27 de outubro de 2011

Semana do Terror - Contágio



A realidade que se tem que se falar de Contágio. O novo filme de Steven Soderberg conta com um dos melhores e mais talentosos elencos do ano. Talvez o maior. O filme também é um dos projetos finais do diretor no cinema fazendo assim que cada filme que saia antes da sua aposentadoria definitiva, é esperada com uma ansiedade extraordinária. Mas esqueçam esse detalhe: o principal foco é realmente o que o filme prometeu, ou o que poderia prometer: uma jornada ao brote de uma doença.

O filme recria de uma maneira mais trágica, mas sem fugir da realidade de fatos que passamos recentes como o brote de uma pandemia que foi a Gripe A. Em 2009 com a gripe H1N1, muitos se lembram da paranóia incrível que foi essa doença em inúmeros países como Argentina, México e outros. Nessa época, a paranóia chegou ao ponto de desencontros de números oficiais de doentes e pessoas nas ruas evitarem o contato um com os outros.

O filme consegue ter isso em mente, transformar a doença em um ator principal. O modo assustador como ele se alastra nos personagens no filme criando medo e desespero por onde passa. Talvez para muitos, pode ser tratado como um fantasma de um passado recente que, todavia consegue criar lembranças tristes a aqueles que ficaram doentes ou de alguém próximo que perdeu sua vida diante a doença.

Se olhar por esse ângulo farmacológico, o filme ganha olhares espetaculares. Principalmente por que tem um conteúdo inegável para se debater como as visões das autoridades sobre a doença, sobre as pessoas comuns que sofrem no isolamento e principalmente o cruzamento de noticias e a tentativa de controlar o medo. Agora se analisar como cinema... Bem, é ai que começa os pontos negativos do filme.

A começar com o óbvio: o cinema de Steven Soderberg. Mais uma vez é aquele tipo de cinema que não detêm uma personalidade. Ele consegue mesmo com uma história que é atraente por si só, uma frieza mecânica que só ele consegue criar. Outro fato incrível é de como o mesmo consegue desperdiçar um grande elenco que pelos nomes que tinha, só desenvolveu bem (ou pelo menos de uma maneira tolerável) 4 personagens e só. Destaque negativo a atuação apagada ao extremo de Marion Cotillard.

Contágio sem duvida se torna um filme atraente para criar debates sobre de como a humanidade lida com epidemias e com ela mesma. Mas olho, já que cinematograficamente, é mais um filme redundante de Soderberg, no qual detêm um grande elenco, porém poucas peças funcionam isoladamente diante a uma fita fria por parte do seu criador. Farmacologicamente brilhante, mas cinematograficamente doente.



Ficha Técnica
Contágio (Contagion)
Diretor: Steven Soderberg
Elenco: Matt Damon, Laurence Fishburne, Jude Law, Marion Cotillard, Anne Jacoby-Heron, Kate Winslet, Jennifer Ehle, Demetri Martin, Bryan Cranston, Chin Han, Sanaa Lathan, Elliot Gould, John Hawkes, Monique Gabriela Curnen e Gwyneth Paltrow.
Gênero: Suspense/Terror
Cotação: 75% ***

25 de outubro de 2011

Semana do Terror - Videodrome, A Síndrome do Video

A tecnologia a cada passo que se dá, cria novas experiências para seus consumidores. Hoje vivemos a cada segundo o deslumbramento da tecnologia por causa da retomada extrema do 3D adequado ao sistema digital e videogames que baseiam nos movimentos sensitivos do jogador. Nos anos 80, David Cronenberg nos anos 80 entrega uma jóia rara do cinema no qual explora o horror com essa perspectiva tecnologia: Videodrome.

O que é o Videodrome? Para Max Renn, dono de uma pequena transmissora de tv é sem duvida o que ele mais anseia para sua emissora. Sabendo que é uma emissora pequena, ele atende os anseios das pessoas: a busca de sexo e extrema violência. Ao descobrir um programa diferente chamado videodrome no qual se parece mais a um snuff film, percebe que pouco a pouco ao receber ondas desse novo programa, perceberá que não só perderá o controle mental e sim algo bem pior.

Cronenberg cria uma fabula negativa sobre a questão dos avances tecnológicos atrelados ao consumo imediato do homem. Praticamente o personagem Max Renn que por um lado pode ser considerado vitima, também podemos dizer um culpado por que consegue representar de uma maneira feroz (aliado a uma soberba atuação de James Woods) por esse consumo excessivo, a destruição moral é mais concreta do que se imagina.

Cronenberg consegue prender o espectador facilmente com essa premissa que mesmo feito na década de 80, nunca deixou de ser tão atual quanto se imagina. Os efeitos em várias cenas, principalmente quando o personagem no alto do delírio guarda uma arma no estomago. Realmente, o trabalho de Rick Baker nesse momento explode a perfeição e mesmo com a tecnologia de hoje ser extremamente avançada, o trabalho que se vê nesse filme é praticamente eterno.

Videodrome representa em uma maneira cruel e voraz do descontrole humano sobre a tecnologia e do que ela começa a exercer sobre ele. Em palavras simples, é a transformação do homem em um videocassete, ou seja, o homem deixa de ser si mesmo e se torna uma maquina de reprodução alheia, sem vida e sem rumo. Sem duvida, um filme inesquecível, assim como a filmografia desse incrível diretor.

Ficha Técnica
Videodrome - A Síndrome do Video (Videodrome)
Diretor: David Cronenberg
Elenco: James Woods, Sonja Smiths, Peter Dvorsky, Les Carslon e Deborah Harry como Nikki Brand
Gênero: Terror/Ficção Cientifica
Cotação: 90% *****

Link da critica original: Aqui

23 de outubro de 2011

Semana do Terror - From Beyond (Do Além)


Muitos consideram que os filmes trash dos anos oitenta como expoentes de maquiagens grotescas e horripilantes que criavam ao publico medo e respulsa. Outros consideram que em realidade, isso se chama o Body Horror, no qual o desdobramento do corpo ao desconhecido leva a uma nova experiência que ultrapassa os limites do que o mundo considera... Normal.

Pode-se citar dessa leva interessantíssima O Enigma do Outro Mundo de John Carpenter e claro, os filmes áureos de David Cronenberg como Videodrome, Scanners, Os Filhos do Medo e claro o remake de A Mosca. Porém é importante citar Re-Animator de Stuart Gordon e o filme comentado nesse texto, a adaptação de Gordon para a obra de H.P. Lovecraft, Do Além (From Beyond).

Dois físicos conseguem criar uma máquina que consegue expandir uma glândula cerebral que alguns consideram a do sexto sentido. Com a criação de uma maquina chamada Resonator, a glândula consegue responder bem, sendo que ao ligar essa máquina além de abrir um novo universo, algo mata um dos doutores. Uma psiquiatra tenta saber o que aconteceu de verdade por trás disso tudo e descobre uma verdade muito mais além do que a ciência consegue explicar.

Assim como as obras citadas em cima, o verdadeiro foco não está nos efeitos visuais ou na maquiagem que sem duvida mostram o porquê do fascínio dos fanáticos do gênero a essa linguagem. Grotesca, sem limites, ao ponto da repulsa e acima de tudo sem computação. O mais interessante é que a mesma maquiagem fazia que as temáticas chegassem ao ponto de serem reais. Como exemplo, nesse filme de inúmeras cenas que mesmo com a tecnologia de hoje, consegue ter um impacto extraordinário.

O mais interessante está em sem duvida em seu roteiro. O verdadeiro foco está no estudo gráfico sobre a embriaguez do homem em querer desvendar os mistérios da mente. Mostra em um detalhe entre dois personagens a embriaguez de uma maneira quase doentia e por outro, a tentativa ou o que talvez seja a sensatez ao enfrentar o desconhecido.

From Beyond – Do Além seja um exemplo rico de um gênero que só agora está se consolidando nos dias de hoje o verdadeiro potencial. Um estudo impar, visceral, repulsivo e verdadeiro sobre a natureza humana. Terror no qual o verdadeiro temor é saber que o homem não está preparado a desvendar mistérios mais além do que ele entende. Realmente, os humanos são presas fáceis diante de seu descontrole.

Trailer do Filme:



Ficha Técnica
From Beyond - Do Além (H.P. Lovecraft's From Beyond)
Diretor: Stuart Gordon
Elenco: Jeffery Combs, Barbara Crampton, Ken Foree, Carolyn Purdy-Gordon e Ted Sorel
Gênero: Terror/Ficção Cientifica
Cotação: 85% - ****

18 de outubro de 2011

Cedar Rapids

Quando pensamos em cinema independente norte americano, vem na cabeça um simples pensamento: Serve como veiculo importante para atores darem o melhor de si em grandes atuações em filmes intimistas. E é um desses casos ficamos surpresos quando vemos atores extremamente duvidosos poderem demonstrar de uma maneira sem igual talentos que o mainstream muitas vezes não percebem. Cedar Rapids de Miguel Arteta é mais um desses exemplos de jóia independente.

Tim Lippe, um segurador de uma cidade pequena e que tem uma vida extremamente confortável. Mas ganha uma mudança interessante quando ele tem que representar sua empresa de seguros a um evento em Cedar Rapids graças a um incidente do mais alto escalão do seu trabalho. Ao chegar a essa convenção se depara com situações que ele nunca tinha se deparado na sua cidade natal e que irá mudar sua ótica de vida.

O novo filme de Arteta que após um estudo sobre os questionamentos morais de uma juventude no espetacular Youth In Revolt, Cedar Rapids mais uma vez é uma obra independente que fala sobre questões interessantes e de cunho humano, que no caso do filme, a alegoria da queda do falso moralismo. O roteiro de Phil Johnston se torna uma critica a esse tipo de comportamento transformando o evento principal do filme, a convenção como se fosse um choque de realidade para o personagem principal, que se torna um choque brutal, mas ao mesmo tempo sincera.

A força do roteiro só ganha com as atuações de seu elenco afiado. Ed Helms faz de seu personagem uma retratação de certo ponto de nossas vidas, o momento que caímos na realidade e vemos as falácias de virtudes de morais tradicionais. Helms se torna chave e ao mesmo tempo o veiculo para entregar momentos maravilhosos de seu elenco, principalmente o trio Anne Heche, John C. Reilly e Sigourney Weaver que sua ultima aparição, chega ser o momento ápice de toda a fita.

Cedar Rapids se torna uma fita especial por tratar um personagem rico ao choque da realidade. Não pense em ver um estilo de direção diferente, já que em realidade, os filmes independentes são veículos perfeitos para ver atuações preciosas que nos enchem os olhos, no caso, de todo o elenco principal e principalmente Ed Helms que consegue ser muito mais do que se imagina. Quem faz rir e ao mesmo tempo emocionar com sua atuação, é digna de premio e respeito eterno.


Ficha Técnica
Cedar Rapids
Diretor: Miguel Areta
Elenco: Ed Helms, John C. Reilly, Anne Heche, Isiah Whitlock Jr., Stephen Root, Kurtwood Smith, Alia Shawkat, Thommas Lennon, Rob Corddry e Sigourney Weaver
Gênero: Comédia/Drama
Cotação: 90% *****

11 de outubro de 2011

Pânico 4


Existem determinados revivais ou festivais de nostalgia que conseguem criar situações interessantes. Lembramos o exemplo de Indiana Jones E O Reino da Caveira de Cristal, era quase visível que o filme era feito para os fanáticos, mas que muitos não digeriram bem a trama e alguns se declararam envergonhados por ter gostado. Outro exemplo foi nos “épicos” que saíram na década passada no qual se passou e poucos são lembrados, com exceção merecida de Senhor dos Anéis.

Agora o que resta a lembrar de falar de Pânico 4? Realmente, se tornou coerente (isso mesmo, coerente) em fazer uma continuação de uma franquia que talvez deu um gás novo dentro do terror sendo que a cada fita que passava desgastava mais rápido do que tudo e ainda para completar Wes Craven dirige após uma fita desastrosa que foi A Sétima Vitima. Nostalgia que trás benefícios ou se cai ao ridículo?

Após 10 anos aos eventos do ultimo filme, a Sydney Prescott volta a cidade natal e encontra algumas mudanças. Uma é a mitologia que se criou por trás dos eventos do filme anterior junto com a celebração da cine serie “Punhalada”. Outra é que o casal Dewey e Gale vive momentos complicados na relação. Tudo muda quando novamente começa uma nova matança.

O terror teen dos anos 90 tem seus méritos já que a maioria dos cinéfilos que tem entre 25-30 anos cresceram vendo essas fitas como Pânico, Lenda Urbana e Eu Sei O Que Fizeram No Verão Passado mas ao mesmo tempo que saíram essas fitas, conseguiram se desgastar com suas fracas continuações e já em 2000 era um gênero que muitos tinham um que de vergonha de gostar e afirmar o que muitos fãs de franquia de terror sustentam: só prestou o primeiro.

Na década passada foi marcada pela redescoberta ao cinema oriental de terror e suas inconseqüentes releituras vazias americanas; A revitalização do gore na Europa; A exploração ao terror primeira pessoa; E por ultimo, um dos mais importantes e polêmicos a ser citado, o torture porn e suas vertentes. Sendo que esse ultimo, todavia carrega debates morais e éticos que por muitas vezes parece que não tem fim. E ainda na década passada, Wes Craven só conseguiu se sobressair dirigindo o suspense minimalista mas maestro em sua execução Vôo Noturno, filme que aumentou o veiculo para Rachel McAdams e Cillian Murphy e só. Dirigiu A Setima Vitima e além de ser um filme tremendamente ruim, existiu dentro desse mesmo filme uma necessidade de recriar de pouco a pouco essa energia que foi essa rama na década passada. Não funcionou. Fora isso, produziu o remake de um de seus filmes clássicos Quadrilha de Sádicos com um jovem cineasta promessa Alexandre Aja e veio ai, Viagem Maldita, um dos expoentes mais importantes da década passada. Então, o que se pode esperar em Pânico 4?

O roteiro de Kevin Williamson volta aos maravilhosos maniqueísmos desse gênero e pior, potencializado pelo seu fraco elenco. Existe também um destaque curioso que é a “critica” inicial que acontece sobre o torture porn e as falas das personagens em si entram em uma linearidade aos que são fanáticos do terror teen: a falta de qualidade nas fitas e o amor ao gráfico. Por um lado era possível comprar a idéia, porém ao decorrer do filme, o mesmo diretor busca na violência gráfica digna aos filmes do gênero e fora que o fato que o torture porn conseguiu com outras obras desdobrar esse estigma gráfico com temas políticos e debates psicológicos. Enquanto o terror teen e esse filme ficaram no mesmo: assassino mascarado que mata qualquer um e revela-se no final com argumentos que beiram o bom senso do publico.

                                           Momento Eu Quero Meu Dinheiro de Volta

Não quero comentar nada sobre o elenco por que é impossível não ficar com a cara de vergonha alheia com inúmeras cenas e talvez os únicos que trazem decência a trama inteira é com certeza o trio inicial formado por Neve Campbell, David Arquette e Courtney Cox. É até simbologicamente interessante ver que mesmo ao passar dos anos, a química entre o trio de protagonistas brilha durante a trama. Já o elenco do filme... é o famoso, vamos adivinhar quem vai pro saco ou não. Wes Craven sem duvida consegue ter a incrível capacidade de se auto-estragar em sua carreira entre filmes que beiram a genialidades e outros que ficamos a questionar o por que ele é dito como muitos o mestre do horror. Em Pânico 4 ele consegue momentos geniais de construção do terror no momento da granja ou até mesmo na belíssima cena homenagem a Preludio Para Matar do grande Dario Argento. Mas ai lembramos do prelúdio inicial ridículo, a longa duração que dificilmente toma uma engrenagem ágil e acima de tudo, desenvolvimentos de personagens que nem vale a pena focar 5 minutos faz que o filme caia no fundo do poço.

Pânico 4 talvez seja um dos grandes motivos que o terror teen esteja no ostracismo. É ridículo, se sustenta somente em homenagear referencias e não se tornar uma referencia. Talvez assim como a maioria das franquias de terror, funcionará para os fãs do gênero, mas não consegue alcançar outras ramas de publico. Pelo menos existe a vontade de entrar na tela e dizer, prefiro mais um torture porn que explora a demência do ser humano do que ver um assassino panaca que consegue ter motivos mais panacas que bebe da ingenuidade do espectador que já matou o filme inteiro em questão de minutos.

Ficha Técnica
Pânico 4 (Scream 4)
Diretor: Wes Craven
Elenco: Neve Campbell, Courtney Cox, David Arquette, Emma Roberts, Hayden Panettiere, Marley Shelton,  Adam Brody, Anthony Anderson, Rory Culkin, Kristen Bell, Anna Paquin e Roger Jackson
Gênero: Terror
Cotação: 20% - *

9 de outubro de 2011

O Zelador Animal

Algumas produtoras já conseguiram em criar um mau gosto extremo ao espectador. Um exemplo claríssimo é a Happy Madison, a produtora de um dos comediantes mais sem graças do universo, o grandioso Adam Sandler. A maioria dos filmes da produtora tem como o mesmo como o protagonista ou amigos de talentos duvidosos como Rob Schneider. Agora nos cinemas e por um fato bem oportunista, o dia das crianças; Vem a nova fita da produtora, O Zelador Animal.

O ponto de partida é Griffin, um zelador bondoso que com o tempo tenta esquecer o desastre que foi o pedido de casamento rejeitado por sua ex-namorada. O tempo se passou e ela volta a cidade e a paixão de Griffin se reacende. Entretanto, o zelador se encontra travado ao estar com ela e vai ganhar dicas valiosas dos animais do zoológico que vão tentar liberar o seu instinto animal.

O tema principal do filme tem algo especial, nisso não tenham duvida. Criar o debate entre a função instintiva do homem contra o racionamento será algo de uma exploração imaginável o problema é que como é uma produção de Adam Sandler, toda essa temática cai por terra para dar voz e vez a piadas físicas sem graças e de um gosto extremamente duvidoso. É muito difícil durante o filme ter algum sorriso lindo diante a uma avalanche de piadas características das produções de Sandler.

O Zelador Animal não só detém o exemplo de ter uma grande idéia e deixar a perder. Não é um dos piores filmes do ano. Um filme que talvez funcionasse melhor em um mercado de DVD já que iria economizar dinheiro e o tempo que eles iriam perder ao enfrentar isso na telona. Mas em feriado de dia de crianças, se torna extremamente difícil as crianças não quererem de deixar de ver o filme. Sem duvida, um filme que não vale a pena recomendar.

Ficha Técnica
O Zelador Animal (Zookeeper)
Diretor: Frank Coraci
Elenco: Kevin James, Rosario Dawson, Leslie Bibb, Ken Jeong. Com as vozes de: Sylvester Stallone, Cher, Adam Sandler, Nick Nolte, Judd Apatow, Maya Rudolph, Jon Favreau
Gênero: Comédia/Romance/Infantil
Cotação: 15% - *

1 de outubro de 2011

Não Tenhas Medo do Escuro

Guillermo del Toro, dono de uma mente fantástica ao respeito ao cinema fantástico sempre caminha em temas que estão ao limite do medo e o fascino ao espectador. Volta aos cinemas com a produção Não Tenhas Medo do Escuro, que é uma releitura de um filme para a televisão da década de 70 e conta no elenco Katie Holmes, Guy Pearce e a pequena Bailee Madison.

A garota Sally começa a viver com seu pai e sua madrasta em uma mansão no qual o casal faz uma restauração para começar a vender. A mansão em si tem um grande valor já que um famoso pintor já tinha morado por lá há algumas décadas atrás. Sem querer e perdida com a vastidão da casa, ela encontra no sótão uma chaminé e ao abrir sem querer descobre seres desconhecidos vivendo por lá e de pouco a pouco tentam levar a pequena Sally para a escuridão.

Não Tenhas Medo do Escuro tem um roteiro interessante, assim demonstrando uma tendência típica de Del Toro para criar para um espectador, um terror sem restrição de idade. A grande tentativa do filme é bem clara: Iniciar o gênero as crianças com um projeto que buscar criar momentos de tensão e medo sem cair na gratuidade de sustos. Por sorte, os envolvidos conseguem de uma maneira correta seus objetivos.

O filme inteiro se constrói na linguagem da construção do medo. Toda a tensão se entrega em doses leves e ao decorrer da trama fica mais pesado até chegar ao seu ápice final elogiável. Katie Holmes nunca foi uma grande atriz, mas está bem enquadrada no que se refere ao personagem. Mas a verdadeira jóia está em Bailee Madison. A sua personagem Sally é um verdadeiro encanto em cena. Seu olhar inocente e a inquietude da idade fazem com que o espectador esteja ao lado dela e tudo que ela sente, ele sentirá também. Guy Pearce aparece pouco e não consegue ser um personagem tão fundamental quanto às duas.

Não Tenhas Medo do Escuro brilha por trazer o que grandes mestres do terror no ensinaram, uma construção do medo que chega ao ponto que os sustos e gritos saem ao natural. Uma das melhores coisas que saíram da mente de Del Toro desde A Espinha do Diabo. Uma pequena jóia que sem duvida tem que ser desfrutado na telona e tudo que uma sala totalmente escura pode nos entregar.

Ficha Técnica
Não Tenhas Medo do Escuro (Don't Be Afraid of the Dark)
Diretor: Troy Nixey
Elenco: Katie Holmes, Guy Pearce e Bailee Madison
Gênero: Fantasia/Terror
Cotação: 85% - ****