19 de fevereiro de 2014

Uma Aventura Lego, GTA V, Saving Mr. Banks e mais!

Vamos para a primeira resenha de fevereiro.  Vamos incluir claro, cinema e jogos. Espero que gostem.


Uma Aventura Lego – Enquanto a Dreamworks e a Pixar entregam mais uma vez filmes que crescem a desilusão ao seus últimos projetos. O que tinha mais a cara de ser uma bomba catastrófica se transformou em uma das melhores surpresas dos últimos anos. A marca Lego cresceu de uma maneira exponencial graças aos últimos jogos sempre fazendo um spin off engraçados de filmes como Star Wars, Harry Potter e Batman. E sua adaptação ao cinema se torna até um alivio para aqueles que esperavam não somente uma animação que encha os olhos, mas também os corações do espectadores.

Emmet (voz de Chris Pratt, anotem esse nome durante o ano) é um boneco a mais na multidão e após cair em uma misteriosa fenda, descobre que é o escolhido de uma profecia que vai salvar o Universo Lego das ambições de Presidente Negócios (Will Farrell). Emmet vai descobrir em seu caminho personagens particulares como Vitruvius (Morgan Freeman), O cara do espaço dos anos 80 (Charlie Day), Unikitty (Alisson Bree), Metal Beard (Nick Offerman), Lucy Wyldstyle (Elizabeth Banks) e do próprio Batman (Will Arnett). Além claro de lutar contra o presidente Negocios, também vai cruzar seu caminho o perigoso Bad Cop (Lian Nessom).

O humor nonsense dos diretores Phil Lord e Chris Miller, responsáveis por obras hilárias como Tá Chovendo Hamburger e a adaptação ao cinema de Anjos da Lei, é muito mais do que adequado. Se encaixa de uma maneira espetacular ao que já se via nos jogos com o famoso “humor lego”. Além claro de uma trilha sonora maravilhosa e um colorido que enche os olhos a cada momento. Ao final de tudo, é uma história tão pura que muitas vezes se torna mais emocionante ver com pessoas que nos ajudaram ao longo da vida ou que geramos para que nunca se esqueça o quanto é incrível construir sonhos e muito mais.



Giorgio Moroder Apresenta Metropolis de Fritz Lang. – Parem e imagine isso. Hoje está se tornando quase uma pratica comum e quiçá abominável de sempre ver inúmeros cortes para demonstrar uma visão do projeto ao mundo. Se lembra de casos como do filme Snowpierce no qual os irmãos Weinstein tentam lançar um novo corte ao público para uma compreensão mais simples ou até mesmo de filmes que de uma maneira involuntária fazem uma visão mais simples, no caso de Efeito Borboleta transcrever ao cinema a teoria mais simplista e paupérrima de Donnie Darko de Richard Kelly.

Giorgio Moroder, no auge dos anos 80 e em homenagem ao maior clássico do cinema alemão Metropolis, produz um novo corte para o filme de Lang. Ao invés de ser em preto e branco, de uma maneira ... “colorida”, com uma trilha sonora vibrante que vai de Bonnie Tyler até Freddy Mercury e quase uma hora menos a obra original, essa visão de Moroder ao projeto é quase transformar a mais complexa ideia em algo simples, transformando uma história de amor entre um nobre com uma moça da classe operaria.
Acho que até mesmo para aqueles que não viram a obra original, sente ao longo do filme aquele desconforto monstruoso em saber que falta muita coisa e que não ajuda em nada. Se torna até meio que vergonhoso por um lado assistir, porém a sua trilha sonora, ai sim, é o único acerto genuíno. Mas sem dúvida poderia ter sido uma versão melhor, sim se tivesse o som integral. Parecia que Moroder além de ter percebido que o sintetizador iria ser o som do futuro, também os cortes desnecessários para um entendimento melhor também ...


Grand Theft Auto V – As expectativas para a nova entrega da franquia foram altíssimas. Depois do sucesso explosivo do 4, que ainda sem dúvida é um marco para o gênero sandbox e do seu ultimo DLC até o quinto jogo foram quase ou mais de 3 anos. Dentro desse tempo, a Rockstar Games entregou jogos como L.A. Noire, Red Dead Redemption e Max Payne 3 e que cada um entregou novas e interessantes mecânicas de jogo e de máquina gráfica. O resultado é um dos maiores jogos de 2013 que arrecadou bilhões e massacrando mais uma vez a indústria hollywoodiana acrescentando ainda mais o debate de como os jogos estão atraindo mais o espectador mediano em relação custo-benefício-satisfação.

Talvez a única e a mais relevante mudança desse novo jogo fica por conta de que ao invés de ser um simples personagem principal, e sim um trio com cada um respectivas personalidades que se cruzam para fazer golpes na versão de Los Angeles, Los Santos. E ainda mais, ganha mais riqueza por que é uma crítica a sociedade americana vista pelos mesmos que fazem parte desse mundo. Diferenciado do quarto jogo que era do ponto de vista de um estrangeiro. No novo jogo, parece que eles abrem suas próprias feridas e começam a cutucar até não poder mais.

Até ai tudo bem, tudo poderia até ser justificável por todas essas mudanças se não fosse por um ponto extremamente importante: infelizmente, GTA V não tem uma história. Assim como aconteceu com GTA: San Andreas, o jogo contem mudanças extraordinárias, uma liberdade de fazer o que quer de uma maneira espetacular, mas quando se pensa em uma história, passa de longe. Talvez seja uma das piores histórias de GTA desde quando a mesma franquia se estabeleceu o que ela é realmente nos dias de hoje. E ainda para piorar, consegue deter um dos finais mais anticlímax que já foi feito para a franquia, deixando o jogador realmente decepcionado com tudo que aconteceu.

A Rockstar nesse jogo conseguiu o fundamental, quebra de recordes e críticas altas. Porém, ao contrário dos seus últimos jogos maravilhosos, encontramos realmente uma história incrivelmente apática do início até o fim, com poucos personagens que consegues ter um carinho definitivo e um desfecho que consegue ser pior do que o filme de ação mais sem graça de todos os tempos. Mas as melhores referências cinematográficas ainda estão ai, mas agora GTA é referência pop e até dentro do cinema, mas esse último em questão de história, não vai longe. Mas sem dúvida é um jogo que te vai consumir horas e não sentirás culpa.



Walt Disney nos Bastidores de Mary Poppins de John Lee Hancock – Vamos começar com o óbvio, quem foi o responsável por colocar um nome tão desastroso para esse filme? Acredito que muitas vezes é possível alterar o nome do filme para que pelo menos se torne atrativo para aqueles que estão querendo ver o filme. Ao contrário do Brasil, o país vizinho (e provavelmente toda a América Latina) que optou por um nome mais atrativio e mais uma vez, coerente a obra em si. O Sonho de Walt. O nome latino dá até o tom e a vez sobre esse filme que funciona como um making of encenado por grandes atores.

O filme começa no ponto de vista de P.L. Travis (Emma Thompson) que em uma crise financeira, se cede de uma maneira bem defensiva após de negar por 20 anos a adaptação de Mary Poppins no cinema pelo Walt Disney (Tom Hanks). E durante o filme se vê o paralelo das travas com o processo criativo do filme e ao mesmo tempo a lembrança do por que para a autora tem um receio em especial pela adaptação pelas memórias de seu pai (Colin Farrell). O interessante desse filme é que seu ritmo tenta sempre emocionar ao espectador citando momentos chaves do filme de Mary Poppins enquanto na parte da memória, o espectador é testemunha de uma das melhores interpretações de Colin Farrell em toda sua carreira.

O interessante nesse formato de filme, é que consegue pegar uma fase de um astro que é mito por muitos e transformar eles em pessoas vulneráveis. Isso citando o exemplo maravilhoso de Sete Dias com Marliyn com Michelle Williams. Se tinha a oportunidade de transformar a lenda da Disney em um homem comum, se nota talvez em uma única simples cena do filme que está bem no final e nada mais. Fora que a atuação de Hanks desse filme está bem mais leve e divertida em comparação a sua densidade que foi em Capitão Philips.

Emma Thompson e Colin Farrell esbanjam talento e o que talvez conseguem segurar o filme do início ao fim com suas interpretações maravilhosas e especialmente a Emma por protagonizar cenas memoráveis como foi o processo da música da pipa e o final. O filme ao invés de ser algo bem memorável sobre um momento mágico para o cinema, se tornou uma sessão da tarde que em muitos momentos quer extrair lagrimas do espectador e assim quebrar o gelo. Maniqueísta, talvez mas prefiro dizer um projeto tão sem coragem quanto uma pipa mal feita que se arrebenta no céu.


Uma Aventura Lego - *****
Giorgio Moroder Apresenta Metropolis de Fritz Lang - **
Grand Theif Auto V - ***
Saving Mr Banks - ***

8 de fevereiro de 2014

O retorno lento e as pequenas resenhas de Janeiro/14

Retornando a escrever, mas vou ver se pelo menos faço resenhas pequenas e mensuais (e se rolar inspiração, semanais) sobre filmes e jogos. Bem vindos novamente.



O Lobo de Wall Street de Martin Scorsese – O novo filme do duo Scorsese e DiCaprio chega em seu ápice em fazer uma história comum de Ascenção e queda de um corretor da bolsa de Nova York se transformar em um estudo do excesso e da loucura que o homem alcançar. O brilhantismo de como é contado o texto, junto com a melhor atuação de DiCaprio já vista, Scorsese transforma 3 horas em momentos que você sabe que não termine para admirar todo o projeto. E ao final de tudo, pode existir a culpa de admirar o personagem por conseguir transformar a lábia em uma ferramenta e também homens em lobos ... famintos por um lugar ao sol.



A Vida Secreta de Walter Mitty de Ben Stiller – Depois de entregar dois clássicos do besteirol que são Zoolander e Tropic Thunder, Bem Stiller surpreende em fazer um projeto bem intimista de um funcionário da Life encarregado dos negativos em buscar o negativo da última capa que está desaparecido e vai em busca do fotografo que é difícil de localizar. Um dos pontos a ressaltar que é o melhor filme técnico que Stiller já criou, existem momentos que sem dúvida vão ser lembrados por muito tempo como o uso da filosofia da Life e a cena da luta do elevador a uma perseguição surreal. Também se destaca pelas belas interpretações de Kristen Wiig e Sean Penn. O problema é que Stiller tinha a oportunidade do McGuffin porém deixou passar e o filme poderia terminar de uma maneira maravilhosa. É um bom filme que agrada o público alvo, mas sem dúvida poderia ter sido muito melhor.



Don Jon de Joseph Gordon Levitt – Transitando nos últimos anos entre grandes produções (A Origem e Batman O Cavaleiro das Trevas Ressurge) e pequenas produções (500 Dias com Ela e Hersher), JGL surpreende em fazer uma desconstrução das comédias românticas colocando como protagonista um rapaz com uma rotina que preza amigos e família porém com um pequeno detalhe: o vício a pornografia. E com a chegada de Barbara (Scarlett Johansson, brilhante em todos os aspectos) a vida muda. Curiosamente além dessa desconstrução maravilhosa do gênero, o filme também serve como uma pergunta de como suprimos os nossos vazios e nossos medos. E de que muitas vezes, as pessoas encontram caminhos estranhos para serem mais a si mesmos. Um solido trabalho de JGL e que sem dúvida, queremos ver mais do que ele pode criar.


The Walking Dead a Telltale Game – The Walking Dead é uma serie que contém muitos altos e baixos e ao meu ponto de vista, impossível de assistir. Já o jogo criado pelos mesmo criadores de Jurassic Park e De Volta Para o Futuro conta a história de Clementine e Lee, dois estranhos que criam um vínculo sem igual enquanto veem o mundo entrar no apocalipse. Por ser um jogo point and click e que tudo que você faz na trama, influencia no futuro, entrega uma das experiências mais marcantes nos videogames. Além, claro, de se aproximar muito mais a fonte original, dos quadrinhos de Robert Kirkman. Talvez é uma ótima oportunidade para aqueles que se decepcionaram com a serie jogarem o jogo para verem o que é realmente viver em um apocalipse zumbi, uma porta de entrada para a degradação humana.




Eu, Frankenstein de Stuart Baettie – Se torna bizarro ver esse filme tanto em casa, cinema, em qualquer lugar. Imagine transformar um ícone de terror em uma figura de ação imbatível. Ok, até ai o filme não se compromete tanto, porém quando começa a misturar que o Frankenstein é uma peça vital entre a guerra entre o bem, representados por ... Gárgulas santos (???) conta o mal representado por demônios. A história começa e termina sem pé e nem cabeça assim deixando que os efeitos especiais que estão funcionais para determinadas cenas dominarem a tela. E ao fim de tudo, a reação de “O que foi que eu vi?” domina o espectador fazendo refletir em um simples ponto: até quando veremos grandes mitos virarem abominações do cinema atual?


Notas 
O Lobo de Wall Street - *****
A Vida Secreta de Walter Mitty - ***
Don Jon - ****
The Walking Dead - *****
Eu, Frankenstein - *