28 de outubro de 2016

7 Anos e um saída para o cinema brasileiro

7 Anos, a primeira produção espanhola da Netflix chega no catálogo com uma premissa que por um lado bem conhecida, porém é bem executada e direta. Um grupo de pessoas cometeram um crime de responsabilidade fiscal e os mesmos contratam um tipo de mediador para uma tarefa: mediar o grupo para escolher um deles para assumir toda a culpa. O problema é que com o andar do tempo, a tarefa fica mais difícil do que se parece.

O filme se passa inteiramente dentro de um galpão e tem todo o seu texto focado nas teias de aranhas que são as relações humanas e situações que são irreais aos nossos olhos até tocar em nossa realidade. Apesar de ter um ritmo usual, lembrando muito uma peça de teatro, os diálogos são bem interessantes e com interessantes reviravoltas que não soam em nenhum momento forçado ou fora de contexto. E claro, o filme detém atuações seguras e que transmitem bem a situação incomoda que estão diante deles.

7 Anos ganha o espectador por uma premissa simples, uma duração enxuta e uma reflexão sobre o homem diante situações extremas sem cair na obviedade do gênero de suspense. Apesar das palavras simples para o filme, o verdadeiro trunfo do mesmo está nessa pergunta que se vai vir em seguida: os serviços de streaming como Netflix, Amazon Prime e outros são os melhores meios viáveis para o cinema brasileiro atual?

Se transformou em um tipo de discurso comum o descontentamento de um público brasileiro ao seu cinema. Mas não em questão de qualidade, já que o cinema brasileiro hoje está se transformando em um dos melhores do mundo e muitos dos seus filmes estão indo a festivais importantes e sempre fazendo a diferença, vide Aquarius, Mãe Só Há Uma, Boi Neon e Que Horas Ela Volta? Entretanto, por outro lado, mesmo sendo um dos poucos mercados locais no mundo inteiro que seus projetos, os maiores sucessos de bilheteria do ano dominam praticamente as comédias. Poderia também colocar no balaio a polemica e duvidosa bilheteria de Os Dez Mandamentos, considerado uma mancha negra no cinema brasileiro.

Com isso em conta, a janela que abre 7 Anos para o cinema brasileiro por um lado é esperançosa por que se torna uma opção alternativa e até com mais visibilidade para que se possa trazer mais filmes desconhecidos ou aqueles que foram sucessos de crítica, mas que não teve aquele espaço no mercado atual brasileiro e ainda ter mais visibilidade não somente no mercado local, mas também mundial. Mesmo com o Premio Netflix Brasil que elegeu Ventos de Agosto e O Último Cine Drive-In para que os mesmos passem no catálogo mundial, se nota ainda que são necessários mais projetos originais para esse tipo de plataforma.

Hoje, com a aproximação com a primeira série brasileira 3%, pode ser uma grande jogada produções brasileiras com selo Netflix para quebrar a questão do monopólio que acontece no cinema brasileiro, incentivo para que produções independentes tenham um local para a sua exibição mais além de festivais de cinema e principalmente a expansão de novos meios para desfrutar das verdadeiras produções brasileiras (ou seja, aquelas que não caem no ponto comum).


Independente de gostar ou não de 7 Anos, só o pensamento de que se pode colocar mais produções diferenciadas do cinema brasileiro como uma plataforma como essa, só faz aumentar ainda mais o sonho de todos possam conhecer o cinema brasileiro de verdade. Do assombro do mundo inteiro saber que o cinema brasileiro alcançou um patamar de arte tão impressionante que só apenas um tipo de pessoa não está percebendo: o próprio brasileiro. 

2 comentários:

  1. Bela reflexão, e concordo com ela. A janela está aí e pode ser uma alternativa interessante. A questão é que para produzir um filme para a Netflix, ela também tem que querer ser co-produtora, rs. Mas colocá-la como segunda janela, licenciando a obra, acho um caminho bom. E alguns filmes já estão fazendo isso, a Vitrine mesmo fez uma parceria com eles. Torcendo para isso ampliar cada vez mais.

    bjs

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  2. Uma parceria para produção de filmes brasileiros com a Netflix lógico que seria interessante e por consequência uma chance de aumentar o lucro destas produções.

    Mesmo com a qualidade do cinema brasileiro tendo melhorado na última década, ainda vejo que estamos atrás de países como Argentina e Coréia do Sul, sem contar os países europeus que tem mais tradição do que nós.

    Pela quantidade de produções brasileiras lançadas anualmente, o qualidade deveria ser melhor. Hoje poucos filmes chamam a atenção.

    Abraço

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