12 de fevereiro de 2016

Os 10 Mandamentos: A Fraude do Cinema Brasileiro Atual

Imagine esse cenário: Você, amante de uma série que tem mais de inúmeros capítulos, descobre que irão adaptar essa serie ao cinema. Mas diferente do que voce adaptar e criar algo que abrange esse universo, apenas pegas a série em si e picota de uma maneira que inúmeras temporadas em um "filme" de duas horas. O que você, espectador e amante de cinema e séries, como se sentiria? Claro que a palavra é uma: Indignação. Entretanto, essa indignação se transformou em realidade, porém de uma maneira literalmente catastrófica graças a ganância extrema da Igreja Universal e da Rede Record de expandir (???) o sucesso da novela Os 10 Mandamentos no cinema mas de uma maneira que ao invés de admirar, causa repulsão e ojerizas a essa nefasta pratica.

Não se sabe se é para rir ou para chorar o ato de testemunhar disso ser sucesso. A novela que estreou no ano passado conseguiu o "feito" de derrubar a Rede Globo (isso que dizia o Twitter) com seus efeitos e claro, por retratar em um horário nobre a "épica" história da libertação do povo judaico da opressão que vivia dos egípcios pelas mãos de Moisés. Se nota as aspas em épica mas não pela história, mas pela abordagem porca e novelesca para essa historia bíblica. Muitos vêem a historia de Moisés como um espelho nítido da luta contra a opressão e escravidão. De como um homem guiado por um ideal consegue libertar uma nação contra um pensamento que considera um estatus maior que a vida.

Se poderia bem fazer desconstruções ideológicas sobre essa historia. Mas isso agora não vem em questão. Ainda se torna literalmente impossível engolir seco que esse aborto híbrido se pode considerar um filme e ainda mais, de como isso se transformou uma das maiores bilheterias do cinema nacional. Para um amante de cinema de verdade, ver esse tipo de pratica sendo realizada é uma ofensa a sétima arte. E olha que nem vale comentar por exemplo o ato de pagar para ver no cinema figurinos que conseguem ser mais vergonhosos que um festival de cosplay de quinta categoria. Ou de como a novela consegue ter um elenco tão equivocado e tão "white" que faz ao menos elogiar o casting de Êxodo de Ridley Scott já que ao menos, nesse se vê atores realmente talentosos.
Se torna extremadamente bizarro pagar por algo que o espectador já viu na tv e que pode muito bem assistir em serviço de streaming que curiosamente, tem o mesmo preço do ingresso de cinema. Tanto que não existe uma linguagem cinematográfica nesse projeto. O que se vê é um exercício de masturbação de edição ao ponto de dar mais créditos ao editor que ao "diretor" do filme já que o mesmo diretor acha que dirigiu uma novela e não um filme. Poderia até citar como um exemplo contrário o caso de O Auto da Compadecida que também teve uma edição reduzida que foi levada ao cinema. Mas a mini serie da Globo só tinha apenas 4 capítulos e literalmente tinha mais linguagem cinematográfica. Ao ponto de ser até irrisório a comparação do tempo do filme ao da minissérie (107 para os 160).

Se parabeniza quem viu o filme no cinema e quem pagou por ele por que ainda é possível acreditar na boa fé do brasileiro. Ou é um tipo que está testemunhando a maior bilheteria do cinema brasileiro com apenas recordes econômicos já que de sala ... Bem ... Hoje nem se importa mais em visualizar mais um filme ruim no nosso cinema nacional. Entretanto, considerar isso como cinema está além do patetismo. No final, se parabeniza a todos os envolvidos por que ao fim de tudo, vão entrar para a historia do cinema brasileiro mas como de uma das piores vergonhas da cinematografia brasileira e de como é fácil lavar dinheiro utilizando a sétima arte.