9 de outubro de 2015

Mapa Para As Estrelas



"Quando o fogo queima, estamos em guerra? É um conflito? Ou simplesmente está agindo para o que foi criado?"  Catalizador, Mass Effect 3.


Se sabe que as estrelas no céu significam apenas gases ou astros que estão próximos para morrer. Mas para outros, estrelas no céu podem se transformar em um ideal no qual quanto maior seu brilho, mais visível será seu esplendor. Mas em Mapa para as Estrelas de David Cronenberg, nunca o estrelato foi tão perverso quanto os olhos comuns crêem.

Agatha (Mia Wasikowska) está indo para Los Angeles. Um dos motivos para ela ir a cidade é para visitar os pais dela. Ela se encontra com Jerome (Robert Pattinson) para tentar encontrar os pais e ao mesmo tempo dando apoio para ele a seguir seus sonhos de ser um ator/roteirista. Ao mesmo tempo Benjie Weiss (Evan Bird) é um ator juvenil que saiu da reabilitação de drogas e tenta resgatar seu prestígio, sua mãe Cristina (Olivia Williams) consegue o contrato da continuação do filme de maior sucesso do filho: I'm a Bad Babysister. Por outro lado Standford Weiss (John Cusack) um  importante guru está próximo de terminar seu novo livro. Além disso, também dono de uma massagem terapêutica incomum no qual explora os temores para que seus pacientes se libertem. A sua cliente mais famosa é Havana Segrand (Julianne Moore) que está disposta a tentar o papel do remake de um filme no qual sua mãe (Sarah Gadon) ficou famosa. Mas por não ter mais uma assistente pessoal, encontra em Agatha uma nova companhia.

David Cronenberg junto com o roteirista Bruce Wagner foca em uma coisa: O incomodo real sobre o estrelismo nos dias de hoje. Talvez uma obra cinematográfica que expõe a falta de brilho das pessoas desse meio e de como elas não conseguem carregar suas cicatrizes. De uma maneira, a historia transforma a personagem de Agatha em uma entidade no qual está ciente do seu passado e das suas marcas. E durante o filme, a personagem cresce de uma maneira tão poderosa que percebemos a genialidade que está em suas queimaduras. Além disso, talvez seja o filme que tem os temas incômodos mais viscerais e mais bem trabalhados desde Dead Ringers.

E como já esta de praxe, hoje, ver Julianne Moore atuando se torna um prazer. É uma das poucas atrizes que quando o filme pede para ir ao extremo, ela vai de cabeça. Sua construção para Havana Segrand é digna de aplausos e talvez seja uma das suas melhores atuações nos últimos anos. Também estamos diante a uma evolução monstruosa de Robert Pattinson e Mia Wasikowska que brilham em seus personagens. Principalmente Mia que transforma em seu corpo em muitos momentos em uma metafora e uma chave para a compreensão do filme. John Cusack faz uma atuação macabra pela equivalencia do seu personagem E sim, a sua ultima cena é uma das mais filosoficas do filme. O único ponto negativo de atuação é de Olivia Williams. O que se pode atribuir é de uma transformação maniqueista da personagem para um overacting que não necessitava pela sua narração.



Mapa Para As Estrelas é um dos melhores filmes de Cronenberg e um dos melhores filmes que estrearam no circuito brasileiro em 2015. A prova que a satira não é somente um ensaio de rir, porém de recriar a podridão hollywoodiana utilizando espelhos “perversos” para perceber que a ilusão é entorpecente para uma realidade longe de ser glamurosa. Um filme que nos lembra que Cronenberg quando quer incomodar, ele leva isso muito a sério.


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6 de outubro de 2015

Paixões Unidas ou o filme da FIFA

Quem não se sente admirado a ver um filme pelo marketing. Ir a sala de cinema por ter visto um comercial, um trailer, um banner, boca a boca e por ai vai. Até mesmo os virais também dão um tom para um projeto ser sucesso. De uma maneira surpreendente, determinadas noticias dão um tom para ver um filme. Outras bem positivas como foi a descoberta de água em Marte uma semana antes da estreia de Perdido em Marte de Ridley Scott. Outro exemplo porém  bem negativo é do Paixões Unidas, filme que conta os pilares da fundação da FIFA e do que ela representa hoje na sociedade.

A ideia de levar ao cinema as origens desacreditadas da organização durante uma boa parte do século passado até seu presente duvidoso é de fato a vista bem grossa, algo interessante para se contar. Porém o que deu algo bizarro para ser notado é de que o filme sai durante o escândalo massivo que abalou a Organização e até agora continuam afundando seu presidente Blatter.  Também surgiu outros pontos externos que também ajudaram o filme a ganhar uma notoriedade bizarra. A começar com a incrível arrecadação de 318 dólares em um final de semana nos Estados Unidos vindo de um orçamento de 17 milhões de Dólares. Outro fato também é da sua reprovação dos críticos americanos dentro do site Metacritic. Tenham isso em conta, o filme consegue ter uma nota menor que A Centopeia Humana Parte III.

Já o filme em si, bem, é realmente catastrófico em âmbitos de cinema. Tem uma montagem bem duvidosa duramente muitas cenas. A historia se passa em um jogo de futebol de terra com crianças e tem um foco em uma garota. Começa o joguinho na terra e começa os principais eventos da FIFA como suas origens humildes, a popularização da organização para organizar copas do mundo, principalmente focando Uruguai em 30, Brasil em 50, a ascendência de João Havelange ao poder e suas estratégias de ter contato com todos os países e a presidência obscura de Blatter nos últimos anos. E tudo isso com pausas nesses jogos de terra dando a entender que se não fosse a FIFA, não existia essa ampliação do esporte a todo o mundo. Se dizer que é tendencioso, bem, apenas tenham em conta que é a organização produz o filme.

A parte técnica do filme literalmente deixa a desejar. A primeira hora do filme no qual muitos eventos foram criados "digitalmente" é de corar vergonha. Mesmo com um elenco incrivelmente respeitado e fazendo o que pode, o único que foi visivelmente bem escalado e tenta fazer algo é Gerard Depardieu fazendo Jules Rimet na única cena memorável no sentido decente da palavra quando caminha sozinho para entrar no campo para entregar a Taça aos Uruguaios na copa de 50.


Se torna assustador por um lado e vendo como um cinéfilo em ser testemunha de situações tão embaraçosas mas por outro lado, para um amante do esporte, é um filme que ajuda a compreender a corrupção dentro da organização ao ponto de perguntar para si mesmo aonde se pode ir para levar o lema da organização ao pé da letra. Um filme que em uma linguagem cinematográfica é um bola fora, mas para os amantes do futebol, provavelmente um cartão amarelo. E sim, é um dos piores projetos do ano.

¹/²

2 de outubro de 2015

Spy

O espectador comum sabe que nos últimos anos, os cinemas nacionais estão demonstrando obras magníficas, únicas para seu respectivo cinema e principalmente estão ganhando respectivamente bilheteria, publico e prestigio. Mas ao mesmo tempo, esse mesmo espectador comum também cresceu vendo o glamour e a magia de Hollywood. Imagine para esse mesmo espectador perceber que existem tantas adaptações cinematográficas, tantos remakes, e principalmente, tantas continuações que uma obra considerada original (ou sem esses elementos) pode ser considerado um oásis nesse circulo vicioso que se transformou o cinema norte americano.


Graças a filmes como Spy do diretor Paul Feig, estamos não somente diante de um dos melhores filmes do ano, mas também uma das melhores desconstruções de personagens no cinema atual. O filme toma partida no dia a dia da analista da CIA Susan Cooper (Melissa McCarthy) que serve como olhos para o agente Fine (Jude Law) durante as missões de campo. Após a morte do agente nas mãos de Rayna (Rose Bryne) e da mesma revelar que conhece todos os agentes de campo da CIA, a organização transforma Susan em uma agente de campo para desvendar não somente o assassinato do agente caído mas também descobrir a localização de uma bomba atômica.

Se transforma admirável essa linguagem de espiões voltar de uma maneira bem significativa em 2015. Já teve em um mesmo ano o brilhante Kingsman, o efetivo The Man From Uncle e no fim do ano, a volta de James Bond nas telas com SPECTRE. Mas o que faz Spy ser tão especial é o pulo do gato que faz dentro do gênero. Primeiro de tudo, não é uma paródia e sim um exercício de humor impagável dentro do gênero. Também inclue algo que se tinha visto em Azul é A Cor Mais Quente que é a futilidade da figura masculina para o projeto. Explicando melhor: Os personagens de Jude Law e Jason Statham (o melhor personagem de Statham desde Chev Chelios de Adrenalina) são babacas, se acham os maiorais por suas posições porém sabem que não podem fazer nada sem Susan ou no caso, uma figura feminina. A prova disso, analisem toda a sequencia inicial e entenderão essa concepção.

Esse talvez seja um dos maiores trunfos do filme: Transformar Melissa McCarthy em uma heroína de ação. Mas a construção dela para ser uma heroína é pura genialidade. Por sempre estar por trás da ação e nunca ter o protagonismo e talvez o respeito no seu trabalho, o crescimento dela de uma moça que morre de medo de sair, menosprezada pelos companheiros de trabalho e até mesmo (talvez quebrando a quarta parede) criando no espectador que a ideia dela ser agente é pastiche para que no final ela se transforme em uma action girl de verdade com direito a perseguição, tiroteios e luta corpo a corpo já impressionam, mas de como ela encontra a si mesma transforma o filme em algo motivacional, que demonstra que o movimento está mais vivo que nunca.

Além disso, cenas de ação incrivelmente bem executadas, dando destaque a perseguição de carro e moto em Budapeste e o climax final. A proposta de Paul Feig aqui foi de aproveitar uma historia de ação e mistério para transformar uma pessoa que sempre foi excluída em uma pessoa que tem voz e vez em um mundo predominantemente machista. Além claro de ter ótimas atuações de todos do elenco, principalmente Melissa McCarthy, Miranda Hart e Jason Statham. Um trio imbatível de risos.


Spy desvirtua o gênero de uma maneira ímpar. É incrivelmente bem atuado, bem dirigido e principalmente direto ao ponto. Em um ano que o cinema hollywoodiano nos deu de presente grandes filmes de ação, esse alem de dar incríveis cenas, deu também uma lição bem importante: Qualquer uma pode ser uma action girl. É somente acreditar no seu potencial. Após o filme, bem ... Go Ghostbusters!