro detalhe fundamental é de como o roteiro critica ferrenhamente a fragilidade e o vazio que é sentido em um lugar de alta sociedade. Principalmente aqui, que nos anos 90, explodiu a cultura do consumismo com Carlos Menen com sua política extremamente liberal, no qual houve privatizações em todos os órgãos públicos e que no começo da década começou o seu estrago. Essa informação é importante por causa dessa relação cultural e econômica com os personagens e que a medida que a crise aumenta, o estrangulamento moral deles é extremamente elevada.

Em seu elenco numeroso, quase todos mostram o por que da força que o filme exerce. Atores extremamente talentosos que demonstram uma união singular e impecável. Mas quando vemos em termos de individualidade os grandes destaques ficam com certeza com Pablo Echarri e Ana Celentano. Pablo Echarri constrói um personagem que mesmo sendo irônico, consegue conquistar fácil a simpática do publico e principalmente da metade pro final que conseguimos sentir suas dores e decepções. Ana Celentano faz uma personagem incrível apesar de ser questionada extremamente pelos seus atos, mas que a atuação da atriz é um espetáculo de divina, já que criar uma personagem que desperta desprezo e ao mesmo tempo fazer uma atuação forte é complicado. O resto do elenco também tem seus momentos, ora interessantes como a relações dos casais formados por Gabriela Toscano - Leonardo Sbaraglia e Juan Diego Botto e Juana Viale (linda demais) ora não muito interessante como de Ernesto Alterio – Glória Carrá, mas nesse ultimo caso é justificado pela fraca atuação da atriz, fazendo assim que o espectador sinta mais interessante acompanhar a jornada de sua filha e do seu marido.

A direção de Piñeyro é sublime. Planos de câmera bem posicionados, sequencias dramáticas bem executadas (junto com o seu elenco competente, fica ainda mais atrativo) e principalmente de como ele conseguiu aumentar a densidade dramática da metade para o final. Acho que o único problema foi só no inicio para o desenvolvimento dos personagens, mas depois quando engrena, só para no final deixando o espectador respirar aliviado ou pelo menos respirar após em sua sessão.

Las Viudas de Los Jueves é com certeza mais uma grata surpresa do cinema argentino e dificilmente pode ver um filme que consegue abrir uma cicatriz tão profunda da sociedade atual e ainda colocar mais sal para deixar o seu espectador perturbado, com uma sensação que não deve esquecer das conseqüências de uma década que é considerada para eles, a década perdida. Um filme ótimo e mais uma vez provando por A+B que o cinema argentino é o melhor da America latina e que o filme como todo no final ganha sua verdadeira recompensa, os aplausos do seu publico.

Ficha Tecnica
As Viúvas da Quinta Feira (Las Viudas de Los Jueves)
Direção: Marcelo Piñeyro
Elenco: Pablo Echarri, Ana Celentano, Leonardo Sbaraglia, Gabriela Toscano, Ernesto Alterio, Glória Carrá, Juan Diego Botto, Juana Viale, Vera Spinetta, Camilo Cuello Vitale e Adrian Navarro
Gênero: Drama
Cotação: 85% - Indispensável

Comentários

  1. O filme é baseado num livro de Claudia Piñera, também muito bom.

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