1 de junho de 2013

Velozes e Furiosos 6, O Grande Gatsby e muito mais.

Velozes e Furiosos 6 -  **

Ainda me lembro a quase 12 anos atrás, esse mesmo jovem que escreve esse blog vai todo contente a ver Velozes e Furiosos no cinema. Sempre tinha visto notícias na tv a cabo na época sobre o filme.  E como todo adolescente que gosta de um cinema de ação, sai louco por ter visto algo bem diferente e uma nova linguagem de cinema. Hoje, quase 12 anos depois, ainda vejo essa mesma franquia no cinema. Porém ao mesmo tempo que o tempo passa, a mente consegue criar e moldar melhor o que se vê.

O novo filme da franquia é nitidamente diferente, assim como o quinto filme da franquia, e cada vez mais o foco da franquia original se torna uma interessante nostalgia, assim como o primeiro filme. Quando a franquia começou a mudar após o esquecível quarto filme, se sentiu que os donos da franquia quiseram modificar colocando mais cenas mentirosas de ação, e uma história que diferencie um pouco da relação aos dois primeiros ... o famoso caso policial infiltrado numa gangue de carros.

Essa franquia e muitas outras conseguiram o fundamental: encontrar formulas exatas para sempre conseguir fazer essa máquina rotativa hollywoodiana e aqui todos os elementos estão. Arcos dramáticos rasos, uma história linear porém longe de confundir o espectador, momentos específicos na trama para jogar o “lema” do personagem, reviravoltas que “surpreendem” e claro, arco para sempre ter mais. Além do fato do amadurecimento de Justin Lin na direção dando aqui seus melhores momentos por trás das câmeras, principalmente no clímax final.

Hoje, esse filme representa o que o Hollywood quer, o que o “público” quer ... Um cinema diversão em uma época de descanso. Uma obra descompromissada com elementos básicos de agrado ao um espectador comum. O filme poderia ser até uma obra passável e comum de uma época de blockbusters porém a cena final dá um gosto especial. Só os fãs vão adorar.



O Massacre da Serra Eletrica 3D – A Lenda Continua - * ¹/²

A franquia de Leatherface agora tem uma nova casa, a Millennium Films. E podemos dizer que na nova casa, o novo filme demonstra boas intenções para se tornar um capitulo respeitável para o terror atual. A começar com a corajosa decisão de ser uma continuação direta do filme original de 1974. A história segue momentos depois do primeiro filme quando o povo da cidade vá a casa dos infames Sawyer e liquidam quase todos, porém o Jed, o Leatherface desaparece. Anos depois Heather (Alexandria Daddario) descobre que herdou uma casarão em Texas e vai com seus amigos, porém descobre que dentro da casa tem escondido o Leatherface.

O twist final e a ideia de transformar esse novo filme como uma continuação legitimamente direta ao original dá um ar distinto porém soa bastante incomodo saber que o filme se passa na metade dos anos 70 e ver a Heather, personagem de Daddario, como se tivesse ainda 25 anos. Além do fato da direção desse filme está longe de ser o ideal do terror e por muitas vezes soando chato e extremadamente arrastado. E o 3D ... bem, estamos em 2013 e ainda insistem em fazer filmes 3D daqueles que jogam coisas na sua cara para dar aquela sensação de agonia nos olhos do que uma imersão digital. Grande lógica Millennium.

A mão pesada, a insistência de cenas 3D que não vão para lugar nenhum e um roteiro que em nenhum momento é desenvolvido como deveria ser (um respeito a obra original), o novo filme funciona igual as releituras que foram feitas na década passada para reviver o personagem no mundo atual e sem as privações da violência e das mutilações. Porém nada disso se torna autossuficiente quando não existe amor puro ao projeto. Uma grande pena.


O Grande Gatsby – **

Baz Luhrmann mais uma vez prova que ele é um diretor tão estético quanto se imagina. O filme é um deleite visual tanto no uso da computação gráfica para dar um ar nostálgico e especial a Nova York dos anos 20. Existem momentos que essa mesma computação gráfica dá um ar tão especial ao personagem de Gatsby que começamos a crer que ele é o santo na tela. Isso mais ainda é somado a uma espetacular atuação de Leonardo DiCaprio, que depois de muitos anos, volta a trabalhar com Baz e desta vez com uma bagagem de talento sem igual. O Gatsby de DiCaprio já te ganha no sorriso de esperança. Um olhar de sinceridade e principalmente, aquele olhar que você pode dizer assim: estou com você e não abro a mão.

O problema está no resto dele, assim como na sua estética, a própria estética o trai transformando momentos interessantes em um filme tão falso quanto uma nota de 3 reais. Além do fato de ninguém do elenco consegue chegar a metade da entrega de DiCaprio. O máximo que chegou a metade foi Joel Edgerton e mesmo assim da metade para o final da trama. Carey Mulligan, dona de um talento sem palavras que foi mostrado em Shame e Drive, aqui está mais perdida que cego em tiroteio. Além de um decepcionante Tobey Maguire que parecia mais uma repetição de Peter Parker sendo que sem os poderes do aranha.

Mesmo com uma história belíssima e uma analogia de como funciona o ser humano com o plus de uma atuação memorável e mágica de Leonardo DiCaprio, o filme é sabotado pelo excessos ridículos do diretor que já foram vistos nos seus filmes anteriores, uma PÉSSIMA trilha sonora com músicas que talvez escutada fora do filme funcionam porém dentro do filme além de serem péssimas, saem do contexto do filme completamente, salvo a música Love Is Blindess de Jack White que está impecável.

Para aqueles que amaram Moulin Rouge, talvez seja o retorno do diretor ao tempos áureos. Porém para aqueles que não conseguem passar dos 10 minutos de Moulin Rouge, O Grande Gatsby pode ser sem dúvida um tiro no bom gosto.