29 de agosto de 2011

O Calvário do Cinéfilo Brasileiro de Ir ao Cinema

É um ritual para todos os cinéfilos a questão de ir ao cinema. Pelo menos ir uma vez por mês ou por semana gastar uma graninha para pelo menos vivenciar uma experiência sem igual de um filme na telona. Seja um filme pipoca de baixa intelectualidade ou um rebuscado filme artístico que conhece diretamente seu publico. Mas hoje, o cinéfilo se esbarra principalmente com um fator muito triste e ao mesmo tempo, digno de cólera e desprezo: o próprio cinema.

A cada rede social que passo para conferir alguma novidade do cinema ou ver o que meus companheiros estão falando sobre determinados filmes, ganha mais espaço a cada dia as reclamações sobre como está difícil ser um cinéfilo brasileiro de acordo com as salas de cinemas desse país. Dia após dia está se tornando um descaso ultrapassando os níveis descomunais entre o mau trato do espaço físico até o mau comportamento do próprio espectador ao cinema.

Hoje está se tornando até comum dizer que ver um filme 3D no Brasil se torne um adereço de luxo e por assim dizer desnecessário. Soa até ligeiramente compreensível quando entras em um blog de cinema e vê quase um texto inteiro, ou fragmentos de uma reclamação implacável contra esse sistema de terceira dimensão digital, desde a ausência de higiene do cinema que cuida do 3D quanto à falta de estrutura para o tal.

Para não dizer que não fui imune a essa situação, no começo do ano fui ao cinema ver Santuário, projeto produzido por James Cameron e em terceira dimensão. Além de assistir o filme com um aparato extremamente desconfortável, tive a infelicidade de perceber que não existia o efeito 3D, ou seja, estava com uns óculos que deixava o filme todo verde e tinha mais capacidade de ver algo do filme direito sem os óculos. Um amigo me explicou que esses óculos que estava usando a essa sala, tinha um detector que transformava o filme em terceira dimensão, sendo que na melhor das “hipóteses” não estava funcionando.

Fora que muitas vezes, quando se vê um filme de bilheteria incrível como... Transformers existiam salas de cinemas que deixava entrar mais pessoas dentro da sala de cinema, assim aumentando e extrapolando a capacidade do ambiente deixando o espectador refém a falta de comodidade em desfrutar uma aventura (?) explosiva desenvolvida por Micheal Bay. Além do fato da própria má educação dos mesmos na sala de cinema com gritos desmedidos, grosserias a níveis extremos e ausência do bom senso em respeitar ao que está ao seu lado que pelo menos tenta fazer o fundamental: Assistir o filme.

Outro fato que percebi e que é alarmante é a incrível lógica de trazer as salas nacionais filmes estrangeiros dublados. Por um lado pode ser mais uma reclamação “chovendo no molhado” que ver filme ao som original é melhor. Mas o ponto aqui está de como isso está chegando a pontos absurdos. Para se terem uma idéia, mais de 50% das cópias de Planeta dos Macacos (R)Evolução no Brasil veio dublado. Imagine para um espectador que quer desfrutar um filme como esse que o som original é primordial, uma dublagem que tira praticamente a emoção do filme e ainda mais de um trabalho aquém do esperado.

Nem precisamos pegar um exemplo longínquo como Estados Unidos para falar sobre a educação de ir ao cinema, vamos ao nosso país vizinho, a Argentina. Por aqui, se paga um preço relativamente adequado para ir ao cinema. Muita das redes de multiplex por aqui como Hoyts, Cinemark e entre outros cumprem normas de como cuidar do cinema de verdade, que não vai só além de buscar uma experiência sensorial ao espectador. Existe também o nível de responsabilidade dos mesmos para entregar ao mesmo espectador que paga, uma sessão de qualidade impar.

Desde sistemas de terceira dimensão que propicia ao mesmo espectador (o tão sonhado sistema digital que nos seduz nas televisões de LCD que se vendem em grandes conglomerados); uma limpeza rigorosa em todas as salas de cinema; o cuidado extremo em deixar o espectador confortável em uma sala de cinema no qual possa se sentir bem; numeração nas cadeiras assim evitando complicações (e ainda mais facilitado com vendas de ingressos on-line); e principalmente a cultura dos espectadores daqui a ver um filme e respeitar o silêncio para desfrutar um filme.

Com essas características sublimes de negatividade que está se tornando em ver um filme está se tornando no Brasil, uma das melhores respostas que podemos dizer que se for para ir ao cinema e evitar complicações em assistir um filme, por ruim ou maravilhoso que seja no cinema... O melhor pensamento se torna em ficar em casa, alugar um filme em uma videolocadora ou ir aquele cineclube que tem nas grandes cidades, soa mais retorno. A cada dia, se torna difícil um brasileiro viver à experiência plena da sétima arte e até mesmo dos avanços que ela está carregando entre si se as mesmas estruturas físicas e a cultura dos mesmos a cada dia que se passa está andando para trás.

Por mais grosseiro que seja os créditos entrada do filme Aqua Teen Esquadrão Força Total – O Filme representa bem o que muitas vezes queremos falar do fundo do nosso coração: a nossa cólera para a falta de respeito que é assistir um simples filme no cinema. Sim, pode ser insensível, mas quem disse que a verdade sempre vem de palavras meigas e uma melodia suave?



Fonte da noticia sobre a questão de Planeta dos Macacos link

26 de agosto de 2011

Planeta dos Macacos (R)Evolução



Falar de Planeta dos Macacos (R)Evolução inicialmente é falar de uma das melhores surpresas desse ano, principalmente se contarmos que foi um dos blockbusters mais criticados pela cogitação de ser feito com o medo de que estrague a mitologia antiga criando novas diretrizes e seja de um cunho desastroso. Por uma jogada curiosa do destino, o novo filme concretiza a idéia da surpresa no âmbito de recepção de critica e de uma ótima resposta do publico a mais um capitulo dessa saga do cinema de ficção cientifica.

Uma das maiores dificuldades que o espectador tem de inicio, tão simples quanto se imagina, de como podemos iniciar ou pelo menos quais são os principais argumentos para iniciar uma saga e ao mesmo tempo convencer os fãs antigos da saga de que essa é aquela que se encantaram saiu no final da década de 60. Os roteiristas foram seguros e tomaram principio básico ou uma idéia que se bem explorada, dá um retorno extremamente importante: a transposição ética do homem.

O filme começa com o que infelizmente é uma verdade que não se pode negar que é a captura de macacos para experimentos de saúde, fazendo assim alterações genéticas para que consigam o seu fim comum, ou seja, a cura de alguma doença. Para Will, essa doença é o mal de Alzheimer. O geneticista criou um soro que consegue regenerar células mortas por causa da doença e expandir ainda mais.

Sendo que em uma das suas cobaias, Olhos Brilhantes, cria um incidente e teve que cancelar o projeto, até que descobre que Olhos estava protegendo seu filho recém nascido, Cesar. Will tomou de criar junto com seu pai doente. O tempo passa e Will percebe que Cesar desenvolve uma inteligência fora do comum e por um acidente, Will se vê forçado a deixar seu “filho” em um santuário. E é nesse santuário que começará algo que mudará a face da humanidade.

Na essência de sua história, o filme fala sobre a dualidade da humanidade no ponto de vista de Cesar e em dois personagens chaves: o fraternal Will, um James Franco brilhante a um personagem rico, e em contra ponto Dodge Landon, um surpreendente Tom Felton que faz esquecer o que ele faz em Harry Potter, como o antagonismo da humanidade, ou seja, o que humilha e destrata qualquer um que seja inferior a ele. São personagens que entregam a Cesar os dois passos teóricos que o homem passou a milhões de anos atrás: a humanização e a hominização.

Está nesse debate chave, no quais alguns podem passar despercebido, o melhor ponto do filme. O filme desdobra de uma maneira esse debate que quando chegamos ao final ou no seu clímax da grande fuga sentimos mais empatia com a causa dos macacos e torcemos no mais profundo da nossa alma a destruição da humanidade. Pode parecer algo pequeno, mas esse debate é só um dos inúmeros pontos positivos.

Outro ponto fundamental são os mínimos detalhes aos fãs da franquia original, assim como foi com Star Trek, existiram referencias sutis e ao mesmo tempo emocionantes para os fãs antigos da saga. Principalmente na metade do filme no qual as referencias ao personagem de Heston do primeiro filme são latentes e curiosamente emulados em Tom Felton de uma maneira sublime.

O visual do filme foi feito para deslumbrar. Para alguns, soa estranho não verem atores vestidos de macacos, com maquiagem pesada e pouca transmissão de emoção (Tim Burton... WHY?) aqui, graças a tecnologia vista em Senhor dos Aneis, King Kong, Andy Serkis principalmente, um personagem “digital” conseguiu ter uma veracidade de emoções. Toda vez que olhamos nos olhos do personagem, é difícil não se impressionar com cada movimento dele. É daqueles que se tem que ir ao cinema e testemunhar um futuro que não podemos negar, quando o irreal consegue ter mais emoção que o homem.

O único defeito do filme não está no filme, mas curiosamente na infelicidade do subtítulo nacional. Colocando a questão de “A Origem” cria uma expectativa quase desnecessária de ver de imediato às conseqüências. Em realidade, ver o subtítulo argentino, sinceramente uma sacada de gênio, é um convite do que será o filme, quando o novo consegue saltar os olhos e nós mesmos não sabemos o que saber, ou o pensamento limitado se torna o ultimo passo ao borde do declínio do mesmo.

Planeta dos Macacos (R)Evolução sem duvida é uma das melhores surpresas, em relação aos blockbusters, no que se diz a respeito que mesmo com as duvidas e a falta de crença do povo. O filme cresce por seus próprios méritos pelo seu tema desenvolvido, pelo elenco que funciona de uma maneira correta ao projeto, pelos seus efeitos visuais e principalmente pelo seu devido respeito a franquia original. Fãs do original contemplem mais uma (r)evolução do cinema ... Aquela que podemos avançar e questionar, mas ao mesmo tempo, ter nos olhos o carinho e a áurea do original.

Ficha Técnica
Planeta dos Macacos (R)Evolução (Rise of The Planet of The Apes)
Diretor: Rupert Wyatt
Elenco: James Franco, Frieda Pinto, John Lithgow, Tom Felton, Brian Cox, David Oyelowo, Karin Konoval, Terry Notary e Andy Serkis como Cesar
Gênero: Drama/Aventura/Ficção Cientifica
Cotação: 95% - *****

24 de agosto de 2011

O Brasil Necessita de uma Valeria Bertuccelli



Uma grande e interessante polêmica foi levantada aqui na Argentina no que se envolve a atriz Valeria Bertuccelli e o cinema argentino. A atriz foi para um programa popular da TV aberta local chamado SabadoBus, que é um programa que ao meu ver é tão sem pé e nem cabeça, para pelo menos promover seu novo filme, a dramédia Viúvas, que protagoniza junto com Graciela Borges. Claro que Valeria estava por lá para fazer sua parte, a propaganda do seu filme. Mas o que aconteceu foi uma coisa extremamente diferente.

O programa fez antes uma propaganda da estréia mais importante da semana, ou uma das, que foi a produção de Steven Spielberg Cowboys & Aliens, e após o comercial a atriz levantou a voz e com um tom extremamente irônico ou talvez de indignação falando que o filme era uma tremenda porcaria, que não gostou e no final do escracho, aproveitou a deixa e falou sobre o seu filme e fez uma brincadeira a parte com o apresentador do programa dizendo que qualquer coisa, ela iria pagar o ingresso para o condutor do programa.

A reação foi de imediato. Uma parcela de muitos por aqui sentiram repudio pela a atitude da atriz achando que ela foi de uma má educação de alto nível e outros motivos além da conduta duvidosa dela ao decorrer do programa. Durante a semana, o que era para ser motivo de divulgação do filme, se tornou um meio de “desculpas” da atriz e ao mesmo tempo um veiculo importante de expressão da atriz para falar de um tema que é considerado extremamente espinhoso que é a necessidade da busca do publico ao cinema nacional.

Dias atrás existia um projeto do INCAA, órgão do Estado responsável pelo cinema, para limitar as estreias internacionais no país em conseqüência da falta de espaço das mesmas para o cinema nacional. A prova disso, algumas cadeias de cinemas que tem como em média 8 a 10 salas, uma estréia de grande porte como foi esse ano com Piratas do Caribe Navegando em Águas Misteriosas que ocupou a metade das salas de cinema. E ainda para piorar, o projeto foi cancelado alguns dias depois.



Em um programa diferente chamado Television Registrada, a atriz toca no tema novamente e defende sua atitude de ter dito tudo aquilo como um tom de ironia e ao mesmo tempo fala que foi uma falta de respeito do programa dar mais enfoque ao cinema estrangeiro (diga-se de passagem, americano) do que o cinema nacional que mesmo com um recém Oscar nas costas, poucos dão um investimento forte.

Bertuccelli expos fatos curiosos de outros países como França e Brasil sobre o tema, que nos dois países, existem uma quantidade limitada de propaganda de filmes estrangeiros e os investimentos do mesmo e enquanto por aqui se torna um fator opcional. E não se pode esquecer que em qualquer lugar existem pessoas que dependem exclusivamente do cinema e que o mesmo por mais estranho que possa soar, é um gerador de empregos.



Video pertence ao programa argentino Duro de Domar, transmitido pelo Canal 9

Em contraste disso tudo, estamos nós, o país soberano que é o Brasil que em dois anos, a bilheterias nacionais estão destruindo qualquer filme estrangeiro. Assim como o fenômeno que aconteceu em Coréia do Sul com Shiri, filmes como Tropa de Elite 2 e entre outros conseguiram estar a frente de filmes importantes como Avatar nas bilheterias e assim abrindo ainda mais as portas de que o cinema brasileiro é dito como forte.

Entretanto, muitos filmes nacionais conseguiram uma resposta forte com uma bilheteria e uma “resposta” do publico, mas a qualidade dos mesmos é de extrema desconfiança. Muitos filmes ditos como sucesso de bilheteria são tachados pelos críticos de cinema como o rir para não chorar. E pior ainda é saber que muitos produtores brasileiros sentiram o básico: repetir formula que sabem que irão ter um retorno imediato e se isso é para entregar algo de qualidade duvidosa, se há retorno no final... Investe pesado.

O que Valeria levanta que é a necessidade de valorizar ainda mais o cinema local. Não é de cunho de xenofobia, mas sim de um despertar quase urgente de que o cinema nacional também pode ser essa união entre a qualidade e o retorno do mesmo. Talvez no momento as suas palavras sejam de uma infelicidade tremenda, mas o choque para despertar de algo precioso local é importante.

Cada dia se percebe que produto-qualidade é um terreno delicado que ao final de tudo não se sabe o que realmente o público quer, afinal, alguns querem ir ao cinema para esquecer um pouco do que acontece e vê uma diversão rasteira como Transformers ou Os Smurfs, outros querem algo de qualidade, que enriqueça o conhecimento cinematográfico. Mas se a coisa está tão restrita, adianta ser obrigado a ver Cilada.com por falta de opção?



O Brasil necessita muito de atrizes como Valeria Bertuccelli, que valorizam o cinema nacional real. E que a recompensa para grandes atrizes ou os grandes profissionais que se dedicam a esmo a esse ramo são os aplausos calorosos do publico e o reconhecimento de que existem qualidades maravilhosas algo que foi feito com o coração e local.

18 de agosto de 2011

Lanterna Verde

Sabes quando se enfrenta aquele tipo de projeto que começou divulgando mal e depois mudam a tonalidade para ver se melhora a situação e mesmo assim continuas com a idéia que pode ser fraco? Bem, sem duvida isso será o pensamento de muitos que irão conferir Lanterna Verde, novo filme do herói da DC Comics que saiu esse ano estrelado por Ryan Reynolds. O filme mesmo com a tecnologia 3D, não conseguiu alcançar o status dos últimos filmes da DC que tiveram um retorno expressivo. A pergunta que se realiza no final do filme, valeu a pena ver?

Diferente dos filmes da Marvel que saíram esse ano que tiveram temas que conseguiram explorar ainda mais o universo dos mesmos como rivalidade familiar, propagandas políticas e as diferenças éticas sobre a humanidade, o filme do Lanterna Verde se baseia na concepção pura ou pelo menos uma construção simples de um herói, ou seja, um rapaz que ganha incríveis poderes e que nos momentos de duvida, seus valores fazem a diferença para ser um herói digno.

Talvez que nessa construção digna está em sua falha. Poderia se disser que é uma construção tão simples, tão direta, que a soma de tudo, é pobre. Diálogos simples, sem algo profundo a questionar, apenas entregar uma aventura direta que se sustenta em seus efeitos especiais. Por falar nisso, pelo menos o trabalho 3D desse filme é bem interessante, até mais satisfatório das conversões de 3D esse ano. Pelo menos o que podemos dizer é Reynolds convence como herói, a Blake Lively como a mocinha, e Peter Saargard como vilão. (E ainda bem melhor do ridículo visto em Plano de Vôo).

Lanterna Verde é aquele tipo de filme de super-herói que não vai mudar a estética do cinema como foi com outros filmes da DC, mas pelo menos consegue ser aquela aventura que dá para assistir em um final de semana com a família. Talvez os pequenos se sintam mais atraídos já que a formula de ser um herói (ou pelo menos uma pessoa melhor) se torna uma boa lição para eles. Não tá no nível de Batman e Robin, mas tão pouco há de cobrar um Batman Begins a um filme que só foi feito para pura diversão.


Ficha Técnica
Lanterna Verde (Green Lantern)
Diretor: Martin Campbell
Elenco: Ryan Reynolds, Blake Lively, Peter Saargard, Mark Strong, Angela Bassett e Tim Robbins
Gênero: Ação/Aventura
Cotação: 65% ***

16 de agosto de 2011

Professora Sem Classe

A personagem de Cameron Diaz em Professora Sem Classe, novo filme de Jake Kasdan, é puro repudio para muitos. Ela representa todo tipo de comportamento que está longe de ser um exemplo de uma professora. Já a personagem de Lucy Punch, que brilha nesse filme, é meiga, atenciosa ao extremo aos alunos e tem uma dedicação extrema ao que ama, ou seja, o valor de ensinar. Só tem um problema, a malvada é boa e a boa é má.

A história do filme tem como ponta pé o declínio extremo de Elizabeth Halsey (Diaz), no qual vivia na pura mordomia até ser chutada pelo noivo rico e vai conviver em um apartamento minúsculo com um cara detestável. Ela volta a ser o que não queria, ser professora que utiliza a melhor técnica de classe, passando filmes que envolvem professores, e ainda vai o corredor com Amy Squirrel (Punch) uma professora idealista que tenta ser a melhor do mundo, mesmo sabendo que os alunos a olham como uma idiota.

A história muda quando ela sente rivalidade pela sua vizinha pelo professor Scott Delacorte (Justin Timberlake) um professor riquinho, porém tão sensível quanto se imagina. Elizabeth crê que colocando silicone irá conquistar o riquinho, e ai começa uma jornada imoral da mesma para conseguir seus objetivos, ou seja, tudo para se dar bem no final.

É interessante o desenvolvimento do roteiro em colocar em cheque para o espectador e torcer para que a personagem de Diaz e sentir uma repulsa bizarra pela personagem de Punch já que ela extrapola as barreiras da bondade e cria uma vilã que acredita mais pela sua moralidade pedagógica do que é concreto. As duas atrizes arrasam de uma maneira belíssima seus personagens extremos em suas concepções, porém maravilhosos para o publico. E fiquem de olho em Lucy Punch, ela vai dar muito que falar.

Pelo lado masculino, temos Justin Timberlake e Jason Segel que estão muito bem adequados aos seus papeis representando a questão da estética das duas personagens principais, o sentimentalismo contra o realismo sendo que eles desenvolvem de maneiras interessantes e mais engraçadas, principalmente Segel que trata determinadas tiradas do personagem de Timberlake como se fosse um pastiche.

Talvez o maior pecado de Professora Sem Classe seja de carregar um humor difícil, negro ao extremo e principalmente chocante para uma parcela do publico que com esse tipo de história acreditarão em mudanças. É um filme que critica o que é politicamente correto e coloca em voga que a realidade de determinadas situações consegue ultrapassar o que é correto. Risos negros, porém dotadas de uma realidade impar.

Ficha Técnica
Professora Sem Classe (Bad Teacher)
Diretor: Jake Kasdan
Elenco: Cameron Diaz, Lucy Punch, Justin Timberlake, John Micheal Higgins, Thommas Lennon e Jason Segel
Gênero: Comédia
Cotação: 65% - ***

10 de agosto de 2011

A Serbian Film ... A Brazilian Shame ...

Quando estudei o capitulo peculiar da ditadura militar argentina, a professora para descontrair a classe contou algo bem interessante. No auge da repressão desmedida, o filme Laranja Mecânica de Stanley Kubrick foi censurado e proibido na época, os motivos são inúmeros. Mas o fato que chama a atenção é a história de muitos que viveram aquilo para ver o filme cruzaram o Rio de La Plata para assistir no Uruguai em praças publicas o filme de Kubrick. O genial foram os mesmos falarem “Eu assisti Laranja Mecânica no Uruguai”.

Pode parecer uma frase inocente, mas nunca vi combinar tanto com o que está passando no Brasil nos últimos dias. Principalmente no fato de que voltamos ao que não imaginaríamos após 26 anos veríamos em um estado livre, democrático que é o nosso país voltar a vivenciar um dos piores aparatos da ditadura militar, a censura. Pois bem, vocês, espectadores brasileiros estão privados do direito de assistir A Serbian Film nos cinemas por tempo indeterminado.

Os motivos da privação do cinéfilo ao ver esse filme são inúmeros, e muitos sempre emana uma questão moral extremamente forte, no qual dentro do mesmo filme tocam em temas que chocam seus pensamentos com o que para eles é ao borde do assustador. Acontecer em momentos incríveis da sociedade nacional como a vibração de inúmeros espectadores a morte de um personagem homossexual em uma novela onde 60 milhões de pessoas assistindo e gostando e principalmente o surgimento de um dia sem necessidade para criar ainda mais a intolerância legalizada. A censura ao filme surge como a cereja do bolo do neo-moralismo brasileiro.


Eu não me preocuparia com a questão da qualidade do filme, já que hoje vivemos (ou creio nisso) em uma sociedade que temos liberdade em validar opiniões, pensamentos e acima de tudo escolhas. Se muitos se incomodaram em ver os temas do filme, eles tem o direito em não ver e não recomendar aos seus amigos próximos e respeitar principalmente aqueles que viram o filme e não viram nada do que muitos alegam.

Se eu botar na minha cabeça o pensamento fundamental da censura ao filme, que foi o mal estar do público em determinadas situações, poderia muito bem argumentar a proibição de filmes medíocres brasileiros como Cilada.com ou qualquer enlatado brasileiro criado pela Rede Globo pela extrema má qualidade de seus filmes a todos nós, um publico decente. Ou até mesmo filmes que colocam um moralismo irreal por falta de proximidade a realidade de hoje.

Se o filme é bom ou não, pouco importa, o que importa é que nasci e fui criado em uma sociedade livre e sem censura. Seria mais coerente por parte daqueles que censuraram a responsabilidade de fiscalizar extremadamente cinemas de todo o país e pedir a identidade para impedir pessoas equivocadas a assistir e depois evitar problemas graves. Agora, aquelas pessoas que viram no cinema vão dizer com “orgulho”: Vi A Serbian Film no cinema! Após essa pergunta, apareceria... Você gostou? E responderiam ... Não, mas eu vi no cinema.

É lamentar e confirmar uma celebre frase do Away de Petrópolis, vivemos em uma sociedade criada a leite com pêra e ovomaltine. O filme pode ser sérvio, mas a vergonha, brasileira.

7 de agosto de 2011

Submarine


O cinema muitas vezes chega ao ponto em que a inovação cansa. Não é que não goste de vivenciar algo novo no cinema, muito pelo contrário, o cinéfilo hoje sempre necessita de uma renovação, mas quando encontramos algo que não sentimos algo dos produtores ao publico, isso vem a falhar. Submarine, dramédia britânica produzida por Ben Stiller é um exemplo perfeito que se tens uma formula conhecida, mas se exerces de coração, podes fazer a diferença.

A história do filme se passa nos meados dos anos 80 no qual o jovem Oliver Tate (Craig Roberts) vive sua rotina peculiar no qual sempre questionando seu papel no meio aonde vive. Mora com os pais Lloyd (Noah Wyle, A Fantástica Fábrica de Chocolate) e Jill Tate (Sally Hawkins, Simplesmente Feliz) que estão vivendo um momento peculiar, porém agradável aos olhos do rapaz.

Agora ele viverá duas situações diferentes, uma envolve em tentar namorar a misteriosa Jordana Bevan (Yasmin Tate) e tentar que ela seja sua primeira vez e salvar o casamento dos seus pais de Graham Purvis (Paddy Considine, Terra de Sonhos), um guru bizarro que foi um amor do passado de sua mãe. Essas mesmas situações serão as que vão modelar e transformar a vida de Oliver.

A novela de Joe Durthorne é retratada com uma sensibilidade sem igual pelo diretor Richard Ayoade. O filme inala a transformação da adolescência e toca em temas joviais que se difere com uma linguagem cinematográfica que dá privilégio aos indies. Ou seja, o filme carrega aqueles estilos de videoclipes de bandas britânicas e ainda com uma trilha de Alex Turner do Arctic Monkeys, tudo se torna extremamente gosto, para os fãs.

O elenco brilha nesse filme. O casal Craig Roberts e Yasmin Tate entra como o casal do ano. Um casal que não enaltece um romantismo ilusório como determinados casais americanos. As juras de sentimento não são feitas por palavras, mas nos gestos doces dos dois protagonistas emaranhados nas canções de Turner que se tornam mais um capitulo dos românticos cults. Também o “triangulo” amoroso dos adultos é retratado de uma maneira interessante e longe dos clichês. Sally Hawkins, Noah Wyle e Paddy Considine fazem a diferença.

Submarine é um projeto maravilhoso que saiu esse ano. Pode se dizer que é o romance Cult do ano ao lado de Blue Valentine, mas diferente do filme de Michelle Williams, Submarine não só foca o romance, mas a busca do amadurecimento sem cair em piegas. Talvez, em um futuro próximo, o novo xodó dos cinéfilos indies por trazer elementos que eles tanto amam. Mas para os dias de hoje, é um filme que transmite o porquê é tão especial ser verdadeiro no cinema. E esse filme é em sua pura essência.

Ficha Técnica
Submarine
Diretor: Richard Ayoade
Elenco: Craig Roberts, Yasmin Tate, Noah Wyle, Paddy Considine e Sally Hawkins como Jill Tate.
Gênero: Drama/Comédia/Romance
Cotação: 100% - *****

4 de agosto de 2011

Capitão América - O Primeiro Vingador

Capitão America – O Primeiro Vingador não deve ser apedrejado quanto parece ser. Em realidade, o último capítulo pré Vingadores não é só apenas mais um prelúdio extremamente longo para dizer que no ano que vem, a verdadeira prova de fogo da Marvel será esse projeto e quizá o que podemos dizer o projeto definitivo da Marvel no cinema e um dos mais ambiciosos de 2012.

Um dos pontos mais louváveis do filme e dos mais curiosos se encontra no segundo ato do filme, no qual envolve a questão da propaganda política americana para a segunda guerra mundial. Existe uma vontade natural do personagem de Evans em participar no que está acontecendo, sendo que existiu a preferência da mesma nação em continuar a trabalhar um ícone do que por assim dizer, do mesmo fazer algo pelo país.

Talvez exista uma estranha coincidência aos fatos recentes nos Estados Unidos que trabalharam ao esmo na década passada em prol de combater o “terrorismo” na visão deles e quando passa tudo e chegam novas diretrizes ou quando realmente a figura importante sente que nada era o que demonstrava. A diferença é que o personagem Capitão America sentiu a necessidade de ajudar... Já a vida real...

Tirando esse fato, o filme de Joe Johnston, diretor de filmes interessantes e belíssimos como Rocketeer e O Céu de Outubro, se preocupa de uma maneira em trazer o espectador uma aventura aos moldes clássicos, no qual, o espectador se envolva com os personagens do filme, principalmente com o protagonista Chris Evans que realmente provou que pode ser um personagem mais a sério, em comparação ao pastiche que foi Quarteto Fantástico.

O resto do elenco faz a sua parte demonstrando ser uma peça fundamental para cada momento e não existe mais a necessidade de dizer que Hugo Weaving volta a roubar a cena como vilão da trama que carrega em si o que é para muitos, a verdadeira natureza do homem atual, a destruição do mundo por um ideal que muitas vezes é concretizada por um e seguido por muitos pelo temor e a falta do que acreditar.

Capitão América – O Primeiro Vingador é um prelúdio curioso no qual focou no que muitos estavam esperando, no que se torna equivalente a questão de como seria demonstrado o personagem para encaixar aos Vingadores. Já como filme, não preferiu inovar, seguiu a risca o que muitos esperavam seguir, uma aventura de sessão da tarde que se pode ver de boa uma ou mais vezes. Longe de ter uma extrema qualidade, o filme funciona por fazer o tradicional arroz com feijão hollywoodiano que não irá mudar nada para os grandes cinéfilos e tão pouco, os loucos pela pipoca.


Ficha Técnica
Capitão América - O Primeiro Vingador (Capitan America - The First Avenger)
Diretor: Joe Johnston
Elenco: Chris Evans, Hugo Weaving, Tommy Lee Jones, Hayley Atwell, Sebastian Shaw, Dominic Cooper, Toby Jones, Neal McDonough, Derek Luke, Amanda Righetti, Samuel L. Jackson e Stanley Tucci
Gênero: Ação/Aventura
Cotação: 75% - ***







PS ... Só faltou tocar isso ao final do filme

1 de agosto de 2011

O Ursinho Pooh

A nova aventura de O Ursinho Pooh nos cinemas poderia ter sido não só apenas um frescor maravilhoso da Disney em retornar ao 2D com pouca ou quase nenhuma interferência computadorizada ser parcialmente o melhor desenho lançado em 2011 em um ano altamente competitivo. Mas infelizmente o desenho carrega algo que dá uma enorme pena para não classificar como o melhor do ano.

A história da animação traz com um frescor interessante. Tudo que já vimos nos desenhos clássicos baseados nos personagens de A.A. Milne e E.H. Shepard está no sangue do desenho. O que torna curioso é o papel do narrador (John Cleese) e de como ele envolve os personagens as palavras do conto. Pode parecer um recurso simples, mas é de pura satisfação em cena.

O único defeito grave dessa animação fica em sua duração. O filme em si mal consegue ter uma hora de duração fazendo questionar se realmente o projeto pode ser considerado um longa metragem ou não. Um projeto como esse merecia um pouco mais de duração, mas baseado na história, consegue ser algo sem rodeios, sem complicações e eficiente.

Com a voz da doce Zooey Deschanel na trilha e cantando uma das melhores canções do ano, O Ursinho Pooh é um desenho que sabe que não traz nada de novo para um universo das animações que cada vez mais consegue enganar o público em confundir com a realidade ou não. É um desenho que mostra em seus traços, em seus personagens, em sua sensibilidade que é possível fazer uma animação de coração aberto e ser correspondido com o carinho do seu publico inocente e tão doce quanto um pote de mel.

Ficha Técnica
O Ursinho Pooh (Winnie The Pooh)
Diretores: Stephen J. Anderson e Don Hall
Com as vozes de: John Cleese, Jim Cummings, Tom Kenny, Bud Luckley, Jack Boutler, Travis Oates, Kristen Anderson-Lopez, Wyatt Dean Hall e Craig Ferguson.
Gênero: Infantil/Animação
Cotação: 85% - ****