22 de setembro de 2011

Premonição 5


Podem falar o que quiser, mas a saga Premonição tem um que de originalidade. Chegando numa época que já davam como morto a vanguarda do terror teen dos anos 90, Premonição vem como um simples plot, não existem assassinos com motivos esdrúxulos para matar jovens. O argumento para seguir e sustentar durante o filme inteiro é só uma: o desafio do ser humano de driblar o destino, que no caso da franquia, a morte.

A franquia já ganhou seu quinto capitulo e eles seguem a risca o principal fundamento que é ver a tentativa de muitos mudarem o destino: a sua morte prematura. Um funcionário de uma empresa de reciclagem consegue prever uma terrível catástrofe em uma ponte e consegue salvar a poucos, mas ao mesmo tempo, um por um começa a morrer e o maior desafio dos envolvidos é compreender o maniqueísmo da morte.

O filme volta a utilizar a terceira dimensão e acima de tudo, é um dos aspectos que mais compensa o filme. Em comparação ao filme anterior, se vê um 3D mais polido, aquela que sabe aproveitar bem os efeitos e que as mortes sejam mais “sentidas” para o público, não se torna difícil ouvir um sonoro grito de desespero já na primeira morte. Entretanto, o projeto chega no momento em que está visível a saturação do mal uso do sistema e assim, afastando um pouco mais do espectador a novas “imersões” convertidas do 3D. O que chega ser uma pena já que esse novo filme é para realmente, ser desfrutado em terceira dimensão.

Outro ponto positivo é a volta do personagem de Tony Todd como o senhor sinistro do necrotério que mesmo aparecendo pouco, não é difícil sentir calafrios em suas aparições. Já o resto do elenco, é o famoso “vamos apostar quem vai morrer” com um pouco mais de destaque a Emma Bell que de pouco a pouco, é possível ver uma nova Scream Queen.

Steven Quale, diretor de segunda unidade de Avatar, soube realmente aprender as lições do mestre Cameron em como saber criar tensão e ao mesmo tempo, de como usar a terceira dimensão de uma maneira ampla. Soube aproveitar com a tecnologia 3D, o preparo para as mortes e os pequenos detalhes como um prego ou um botão são ressaltados para dizer ao espectador, agora é o momento.

Premonição 5 curiosamente é o melhor capitulo da franquia após o primeiro filme. Ele é tenso, violento em suas mortes e mesmo com uma formula que para muitos, soa como desgastada, soube fazer a diferença com o que tem. Talvez para seus fãs seja uma ótima viagem ao desespero humano do drible ao destino em terceira dimensão. Já para aqueles que não são fãs da franquia, pelo menos se torna o melhor uso 3D para o gênero do terror. Até que fim, uma franquia que realmente vale à pena ver nesse formato.


Ficha Técnica
Premonição 5 (Final Destination 5)
Diretor: Steven Quale
Elenco: Nicolas D'Agosto, Emma Bell, Miles Fisher, Ellen Wroe, Jacqueline MacInnes Wood, P.J. Bryne, Arlen Escarpeta, David Koechner e Tony Todd.
Gênero: Suspense/Terror
Cotação: 75% ***

18 de setembro de 2011

Missão: Madrinha de Casamento

Mais um filme com um nome nacional que faz uma agressão ao bom senso.

Quando escutam o nome de Judd Apatow em uma produção de comédia, muitos ainda cometem o equivoco a ver e pensar em comédias de extremo pastelão e de um conteúdo vulgar que ultrapassa o nível de baixaria. Obras como Ligeiramente Grávidos, Superbad – É Hoje e Ressaca de Amor são exemplos dessa leva. Mas o que poucos sabem ou dificilmente se torna perceptível é de como dentro desses filmes a reflexão sobre o lado sentimental real. Em Bridesmaids – Damas em Guerra (mais um filme com um nome nacional difícil de colocar em um post) esse misto volta de uma maneira sublime e ainda mais, com um olhar feminino em primeiro lugar.

Annie (Kristen Wiig) que apesar de ter um carisma magnético, não vive um melhor momento da sua vida. Mesmo em ruínas, ela é convidada a ser madrinha de casamento de sua melhor amiga Lillian (Maya Rudolph). Claro que é um momento especial, entretanto a chegada de Helen (Rose Bryne) consegue transformar em uma guerra particular para Annie que tenta acima de tudo, trazer a felicidade a sua amiga.

Um dos maiores acertos do filme é sem duvida ser um filme crível. Quando se vê determinadas comédias românticas femininas, sempre existe um foco quase irreal do comportamento feminino e com isso Wiig, que escreve o roteiro junto com Annie Mumolo, cria uma jornada sobre a amizade e as inseguranças femininas. Isso se reflete na construção das damas de honra já que cada uma representa comportamentos femininos que o transforma em um filme único.

Ver a Kristen Wiig como a principal após esbanjar talentos em inúmeros filmes de comedia teve sua grande recompensa. A atriz brilha de uma maneira impar que consegue balancear o improviso e a emoção como ninguém. Destaque também para Melissa McCarthy que de inicio, parece uma personagem boba, mas ela é chave para um dos momentos mais reflexivos da trama.

Talvez o seu maior pecado esteja no estruturalismo. O filme não traz nada de novo no que significa linguagem cinematográfica. Consegue cumprir o fundamental, ser um filme que cria uma segurança fundamental para quem gosta de um passatempo. A diferença talvez seja um desdobramento para a parte dramática, característica comum dos filmes de Apatow, e ainda ganhando um ponto a mais por ter uma visão ainda mais sensível e por que não, crua do universo feminino.

Bridesmaids – Noivas em Guerra é um exemplar charmoso da comédia desse ano. Faz um balanceamento em todos os gêneros fundamentais que agradam principalmente as mulheres como uma comédia inteligente, elementos dramáticos que refletem a realidade feminina e acima de tudo, uma abordagem real, tocante, crua e divertida. É daqueles filmes que não trás nada de novo e o mesmo filme não se preocupa em fazer isso. Ser clichê, porém verdadeiro... Poucos conseguem fazer isso.


Ficha Técnica
Missão: Madrinha de Casamento (Bridesmaids)
Diretor: Paul Feig
Elenco: Kristen Wiig, Maya Rudolph, Rose Bryne, Melissa McCarthy, Wendi McLendon-Covey, Ellie Kemper, Chris O'Dowd, Tim Heidecker, Terry Crews, Jill Clayburgh, Ben Falcone, Annie Mumolo, Matt Lucas e Jon Hamm
Gênero: Comédia/Romance
Cotação - 90% *****

15 de setembro de 2011

Analisando Franquias e Trilogias - O Planeta dos Macacos

Após a estreia de Planeta dos Macacos (R)Evolução, existe a necessidade de cada cinéfilo, ou daqueles que gostaram do novo filme da franquia fazer o que podemos dizer, fundamental ou óbvio: Conferir a franquia original ou rever com um olhar muito além da maquiagem espetacular dos macacos. Após vários anos, votamos com o quadro analisando franquias, sendo que desta vez, com a saga clássica do Planeta dos Macacos.

Para evitar textos demasiadamente longos e cansativos, colocaremos em forma de parágrafos pequenos, porém diretos e sucintos sobre cada filme da franquia original que culminou no final da década de 60 com Chalton Heston sendo surpreendido com um final inusitado até o desfecho interessante com uma cena simbólica em A Batalha do Planeta dos Macacos de 1973.

De Volta ao Planeta dos Macacos de 1970 volta ao ponto onde o filme original terminou, com a revelação de Taylor sobre o planeta em que está. O ponto de partida está em outro piloto que está no planeta dos macacos a procura do astronauta perdido sendo que ele não só além descobre que está no planeta, também descobre a cidade proibida no qual vivem humanos e eles conseguem ter uma revelação mais cruel do que o planeta dos símios.

Apesar do debate interessante sobre o medo sobre o desconhecido, os protestos que remetem uma sociedade refém de guerras recentes (no caso, a Guerra do Vietnã) e uma critica ferrenha e pesada a idolatria de determinadas religiões, o filme não consegue se segurar sem a figura de Heston presente e um protagonista extremamente fraco e sem carisma quanto do filme anterior. Mesmo assim, se torna um filme importante para assistir já que a construção filosófica do seu final consegue ser mais impactante no aspecto filosófico quanto de qualidade cinematografia.

Frase marcante do filme: Entre os incontáveis bilhões de galáxias que existem no universo, existe uma estrela de tamanho médio. E um dos seus satélites, um planeta insignificante, agora... Está morto. 
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A Fuga do Planeta dos Macacos de todos os filmes é um dos mais curiosos dentro da franquia. A premissa dá destaque a Cornelius e Zira, o casal de macacos interpretados com maestria por Roddy McDowall e Kim Hunter, que conseguiram escapar do inevitável fim do segundo filme e foram parar no tempo presente (diga-se passagem, 1973, ano depois da perdida do Ícaro) e por serem do futuro se tornaram a sensação da sociedade.

Essa mesma sociedade que aceitou, também tinha duvidas, principalmente Dr, Otto Hasslein que consegue extrair do casal informações valiosas de um possível futuro e ainda mais real quando se descobre que Zira está grávida e assim uma parte da raça humana começa a temer o nascimento do bebê. Sem com quem contar, Cornelius e Zira contam com os veterinários Lewis Dixton, Stephanie Branton e o dono de circo Armando.

O que torna esse capítulo especial é o balanceamento de um bom humor no começo do filme sobre o deslumbre do casal e gradualmente se torna um filme de duvidas, no quais, questionamentos pesados sobre se realmente a questão de matar um inocente se torna algo benéfico ao futuro. Aqui também se encontra frases de reflexão de Cornelius que tocam de uma maneira cruel que é impossível ficar indiferente com o que vem. Além do mais, a densidade do filme não é abrupta como acontece em determinados filmes, é dosada e muito bem arquitetada a um final sufocante e curiosamente, o único final feliz de toda a franquia.

Uma curiosidade interessante. O personagem Armando entrega para Zira e Cornelius uma medalha de São Francisco de Assis, o santo dos animais, no qual Armando é devoto. O ator que faz o veterinário Lewis, Bradford Dillman interpretou São Francisco de Assis na adaptação hollywoodiana de 1962 dirigida por Micheal Curtiz de Casablanca.

Frases Marcantes do filme: “Eu suspeito que a arma que destruiu a terra é invenção do próprio homem. Eu sei disso. Um dos motivos da queda original do homem foi o seu habito peculiar de matar um ao outro. O HOMEM DESTROI O HOMEM, macaco não destrói macaco”. - Cornelius 


“Eu odeio aqueles que tentam alterar o destino, que é a vontade imutável de Deus. E se é o destino do homem ser dominado, então, por favor Deus que seja dominado por criaturas como vocês (em referencia aos chimpanzés.) – Armando. 

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A Conquista do Planeta dos Macacos é um dos filmes mais sombrios da franquia só perdendo para o primeiro. 18 anos se passaram desde a vinda de Cornelius e Zira ao planeta terra e uma parte do futuro dito por ele se tornou verdade: no futuro não existirá animais de estimação. Mas começou algo pior e fundamental para o que estar por vir. Os humanos começaram a usar macacos como animais de estimação mas ao poucos se tornaram relativamente escravos e a sociedade que antes era democrática, se tornou ditatorial. Nesse futuro está César (Roddy McDowall), filho de Cornelius que agora está na tutela de Armando (Ricardo Montalban).

Após uma reclamação do uso da força da sociedade, César se revolta e infelizmente Armando para proteger o símio, se entrega. Com isso, Cesar se torna escravo e diante a crueldade humana, ele de pouco a pouco planeja entre os macacos uma insurreição definitiva. O roteiro de A Conquista foi parcialmente usado como base para o novo filme, mas ao mesmo tempo é um dos filmes mais cruéis da saga no qual mostra o ser humano a esmo.

Em uma das seqüências mais violentas de toda a saga, é mostrado sem dó e nem piedade, a mediocridade humana é demonstrada com violência desmedida e maus tratos dignos de revolta e ainda mais, faz aumentar o ódio próprio da humanidade. Também nesse filme acontece uma das cenas mais emotivas da saga, que é o choro de César sobre a morte do dono.

De todos foi o que teve o orçamento mais baixo, mas que foi revertido com uma qualidade impar sobre suas temáticas, uma direção espetacular de J. Lee Thompson, uma atuação soberba de Roddy McDowall no qual sua estrela brilha de uma maneira sublime no seu discurso final e acima de tudo, a fita impar da franquia, fechando o arco mais sombrio da linha tênue entre o homem e os símios.

Frases Marcantes: “Onde há fumaça, há fogo. E é nesta fumaça e desse dia em diante que o meu povo irá se reunir, conspirar e planejar até chegar o dia inevitável da derrota do homem. O dia em que ele finalmente irá se autodestruirá virando as suas armas contra as de sua espécie. O dia em que haverá a fumaça no céu e suas cidades estiverem enterradas sobre a poeira radioativa. Quando os mares estiverem mortos e a terra despedaçada e então EU estarei aqui para liderar o meu povo a vitória total. Construiremos nossas próprias cidades que não haverá lugar para humanos, a não ser como escravos para nos servir. E teremos nossos próprios exércitos, nossa própria religião, nossa própria dinastia e esse dia está chegando para você ... AGORA! – César 


“Esta noite, presenciamos o nascimento do planeta dos macacos” – César. 

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A Batalha do Planeta dos Macacos de toda a saga seja um dos mais insossos, porém fundamental para a franquia. Passaram alguns anos da conquista e César conseguiu ter uma paz relativa entre os humanos e os símios. Sendo que a busca do passado dos seus pais o faz visitar a cidade devastada no qual existem poucos humanos afetados com a radiação que torcem para que o equilíbrio entre em ruínas.

Talvez ao final de tudo transformou-se em um filme que tinha que ter um ponto final de toda a franquia. Por que, após um quarto capitulo espetacular, se tornava mais viável um final. Porém as cenas de ação desse filme de toda a franquia são sem graças e dotados de falta de emoção. O que talvez salva disso tudo é novamente o fundamental de toda a franquia: o debate sobre humanidade. E nesse ultimo questiona o pensamento sobre a sociedade “utópica” de Cesar. Não é um filme desastre, mas isso não quer dizer que consiga ser tão decepcionante quanto foi o segundo capitulo.

Tornou-se aquele tipo de filme que foram feitos para terminar logo. Por sorte termina com uma das cenas mais simbólicas de toda a saga, com a conciliação definitiva e ao mesmo tempo emocionante: o choro de Cesar com a possibilidade da coexistência. 

Frases Marcantes: “Símio mata símio!” – Todos os símios. 
 “Acho que se pode dizer que se juntaram a raça humana.” – McDonald 

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E ao final de tudo, a grande pergunta... E o filme original? Continua sendo uma das melhores coisas que o cinema mundial e principalmente do gênero criou. Mas sem duvida, quando se assiste aos filmes seguintes (inclusive o novo) é possível sentir mais admiração de como a franquia se transformou: um estudo impar da humanidade. Uma humanidade que erra... Que não consegue respeitar o diferente... Que tem medo de saber que é inferior ao que desconhece. E agora com o novo capitulo... Fica na cabeça aquele ajoelhar de Heston admirando aos prantos a Estatua da Liberdade caída... Essa cena é o preço do homem por tudo que fez e o que fará.


7 de setembro de 2011

Apollo 18 - A Missão Proibida

Apollo 18 – A Missão Proibida será considerada por muitos um filme doente pela falta de renovação e ainda entrar no filão da saturação extrema do gênero de primeira pessoa para o gênero do terror. Porém poucos vão lembrar-se da verdadeira existência do filme e tão pouco da verdadeira proposta do filme dirigido pelo talentoso Gonzalo Lopez Gallego.

O ponto base da história é sobre uma expedição lunar que não tomou conhecimento publico e que um site chamado Lunar Truth descobriu várias horas de gravações sobre o ultimo Apollo, o 18. Inicialmente, os astronautas aceitaram a missão secreta e ter como plano, o funcionamento de satélites de transmissão para captarem informações sobre a União Soviética no auge da Guerra Fria. Mas o que realmente acontece é o que muitos queriam ocultar, e agora, terão a oportunidade em saber o que sucedeu na lua. Muitos podem reclamar da questão do cinema em primeira pessoa, já que infelizmente aconteceu uma avalanche de produções do tipo e curiosamente quase todos fugiram de sua estética ou proposta de ser um documentário.

Não precisamos ir muito longe, é só lembrar-se de REC que já em sua primeira obra já era ruim, e quando chegou o segundo filme, conseguiu ser pior do que se imagina. Más lembranças. Mas ao mesmo tempo, um dos detalhes importantes desse filme é saber seguir a risca da linguagem documental. O diretor manteve em sua estrutura esse comportamento e diferente dos outros filmes do gênero, não quis manter-se nos sustos gratuitos e na obviedade gráfica. Assim como sua obra anterior, o interessante O Rei da Montanha, existiu uma predominância a validar a situação que estava acontecendo e a tensão do ambiente.

Outro ponto importante e talvez o que seja o mais valioso é o questionamento que se deixa ao final. Apollo 18 resgatou o fundamental de um “falso-documentário” que é a criação do incomodo ao real. Ou seja, a criação de perguntas pertinentes ao final da trama que leva a duvidar muitos sobre a questão da chegada ao homem à lua; do por que é tão comum ter documentos ocultos por parte dos americanos; e acima de tudo, quando o falso soa mais crível do que a mesma realidade.

Apollo 18 talvez não seja lembrado pelas suas qualidades técnicas. Já se viu filmes melhores nesse ano. Mas sem duvida respeita o que talvez seja fundamental para o gênero, no qual que seus questionamentos e a busca de separar do que é uma teoria de conspiração da realidade. A busca de cinema para levar susto e ter medo será o primordial, e sem duvida esse filme não dará isso. Mas os que esperam questionamentos... Terão um filme interessante.

Ficha Tecnica
Apollo 18 - A Missão Proibida (Apollo 18)
Diretor: Gonzalo López Gallego
Gênero: Documentário/Ficção Cientifica/Terror
Cotação: 70% ***


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