16 de novembro de 2011

A Pele Que Habito


Pedro Almodóvar. Aos meus olhos, se comporta como um diretor apaixonado ao que se corresponde cinema e imprime paixão e intensidade as suas peças chaves, nos quais se reside nas entregas totais de seus atores favoritos aos seus respectivos personagens. E tudo isso com cores fortes e a presença do vermelho penetrante aos olhos. Não se pode esquecer esse detalhe fundamental, a cada novo filme que lança... Não é só apenas um novo filme nos cinemas, mas sim um evento cinematográfico e uma grande oportunidade de muitos verem sua obra nos cinemas e tentar compreender o endeusamento e o respeito por ele.

A Pele Que Habito estréia nos cinemas nacionais marca a transposição do diretor a um gênero desconhecido de sua filmografia que é o suspense, a volta de Antonio Bandeiras como principal da trama após uma longa pausa e a confirmação de uma nova musa em sua filmografia e talvez a consagração da atriz espanhola Elena Anaya.

A construção de Almodóvar a trama e tudo que vai acontecer mostra um ponto fundamental em sua característica que anda em uma ausência incrível de intensidade. Tudo que os personagens fazem durante a trama não é tão jogado ou tão mal construído, melhor, a cada minuto que se passa o que se torna ojeriza se torna admiração e transforma uma idéia em uma obsessão apaixonante que só o diretor pode entregar ao espectador.

Assim como aconteceu em Penelope Cruz em Volver e Abraços Partidos, Bandeiras merece inúmeros elogios na composição do seu personagem. É como um despertar sem igual de Antonio nas mãos de Almodóvar. Seu personagem dúbio é um dos mais magnéticos do ano e que a postura de Banderas ao doutor Roberto só deixa o fascínio e admiração.

Elena Anaya sem duvida é uma diva almodoviana. Uma personagem que inicialmente não se compreende suas atitudes mas que de pouco conquista o espectador de uma maneira quase magnética sem duvida reserva os sentimentos mais sufocantes da trama. Atrelada a beleza e o sofrimento abismal, ao final da trama, é impossível não aplaudir para a força dramática que ela coloca em cena.

A Pele que Habito de Pedro Almodóvar é daqueles filmes que transcrever em palavras se torna difícil já que é extremamente difícil tanto escrever com em um texto. Talvez seja daqueles filmes que se tornam mitológico ou único nos qual tudo que se viu na tela não é para descrever e sim para sentir e guardar para si o porquê Almodóvar é um cinema a flor da pele.

Ficha Técnica
A Pele Que Habito (La Piel Que Habito)
Diretor: Pedro Almodóvar
Elenco: Antonio Banderas, Elena Anaya, Jan Cornet e Marisa Paredes
Gênero: Drama/Suspense
Cotação: 100% *****

5 de novembro de 2011

Bellflower

Sempre deixei o meu repudio aos filmes românticos. Não pelo gênero em si, mas que muitas vezes somos reféns a uma estrutura cinematográfica que parece que foi feito para criar choros e suspiros a uma parcela do publico. Não importa se a dosagem de emoções extrapole o ridículo e o bom senso do espectador, mas se o público alvo sente o romance e se sinta emocionado. Enquanto a parte sensata olha aquilo e pergunta se adiantou agüentar um filme tortuoso do gênero.

Em 2011, talvez o público que goste de filme de verdade está comemorando a esmo os rumos desse gênero esse ano. Uma boa parte dos melhores filmes desse ano é de cunho romântico. Entretanto, não são aqueles que se pode dizer, de um cunho meloso... Não, muito pelo contrário. O que fizeram que muitos filmes românticos conseguissem a excelência está no que o publico alvo perdeu em perceber ou contextualizar: uma abordagem concreta e real.

Blue Valentine, Amor a Toda Prova, Medianeras e Submarine são exemplos que o fundamental nesses filmes, o fundamental não está em sua estrutura mais sim de como abordas esses mesmos temas sem cair em um maniqueísmo que beira ao absurdo e acima de tudo, longe da realidade. Interessante é que mais um filme pode se enquadrar nessa questão de romance abordado com coerência entre seus realizadores. O drama independente Bellflower.



Dois amigos de infância aficionados por Mad Max passam o tempo construindo um arsenal para o fim do mundo e assim como o filme de Mel Gibson, viver uma aventura sem igual. Mas a chegada de uma moça vai mudar suas vidas. A base simples da trama inicialmente não pode dizer nada, mas o que diferencia esse filme de muitos outros filmes está na mesma qualidade dos outros filmes citados. Ou seja: a abordagem.

Bellflower foi escrito, dirigido e atuado por Evan Glodell não só apenas foca no romance e no que acontece depois. Também está nesse filme a questão da amizade e das inseguranças que podem aparecer durante um relacionamento. Tudo isso brindado com uma trilha sonora envolvente e atuações naturais, longe do exagero do overacting que se vê dentro do gênero romântico.


Outro fato que merece o destaque é a parte técnica. Filmado em câmera digital e acima de tudo com um orçamento extremamente baixo, o mesmo filme resgata a mágica do cinema independente no qual o mais importante é o desenvolvimento do talento dos envolvidos e o filme consegue ser tão puro que até a câmera tem pequenas sujeiras na lente fora o tom granulado em algumas cenas que conseguem ser mais ricas e por que não, mais épicas que uma tomada de um filme de grande orçamento.

Bellflower é aquele tipo de filme que sem querer bate na cabeça do espectador por ser um filme literalmente cru, mas de uma veracidade dos seus criadores que para aqueles que buscam um cinema independente mais rebuscado. Um dos melhores exemplos que o cinema deve sempre se desdobrar em seus gêneros e muito mais do que adequado ver um filme independente no qual o apocalipse mais assustador continua sendo o final de um romance.


Trailer


Ficha Técnica
Bellflower
Diretor: Evan Glodell
Elenco: Evan Glodell, Jessie Wiseman, Tyler Dawson, Rebekah Brandes e Vincent Grashaw
Gênero: Drama/Romance/Aventura
Cotação: 100% *****