Sucker Punch - Mundo Surreal

É impossível negar que Zack Snyder seja um visionário. Ele é um dos poucos no mundo hollywoodiano que tem uma pegada própria. Mesmo com mais detratores do que admiradores, não é difícil esconder que ele sabe impor suas técnicas. Em Sucker Punch, somos testemunhas de sua primeira história autoral após ter dirigido várias adaptações como o desastroso Madrugada dos Mortos até o seu ápice cinematográfico Watchmen. A grande questão desse filme nem é se ele é bom ou não, mas sim o que ele quis realmente passar.

A jovem Babydoll (Emily Brownimg, O Mistério das Duas Irmãs) é forçada a viver em um hospital psiquiátrico após um acidente com seu padastro. Por lá começa a viver um inverno que não tem volta. Sufocada e próxima a sofrer uma lobotomia, ela arma um plano junto com Sweet Pea (Abbie Cornish, O Brilho de Uma Paixão), Rocket (Jena Malone, O Mensageiro), Blondie (Vanessa Hudgens, High School Musical) e Amber (Jamie Chung, Dragonball Evolution). O plano envolve em roubar 5 itens específicos sendo que o ultimo, a Babydoll tem que descobrir.

Se algum desavisado dissesse a vocês que Mundo Surreal é uma adaptação de um jogo de videogame, sem duvida estaríamos diante de talvez uma das melhores adaptações de algum jogo ao cinema. Já que o estilo de Snyder é frenético na ação e ao mesmo tempo nas câmeras lentas para dar o frescor do impossível, coisa que já em determinados jogos é peça chave para o sucesso. Outro fato fundamental e que talvez seja interessante é o uso de algumas musicas chaves para a trama. Já conferido na ofensa visual Madrugada dos Mortos utilizando a música clássica de Johnny Cash para o inicio do filme e para Watchmen com The Times They Are A-Chaning de Bob Dylan.

Em Sucker Punch muitos irão se lembrar do uso inigualável de Sweet Dreams, Where It’s My Mind e que vai mais ecoar ao termino do filme, de Army of Me de Bjork. Parece que as letras de cada música foram estrategicamente idealizadas para a personagem Babydoll. Até esse ponto, começamos a crer que isso é um grande filme e que merece mais atenção. Mas é até aqui que o brilho positivo do filme chega quase ao fim.

Infelizmente, com sua história autoral, Snyder coloca os pés pelas mãos criando resoluções bem simples e utiliza de uma coisa que já conhecemos muito bem, no qual é a transposição de que a fantasia para responder fatos ou atenuar a realidade do filme. Temos filmes melhores (ou pelo menos mais compententes) como The Fall ou O Labirinto de Fauno. E infelizmente existem alguns diálogos medíocres, mas chega um ponto que chegamos a relevar tudo.

Outro fato de ter só um elenco de deixar marmanjo olhando e babando demonstra a clara proposta de Snyder criar novas heroínas, ou o que podemos dizer que além de ter uma beleza hipnotizante, sabem fazer as coisas mais impossíveis como bater em zumbis com sangue de ar (??), samurais com metralhadoras giratórias e robôs assassinos. Porém a mesma potencialidade de atuação é o inverso do que fazem em cena, ou seja, nada.

Já Oscar Isaac já entrou na galeria como um dos vilões mais irritantes e mais mal desenvolvidos desse ano. Consegue estar lutando pelo pódio com o Billy Burke em Fúria Sobre Rodas. Um daqueles personagens que você torce para que ele morra ou pare de falar de ser tão medíocre. Carla Gugino pelo menos é a única da ala feminina que tenta demonstrar algo, porém a personagem dela aparece muito pouco e acredito que em alguma versão estendida do filme. Outro que aparece em menos de 2 minutos de boa é Jon Hamm, pelo menos ele é um ótimo ator, mas prefiro acreditar que aqui ele faz uma cameo.

Snyder faz em Sucker Punch todas suas características que marcaram em seus últimos filmes. Porém ao ver o filme propriamente dito conseguimos compreender os dois lados da moeda ao chamar de visionário. Torna-se uma ótima oportunidade de criar novos estilos, ou pelo menos, implantar algum. Mas o problema é que nesse filme está tão estampado que parece um videogame que até o modo que acontece as sequencias interessantes de ação que dá um tempinho e parece um modo de carregamento de um jogo de ação. Mas pelo menos aqui ele foi bem mais sucedido do que o Edgar Wright no ultrasuperestimado Scott Pilgrim vs O Mundo.

Se Sucker Punch fosse um filme baseado em algum jogo, teríamos em si um dos melhores filmes baseados em videogames. Mas como não é, é um filme falho, com uma proposta um pouco confusa para um espectador médio que depois é compensado com sequencias de ação que enche os olhos. Após esse filme, o termo de visionário vai soar estranho por que ele conseguiu programar delirantes sequencias de videogames no cinema. Porém se esqueceu do fundamental: ser cinema propriamente dito.

E ... mais uma coisa ... fiquem até o final dos créditos desse filme ... faz juz ao nome nacional ...

Ficha Técnica
Sucker Punch - Mundo Surreal (Sucker Punch)
Diretor: Zack Snyder
Elenco: Emily Browning, Abbie Cornish, Jena Malone, Vanessa Hudgens, Jamie Chung, Carla Gugino, Oscar Isaac, Jon Hamm e Scott Glenn como The Wise Man
Gênero: Ação/Fantasia/Ficção Cientifica/Musical
Cotação: 45% - **

Comentários

  1. Já vi gente defendendo "Sucker Punch" e detonando "Avatar". Mas a comparação gera uma discussão interessante, meu velho. Pra você, qual é a diferença entre os filmes de Cameron e Snyder se ambos são visionários? Pra mim, a resposta é simples.

    Abs!

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  2. Uma coisa é certa meu amigo, se Snyder dirigisse um God of War ou um Shadow of the Colossus ou até mesmo Dead Space ... teriamos a melhor adaptação ao cinema. Snyder sim é um visionário em não ter medo de inovar ... a diferença é que a cada inovação que é dada, se perde a mágica do cinema. Enquanto Avatar ultrapassa esse nivel mas sem perder o charme clássico de contar uma história.

    Snyder inova, coloca novos parametros ... mas ainda está extremamente longe de conduzir com maestria impecavel como é com o nosso amigo Cameron.

    Mas talvez esse debate cai quando vimos ... ESSAS MINITASSS! EHEHEH

    Abraços Otavio!

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  3. Gostei bastante do filme, fui para o cinema procurando um filme como entretenimento e foi isso o que achei neste longa. Agora, o roteiro do filme ´tão pífio como as atuações. Gostei do fato de Snyder ter colocado 'garotas fetiches',só acho este ponto poderia até ser melhor explorado. Explorado se elas também fossem boas atrizes. É caso da protagonista que é sim uma "tetéia", mas nem rola ficar olhando muito pra cara dela de 'songa monga' hehehe

    Enfim, curti!
    abs.

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  4. Eu odiei, mas fiquei muito surpreso com a atuação da Babydoll... gostei dessa atriz. É tbm uma ótima cantora.

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  5. Realmente, o filme tem um tom super exagerado, mas eu acho que isso combina com o tom adotado pelo diretor para a obra. Eu acho que o maior pecado de "Sucker Punch" é ter um roteiro difícil, no sentido do seu desenvolvimento. E, claro: uma história difícil e com problemas não decola. Só se o Robert Rodriguez dirigisse aqui, o que não é o caso...

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