31 de agosto de 2015

Aloha - Sob O Mesmo Céu

Uma ramificação de críticos levantaram uma proposta bem interessante que é a necessidade de ver filmes ruins ou que foram fracassos/decepções. Além de ser uma experiência bem barata em relação custo-benefício, essa corrente de pensamento deixa bem claro que um fracasso ajuda a compreender pontos falhos de um filme nos níveis desde execução até o mal entendimento da mensagem.

Com isso em conta, um dos exemplos mais interessantes para ser trabalhado é Aloha de Cameron Crowe. O filme é literalmente um caos. Entretanto, até mesmo dentro desse caos, se pode ver um céu. Mesmo que seja um céu estranho. O trailer vendeu o filme como uma jornada de redenção e passeios de sentimentos de todos os personagens, principalmente na trinca Emma Stone-Bradley Cooper-Rachel McAdams. E ter ainda como brinde "palavras de sabedoria" de Bill Murray para se transformar no blockbuster feel good. E daí, veio a realidade.


O filme tem ponto de partida de um ex-militar (Cooper), que se transformou em uma espécie de consultor para um multimilionário (Murray) que volta para Hawaii para uma construção de aeroporto. Porém o militar começa entrar em conflito quando começa a sair com uma jovem piloto (Stone) e enfrenta alguns dilemas com sua ex-namorada (McAdams) que lhe esconde um segredo.

O filme é tão desinteressante que não consegue gerar uma empatia com os nomes dos personagens. 
Por 80% do filme, o espectador é testemunha de falta de química entre personagens. Diálogos constrangedores e desinteressantes. Uma luta quase incessante de acreditar que poderá sair algo de qualidade, ou pelo menos algo concreto de tudo aquilo, porém ao avanço do filme, esperanças desaparecem. Além disso, o filme também tenta criar uma trama de conspiração militar que é tão vergonhoso que custa acreditar que o tema é tratado no filme.

Baseado em algumas concepções desses críticos referenciado no começo do texto, os pontos negativos que o filme tem ajudam a que qualquer cineasta cometa erros tão crassos quanto foi cometido por Crowe. O ponto é mais notório que elenco espetacular não sustenta filme. Se não existe uma harmonia entre o cast e a trama, o que se vê é derrame de potencial para uma trama vazia.

E por consequência por essa falta de harmonia, vem a falta de química entre os protagonistas. É assustador ver em um mesmo ator em dois filmes seguidos ter uma química catastrófica com sua parceira em cena. Cooper e Stone não conseguem acertar o passo e o resto é ladeira abaixo. Além disso, a própria personagem de Emma foi tremendamente mal construída que gera uma vergonha alheia. Quase todo o filme, a única coisa que espectador vibra é a sensação de conclusão. Ao mesmo tempo, vem o alívio que o desastre está chegando ao fim. Porém quando toda a trama principal termina e começa o que poderíamos chamar de epílogo, o filme ganha um tom tão maravilhoso que custa acreditar que belíssimas cenas e algumas atuações são brilhantes, para 10 minutos.

Aloha é um filme bem discutível no que se corresponde a execução desastrosa, ausência de química entre os personagens principais e uma trama tão esquecível que não se dá a mínima durante o filme inteiro. Mas ao mesmo tempo, o desfecho (se poderia até dizer cenas isoladas) detém as cenas mais emocionantes desse ano. Talvez no fim, ter a ruindade diante dos olhos só serve para transformar o espectador não somente em uma pessoa em um espectador melhor, mas também em um crítico ao ponto de saber separar realmente uma obra catastrófica de uma obra que erra o seu alvo.



 *¹/²

28 de agosto de 2015

The Age of Adeline

Muitos dão o braço a torcer, porém nenhum pode negar o quanto a ficção cientifica é um dos gêneros mais abertos do cinema. Em pratos limpos, muitos sabem que a ficção cientifica é o gênero que trabalha o fantástico e o desconhecido para que seja uma porta de entrada para reflexões introspectivas sobre o homem e o seu próprio mundo. Colocando isso em contraponto, se torna até admirável considerar The Age of Adeline um filme de ficção cientifica bem interessante porém desanda para cair na pior das obviedades, se prender ferozmente ao romance.

O filme conta a história de Adeline (Blake Lively), uma jovem viúva que sofreu um acidente de carro. Porém por um mistério da natureza, ela “ressuscita” com uma bizarra condição: não envelhece e clinicamente é imortal. Claro que com essa condição vem os conflitos dela com a sociedade ao fato de não saberem como lidar com seu caso extraordinário. Mas após encontrar com o restaurador Ellis, ela começa a questionar sobre seus valores adquiridos com o tempo para voltar a amar uma outra pessoa.

Um dos pontos mais curiosos de The Age of Adeline, está nessa questão de conflitos. Esse tipo de artificio dentro de um filme tem que ser algo natural, que fique longe daquele estigma ou característica de ser algo cansativo. Nesse filme, se nota desde do começo do filme até a metade, a problemática sentimental da personagem. Sempre vemos a questão do envelhecimento em uma ótica masculina. Mas o filme tem como vantagem demonstrar o lado feminino dessa dor ou desse efeito fantástico. Se torna para ela, por muitas vezes ver sua filha bem mais velha do que ela.

Entretanto, por acreditar que a personagem não tinha conflitos para continuar com o filme, o próprio projeto meio que sabota a si mesmo criando um conflito quase desnecessário da metade para o final somente beneficiando aqueles que amam o gênero romântico. Entretanto, não se pode negar o trabalho mais do que elogiável de Blake Lively e de Harrison Ford que mesmo sabendo que o personagem dele que gera esse desconforto para alimentar o conflito, é uma das melhores atuações dele.


The Age of Adeline poderia ter sido mais um filme sabotado pela linguagem romântica, mas não se nega que foi prejudicado para atrair esse público que ama esse tipo de filme. Por outro lado, é um filme bem interessante e até mesmo intimista sobre as tristezas da imortalidade aos olhos de uma jovem de como a mesma personagem cria autoconsciência que a sociedade não saberia lidar com o desconhecido como ela carrega em si.  Ao fim de tudo, é um filme solido, atrativo e se não tivesse traído os fundamentos da ficção cientifica, teríamos uma das obras mais solidas de 2015, porém ficou somente em um filme de sábado a tarde.

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13 de agosto de 2015

A Escolha Perfeita 2

Muitas vezes o que significa ter uma continuação? Uma continuação tem que ter como prioridade explorar elementos que transformaram o filme original em uma referência para continuar. Ao mesmo tempo, uma continuação tem que semear seus próprios passos para que não somente seja um bom filme, mas que também tenha seus méritos. A Escolha Perfeita 2 aprende sua lição principal e faz com maestria que é expandir o dinamismo do original com um elenco bem mais afiado e números musicais bem mais divertidos, características que dizem o primeiro um sucesso. Entretanto, faltou detalhes para que seja tão inesquecível quanto o primeiro.


A trama se passa 3 anos após o original. As Bellas de Barden se transformaram em referência na cultura da Capela americana. Mas após uma desastrosa apresentação ao presidente dos Estados Unidos, o nome do grupo foi para o lixo e a única oportunidade de voltar ao status de gloria é ganhando a "Copa do Mundo" da Capela contra o grupo alemão Das Sound Machine. Ao mesmo tempo, Becca (Anna Kendrick) tenta sua oportunidade em trabalhar em uma produtora musical e tentar seu nome; e o grupo tem que lidar com a chegada da novata Emily (Hailee Steinfield) que tenta carregar o legado da mãe, uma legendária Bella.

A história principal do filme não se nega, foi bem trabalhada. As tentativas das Belas de voltarem ao topo são bem divertidas e também acontece alguns momentos replay do primeiro que é a batalha de grupos de Capela que está bem mais divertida em comparação ao original. Além do fato que como o elenco está bem entrosado, ver os rostos conhecidos em novas aventuras se torna divertidos. Em contraponto, parece que nenhuma história paralela tem aquele brilho como deveria, como aconteceu no primeiro filme apesar do romance de Emily com o mágico do primeiro filme e Fat Amy (Rebel Wilson) com Bumper (Adam Devine) darem um brilho a mais.

A estreia de Elizabeth Banks como diretora apenas repetiu o passo a passo do primeiro filme com Jason Moore. Se notou a insegurança para criar o clímax final do filme, entretanto, a edição da apresentação da Bellas foi orquestrada de uma maneira bem mais efetiva que foi a do primeiro filme. O resto, não tinha muito o que fazer. Talvez o que se ajudou muito a favor dela, é de como ela utilizou todo o universo da Capela ao seu favor e explora bem isso. Além disso, até as músicas desse filme em comparação ao anterior conseguem ser mais interessantes pelo uso da capela.


O trunfo de A Escolha Perfeita 2 está no dinamismo entre suas músicas, seu elenco, no seu estilo e no seu humor. Claro que por ter em alguns momentos a mão pesada de Banks é visível, mas mesmo assim, a própria história ou melhor, o próprio universo das Bellas de Barden é tão satisfatório que os erros se passam por alto. A única coisa que realmente incomoda quando termina o filme é quando sabes que esse filme vai ganhar uma terceira parte. Claro que se o filme for ótimo, não se reclama para nada. Mas nem toda comédia que começou timidamente e ganhou seu público pode terminar bem. The Hangover Saga ... anyone?


***¹/²


12 de agosto de 2015

Missão Impossivel - Nação Secreta

Missão Impossível - Nação Secreta é a quinta entrega da saga de Ethan Hunt e da agencia IMF no cinema. Mesma série que focava em missões de espionagem nos quais, muitos se diziam “impossíveis”. Um fato a considerar que também a saga cinematográfica também carrega uma particularidade bem interessante de nunca repetir seus diretores. Brian de Palma, John Woo, JJ Abrhams e Brad Bird deram as caras sem seus respectivos filmes. Para o novo filme, o diretor é Christopher McQuarrie, roteirista de Os Suspeitos e diretor de Jack Reacher, estrelado por Tom Cruise.

A nova trama tem como foco uma rede secreta de espionagem chamada O Sindicato. Mas ao mesmo tempo, a CIA, liderada por Alec Baldwin, tenta destituir a IMF baseado no fator destruição no que corresponde para uma agencia ultra secreta (só observar o fator destruição nos outros filmes). Com isso, Ethan Hunt é considerado um fugitvo e também o único que tem evidencias que o Sindicato está envolvido com alguns atos de terrorismo no mundo. Hunt, além de contar com sua equipe formada por Benji, Luthor e Brant, com a misteriosa Ilsa (a maravilhosa Rebecca Ferguson) tem mais informações sobre o Sindicato e sua real proposta.

O que esse novo filme deixa bem claro, é de como ele consegue fechar com chave de ouro os blockbusters desse ano de uma maneira solida. Desde quando começou com a estreia de Velozes e Furiosos 7 até Missão Impossivel A Nação Secreta, deixam dados interessantes. 3 filmes desse ano conseguiram a marca de superar 1 bilhão de dólares. Mais ainda para a Universal Studios que só com Velozes e Jurassic World, foram mais de 3 bilhões combinados. Além disso, também é importante observar que a maioria dos filmes que foram primeiros lugares de bilheteria, apenas San Andreas estrelado por Dwayne Johnson, tem medias de criticas no Rotten Tomatoes com mais de 65%. Outro fato também salientar é que Missão Impossível A Nação Secreta entra no hall de produções que tiveram 90% de aprovação do Rotten esse ano ao lado de filmes como Mad Max Fury Road, Shaun The Sheep, Inside Out e Spy.

Mas ao mesmo tempo, esse ano é para refletir de como é duro ver que se transformou em um circulo vicioso de aproveitar franquias e adaptações. Apenas poucas produções que deram as caras são originais (não é remake, continuação ou adaptação) como Inside Out, Spy e San Andreas. Entretanto, reclamaria se estaríamos diante de continuações fracas, o que realmente não aconteceu. Muitas voltaram com seu gás total e mais ainda, muitas vezes sobressaindo em comparação ao filme original, ou lembrando ao novo público do por que essa franquia é importante para o cinema de hoje. E o novo Missão Impossível se encaixa não somente como esses últimos exemplos, mas também demonstrando por que admiramos a carreira de Tom Cruise no cinema.

Tom Cruise carrega uma mitologia por trás dele que transforma em um ser único. Não se pode negar que quando ele diz que entra de cabeça em um personagem, estamos vendo literalmente. E ainda mais quando se referencia a Missão Impossível. Muitos vendem a franquia como: a franquia do ator que faz suas estripulias na tela grande. Bem, isso não deixa de ser verdade, e esse novo filme, se acreditamos que a cena do avião era o ápice de entrar de cabeça, é melhor dizer que todas as cenas de ação desse filme carregam uma sensação única de como ator ama fazer o que faz. Além disso, é impressionante como Tom é químico com o elenco. Mesmo sendo o astro do filme, ele faz realmente questão que cada companheiro seu tenha seu brilho e seu espaço. A química entre Simon Pegg, Jeremy Renner e Ving Rhames é invejável a qualquer franquia.


O novo Missão Impossível - Nação Secreta sem duvida é um dos melhores filmes do ano. É a celebração de um cinema pipoca de verdade. Todos os gêneros do cinema trabalhados em uma obra ímpar. Mais ainda em saber que é uma franquia, um marco para poucos. Pelo menos para aqueles que odeiam o cinema blockbuster, o novo Missão Impossível é um convite para compreender não somente o espetacular ano que se converteu 2015 para o estilo, mas também a prova de quem é rei do blockbuster, nunca perderá a majestade.


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10 de agosto de 2015

Férias Frustradas e Unfriended


Férias Frustradas

Uma versão meio hibrida de remake\continuação, a nova versão de Férias Frustradas toma um ponto especifico: quando a releitura é uma ferramenta da própria narração: Rusty Grisworld, agora pai de família, vive praticamente uma vida que muitos desejam por um lado: uma linda casa, um trabalho estável, mulher e filhos. Entretanto, ele não se sente completo. E perto de suas férias de verão, ele sente a necessidade de aproximar dos filhos e de sua esposa, Debbie (Christina Applegate). No momento de epifania familiar, ele decide refazer a viagem que seu pai (Chevy Chase) fez 30 anos atrás: Walley World e sua nova montanha russa. E assim como a viagem original, muitas coisas realmente não dão certo.

O que surpreende na nova versão dessa série clássica, ainda dona de um dos melhores filmes natalinos de todos os tempos, é transformar o personagem Rusty mais próximo da realidade de muitas pessoas. A personificação de Ed Helms cai como uma luva já que ele consegue representar a tristeza do homem comum e a necessidade de reviver o passado acreditando que é a melhor coisa do mundo. Talvez possamos até tirar uma conclusão bem interessante de como funciona o cinema atual. Parece que os estúdios não confiam mais em ideias originais ou da dificuldade que gera em atrair um novo público pela qualidade dos seus filmes que a simples ideia de reinventar ou “reciclar” uma ideia clássica é menos assustadora para o produtor, entretanto, não sabe como a plateia vai reagir a tudo isso. Que muitas vezes parece que tudo poderá estar fora de lugar e mesmo dando certo em vários conceitos, alguns ficam perdidos no meio do caminho.

Férias Frustradas detém um problema grave mas ao mesmo simples de muitas comédias atuais. O problema de ritmo e de distribuição de piadas. Existem momentos que são engraçados e outros que o ritmo do filme não ajuda e a gag falha. Porém são poucos momentos que acontecem isso. Se pode acreditar o fato de que nem todas as gags podem funcionar para todo o tipo de público. Além disso, o trabalho de Christina Applegate é sensacional como a Debbie. Ela por muitos momentos é que resgata um lado de doçura da trama mas ao mesmo tempo, a dona de uma das cenas mais bizarras do todo filme. Além disso, temos algumas participações especiais de alguns comediantes e de um bizarro Chris Hemsworth demonstrando demais ... seus dotes.

Talvez a maior virtude de Férias Frustradas é demonstrar que ser nostálgico demais pode sair tão desastroso quanto se imagina. É óbvio que existem piadas geniais e cenas bem sacadas, porém não agrega nada de novo, apenas ratifica o maior problema de Hollywood: o apego passado que afeta a dificuldade de sair algo novo. Helms e o elenco fazem sua parte. As piadas fazem sua parte. Até as referências bem interessantes ao filme original fazem sua parte. Mas assim como uma viagem de família, revisitar passado as vezes é bola fora.




Unfriended

É interessante que o found footage demonstra que pode estar decaindo, sempre aparece uma nova experiência. Unfriended ou Cybernatural se transforma uma das melhores experiências, ou talvez a mais bem executada desde Chronicle de Josh Trank. E o mais interessante também fica em uma história bem simples se transformou em um leque de estudo sobre a força impressionante que circula as redes sociais atualmente.

Um grupo de jovens se reúnem para um chat de Skype e conversam sobre um ano da morte de uma “amiga” em comum no qual se suicidou após um severo ataque de bullying. Entretanto, quando começa o chat grupal, um usuário desconhecido entra na conversa e após o acesso, a paranoia começa a crescer entre todos até descobrirem que estão lidando com algo além da compreensão. E principalmente, começam de um a um pagar pelos atos passados que envolvem o ataque de bullying.

Se torna bizarro que uma conversa de Skype se transforme uma das experiências mais assustadoras do ano. Falo experiência por que sabemos que olhamos para a “trama” é simples e direta. Entretanto, o filme leva a questão de experiência para um lado mais pessoal. Estamos vivendo literalmente a experiência de pensar que a tela do filme é a tela do nosso computador. Desde janelas abertas com informações e aplicativos como Spotify.


Cybernatural apenas confirma uma fase de ouro da Blumhouse no qual quanto mais modesto é o projeto, mais o retorno é garantido. O filme cumpre bem seus objetivos e se transforma uma das melhores experiências de terror. Ainda pode ajudar como uma ferramenta dos perigos que carregam na sociedade atual. Quando um filme de terror consegue transformar o elemento mais impensável de todos os tempos como a culpa e dificuldade de aceitar os atos são aterrorizantes quando a “antagonista”. Um projeto diferente e valido para quem nunca imaginou que uma pequena conversa de computador fosse uma viagem literal ao inferno. 



Férias Frustradas - ***¹/²
Unfriended - ****