O Vingador do Futuro (2012)

Hollywood não aprende por muitas vezes que tocar em devidas vacas sagradas podem surgir grandes porcarias ou ao mesmo tempo, projetos que inspiram a admiração e a raiva. Projetos como Psicose de Van Saint, Watchmen de Synder e até mesmo a repaginação de lendas e fantasias na busca de um novo publico como as ultimas desastrosas adaptações de clássicos infantis são alvos de debates. Uma dessas vacas sagradas, sem duvida é O Vingador do Futuro. Filme de ficção que impulsionou ainda mais a consolidada carreira de Arnold Schwazenegger baseado em uma adaptação de Phillip K. Dick. O projeto ganhou uma repaginação com a base principal do livro, porém extremadamente diferente ao filme original. O detalhe é, é possível extrair algo de bom nesse filme sabendo que tocou em algo sagrado?

Em um futuro distante, Douglas Quaid começa a questionar seu papel e de sua vida que estava caindo em uma rotina desagradável. A única coisa que tirava dele da mesmisse era o fato de sonhar com uma grande aventura. Um dia, um amigo recomendou para que ele vá para a Rekall, uma empresa que implementa sonhos em seus clientes. Impulsionado por sua rotina cansativa, Quaid faz o tratamento para ser um agente secreto. O problema é que quando iniciou o procedimento para o sonho, se torna o pior pesadelo quando começa ser caçado por todos os lados.

Talvez o maior ponto positivo (ou o único para alguns) é a criação de um universo diferente para não ficar tão evidente ou não praticar a tática copy-paste. A começar pelo contexto da história que troca questões interplanetárias e que no filme original a questão de Marte por continentes fazendo uma associação até que bem vinda ideologicamente do colonialismo britânico já que a riqueza está na Inglaterra e enquanto o resto do mundo está na Austrália e lá está la escoria. Também fica evidente que a parte da elite lembra aquele futuro visto no filme Minority Report, enquanto a parte pobre, lembra Blade Runner (uma das melhores partes do filme se reside em uma espetacular sequência a pé).

Entretanto, os pontos negativos são fatores decisivos, ou seja, o que transformam o filme em um projeto duvidoso. A começar pela escalação de Les Wiseman que mesmo feliz com sua franquia Anjos da Noite não consegue trazer nada de novo, e talvez a queda progressiva de ritmo e a falta de uma mão mais talentosa deixa a desejar. Também o desperdício de um ótimo elenco no qual quase todos estão no mecânico desde um apagado Bryan Cranston a uma nula Jessica Biel. Talvez os únicos que trazem decência a trama é o Colin Farrell, que mesmo não tão a vontade como foi no outro remake A Hora do Espanto, como um cara que entende de filmes de ação e Kate Beckinsale como a vilã do filme como a implacável Lori.

A mudança para um tom mais sério e ausente de frases feitas tornariam ingredientes perfeitos para uma nova adaptação porém a falta de identidade da mesma já no seu nascimento fazem que o filme se perde e caia em um ponto comum como em qualquer remake que se faz nos dias de hoje: Um bom filme mas longe do brilhantismo do original. Claro que ajuda para que o público atual conheça o clássico do Arnoldão e ao mesmo tempo gerar mais um debate interminavel no qual quando um remake pode se beneficiar ou não. Talvez não será nem o primeiro e nem será o ultimo filme a fazer a perigosa brincadeira de copiar de uma maneira vazia uma vaca sagrada. Uma pena. Tinha potencial, mas ficou na falta de ser um projeto de verdade.


Ficha Técnica
O Vingador do Futuro (Total Recall)
Diretor: Les Wiseman Elenco: Colin Farrell, Kate Beckinsale, Jessica Biel, Bryan Cranston, John Cho e Bill Nighy.
Gênero: Ação/Ficção Cientifica
Cotação - ***

Comentários

  1. Para mim, a questão mais importante nem é a de original x remake, mas sim a que envolve o cineasta Paul Verhoeven, pois até quando Hollywood irá sacar que jamais será capaz de fazer algo que se aproxime do brilhante trabalho do holandês? Já tivemos sequências para "Instinto Selvagem" e "Tropas Estelares" e já está até mesmo em estudo uma refilmagem para este segundo. Todos uma droga.

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    1. POrra, uma boa observação sabia? Acredito que mesmo sendo projetos simples ou melhor, de concepções simples, são coisas que tem um detalhe importante ... é aquele momento onde a mão faz a diferença. Infelizmente Les Wiseman nunca terá.

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  2. Eu imaginava algo pior, mas pelo seu texto parece que pelo menos resultou numa boa diversão.

    Abraço

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  3. Boa análise, cara. Mas sou da turma que acha que um DVD ou um Blu-ray são suficientes para a garotada realmente interessada conhecer os filmes antigos. Quem precisa de remakes pra isso não está interessado no legado de Hollywood. Ou como bem disse o Alex aí, no cinema de Verhoeven, que fez a diferença na virada dos anos 80 para os 90. O novo "Total Recall" é censura livre perto do filme estrelado por Arnoldão. E bem inferior. Mas isso a gente já esperava. A discussão deveria ser: Até mesmo um filme voltado para consumo rápido nos anos 90, como "O Vingador do Futuro" vira um filmaço perto do entretenimento barato dos dias de hoje. É hollywood atirando para todos os lados. O cinema mudou. Pra pior.

    Abs!

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    1. Já fui nessa ideia que iria ser pior. Tem pontos positivos e talvez o único não ser copy-paste. Porém se hoje temos tantos recursos, por que não dá oportunidades e relançar determinados filmes em alta definição ou no Imax como foi feito com Indiana Jones?

      Sai mais no lucro e vantajoso.

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  4. Será estranho assistir a este filme, o original teve demasiado impacto na minha meninice!

    Vasco
    http://vascoricardo.blog.com

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  5. Vou ver mais pela "diversão" que o filme pode proporcionar... Seu texto já me deixou bem alerta quanto ao roteiro, hehe

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  6. Eu sinceramente não tenho problemas com o filme ser um remake de uma obra tão adorada e boa como o filme do Verhoeven. Por isso essa atualização da história me parece bem-vinda no filme, sem a necessidade de reprisar o anterior. Acho os filmes bastante distintos em tom, e não se quer, em nenhum momento, com esse novo, reprisar a abordagem do holandês (que é única). De resto, funcionou comigo como um filme divertido, com mais ação e parafernália, atravessado por luz futurista. Até do Farrell eu não consigo reclamar.

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  7. Na tentativa de não apenas reprisar o anterior, tirando Marte atualizando a trama e jogando outras questões "filosóficas" acabou criando um problema, pois alguns elementos permaneceram e não foram tão bem contextualizados, tornado o roteiro frágil. Assim, investiram na ação desenfreada e nos efeitos especiais. Ficou um filme oco, divertido naquele momento, mas facilmente esquecível.

    abraços

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