Passe Livre

Não será nem a primeira e nem será a ultima vez que estaremos diante de filmes que conseguem ter temáticas interessantes para ser debatido não só apenas pelo meio cinéfilo, mas também em uma ótica social ou até mesmo psicológica. E quando se debate com questões psicológicas, é que estamos diante de um debate que poderia render horas e horas. Porém ficamos com uma ponta de que poderia ter sido melhor se tivesse melhores caminhos para desenvolver certos temas. Isso acontece e de uma maneira sublime em Passe Livre.

A nova comédia dos Irmãos Farrelly tem como porta de entrada em demonstrar a rotina dos amigos Rick e Fred (Owen Wilson e Jason Sudekis) que apesarem de serem bem casados com Maggie e Grace (Jenna Fischer e Christina Applegate), se sentem como por muitas vezes presos a essa situação de casados. Após a uma situação, Maggie e Grace dão um passe livre para seus maridos e eles têm uma semana para fazerem de tudo que lhe derem na cabeça.

O melhor elogio a se dar para essa comédia está de como eles abrem esse tema do passe livre dentro da trama. Ao principio se vê como uma porta para o que podemos considerar uma traição consentida no qual os dois sabem que tudo envolve mais uma questão carnal. Mas em realidade tudo é uma prova de fogo em uma questão do matrimonio ou um estudo de que sabendo de debilidades de cada um e que a “liberdade” não passa de apenas o estalar necessário para que ambos sintam a necessidade de estarem juntos.

Ao ter essa visão, poderíamos dizer que poderia ter uma das melhores comédias românticas dos últimos anos por entrar nesse terreno espinhoso. Porém o roteiro dos irmãos desbanca para um humor extremamente físico e constrangedor que por muito pouco esse debate que para muitos casais seriam necessário desaparece com piadas de cunho flatulento e personagens que queríamos muito que não fossem desenvolvidos de uma maneira tão medíocre.

Curiosamente, os protagonistas dessa trama conseguem fazer de melhor quando não envolve as cenas de comédia, e sim nos momentos que envolvem o mínimo de sentimento dos mesmos. Cada personagem demonstra em cena o que é realmente a proposta do passe livre e suas conseqüências. Quem se dá extremamente bem com isso é Owen Wilson na reta final da fita. Mas infelizmente para ver o brilho de cada um, temos que esperar e ver a ruína dos dois machões e o riso vem com fluidez, mas não por que é engraçado, por que tudo que constrange, bem, sempre aparece alguém para rir.

Passe Livre seria um grande filme se não entrasse no terreno mais perigoso que uma comédia pode ir, o humor rápido e rasteiro. Muitos vão dizer que o filme não consegue ir mais além do que se imagina mesmo tendo um grande tema nas mãos. Realidade seja dita, se esse tema caísse com pessoas que entendem de uma comédia sentimental como Judd Apatow ou até mesmo Nancy Myers seria prato cheio, mas como vimos com esse dois irmãos, foi um prato indigesto com um passe para ir para casa com a cabeça baixa.


Ficha Técnica
Passe Livre (Hall Pass)
Diretores: Bobby e Peter Farrelly
Elenco: Owen Wilson, Jason Sudekis, Jenna Fischer, Christina Applegate, Stephen Merchant e Richard Jennkins
Gênero: Comédia/Romance
Cotação: 35% - **

Comentários

  1. A premissa pode ser boa, mas não é fácil esperar algo de qualidade dos Irmãos Farrelly.

    Abraço

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  2. O Woody Allen foi uma benção pro Owen Wilson.

    Argumento interessante, mas mal desenvolvido. Pena.

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