31 de março de 2012

A Hora da Escuridão

A Hora da Escuridão é mais uma nova produção de Timur Bekmambetov que chegou aos cinemas no começo do ano tem uma premissa interessante no qual mostra um grupo de americanos tentando sobreviver a uma invasão alienígena em Moscou no qual os alienígenas tem uma particularidade interessante, já que se alimentam de energia vital da terra, inclusive os humanos. O problema é que eles são “invisíveis” ao olho nu e dificilmente se sabe quando estão perto deles ou não.

Apesar de sustentar uma premissa interessante o roteiro se cai em desgraça por motivos interessantemente simples: a tentativa de humanidade nos personagens. Acredita-se que é um tipo de corrente de pensamento ou uma moda passageira no qual existe a tentativa desesperada em criar humanidade em um cenário no qual é latente que não existe mais. O que se torna bem triste por que o interessante desses tipos de produção é ver que a partir do momento que se descobre que não existe mais “humanidade”, todas as leis que foram acarretadas durante um longo tempo desaparecem.

O que aumenta mais a decepção ainda é saber que o mesmo diretor, Chris Gorak, que dirigiu um dos melhores filmes sobre o tema do desaparecimento da humanidade para um processo de auto-hominização Right At Your Door se rende a um roteiro capenga e talvez por pressão dos produtores ao criar um tipo de obra que coloca na mentalidade do espectador “que esses jovens inocentes vão voltar a casa.” Uma grande pena.

O que também aumenta mais o desespero negativo da trama é o seu elenco, pelo menos Emile Hirsch, Olivia Thirlby e Max Minghella fazem aquela atuação decente para filme catástrofe. Já o resto do elenco, parece que cresce a cada momento da fita a necessidade de que eles “desapareçam” o mais rápido possível com a mistura de overacting mais burrice que o roteiro programou para esses personagens. Fora que os efeitos visuais desse filme carregam prós e contras bizarros como uma macabra sensação de deserto em Moscou que se desfaz com um cromakey bizarro em cena extremadamente simples.

Possivelmente, dizer que A Hora da Escuridão é um filme ruim... Sim. Mas ao mesmo tempo, se for naquela mentalidade de que filme ruim existe a possibilidade de dizer que dá para matar um tempinho e mesmo assim sair pensando na maior ilógica do filme que após, se torna a melhor cena dela. Pelo menos Timur acredita que é possível investir em bons cineastas, mas o problema é que se entregarem roteiros desastrosos e entregar um orçamento muito baixo, só de ter o filme pronto já é uma vitória para um diretor... Mas uma derrota para os espectadores.

Ficha Técnica
A Hora da Escuridão (The Darkest Hour)
Diretor: Chris Gorak
Elenco: Emilie Hisrch, Olivia Thirbly, Max Minghella, Veronika Ozerova, Joel Kinnaman e Rachel Taylor
Gênero: Ficção Cientifica/Ação/Terror
Cotação: 30% - **

17 de março de 2012

Like Crazy


Alguns gêneros cinematográficos como o romântico necessitam não só de apenas doçura ou níveis extremos de chegar a emoção desmedida e por muitas vezes falta. A tendência atual está na quebra do maniqueísmo do gênero ou da necessidade de seguir padrões. Não teremos nenhuma duvida que filmes como 500 Dias Com Ela, Blue Valentine e entre outros. Ou seja, hoje, o que está salvando o gênero romântico são os filmes que são concretos. Like Crazy é um desses casos.

O filme relata a relação entre dois jovens, protagonizados por Anton Yelchin e Felicity Jones, que começam com suas ilusões e vivendo loucamente seus melhores momentos, porém com os imprevistos que aparecem nas vidas de cada um, os dois jovens tentam lidar com os novos caminhos. Também no filme está no elenco a estrela em ascenção, e justificado por que ela faz por merecer, Jennifer Lawrence.

Um dos fatos mais interessantes do filme está pelo fato de muitos de seus diálogos, na interação do casal Yelchin e Jones no qual se baseia muito no improviso nos dois. Por um lado não pode parecer muito, mas revela o quanto a química entre os dois na trama revelam o quanto são talentosos e que muitas das situações se tornam verossímeis para o espectador não se sinta tão desencantado ou iludido.

Os dois atores brilham em cena. Um belo casal em cena que por sua naturalidade, sabe cativar e dizer aos espectadores. Isso sim é um casal real. Tanto Yelchin quanto Jones merece um destaque a mais nos filmes por que sabem e tem o carisma necessário e que faltam no cinema de hoje. Para completar, apesar de aparecer pouco, a atuação de Lawrence é precisa e só afirma o quanto essa moça tem futuro.

Like Crazy não é uma fita memorável ao gênero, mas é um filme que sabe e aproveita o máximo do que tem do seu casal protagonista e das situações que surgem para os mesmos. Talvez que no dia dos namorados terá um papel especial de um filme que questiona sobre o que é estar juntos. Assim como a música de Héroes Del Silencio chamada Hace Tiempo, fica a pergunta: quando mudamos, mudamos para melhor? Ou para pior? Um filme eficaz, eficiente e acima de tudo, honesto.

Ficha Tecnica
Like Crazy
Diretor: Drake Doremus
Elenco: Anton Yelchin, Felicity Jones e Jennifer Lawrence
Gênero: Romance/Drama
Cotação: 80% - ****


4 de março de 2012

Poder Sem Limites

Poder Sem Limites poderia ter sido apenas mais um filme clichê de primeira pessoa, sistema que entrou em uma profunda saturação nos últimos anos. Poder Sem Limites sem duvida pode entrar e se tornar um projeto Cult que no qual se pode explorar muito mais do que poderias imaginar. Motivos? Tem vários e ao mesmo tempo interessantes pontos de vista que valem a pena ser explorados.

A câmera na mão se torna para muitos um novo tipo de diário. Para Andrew é uma nova necessidade de entrarmos em seu mundo. Um pai repressor, uma mãe doente e constante vitima de bullying. Tem uma solida amizade com seu primo Matt, um estudante que lê um pouco de filosofia. Após uma festa rave mal sucedida, os dois mais o popular Steve, encontram uma caverna uma pedra especial que após o contato, os três ganham superpoderes. Após isso, a cada momento que seus poderes crescem, as mentalidades de cada um começam a se transformar... Para o bem... Ou para o mal.

Poder Sem Limites conta com um detalhe que poucos ou quase nenhum filme desse estilo tem que no qual pode ser um filme com múltiplas visões. E o detalhe mais importante é que todas as visões que são exploradas dentro do filme são bem construídas, mas a que sem duvida merece um destaque maior é a filosófica no qual é citada a alegoria da caverna de Platão que sem duvida tem um charme extremadamente interessante.

No filme, a caverna e os poderes representam aos três uma nova visão do mundo e de tudo que se ganhou após ter “saído” da caverna. Porém ao desenvolvimento da trama vem a grande questão, será que todos que ganham novas visões sabem como compartir? Será que o homem quando detém um dom acredita que tem que fazer isso para o bem e não para si próprio? Ou melhor, é uma falácia a concepção de que os poderes devem ser compartidos como uma necessidade de salvar vidas?

É notável ou até justificável ser uma trama “clichê”, mas o que faz a diferença é a veracidade do personagem chave, Andrew. Em tempos nos quais as reações dos que sofreram bullying estão mais em evidencias, a construção desse personagem consegue ser mais concreta que muitos filmes já que teve ou já sofreu, se sentirá extremadamente identificado ao personagem. Não pode esquecer que chega a um ponto que o filme não parece de primeira pessoa já que os poderes do personagem fazem com que a câmera flutue e em seu ápice, uma clara homenagem a Akira e uma esperança de que possam fazer um filme nesses moldes, múltiplos pontos de vista.

Poder Sem Limites prova que com muito pouco pode se fazer muito. Transformar uma ideia “ultrapassada” e construir uma nova perspectiva no qual se torna muito mais crível que os famosos super-heróis que foram construídos em egos ocultos de seus criadores. É transformando heróis em falácias e fazendo o verdadeiro questionamento do poder: Quando descubro o que sou capaz, o que é o limite? Um filme que talvez não tenha um grande apelo de público, mas sem duvida, deixará a semente da desconstrução de limites.

Ficha Técnica
Poder Sem Limites (Chronicle)
Diretor: Josh Trank
Gênero: Drama/Aventura/Ficção Cientifica
Cotação: 85% - ****