Cidades de Papel

A idealização de fazer a primeira critica do blog em 2016 poderia ser de um filme espetacular. Desta vez, o caminho será diferente. A melhor abordagem que se pode fazer é bem simples: sintetizar de uma maneira clara um filme que consegue criar um paralelo com o que foi 2015 mas não de uma maneira cinematográfica, como um espelho que foi 2015. É interessante por que o filme não é a melhor coisa que saiu do ano, mas também a mais desastrosa. Foi a adaptação de um livro juvenil que se acreditou que seguiria os passos da adaptação anterior do mesmo autor, mas foi para um outro caminho, caminho que só perceberia no final. 


Cidades de Papel, mais um livro de John Green ganhou uma adaptação no ano passado. O casal principal ficou por conta de Nat Wolff e Cara Delevigne. A premissa é bem interessante por que tem características dos filmes juvenis dos anos 80: Quentin (Nat Wolff) vivia uma infância comum até conhecer Margo (Cara Delevigne), uma extrovertida jovem que ama mistérios. Entretanto, o estilo de vida de Margo afastou a amizade de Quentin por ela. Os anos se passaram e mesmo distante, Quentin nunca deixou de ter esperanças para voltar a ter algo com ela. Após acompanhar a ela em uma vingança no ex-namorado, ele percebe que a mesma desaparece e ele fará de tudo para reencontrar a mesma.  

Soa interessante de como o filme engana ao público e talvez a si mesmo com a ideia que por ser do mesmo escritor de A Culpa É das Estrelas, se toma a concepção do amor levar para longe. Em realidade, Cidades de Papel é um perfeito exemplo de como o homem/individuo se prende na concepção da ilusão de que tudo é para sempre ou que tudo é tão falso ao seu redor que não se nota o quanto se perde em estar nessa ilusão.  
Até poderia começar explicar de imediato a concepção de cidade de papel: uma cidade fictícia dentro de um mapa para gerar pontos falsos para determinados princípios, desde criar marcas registradas ou enganar inimigos . No filme, essa concepção se transformou no mistério que rodeia Margo. E faz com que 
Quentin/espectador fique motivado a querer desvendar por que ela foi a essa cidade de papel.  

Durante a projeção do filme, se nota o fundamental: De como o filme começa a trabalhar essa ligação entre Quentin e os amigos querendo buscar a Margo, quando aparece a amiga dela arrependida pelo que aconteceu e todo o terceiro ato de resolver esse mistério. Mais ainda, de como esses momentos de quebra de sair de um ponto seguro e até mesmo sem graça que estava começando a tornar a sua vida. Possivelmente exista um tipo de desconexão entre o que se imaginaria que seria o livro e a realidade que chega ao fim. Por exemplo, é interessante como Quentin vai até o fim com a ideia que por causa do amor dele iria resolver o mistério e que vai estar ao lado da amada por muito tempo, mas em realidade começa um tipo de enfrentamento do maior mistério da vida de Quentin: o futuro e o tempo perdido. 

É até encorajador que o filme tenha esse tom. O motivo é bem simples: pode parecer estranho, mas é uma quebra de paradigmas dentro do cinema adolescente. Sempre teremos o final clássico de O Clube dos Cinco no qual todos os clichês são "quebrados" por algo que se passa em realidade. Em Cidades de Papel não é diferente. Ver personagens que ao final, não era a busca da garota perfeita ou da vida perfeita, mas sim de tudo que está ao seu redor ser real e ter medo de seguir em diante.   

Como filme em si, Cidades de Papel pode passar bem desapercebido, porém talvez seja a melhor reflexão do que foi 2015, um ano de papel no qual muitas coisas apenas ficaram ai, em um bloco de papel. Tiveram momentos que sem duvida conseguiu ser memoráveis. Talvez por ser em um papel, 2015 foi literalmente um rascunho para um ano promissor. Despertado da ilusão, talvez é hora de colocar novos projetos. Seguir adiante ... Dando um passo de cada vez. 

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