20 de fevereiro de 2012

O Artista

*Texto com Spoilers

O Artista é um filme necessário. Essa é a primeira coisa que se sente após o termino desse maravilhoso filme. Com 10 indicações ao Oscar e em sua maioria de profunda justiça e passando longe do que podemos dizer furor de premiações. A história passa da originalidade e talvez a indicação a Melhor Roteiro Original seja mais pela força a homenagem ao cinema mudo e a jornada de George Valentin a uma transição ao ostracismo.

A história do filme conta a jornada de George Valentin, um artista de um carisma nato e de um sorriso faceiro, que vive seu auge no cinema mudo. Após uma premier ele se esbarra com uma moça ingenua chamada Peppy Miller, uma moça que começa a fazer papeis de figurante e de pouco a pouco ganha espaço com a revolução do cinema ... o som. Enquanto George começa a cair em desgraça a resistir a nova tecnologia.

Em uma visão simples e tranquila. O filme é sobre o medo ao desconhecido. A representação do desconhecido está mais uma vez na evolução que no caso da trama, é cinematográfica. Parece que hoje o espectador se comporta como o heroi da trama. Muitas vezes acreditamos que é uma grande piada tudo que é novo para hoje. Como no caso, a terceira dimensão digital. Na realidade o mesmo filme é uma apologia as novas tecnologias sustentando um argumento simples e ao mesmo tempo extremadamente valido que é: as novas tecnologias se tornam perfeitas quando sabem usar.

Como uma bela ferramenta, se torna uma perfeição quando sabem usar. Quando é usado de uma maneira errada, se torna uma grande piada. Prova disso, é a cena teste no qual George acha ridículo o teste de sua colega atriz. E talvez com a plena razão, já que quando estamos lidando com o mal uso de qualquer coisa, a culpa não é de sua tecnologia, mas de sim da pessoa que não sabe como lidar e desentoa toda a maravilha que uma nova tecnologia pode entregar.

George Valentin, brilhantemente interpretado por Jean Dujardin, é a melhor representação da resistência ao novo. Mesmo com o sorriso facil e sempre com seu fiel companheiro Uggie, em seus olhos, em suas expressões faciais e principalmente em seus atos dizem ao espectador o medo do novo. A cena do pesadelo sonoro é um dos grandes exemplos. Também Bérénice Bejo brilha com a adorável Peppy. Qualquer cena com ela no filme, parece que o filme solta faiscas com ela. E quando os dois estão juntos e dançando, rezas para esse momento não terminar.

O Artista é a arte pela arte. É daqueles filmes que após o seu termino ficamos a pensar durante muito tempo a representação do cinema para nós mesmos, espectadores. É daquele tipo de filme que nos relembra por que devemos ser exigentes com o cinema. Não importa se é mudo, falado, com 3D ou sem 3D. O cinema tem que transcender e marcar cada um com seu projeto. E nesse belo filme ... A beleza do silencio, a fofura de um cãozinho, a dor do ostracismo, o choro a beleza e acima de tudo o sapateado de que podes voltar a sorrir sem ter medo do que será o dia seguinte.

Ficha Técnica
O Artista (The Artist)
Diretor: Michel Hazanavicius
Elenco: Jean Dujardin, Bérénice Bejo, James Cromwell, Pennelope Ann Miller, Missi Pyle, Malcolm McDowell e John Goodman
Gênero: Drama/Comédia/Romance
Cotação: 100% - *****

Indicações ao Oscar: 10, incluindo Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Trilha Sonora e Melhor Diretor.








Bonus Track para Uggie por que ... ELE É MITO.