16 de novembro de 2016

Animais Fantásticos e Onde Habitam

É interessante ver quase todos os blogueiros e críticos fazendo uma releitura da franquia Harry Potter. Um dos principais motivos não é para menos, a estreia de um spin-off do universo de Harry Potter Animais Fantásticos e Onde Habitam. Entretanto, nem todos foram fisgados por esse “universo” de Potter desde seus primórdios quando saiu o livro no final da década de 90 até ao seu último filme. Ou o mais recente livro que saiu. Mas para a surpresa de muitos, Animais Fantásticos tem um alvo além dos fanáticos do bruxinho.

Animais Fantásticos se passa em meados dos anos 20 no qual o mago Newt Scamander viaja para Nova York com sua maleta com animais mágicos. O detalhe é que nessa confusão, ele deixa alguns escaparem e sua maleta confundida com a de Jacob Kowaski, que deseja ser padeiro para escapar de sua realidade de trabalhar em uma fábrica de enlatados. Dentro dessa confusão, os dois são seguidos pelas irmãs Porpentina e Queenie Goldstein para ir ao juízo da Associação Americana de Magia. Entretanto, o grupo é envolvido contra uma força maior que está prestes a desequilibrar a fina relação entre os magos e os humanos.

O livro foi escrito em 2001 e a própria escritora J.K. Rowling. Além disso, o filme também pode representar o início de uma nova franquia e ao mesmo tempo uma demonstração de um argumento velho, datado, porém em situações como essa, extremadamente valido: a escassez de eventos cinematográficos. Claro que isso está relacionado ao que corresponde ao cinema blockbuster, os tanques de produtoras. Quando uma grande franquia se termina, se nota o desespero de muitas produtoras de manter essa chama que está relacionado a essa franquia e claro, a necessidade de ter o retorno esperado. Hoje se transformou uma aposta segura a questão de adaptações de quadrinhos e super-heróis (se querem tirar a dúvida, analisem o que foi as bilheterias mundiais esse ano) a volta de grandes franquias, como aconteceu com Star Wars e agora com Animais Fantásticos que só por levar o “universo” de Potter no cinema, se transformou em uma aposta segura esse ano.

Entretanto, não se deixe enganar por esse detalhe. Esse argumento só reflexiona a carência de novas experiências, mas isso não se refere integralmente a obra, muito pelo contrário, é mais competente do que se imagina. O maior trunfo do filme fica sem dúvida em um detalhe: a sensação desse universo mágico e pulsante aos nossos olhos. Desde seus créditos até a belíssima cena final, a trama coloca uma pitada de quero mais e tudo que acontece no filme, desde do implícito ao explicito é de encher os olhos. Além disso, a trama não fica somente em um desajustado em uma missão, mas também explora temas interessantes como o preconceito, a violência doméstica e os caminhos frágeis de acordos problemáticos.

Se poderia dizer que por um lado a falta de foco que existe sobre a trama é latente e pode se transformar em um ponto negativo. Para aqueles que são fãs da mitologia não sentiram tantos problemas, entretanto, para quem nunca acompanha poderia sentir que não existe um rumo para o que está acontecendo durante a trama e que parece que são dois filmes separados, porém os personagens são tão fascinantes que ao terminar, se esquece dos problemas e claro, como vai se transformar em uma possível franquia-evento, deixar algumas histórias em aberto para explorar em mais continuações.

Enquanto ao elenco, se nota um ar estranho de Eddie Redmayne para o Newt. Ele consegue encarnar bem o personagem dando um ar de mistério que possivelmente vai ser bem melhor resolvido nos próximos filmes. Ezra Miller e Colin Farrell fazem interpretações solidas e ao mesmo tempo como figuras repetidas, mas sempre tem seus momentos de destaque. Entretanto, é notável que poderia extrair mais desses atores, porém não tem do que se reclamar: fazem um ótimo trabalho.

Porém os melhores em cena são sem dúvida 3 atores: duas que já sabia que iriam entregar um espetáculo e uma grande surpresa. Katherine Waterston, após brilhar em Inherent Vice, traz um ar de sensibilidade e beleza com sua Tina Goldstein. Uma maga que deseja voltar a ser relevante na sua organização e acreditando que fazendo o correto, vai fazer a diferença. Além disso, só de olhar para a atriz, o filme ganha vida. Samantha Morton mais uma vez prova que é uma das melhores e mais subestimadas atrizes dessa geração. Apesar de sua relativamente curta duração em cena, ela constrói uma vilã incrivelmente assustadora que consegue assustar o público com sutileza e precisão. E por último, Dan Fogler, que faz o simpático Jacob. O personagem dele é daqueles que poderia ser aquele alivio cômico, porém o que faz a atuação dele ser mágica é o fato de que por um lado, Jacob represente em realidade o espectador que nunca viu nenhum filme da franquia ou algum livro. E além disso, a sua cena final já pode ser considerada uma das melhores do ano.

E claro, os comentários padrões para esse tipo de projeto: a questão técnica. Desde seu início até seu final é um deleite visual. É impressionante de como o projeto aproveita dos benefícios do 3D para criar um espetáculo visual. Além claro de desfrutar das tarjas negras para dar aquela imersão e dos efeitos especiais pularem no espectador. Além claro de uma belíssima trilha sonora de James Newton Howard que é tão envolvente quanto os temas clássicos de John Williams.


Animais Fantásticos e Onde Habitam poderia ser taxado de uma obra que só quer embarcar na onda de Potter e derivados, entretanto ele tem sua própria força e magia. É uma obra que cativa e que planta no espectador aquela vontade de continuar nesse mundo mágico e sentir a tristeza em saber que o filme termina. Não sabemos que rumos a série vai tomar ou o que será que pode acontecer no próximo filme, mas aqueles que nunca quiseram saber da franquia, se sentirão como o próprio Jacob, vendo todo o assombro e quando termina a grande aventura, um sorriso no rosto provando que valeu a pena disfrutar a cada momento.