21 de setembro de 2016

Uma explicação sobre o cinema argentino nas escolas.

Nos últimos dias circula uma noticia de um blog brasileiro (e que isso pode levar a uma cadeia de má informação por sinal) dizendo que a Argentina através da sua instituição de cinema, o INCAA, coloca o cinema como uma matéria de escola. Claro que muitos admiradores do cinema argentino (mas que só conhece os filmes de Ricardo Darin) compartilharam isso. Entretanto, ao ver o texto em questão não avisa diretamente a fonte da informação.  

Vamos esclarecer bem a temática: No festival de San Sebastian, o portal Variety informou a questão de que o INCAA está oferecendo cinema para as escolas. E ainda colocando no primeiro paragrafo que a Argentina é um dos poucos países do mundo a ter esse tipo de projeto. Em palavras simples, é uma iniciativa do órgão governamental de promover o seu cinema para os jovens para despertar para a cultura cinematográfica do país. Além de lembrar em um trecho bem rápido que a Argentina junto com o Brasil são um dos poucos países em que o cinema local é mais relevante ao cinema estrangeiro (ou palavras diretas, o hollywoodiano). 

Em uma nota do próprio INCAA dá mais detalhes do projeto que consiste em exibições de filmes para mais de 100 mil estudantes do ensino médio em vários espaços de cinema espalhados pelo país. Além disso, receberão material didático para fazer debates dentro da escola sobre os projetos que foram vistos. Na primeira leva serão exibidos Um Cuento Chino, Sin Retorno, Infância Clandestina, Clube da Lua e Dias de Vinil 

É maravilhoso em todos os sentidos esse intento estatal de levar o cinema as escolas para desenvolver esse caráter cinematográfico entre eles. Mais ainda, é belíssimo ver esses tipo de iniciativa por não somente ter cinema de qualidade, mas também de ajudar a expandir a cultura desde da base em diante. O problema do texto que difundiu está ai, na distorção entre iniciativa e ser propriamente uma matéria escolar.  

O mais interessante é ver que a maioria desses compartilhamentos soam como inveja, o que é uma pena. 
Mas em realidade, o que deveria acontecer é algo bem simples: cobrar mais do governo para politicas educacionais e principalmente não transformar o cinema em uma obrigação, mas sim de um incentivo para criar um senso critico nos jovens e que isso seja ao natural. E que isso não somente fique no colégio. 

Pode parecer piada, mas esse incomodo da grama do vizinho só demonstra que hoje o cinéfilo brasileiro está deixando de lado os progressos que foi feito no cinema nos últimos anos. O mais divertido é que quase todas as matérias que reprisam esse texto errôneo deixam passar esse importante detalhe: não é somente o ato de apreciar cinema ou criar novos pensadores. É algo tão simples que todos poderiam fazer: impulsionar a melhora do próprio cinema para novas gerações.   


É tempo de parar de invejar gramas e nós mesmos cultivamos nossa propria grama.