30 de maio de 2011

A Garota da Capa Vermelha

Não é tão difícil ver um critico reclamando de filmes românticos. Hoje vemos dois tipos de filmes do porte. Um é o que podemos dizer, o romance real, daqueles que sem duvida o espectador se vê dentro do filme e percebe que o universo que se passa no filme é o mesmo da vida real. 500 Dias com Ela, Antes do Amanhecer e Por do Sol, Amor a Distancia e o caso mais recente, Blue Valentine são os que muitos gostam de lembrar e todos percebem um fator importante: ser concreto.

O outro tipo, e o que se concentra o debate desse texto, é daqueles que usa o que podemos dizer... O desvirtuamento de ideias principais para se tornar base para um romance de cunho utópico ou excessivamente melado. O filme definitivo para isso é sem duvida, Crepúsculo. Toda ideia de lobisomens e vampiros se torna um plano de fundo (coloca bem fundo mesmo) para um romance de valores impossíveis que consegue ser objetivo em um só ponto. Em viver um amor impossível.

Essa segunda linguagem de filmes românticos é a menina dos olhos nos dias de hoje em Hollywood. Mas essa segunda parte também arreta um problema. As maiorias das fitas passam longe de ter uma qualidade incrível. Talvez nem funcione como um cinema em si, mas consegue (acredito) um efeito extremamente positivo no qual se baseia na resposta das fãs que vibram ainda mais do que se imagina.

O conceito quase se repete ao texto anterior, mas aqui já está para criticar o filme que talvez possa colocar essa segunda moda hollywoodiana em cheque e até mesmo as fãs dessa modalidade ficaram a questionar, o que fica registrado que existe algo que está errado e tanto a nota no Rotten e no IMDB. A adaptação equivocada de Chapeuzinho Vermelho, A Garota da Capa Vermelha.

Talvez a proposta inicial é que faça que o espectador esqueça tudo que se viu falar do conto e cria uma nova visão do conto em uma maneira mais dark (e advinham, não dá certo) no qual conta situações tão ilógicas que é difícil até mesmo descrever um plot do filme para uma critica. O que talvez pode se adiantar são coisas simples no qual um romance proibido dentro de uma situação de terror, que no filme, é a questão do lobo.

Como já foi focada em alguns parágrafos passados, essa linguagem de deixar o horror de lado já está cansado, mas no filme da diretora de Crepúsculo, se preocupou muito mais em criar uma tensão romântica extremamente inexistente aliado a atores plásticos que ficaram mais preocupados em ter um cabelo rebelde na época medieval do que em atuar. Outro detalhe bizarro é que a diretora se preocupou em repetir tomadas crespulares (aquelas aéreas que tem o intuito de colocar profundidade, mas que falha em uma escala de mediocridade horrível).

Essa produção de Leonardo DiCaprio falha miseravelmente em uma escala incrível. É uma atualização argumentativa cheia de pobreza e falácias que pensando que em transportar o espectador em uma visão romântica utópica que ao final de tudo se torna um profundo ultraje ao bom senso. Nem adianta comentar algumas cenas vergonhosas por que não dá para estragar o genial que foi ver os contos antigos. Se brincar até aquelas redublagens toscas de clássicos consegue ter mais coerência do que esse filme.

Ficha Técnica
A Garota da Capa Vermelha (Red Riding Hood)
Diretora: Catherine Hardwicke
Elenco: Amanda Seyfried, Gary Oldman, Billy Burke, Shiloh Fernandez, Max Irons, Virginia Madsen, Lukas Haas e Julie Christie.
Gênero: Romance/Terror
Cotação - 0% - FUUUU

22 de maio de 2011

Blockbusters Velozes, Reflexões Furiosas

Na decima segunda temporada de South Park, um dos episódios retratava algo insólito que é os cineastas Spielberg e Lucas violando Indiana Jones e todos os personagens do desenho chorando pelo fato que passou com o que aconteceu com o seu herói. Em contra ponto ao inicio do texto, vemos a maior surpresa dos blockbusters desse ano ou talvez de alguns anos. Velozes e Furiosos 5 a cada dia que se passa conquista críticos, uma ótima nota no IMDB e uma bilheteria respeitável já desde seu primeiro final de semana que conseguiu 160 milhões em 3 dias. Mas Velozes e Furiosos 5 se torna um capitulo diferente de toda a saga. Aquela coisa “mística” que se via nos primeiros filmes no qual envolvia a questão de pegas espetaculares para uma trama, que pelo menos alguns consideram segura no qual envolve corrupção e perseguições policiais.

Alguns consideram essa questão de mudanças de diretrizes de franquia um horror puro já que foge da essência que cativou a muitas pessoas que cresceram vendo a franquia. Mas o preço é o que foi citado ai em cima. Boa bilheteria e uma aprovação coerente de quem assistiram a esse filme. Apesar de serem dois temas opostos, o episódio de South Park e a franquia de Velozes, os dois tem pontos em comum: o papel de um blockbuster nos dias de hoje e as reinvenções dentro da própria franquia se tornam uma chave para o sucesso ou a porta extrema do fracasso. E chegando no verão norte-americano, se torna uma grande oportunidade de criar esse debate.

Para muitos a principal diretriz de um blockbuster tem como a preocupação de que o espectador tenha pelo menos a diversão, um escapismo legitimo de sua realidade e embarcar em um filme a pura imaginação. Claro que existe espaço para desdobramentos de que podemos dizer uma linguagem mais profunda de cinema, é só lembrar os filmes de ouro de Spielberg como os capítulos de Indiana Jones ou Parque dos Dinossauros ou alguns clássicos de James Cameron e entre outros.

Atualmente essa questão de mestres se foi. Não é de negar em nenhum momento que hoje tudo se envolve com o dinheiro, mesmo com filmes que ganharam franquias por que começaram com orçamentos modestíssimos até filmes com grandes orçamentos que sabem que terão retorno garantido. Os principais pontos para fazer um blockbuster são esses: um grande ator que não precisa provar nada, atores em ascensão, uma musa, um roteiro padrão em relação ao projeto, um diretor que entenda bem o que está fazendo.

Quando estamos diante de uma franquia, existe um cuidado extremo. Afinal, algumas se tornaram franquias pelo potencial que ela demonstra inicialmente como foi no caso de Jogos Mortais ou Exterminador do Futuro. Alguns filmes consequentes fizeram experimentações ou um novo tipo de linguagem para dentro da franquia. Alguns conseguiram ser clássicos, Aliens – O Resgate, O Exterminador do Futuro 2, Piratas do Caribe – O Bau da Morte e o caso mais supremo e indiscutível: os filmes de James Bond.

Mas alguns capítulos conseguiram extravasar e sai do seu conceito original. Em alguns casos conseguiram desviar ao extremo do que era a série. Exemplos têm de sobra que nos quais deram errado como a maioria das franquias de terror e o clássico exemplo Halloween III que não tem extremamente nada haver com os dois primeiros filmes. Outros exemplos interessantes foram o desdobramento da franquia Jogos Mortais, como o segundo e o sexto capitulo que pelo menos foram os melhores de toda a franquia e Duro de Matar já que no terceiro capitulo acontece um giro de 360 graus do que se conhecia da mitologia de John McClane.

Mas se uma continuação só se torna valido por um fator primordial: O publico. É a resposta dele ao projeto que se torna um fator fundamental para continuar. Existem filmes que ganharam mais e mais continuações por terem acumulado uma geração de fãs que vão ao cinema, prestigiam e tudo mais. O filme pode ser muito ruim, mas para eles, ver elementos que fizeram que eles se tornassem fãs na telona, não tem preço. Que melhor exemplo são os fãs da franquia de Jason e Sexta Feira 13?

Mas ao mesmo tempo não pode esquecer aqueles que viram suas franquias serem derrubadas e essa decepção se tornou visível ao ponto de se tornar intragável. Um exemplo interessante é lembrar-se do que Joel Schumacher fez com a franquia de Batman e entregando um dos projetos mais vergonhosos já feitos: Batman e Robin. A lembrança de quem viu no cinema não é uma das mais ternas do mundo.

Ou em uma maneira tão espetacular que foi o desabafo de South Park ao filme de Indiana Jones. É extremamente visível a questão que eles não acham o filme o desastre, mas pelo fato do desvirtuamento extremo do personagem que eles viram crescer e ter uma diretriz totalmente diferente, já que no ultimo filme Indiana está em uma história que envolve alienígenas, coisa totalmente distinta a mitologia que todos cresceram a ver.

Às vezes o povo confunde inovação com alienação ou violação. Muitos deveriam lembrar que se não acontecesse mudanças ou alterações, muitas franquias sucumbiriam ao marasmo ou ao ridículo. Claro que nem tudo é perfeito, se muitas vezes a mudança resulta a um bom filme, pode ser ótimo ou não. E ao mesmo tempo, é do próprio publico ter a noção do que está vendo. Afinal, é ele que poderá afirmar, para si se tudo que viu é algo bom ou não.

Hoje, quando se confere um sucesso estrondoso de um filme, se deve por que conseguiu satisfazer o publico especifico que gostou do projeto. Velozes e Furiosos 5 está fazendo o sucesso que está pelos seus méritos e ter alcançado suas metas principais: o entretenimento dos seus fãs e dos quem gostam de fitas de ação. Quando um filme consegue isso, é de se admirar. Torna-se uma opção aceitar que isso é cinema ou não. O cinema nas terminologias atuais não só se desprende em um cinema de arte feito para poucos, mas sim algo que engloba tudo, até mesmo aqueles tipos de filmes que muitos chamariam de lobotomia visual. Mas até mesmo a pior lobotomia visual pode ser cinema já que existe gente que se sente bem ao ver isso.

A melhor referencia do poder do cinema está sem duvida numa situação curiosa. As Aventuras de Sharkboy e Lavagirl de Robert Rodriguez, apesar de ser seu pior filme de longe, ele fez esse filme baseado em uma história do seu filho de 5 anos. Pelo simples fato de um homem transformar os sonhos de um garoto em realidade, é algo a se admirar. É o cinema a plena forma, a transformação de qualquer tipo de ideias em realidade, mesmo a mais inocente (ou idiota) que pareça ser.

Deixando com vocês, o que podemos dizer, um dos melhores trailers de um verdadeiro blockbuster


Abraços a todos.

18 de maio de 2011

Rapidinhas do mês de maio


Boca de Morango – Uma comédia romântica argentina no qual o plot não tem quase nada de romântico. É sobre um produtor decadente que descobre que uma musica produzida por seu tio picareta está sendo sucesso no mundo e tenta encontrar o cantor para tirar mais dinheiro. Ele convence a sua namorada de desistir de viajar para Miami para embarcar nessa busca nas serras cordobesas. Apesar do conceito da história ser interessante e a química de Rodrigo de la Serna e Érica Rivas ser um fator diferencial, o filme deve muito por um ritmo extremamente lento mesmo com uma bela melhora no final. Torna-se um filme interessante para questionar as surpresas que o destino nos dá por uma simples canção, mesmo sendo uma musica desastrosa ou não.


Invasores – Terceira adaptação ao cinema do clássico Vampiros da Alma, conta com Nicole Kidman e Daniel Craig. O único ponto que vale questionar é de como ele cuidou de uma maneira atual o plot da obra, que se resume a questão medo de uma nova ordem social que ameaça a “estrutura” americana. O interessante é que os invasores da obra são como pessoas frias que não demonstram emoção e pensam em “coletivo”. O poder dos invasores é tanta que influenciou na direção fria ao extremo da fita que ainda se agrava quando o diretor original Oliver Hirschbiegel ter sido demitido e algumas cenas regravadas por James Mcteigue, o mesmo de V de Vingança. O famoso filme que até os 40 minutos do segundo tempo estavam bem até desandar por completo.


Mistério da Rua 7 – Brad Anderson, diretor de O Operário e Expresso Transiberiano, volta ao ambiente do suspense criando um clima pesado no qual a escuridão predomina o mundo e poucos sobreviventes tentam um meio de viver a um mundo que a cada dia mais, não há uma só luz do dia. O filme funciona para quem gosta de temáticas no qual envolve o desconhecido. Também tem um ótimo trabalho do diretor Anderson para criar o clima de medo que predomina o filme. Porém infelizmente alguns atores demonstram uma atuação aquém do que se pede e que talvez se fosse um episódio de tv do tipo “Além da Imaginação”, seria uma obra bem sedutora.


Velozes e Furiosos 5 – A nova empreitada de Vin Diesel e sua turma tem como foco uma história de roubo extraordinário com base de vingança no Rio de Janeiro. Nota-se que não adianta ter algum esforço e tirar conclusões profundas de cinema. O filme não nega que busca a diversão para o publico que é destinado, ou seja, seus fãs. Já na primeira estipulia do filme é perceptível que seriedade irá passar longe da obra. Cenas espetaculares de ação com pouco uso da computação gráfica, o que menos se usou na franquia após o terceiro filme, uma trama que não exige muito da cabeça do seu espectador e outras coisas que um fanzoide pede. Em palavras mais simples, foi tudo que Os Mercenários prometeu e não conseguiu cumprir: um legitimo domingo maior. O guilty pleasure do ano?

Cotações

Boca de Morango (Boca de Fresa) - **
Invasores (The Invasion) - **
Mistério da Rua 7 (Vanishing on The 7th Street) - ***
Velozes e Furiosos 5 (Fast Five) - ***

13 de maio de 2011

The Roommate

Existem filmes que nota-se o esforço do critico esboçar parágrafos argumentativos para ter uma visão substancial do projeto. Mas existem outros que a capacidade de esboçar linhas se relaciona com a qualidade do filme. Quando estamos diante de um filme tão vazio e tão plastificado que muitas palavras que podem sair em diante pode ser de má vontade do escritor, mas tudo é reflexão da obra.

The Roommate é um suspense que conta a história de Sara, uma moça do interior que vai se alojar na faculdade para fazer o curso de seus sonhos, moda. E como a maioria desses alojamentos, Sara ganha uma companheira de quarto chamada Rebecca. No começo ela demostra um caráter amável, mas o tempo passa, a amável Rebecca começa a demonstrar um caráter desconhecido.

Quase um remake voluntário de Mulher Solteira Procura, o filme é tão plástico que tudo no filme acontece com uma precisão metódica. Mas o pior é realmente que tudo que está acontecendo seja tão falso que é difícil ter alguma apatia aos personagens e tão pouco da história que se desenrola é o que se pode dizer, soa um milagre chegar ao final com uma chuva de obviedades que acontece em menos de 90 minutos.

E por falar em personagens. Muitos personagens se tornam uma oportunidade de desdobrar o ator para múltiplas facetas demonstrando uma versatilidade para esse profissional. Escrevendo isso e associando a esse filme, essa teoria do desdobramento não passa de uma bela utopia já que todos entregam atuações tão falsas e vazias ao ponto de nós mesmos acreditarem que o que se vê em novelas infanto-juvenis brasileiras atuais sejam um exercício multifacetado de mil atuações sem o movimento facial para demonstrar emoção.

The Roommate consegue superar os limites do tolerável. Vazio ao extremo. Plástico até dizer chega. O mais engraçado é que sempre existirá um publico para esse tipo de filme. E ainda chega ser mais deplorável que consegue buscar a dois públicos, o que gostam de suspense previsível possível e de atores que só tem beleza, porém o eco dentro de seus talentos ocos treme o bom senso da atuação. Bem, esse filme se adepta a essa necessidade.

PS: Leighton Meester ... vá aprender atuar um pouco por favor ... o bom senso agradece.

Ficha Tecnica
The Roommate
Diretor: Christian E. Christiansen
Elenco: Leighton Meester, Minka Kelly, Cam Giganet, Alyson Michalka, Danneel Harris Ackles e Billy Zane
Gênero: Suspense
Cotação: 5% - FFFUUUUU

10 de maio de 2011

Thor

Maio para muitos ainda será o mês comum. Porém para o cinema é o começo das estreias mais “esperadas” por todos: os blockbusters. Muitos reclamam dessa época já que começa um avanço de bobagens com a proposta de encher seus cofres de grana esperando retorno de seus investimentos que chegam ao ponto de ser o que podemos dizer, astronomicamente caro. Mas não pode esquecer que muitos deles existem a clara proposta do bem estar do espectador, como um escapismo literal de seu dia a dia e a predisposição de curtir sem medo uma aventura. Pois bem, o primeiro dessa proposta escapista é a mais nova adaptação da Marvel nos cinemas Thor.

Desde quando a Marvel se tornou propriamente uma produtora de cinema, começou de uma maneira gradual a colocar em pratica seu projeto mais ambicioso: a adaptação de Os Vingadores, no qual é uma saga dos maiores heróis da Marvel juntos com um fator em comum, combater um mal universal. Desde Homem de Ferro até agora, começou de uma maneira gradual a coexistência de vários heróis em um mesmo mundo e com Thor se fortalece e aumenta mais as expectativas do que poderá ser Os Vingadores.

Já como filme reflete pontos importantes ou o maior dever de casa de um filme pipoca. Vem com uma qualidade técnica bem expressiva principalmente no que se corresponde ao mundo de Asgard que enche os olhos ainda mais com a técnica 3D. As cenas de ação são eficientes e dosadas em sua medida, talvez pelo fato do próprio filme for uma ponte para algo maior. Outro fator também foi das escolhas dos atores para seus respectivos papeis. Mas o destaque maior fica entre seus dois protagonistas.

Chris Hemsworth e Tom Hiddleston cativam com seus personagens em cena. Assim como a maioria das fitas da Marvel, todos os atores escolhidos para seus personagens foram um acerto de gênio. Em Thor não foi diferente já que Chris é carisma puro em uma entrega perfeita do ator ao personagem. E Hiddleston com seu Loki consegue ser envolvente e criar a dualidade da simpatia com cólera.

Um dos maiores trunfos de Thor não é ser profundo e nem tão pouco raso, mas de cativar o espectador em um herói com um arco dramático sobre o verdadeiro papel de um homem. Como filme, consegue ser ainda eficiente por que ao seu termino, não é difícil prever a vontade de assistir novamente o projeto. A Marvel caminha com passos concretos, e longe da DC que busca a seriedade e elevar a outro nível as adaptações de quadrinhos, a Marvel busca realmente uma coisa: puro entretenimento. Simples e puro.

Ficha Técnica
Thor
Diretor: Kenneth Branagh
Elenco: Chris Hemsworth, Natalie Portman, Tom Hiddleston, Stellan Skarsgård, Kat Dennings, Ray Stevenson, Josh Dallas, Jaimie Alexander, Idris Elba, Clark Gregg, Colm Feore, Rene Russo, Jeremy Renner, Samuel L. Jackson e Anthony Hopkins como Odin.
Gênero: Aventura/Fantasia
Cotação: 85% - ****

6 de maio de 2011

Lluvia (Chuva)

A experiência do atraso de um filme aos cinemas só aumenta expectativas ou alimenta decepção. Não parecem tão estranhas quanto determinadas atitudes das distribuidoras brasileiras levarem a fio suas demoras, suas escolhas equivocadas de levarem determinados projetos ao home vídeo, ou pior, nenhum sinal de ir ao cinema ou ao conforto de sua casa. Chuva (Lluvia), filme argentino de 2008, dirigido por Paula Hernandez após 4 anos de seu lançamento original chega aos cinemas brasileiros. É uma demora que vale a pena?

Alma (Valeria Bertuccelli, Um Namorado Para Minha Esposa) e Roberto (Ernesto Alterio, Las Viudas de Los Jueves) são duas pessoas extremamente distintas. Ela com o termino de seu relacionamento começa a viver dentro de um carro. Enquanto ele vive um pesadelo pessoal de voltar a Buenos Aires após longos anos na Europa. E a chuva torrencial da cidade portenha essas duas pessoas irão compartir seus sentimentos mais profundos.

A transformação do evento climático em um estado de reflexão de si mesmo entre os personagens é uma das grandes qualidades da fita. O simbolismo da chuva na trama se torna ainda mais interessantes junto com as belas performances de Bertuccelli e Alterio que mesclam suas dores pessoais junto com o estado torrencial de uma chuva sem fim. Mesmo não trazendo nada de novo, o que faz a diferença é o olhar romântico da diretora Paula Hernandez para o filme. Simples, mas, com efeito.

Soa extremamente estranho o lançamento do filme nos cinemas brasileiros por que já foi transmitido em vários canais de tv a cabo e o dvd do filme na Argentina é catalogo há tempos. Ao mesmo tempo soa como constrangedor lançar esse filme no cinema como se fosse o ultimo lançamento e ao mesmo tempo interessante por que apesar de uma demora colossal, sempre é bem vindo o prestigio ao cinema latino americano que cada dia que se passa, entre os erros e acertos, chega ao bem comum, ser acessível para todos.

Chuva é um filme que não se preocupa por sua qualidade técnica, mas sim pelo que a história tem por entregar. Mas como figura como um lançamento extremamente underground, se aparecer o filme em um cinema perto, vale a conferida. Se não, consulte a programação da tv a cabo para ter uma boa surpresa. Simples e simpático, um romance que fica mais pela reflexão que propõe do que o amor em si.


Ficha Técnica
Chuva (Lluvia)
Diretora: Paula Hernandez
Elenco: Valeria Bertuccelli e Ernesto Alterio
Gênero: Drama/Romance
Cotação: 75% - ***