31 de janeiro de 2017

Resident Evil: O Capítulo Final

O novo Resident Evil volta as origens. Com uma atmosfera opressora e momentos de calafrios intensos, o novo capítulo da consagrada franquia de terror volta a sua consagração. Esses elogios se dão conta para o novo jogo de Resident Evil 7 – BioHazard que saiu esses dias para o PS4, XboxOne e agora para o computador. Ao mesmo tempo saiu o ultimo capitulo da franquia do cinema que começou em 2002 e agora chega ao seu devido fim.

O novo filme de Paul W.S. Anderson e estrelado pela Milla Jovovich promete o que realmente cumpre desde seu primeiro minuto até o final: que estamos testemunhando o último capítulo da saga da personagem Alice dentro do universo “alternativo” de Resident Evil. A trama se passa após os eventos do último filme. Alice recebe uma comunicação da Rainha Vermelha que explica a heroína que existe uma cura para o T-Virus. O problema é que o antidoto está dentro da Coméia, e Alice tem apenas pouco tempo para chegar no lugar e salvar toda a humanidade.

Hoje se discute muito a questão da falha das adaptações de jogos ao cinema atualmente e de como Warcraft e Assassin’s Creed por um lado decepcionaram de uma maneira geral tanto o espectador e o gamer em si. Mas no caso de Resident Evil passa por um caminho misterioso e até interessante. O maior sucesso de Resident Evil no cinema está pelo fato de conseguir compreender o caminho que queria seguir. Ao invés de ser uma cópia carbono dos primeiros jogos, Paul W.S. Anderson pegou o que para ele era essencial para que todos que não conhecem a saga dos jogos se interessam. Além claro de criar personagens novos para a saga.

Mas o declínio de “qualidade” para Resident Evil nos cinemas começou quando introduziu personagens dos jogos no cinema e ao invés de terem as mesmas posturas dos jogos, apenas se transformaram em cosplays de luxo. Fora que também a franquia se transformou em uma locomotiva de ação desenfreada que muitos dizem: isso está longe do que é Resident Evil. Mal sabiam que os jogos iriam seguir o mesmo caminho que tomou o cinema. Entre o Resident Evil 4 até o Resident Evil 6, a franquia de jogos se transformou em uma avalanche de ação do começo até o fim.  Se torna até engraçado por que o tom que foi introduzido ao novo jogo de Resident Evil passa longe do que a franquia no cinema tentou passar durante os anos.

O novo filme chega a um momento que você se pergunta: história, para que? O filme é tão autoconsciente do que está acontecendo que só existe algo de história na última parte do filme que é uma das mais interessantes de toda a franquia e talvez a mais reveladora. Mas enquanto o resto é do tipo: desculpa para ação, desculpa para introduzir personagens novos, desculpa para matar personagens novos que não importa nada para a trama.

Paul W.S. Anderson deixa de lado aquela ação lenta para desculpar ao espectador do por que está pagando pelo 3D e agora está bem mais sóbrio e até com uma direção mais ágil. As cenas de ação não são aquelas bem inspiradas, mas ao menos consegue ser bem mais divertida em comparação aos dois capítulos anteriores. Entretanto, a edição desse filme é literalmente desastrosa. São tantos cortes rápidos que em alguns momentos parece que existem mais de 8 ou 10 cortes em menos de 10 segundos. Em alguns momentos chega a ser desastroso o que está acontecendo.

Resident Evil: O Capítulo Final se torna um prazer pelo fato de que a franquia no cinema chegou ao seu fim. Apesar dos defeitos colossais, ao ponto de ser autoconsciente do que é e demonstrar que é aquilo e não vai mudar, transforma a experiência um pouco mais tolerável. A maldição dos jogos no cinema talvez continue por enquanto, mas ao menos e talvez pela primeira vez, se torna interessante torcer para uma ótima adaptação, mas não devemos esquecer que as maiores obras da literatura e dos quadrinhos levaram décadas para uma ótima adaptação. Para os jogos também vai por essa onda. Como na música Zona de Promesas de Soda Stereo, demora em chegar, mas no final, tem uma recompensa.


12 de janeiro de 2017

Animais Noturnos

Uma obra de ficção muitas vezes consegue nos trazer surpresas. Desde uma reflexão de uma sociedade, de uma época e principalmente do próprio autor. Quantas vezes vemos livros ou filmes que foram baseados nas vidas dos seus criadores. Quantos contos de Stephen King já tocaram nos temas pessoais do autor. Ou também Phillip K. Dick falando de thrillers de ficção cientifica para contar a paranoia que foram os anos 70 para o mesmo. Edward Sheffield, um professor universitário, manda um esboço de um livro chamado Animais Noturnos para sua ex-mulher Susan Morrow, uma prestigiada artística plástica, para ver a possiblidade da publicação do mesmo. Entretanto Susan percebe no conto de vingança a flor da pele, uma reflexão da mesma sobre a relação dela com Edward e suas consequências.


Animais Noturnos do diretor Tom Ford chega aos cinemas após uma ausência de 7 anos do diretor do seu filme anterior, Direito de Amar. No novo filme que é baseado no livro Tony e Susan de Austin Wright, conta com um elenco grande e por um lado estelar: Amy Adams, Jake Gyllenhaal, Micheal Shannon, Aaron Taylor-Johnson, Isla Fisher, Armie Hammer, Micheal Sheen, Andrea Riseborough e Laura Linney. O projeto ganhou força nas últimas semanas com a surpreendente vitória de Aaron Taylor-Johnson no Globo de Ouro como Melhor Ator Coadjuvante e as várias indicações ao BAFTA que surpreenderam até mesmo aqueles que somente acreditariam que iria aparecer apenas em alguma indicação técnica.

Ford durante o filme cria takes belíssimos de paisagens, de alguns personagens em ângulos interessantes como por exemplo: existe uma conversa entre os personagens de Jake e Shannon que os olhares se cruzam o tempo inteiro no carro, mas claro usando brilhantemente a questão do retrovisor. Além disso, Jake Gyllenhaal e Micheal Shannon atuam muito bem nesse filme, mesmo para um texto que está longe de exigir algo de maravilhoso nele. E esse foi o elogio total do filme.

Uma coisa é você criar takes belíssimos, outra, é ter sentido a trama, e infelizmente isso não acontece aqui. Ford transforma um conto de vingança em um conto barato de supercine cheio de simbologias que além de serem nada sutis, passam longe de agradar o espectador. Fora isso, que nesse filme, Ford demonstra claramente que não é um bom diretor de atores e que muitos ficaram beirando ao overacting como por exemplo, a própria Amy Adams e o Aaron Johnson. Além de ter um dos maiores desperdícios de atores do ano. Se pegar o elenco suporte do filme, mal dura 5 minutos e pior, o que Ford faz com Jena Malone e Laura Linney é literalmente um crime.

Outro ponto triste de comentar e de uma maneira mais aberta é a questão das simbologias. Durante toda a trama se nota que o diretor quer colocar uma cena com uma carga chocante para forçar ao espectador a ter a concepção de: “olha isso aqui é simbólico” “esse take é assim”. E isso não ajuda a desfrutar do projeto como deve ser. Até filmes mais “simples” como por exemplo, A Chegada com a mesma Amy Adams, trata de um tema simbólico sobre o debate entre o senso comum e o cientifico, mas ele não fica a todo o tempo no espectador sobre isso.


Animais Noturnos é um tipo de filme que para aqueles que esperavam algo dele, desde saber quem é o diretor ou o elenco ou ao menos ter visto o trailer, pode esperar algo interessante. Mas aqueles que vão a cegas, se depara com um filme que muitas vezes afronta o espectador tentando ser inteligente, mas no final é tão bobo e banal que dá pena. Mesmo com uma belíssima sequência final com Amy Adams, fica difícil ter algo tipo de apego ao projeto como deveria ser. O pior filme de 2016.