23 de abril de 2011

Guerra dos Mundos de Steven Spielberg

Guerra dos Mundos, livro escrito por H.G. Wells, no inicio do século passado utiliza um dos princípios mais deliciosos ou que pelo menos, o que todos nós, fãs da ficção cientifica adoramos: O questionamento fantástico para algo concreto que por muitas vezes assola ou assusta algo da sociedade. No livro de Wells saiu como uma critica ao imperialismo britânico que foi expansivo e quase catastrófico, resultando em revoltas e guerras.

Quando a primeira adaptação ao cinema saiu, na década de 50, era visivelmente notável a questão do medo do avanço socialista nos Estados Unidos. O filme também representa uma representação do temor norte americano (ou podemos dizer capitalista) aos estilos ou a ideologia comunista que aos olhos deles, estragava a “liberdade”. Em 2005, saiu a nova adaptação (ou remake para alguns leigos) do livro de H.G. Wells, sendo que na visão de um dos diretores mais respeitados, Steven Spielberg.

A nova adaptação do livro tem como foco, um trabalhador chamado Ray Ferrier (Tom Cruise) que em um final de semana, irá cuidar de seus filhos Rachel (Dakota Fanning) e Robbie (Justin Chatwin). Porém horas depois, começa a brotar em sua vizinhança naves alienígenas e que começam em uma escala global a conquistar o mundo. Porém Ray tem outro plano, de levar os filhos de volta para a casa da mãe Mary Ann (Miranda Otto) com uma esperança de que estejam bem.

Uma das coisas que muitos comentam se baseia na questão da “falsa” proposta ou na “falsa” esperança do que iria ver. O pensamento por envolver Tom Cruise e de que ele iria lutar contra os monstros horríveis passou pela cabeça de muitos que foram ver o filme. Principalmente o publico jovem ou com pouca base cinematográfica, ou melhor, que nem sabiam ou tinham ouvido falar da obra original ou do filme original.

Um dos primeiros pontos geniais da trama de Spielberg se torna em focar totalmente no trio de personagens principais. O roteiro escrito por David Koepp não vai pelo caminho fácil ou pelo menos visível no qual entrar de corpo e mente sobre guerras, porém se baseia mais no foco humano da história ou tudo que foi idealizado em filmes de ficção talvez se caia por terra para dar um foco mais especial e mais profundo que qualquer tipo de tema: a questão humana.

Pode se considerar que o trio de personagens principais demonstra um tom mais simbólico demonstrando a representação de qualquer pessoa diante ao que não tem conhecimento. A fuga, o desespero, a preocupação em proteger o que mais importa (no caso do personagem de Cruise, os filhos), a falsa esperança de que sabe com quem está lidando (o personagem de Chatwin) e principalmente, o endeusamento deslumbrante do medo aos olhos de uma criança (a personagem de Fanning)

Existe também um fator que tem que se levar em conta que envolve a morte dos aliens. Talvez exista uma conexão ao final como uma representação da ocupação americana em alguns países do oriente médio durante a época de Bush. Com a destruição de todo onde passou e das mortes de inocentes para chegar ao final em um resultado falho e vergonhoso. Sem duvida uma representação interessante sobre a embriaguez de poder armamentista do governo Bush.

A única atuação que deixa atenuar é a de Justin Chatwin, infelizmente não consegue trazer um charme a um personagem que deveria ter um drama mais acentuado. Mas nada podemos reclamar das atuações de Cruise e Fanning. Uma dos fatos que é admirável desses dois são seus olhares a cada situação. As entregas dos dois atores são vitais para dar mais veracidade ao estudo de sentimentos que o filme proporciona.

Enquanto a parte técnica há uma redundância em dizer que tudo que se viu na tela é impecável. Mas o maior destaque que sem duvida merece ser falado é a fotografia de Janusz Kamisnki que em todos os momentos da fita, fascina pelo brilho do sol até o mais negro do ataque alienígena. Spielberg com uma condução clássica nos seduz de uma maneira brilhante em todos os momentos. Desde o primeiro ataque a belíssima cena da fabrica no final.

Guerra dos Mundos não é só apenas um filme de ficção cientifica que vemos a pura destruição recheadas de efeitos visuais. Não, Guerra dos Mundos não fala de heróis que lutam para um novo amanhecer ou tão pouco de vilões que querem apoderar do mundo. Guerra dos Mundos de Spielberg fala sobre uma das maiores guerras que sabemos que não vencemos: a guerra entre o homem e de como lidar com o desconhecido. Uma guerra que muitos pensam que sabem como lidar, mas em realidade, o que se vê em cena é o retrato fiel do que é um ser humano: O que não quer saber de como vencer o desconhecido, mas sim se sentir seguro contra algo que desconhece.

Ficha Técnica
Guerra dos Mundos (War of The Worlds)
Diretor: Steven Spielberg
Elenco: Tom Cruise, Dakota Fanning, Justin Chatwin, Miranda Otto, Tim Robbins e Morgan Freeman.
Gênero: Ficção Cientifica/Drama
Cotação: 100% - *****

16 de abril de 2011

Eu sou O Número Quatro

Muitas das franquias que crescemos durante muitos anos estão chegando ao seu fim. Desde franquias de prestigio mundial como Harry Potter até os de culto imediato e esquecimento no ano seguinte como Crepúsculo. Não há como negar que últimos anos se veem tentativas de franquias ganharem proporções de fracasso de uma maneira lastimável. Nesse final de semana estreia uma nova tentativa hollywoodiana de uma franquia de sucesso chamada Eu sou O Número Quarto.

Dirigido por D.J. Caruso e produzido por Micheal Bay, o filme é baseado em uma novela escrita por Pittacus Lore (dois autores chamados Jobie Hughes e James Frey) conta a história de John (Alex Pettyfer, Alex Ryder Contra o Tempo) um jovem com poderes especiais que tenta se esconder em uma cidade pequena para não passar em despercebido. Junto com seu guardião Henri (Timothy Olyphant, Deadwood – A Trilha) tenta viver uma vida tranquila.

Mas a morte do Número Três, faz com que toda sua vida corra perigo, já que seres desconhecidos chamados Mogadorian vão em busca de John já que ele é o próximo da lista, colocando a vida de todos que estão ao redor em perigo Sarah, (Diane Agron, Glee) uma jovem do colégio que se apaixona por ele e Sam (Callan MacAuliffe, Flipped) um garoto que acredita que o pai foi abduzido por seres extraterrestres. Além disso, a misteriosa Número Seis (Teresa Palmer, O Aprendiz de Feiticeiro) está também querendo saber o paradeiro do Número Quatro.

Não necessita nem ter uma grande sabedoria sobre cinema, está bem visível que a produção busca um bem comum: ser uma nova franquia para agradar o publico infanto-juvenil. Vimos várias tentativas de franquias como Jumper, Percy Jackson, A Bússola de Ouro e entre outros. Em questão de quanto arrecadou, bem, nos Estados Unidos falta muito pouco para o filme conseguir se pagar, já que não foi tão caro quanto se pensava, 60 milhões. E juntando quanto ganhou, pelo menos conseguiu um fator extremamente importante, se pagou e arrecadou o dobro do seu orçamento.

O modo como filme é desenvolvido é claramente visando novos filmes. Pouca ação, entretanto nas cenas que tem, os bons usos dos efeitos visuais e da tensão compensam a extrema lentidão que tem na primeira parte do filme. Claro que fica nítida a preocupação da trama que o espectador se familiarize com os personagens. Pelo menos eles têm algo de carisma do que algumas franquias ficaram a dever.

Eu sou O Número Quatro é uma fita de ação juvenil que poderia ter sido pior, mas pelo menos prende um pouco o espectador. Mas se após o filme fizer um seriado animado tipo Ben 10 e derivados, vai ser algo mais para se apreciar. Por um lado existe uma necessidade de todos em ver um novo tipo de franquia nos cinemas, mas rezar para que os próximos capítulos sejam melhores não custa nada. Está ai um filme regular que nem é tão maravilhoso ou algo catastrófico, é uma sessão de sábado ideal.

Ficha Técnica
Eu sou O Número Quatro (I am Number Four)
Diretor: D.J. Caruso
Elenco: Alex Pettyfer, Timothy Olyphant, Dianna Agron, Callan McAuliffe, Teresa Palmer, Jake Abel e Kevin Durand
Cotação: 50% - **

13 de abril de 2011

Rio

O maior charme de Rio em nenhum momento será a lembrança de um roteiro que preserva grandes diálogos ou uma copia de outros filmes de grandes produtoras. Rio, um projeto pessoal de Carlos Saldanha, tem algo a mais. Uma declaração descarada de amor a cidade maravilhosa através por uma ave que sente na cidade maravilhosa sentimentos que estavam guardados ao fundo da alma desde quando foi sequestrado quando era apenas uma pequena ave.

Muitos brasileiros sabem que o que se vê no filme passa um pouco longe (ou extremamente longe para os mais céticos) do que é o Rio de Janeiro. Mas deve se levar em consideração que o filme é uma visão quase romântica de um homem que sente saudade de sua terra natal e viu uma oportunidade de se sentir mais perto de casa e ainda mais levar a todos que gostam para visitar sua terra natal. No caso de Carlos Saldanha, ele convida o publico que admira seus filmes e seu estilo despretensioso a conhecer a cidade do samba.

O convite dele está recheado com uma trilha sonora sedutora que faz até os mais ferrenhos que odeiam o samba, admiram cada acorde de John Powell a trilha sonora. Também as musicas que tocam no filme são melodias que associadas as cenas do filme, nos sentimos seduzidos. A força técnica nesse filme dá uma prioridade extrema ao colorido. Até mesmo nas cenas “aéreas” do filme, o brilho da cidade cosmopolita é de encher os olhos, assim mostrando uma evolução visível da produtora.

Rio sem duvida é aquele tipo de desenho que terá muitos admiradores pelo que ele tem a oferecer do que ser comparado a algumas produtoras cujo nome não quer ser citado para não desprestigiar. Personagens simpáticos, colorido, trama leve e despretensiosa, força técnica extremamente acima da média e acima de tudo, envolvente. Rio não está perto de ser uma obra prima, mas será um filme que sem duvida conquistará públicos importantes: as crianças e a todo mundo que admira o Brasil. Seja por sua força de vontade de superar, sua alegria e suas riquezas que nem o desenho mais perfeito pode recriar.

Ficha Técnica
Rio
Diretor: Carlos Saldanha
Com as vozes originais de: Jesse Eisenberg, Anne Hathaway, Rodrigo Santoro, Leslie Mann, George Lopez, Jamie Foxx, Will. I. Am, Bebel Gilberto e Jemaine Clement
Gênero: Animação/Aventura/Comédia
Cotação: 85%

5 de abril de 2011

Sucker Punch - Mundo Surreal

É impossível negar que Zack Snyder seja um visionário. Ele é um dos poucos no mundo hollywoodiano que tem uma pegada própria. Mesmo com mais detratores do que admiradores, não é difícil esconder que ele sabe impor suas técnicas. Em Sucker Punch, somos testemunhas de sua primeira história autoral após ter dirigido várias adaptações como o desastroso Madrugada dos Mortos até o seu ápice cinematográfico Watchmen. A grande questão desse filme nem é se ele é bom ou não, mas sim o que ele quis realmente passar.

A jovem Babydoll (Emily Brownimg, O Mistério das Duas Irmãs) é forçada a viver em um hospital psiquiátrico após um acidente com seu padastro. Por lá começa a viver um inverno que não tem volta. Sufocada e próxima a sofrer uma lobotomia, ela arma um plano junto com Sweet Pea (Abbie Cornish, O Brilho de Uma Paixão), Rocket (Jena Malone, O Mensageiro), Blondie (Vanessa Hudgens, High School Musical) e Amber (Jamie Chung, Dragonball Evolution). O plano envolve em roubar 5 itens específicos sendo que o ultimo, a Babydoll tem que descobrir.

Se algum desavisado dissesse a vocês que Mundo Surreal é uma adaptação de um jogo de videogame, sem duvida estaríamos diante de talvez uma das melhores adaptações de algum jogo ao cinema. Já que o estilo de Snyder é frenético na ação e ao mesmo tempo nas câmeras lentas para dar o frescor do impossível, coisa que já em determinados jogos é peça chave para o sucesso. Outro fato fundamental e que talvez seja interessante é o uso de algumas musicas chaves para a trama. Já conferido na ofensa visual Madrugada dos Mortos utilizando a música clássica de Johnny Cash para o inicio do filme e para Watchmen com The Times They Are A-Chaning de Bob Dylan.

Em Sucker Punch muitos irão se lembrar do uso inigualável de Sweet Dreams, Where It’s My Mind e que vai mais ecoar ao termino do filme, de Army of Me de Bjork. Parece que as letras de cada música foram estrategicamente idealizadas para a personagem Babydoll. Até esse ponto, começamos a crer que isso é um grande filme e que merece mais atenção. Mas é até aqui que o brilho positivo do filme chega quase ao fim.

Infelizmente, com sua história autoral, Snyder coloca os pés pelas mãos criando resoluções bem simples e utiliza de uma coisa que já conhecemos muito bem, no qual é a transposição de que a fantasia para responder fatos ou atenuar a realidade do filme. Temos filmes melhores (ou pelo menos mais compententes) como The Fall ou O Labirinto de Fauno. E infelizmente existem alguns diálogos medíocres, mas chega um ponto que chegamos a relevar tudo.

Outro fato de ter só um elenco de deixar marmanjo olhando e babando demonstra a clara proposta de Snyder criar novas heroínas, ou o que podemos dizer que além de ter uma beleza hipnotizante, sabem fazer as coisas mais impossíveis como bater em zumbis com sangue de ar (??), samurais com metralhadoras giratórias e robôs assassinos. Porém a mesma potencialidade de atuação é o inverso do que fazem em cena, ou seja, nada.

Já Oscar Isaac já entrou na galeria como um dos vilões mais irritantes e mais mal desenvolvidos desse ano. Consegue estar lutando pelo pódio com o Billy Burke em Fúria Sobre Rodas. Um daqueles personagens que você torce para que ele morra ou pare de falar de ser tão medíocre. Carla Gugino pelo menos é a única da ala feminina que tenta demonstrar algo, porém a personagem dela aparece muito pouco e acredito que em alguma versão estendida do filme. Outro que aparece em menos de 2 minutos de boa é Jon Hamm, pelo menos ele é um ótimo ator, mas prefiro acreditar que aqui ele faz uma cameo.

Snyder faz em Sucker Punch todas suas características que marcaram em seus últimos filmes. Porém ao ver o filme propriamente dito conseguimos compreender os dois lados da moeda ao chamar de visionário. Torna-se uma ótima oportunidade de criar novos estilos, ou pelo menos, implantar algum. Mas o problema é que nesse filme está tão estampado que parece um videogame que até o modo que acontece as sequencias interessantes de ação que dá um tempinho e parece um modo de carregamento de um jogo de ação. Mas pelo menos aqui ele foi bem mais sucedido do que o Edgar Wright no ultrasuperestimado Scott Pilgrim vs O Mundo.

Se Sucker Punch fosse um filme baseado em algum jogo, teríamos em si um dos melhores filmes baseados em videogames. Mas como não é, é um filme falho, com uma proposta um pouco confusa para um espectador médio que depois é compensado com sequencias de ação que enche os olhos. Após esse filme, o termo de visionário vai soar estranho por que ele conseguiu programar delirantes sequencias de videogames no cinema. Porém se esqueceu do fundamental: ser cinema propriamente dito.

E ... mais uma coisa ... fiquem até o final dos créditos desse filme ... faz juz ao nome nacional ...

Ficha Técnica
Sucker Punch - Mundo Surreal (Sucker Punch)
Diretor: Zack Snyder
Elenco: Emily Browning, Abbie Cornish, Jena Malone, Vanessa Hudgens, Jamie Chung, Carla Gugino, Oscar Isaac, Jon Hamm e Scott Glenn como The Wise Man
Gênero: Ação/Fantasia/Ficção Cientifica/Musical
Cotação: 45% - **