Planeta dos Macacos (R)Evolução



Falar de Planeta dos Macacos (R)Evolução inicialmente é falar de uma das melhores surpresas desse ano, principalmente se contarmos que foi um dos blockbusters mais criticados pela cogitação de ser feito com o medo de que estrague a mitologia antiga criando novas diretrizes e seja de um cunho desastroso. Por uma jogada curiosa do destino, o novo filme concretiza a idéia da surpresa no âmbito de recepção de critica e de uma ótima resposta do publico a mais um capitulo dessa saga do cinema de ficção cientifica.

Uma das maiores dificuldades que o espectador tem de inicio, tão simples quanto se imagina, de como podemos iniciar ou pelo menos quais são os principais argumentos para iniciar uma saga e ao mesmo tempo convencer os fãs antigos da saga de que essa é aquela que se encantaram saiu no final da década de 60. Os roteiristas foram seguros e tomaram principio básico ou uma idéia que se bem explorada, dá um retorno extremamente importante: a transposição ética do homem.

O filme começa com o que infelizmente é uma verdade que não se pode negar que é a captura de macacos para experimentos de saúde, fazendo assim alterações genéticas para que consigam o seu fim comum, ou seja, a cura de alguma doença. Para Will, essa doença é o mal de Alzheimer. O geneticista criou um soro que consegue regenerar células mortas por causa da doença e expandir ainda mais.

Sendo que em uma das suas cobaias, Olhos Brilhantes, cria um incidente e teve que cancelar o projeto, até que descobre que Olhos estava protegendo seu filho recém nascido, Cesar. Will tomou de criar junto com seu pai doente. O tempo passa e Will percebe que Cesar desenvolve uma inteligência fora do comum e por um acidente, Will se vê forçado a deixar seu “filho” em um santuário. E é nesse santuário que começará algo que mudará a face da humanidade.

Na essência de sua história, o filme fala sobre a dualidade da humanidade no ponto de vista de Cesar e em dois personagens chaves: o fraternal Will, um James Franco brilhante a um personagem rico, e em contra ponto Dodge Landon, um surpreendente Tom Felton que faz esquecer o que ele faz em Harry Potter, como o antagonismo da humanidade, ou seja, o que humilha e destrata qualquer um que seja inferior a ele. São personagens que entregam a Cesar os dois passos teóricos que o homem passou a milhões de anos atrás: a humanização e a hominização.

Está nesse debate chave, no quais alguns podem passar despercebido, o melhor ponto do filme. O filme desdobra de uma maneira esse debate que quando chegamos ao final ou no seu clímax da grande fuga sentimos mais empatia com a causa dos macacos e torcemos no mais profundo da nossa alma a destruição da humanidade. Pode parecer algo pequeno, mas esse debate é só um dos inúmeros pontos positivos.

Outro ponto fundamental são os mínimos detalhes aos fãs da franquia original, assim como foi com Star Trek, existiram referencias sutis e ao mesmo tempo emocionantes para os fãs antigos da saga. Principalmente na metade do filme no qual as referencias ao personagem de Heston do primeiro filme são latentes e curiosamente emulados em Tom Felton de uma maneira sublime.

O visual do filme foi feito para deslumbrar. Para alguns, soa estranho não verem atores vestidos de macacos, com maquiagem pesada e pouca transmissão de emoção (Tim Burton... WHY?) aqui, graças a tecnologia vista em Senhor dos Aneis, King Kong, Andy Serkis principalmente, um personagem “digital” conseguiu ter uma veracidade de emoções. Toda vez que olhamos nos olhos do personagem, é difícil não se impressionar com cada movimento dele. É daqueles que se tem que ir ao cinema e testemunhar um futuro que não podemos negar, quando o irreal consegue ter mais emoção que o homem.

O único defeito do filme não está no filme, mas curiosamente na infelicidade do subtítulo nacional. Colocando a questão de “A Origem” cria uma expectativa quase desnecessária de ver de imediato às conseqüências. Em realidade, ver o subtítulo argentino, sinceramente uma sacada de gênio, é um convite do que será o filme, quando o novo consegue saltar os olhos e nós mesmos não sabemos o que saber, ou o pensamento limitado se torna o ultimo passo ao borde do declínio do mesmo.

Planeta dos Macacos (R)Evolução sem duvida é uma das melhores surpresas, em relação aos blockbusters, no que se diz a respeito que mesmo com as duvidas e a falta de crença do povo. O filme cresce por seus próprios méritos pelo seu tema desenvolvido, pelo elenco que funciona de uma maneira correta ao projeto, pelos seus efeitos visuais e principalmente pelo seu devido respeito a franquia original. Fãs do original contemplem mais uma (r)evolução do cinema ... Aquela que podemos avançar e questionar, mas ao mesmo tempo, ter nos olhos o carinho e a áurea do original.

Ficha Técnica
Planeta dos Macacos (R)Evolução (Rise of The Planet of The Apes)
Diretor: Rupert Wyatt
Elenco: James Franco, Frieda Pinto, John Lithgow, Tom Felton, Brian Cox, David Oyelowo, Karin Konoval, Terry Notary e Andy Serkis como Cesar
Gênero: Drama/Aventura/Ficção Cientifica
Cotação: 95% - *****

Comentários

  1. É isso aí, Johnny! Concordo em gênero, número e grau. O mais importante de tudo, considerando que este filme também foi feito para reativar o interesse pela saga original, é que a primeira coisa que fiz ao chegar em casa, depois de assistir a "Rise of the Planet of the Apes", foi assistir aos cinco filmes antigos de uma vez. E tudo casa direitinho - até porque acho que a maquiagem ainda é a melhor ferramenta para se fazer um "Planeta dos Macacos" (só nesse ponto discordo de você; creio que Tim Burton acertou ao usar a maquiagem no remake de 2001, já que, em seu filme, os macacos eram evoluídos como os da fita de 1968; errou, isto sim, ao encomendar a maquiagem a um artista menos competente do que John Chambers, criador dos símios da série original); entretanto, como em "Rise of the Planet of the Apes" os macacos ainda são antropóides primitivos e selvagens, não havia maneira melhor de colocá-los na tela dos que os efeitos digitais (aliás, de cair o queixo!). Rupert Wyatt e os roteiristas Amanda Silver e Frank Jaffa conseguiram um milagre: fizeram um filme que agrada a espectadores dos 14 aos 40 anos. Welcome back, you damn, dirty ape!

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  2. É, gostei desse (R)Evolução , bastante feliz mesmo. De seu texto só não concordo com o Tom Felton, que achei bem parecido com o Draco Malfoy. O ator desse filme é Andy Serkis. Impressionante como Caesar nos passa emoção.

    O filme conseguiu mesmo construir um início digno, adaptado à nossa época, mas sendo fiel a essência do original. De uma forma ou de outra, a gente acaba fazendo besteira e abrindo espaçao para nossos sucessores na evolução.

    bjs

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  3. É por que Amanda, nunca vi Harry Potter ... pelo menos não consegui ver essa questão de Draco, mas pelo menos é um personagem difícil e que podemos dizer, um ponto chave.

    E um elogio de Eduardo Torelli, um dos MAIORES sábios sobre o tema é sem duvida, um grande prazer. Obrigado por concordar champs!

    Um grande abraço a todos!

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  4. Também adorei (e já esperava, visto a ótima recepção junto ao público e à critica). Encantou-me ver uma direção sólida na condução de drama e ação, nos ganchos ("Perdidos no espaço!") e referências sutis e no respeito com o histórico da franquia. Na temporada de verão, mas com responsabilidade. [8/10]

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  5. Estou doida para assistir a este filme! Especialmente por causa das discussões que ele tem gerado, como este teu post exemplifica bem! Fico ainda mais curiosa para ver a performance do Andy Serkis, que tem sido bastante elogiada. As pessoas falam até em indicação ao Oscar. Você concorda com isso? Você acha que a AMPAS, um dia, irá reconhecer as atuações com a técnica de captura de performance??

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  6. Milla, a verdade? Talvez ver esse nome daqui junto com essa pergunta ... está ai uma confrontação que não podemos negar que ela existe ... Isso é uma questão de tempo e ao mesmo tempo de uma mente muito aberta ... veja o filme e entenderás ...

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