30 de novembro de 2010

Qual é o papel de um blogueiro cinéfilo?

Qual é o papel de um blogueiro cinéfilo? Após o belíssimo evento conjunto de escolher os 20 filmes da década no SBBC em uma eleição democrática até mesmo com filmes que deixaram torcer o nariz a alguns, não há como negar a importância de nossas vozes para algo tão importante que é essa comunidade cinéfila criada a poucos anos e que a cada ano surgem mais adeptos querendo tornar parte desse universo.

Hoje, ficamos a questionar esse papel pelo fato que muitos ainda não vêem a questão de um blog sobre cinema como um exercício de egoísmo e de auto-afirmação das partes argumentativas querendo transformar obras de cinema como se fosse suas marionetes e que uma pessoa que tem uma qualidade um pouco abaixo, motivo de repudio e talvez desrespeito moral.

Todos nós que temos um blog de cinema ou de cultura em geral e que escrevemos anos após anos nos preocupamos não só apenas em falar bem ou mal de um filme ou de uma obra em si, nos preocupamos também em expor nossas idéias com argumentos que nos caracterizam e nos fazem ser lembrados por nossas maneiras únicas de falar. Também gostamos de compartir idéias, criar debates e acima de tudo respeitar a liberdade de expressão de todos.


Se perguntar a qualquer um o que é escrever um blog de cinema ou arte em geral, sem duvida a melhor resposta é de expressar visões únicas de uma obra de arte ou um projeto de baixa qualidade. Vivemos em uma nova sociedade digital onde todos estão conectados e a liberdade de expressão é um direito de todos. O que mais pedimos é respeito por opiniões mas ao mesmo tempo não deixaremos de censurar criticas negativas. Um grande abraço a todos os blogueiros cinéfilos que conheço e que nunca se esqueçam que escrever sobre a arte é uma paixão sem igual.

26 de novembro de 2010

Os Melhores Filmes da Década 2º Parte - 1º-10º


Hoje chegamos a segunda parte do Top 20 da Década. Sempre ressaltando aqui o agradecimento de todos os amigos, colaboradores e visitantes desse blog. Como já comentei em uma outra lista, aqui está exposto filmes que em minha opinião são os melhores da década e ao mesmo tempo reflete como é ou que vocês podem dizer que é o meu gosto cinematográfico. Alguns vão sentir estranheza, outros vão até se acostumar e até surpreender. Diferente do Top anterior, aqui terá uma mini-justificativa do por que o primeiro lugar ser esse filme..

Atenção: Algumas dessas cenas contem spoilers de seus respectivos filmes.

10 – Up – Altas Aventuras



9 – Persepolis



8 – Monstros S.A.



7 – Bastardos Inglóriosos



6 – Donnie Darko



5 – O Fabuloso Destino de Amelie Poulain



4 - O Céu de Suely



3 – Oldboy



2 – Onde os Fracos Não Tem Vez



O primeiro lugar sem duvida ficou com um filme que é parcialmente desconhecido pelo grande publico, porém desde seu primeiro frame de trailer, é impossível não se envolver de uma maneira intensa com esse filme. Ao ter em minhas mãos só apenas confirmei algo além do que imaginava. Vi novamente o porquê o cinema me fascina tanto. Também vi o porquê é tão prazeroso escrever sobre cinema. O filme referido é a obra maestra do diretor de videoclipes Tarsem: The Fall, ou porcamente chamado no Brasil, Dublê de Anjo.



Quem tiver a possibilidade de ver, sem duvida terá uma experiência maravilhosa e por um breve momento verás em palavras plenas o que é a arte pela arte. Forte em dizer isso, talvez, mas quem viu sem duvida concorda com essas pequenas palavras. Obrigado SBBC mais uma vez a incentivar essa chance de colocar o que nos ama no lugar mais alto possível. O cinema.

24 de novembro de 2010

Os Vampiros Que Se Mordam

Se perguntar para um espectador leigo sobre quem é Jason Freidberg e Aaron Seltzer, de imediato muitos irão dizer: quem? Porém quando citamos os seus projetos de “cinema” como Uma Comédia Nada Romântica, Super-Heróis – A Liga da Injustiça, Os Espartalhões sem duvida esse mesmo publico leigo irá dize: “oia ai... comédia das boa!”. Mas quem conhece bem ou sabe um pouco de cinema tem o conhecimento de que eles conseguem fazer em cada dois-dois anos paródias desastrosas de filmes que estão no auge ou estão dando o que falar.

Nos últimos tempos, o auge da moda atual está no vampirismo. Mas acreditando do que poderia ser a humanização de personagens em Deixa Ela Entrar ou o caráter animal predatório em 30 Dias de Noite infelizmente não é isso. O que estamos vivenciando nos dias de hoje é a febre juvenil de Crepúsculo que o tema do vampirismo é só apenas um artifício sobrenatural (pode se dizer) para um romance impossível de dois jovens com algo que os impede a felicidade.

O tema do amor é ótimo por si só. Gostamos de histórias que provam que o amor consegue superar grandes obstáculos e tudo que o sentimento representa em nossas vidas. A franquia original ao menos tenta passar isso mais é de uma maneira tão artificial que a linguagem que aborda nos livros consegue ter um efeito a quem realmente ama a saga literária mas a muitos que cresceram com as obras de Anne Rice que abordam a questão da moralidade em ser um vampiro, praticamente o que está lendo é uma ofensa literária.

E os filmes? Fica-se impressionado com a linguagem tão covarde no cinema. Atores inexpressivos (ou se tiver alguém com talento, coisa que sabemos que sei, está sendo praticamente ocultado pelas direções mecânicas), um roteiro que consegue ter par de igualdade com Malhação e diretores sem vidas que poderiam fazer a diferença e provar seus talentos mas se acovardaram e entregaram obras vampirescas, ou seja, sem vida. A única coisa boa dessa franquia é a surpresa do baixo orçamento de seus filmes e seu retorno financeiro no qual prova que quando se tem algo em potencial para ser moda ou objeto de culto (colocando para dar ênfase a teoria, já que a franquia Crepúsculo tá longe disso), há de se investir.

Agora se juntar as debilidades cinematográficas a debilidade crônica de talento dessa dupla, o resultado se chama Os Vampiros Que Se Mordam e pior em muitos momentos existia a dualidade de saber quem consegue ser melhor ou pior dos dois. Em vários momentos da fita somos violados mentalmente por piadas infames e sem graças criados por esses dois elementos.

O que surpreende é sem duvida em saber que é nesse ponto que conseguem ser melhor do que o original. Ou seja, muitas das piadas que não funcionam em vários momentos (uma ou duas se sua pessoa estiver de boa vontade) não soam como divertimento, mas sim uma critica a mediocridade cinematográfica da fita original. Desde comportamentos dos personagens até as incoerências da fita original.

Como filme, Os Vampiros Que Se Mordam é um dos piores exemplares que já vi esse ano e talvez de toda minha vida, porém consegue provar para uma parte do publico que piada maior não é fazer graça com piadas velhas e batidas, mas sim transformar uma temática que representa moralidade ou a perversão dessa mesma moralidade em pano de fundo para romance adolescente abaixo da média. Ao final de tudo, se colocar os dois projetos no mesmo lado e olhar bem de longe... Acreditem, são a mesma coisa.

PS: O ator que faz a parodia de Edward atua bem melhor...

Ficha Técnica
Os Vampiros Que Se Mordam (Vampires Suck)
Direção: Aaron Seltzer e Jason Friedberg
Elenco: Jenn Proske, Matt Lanter, Diedrich Bader, Chris Riggi, Ken Jeong, Anneliese van der Pol, Mike Mayhall, Rett Terrell, Stephanie Fischer, Nick Eversman, Zane Holtz, Crista Flanagan e Arielle Kebbel
Gênero: Comédia/Trash
Cotação: -1% - FFUUU

22 de novembro de 2010

Eu Também (Yo También)

Eu Também talvez seja um dos filmes mais interessantes que saiu esse ano. Esse filme não trás em si elementos de um cinema que estamos acostumados a ver. E no caso desse filme, uma história de amor convencional. Daniel (Pablo Pineda), primeiro europeu com síndrome de Down a conseguir diploma universitário, começa a trabalhar em uma instituição publica e por lá conhece Laura (Lola Dueñas) uma assistente social que tem problemas em sua vida pessoal e os dois começam a ter um vinculo de sentimento que não tem palavras a definir.

Esse filme espanhol carrega em si elementos que amamos em um filme do tipo como um lindíssimo roteiro de superação, igualdade e acima de tudo de um amor sem fronteiras que nos encanta e nos faz lembrar o quanto é lindo sentir isso. Uma belíssima trilha sonora que praticamente foi escolhida a dedo e nos ajuda a contar de uma maneira natural todas as situações do filme.

Lola Dueñas e Pablo Pineda não entregam atuações, conseguem entregar muito além disso. Eles deleitam ao publico momentos sublimes que a vida pode proporcionar: alegrias, surpresas, amores, decepções mas acima de tudo amor e respeito ao próximo. Sem duvida, ela nos entrega uma das melhores interpretações do ano. E Pablo Pineda consegue algo mais: provar a todos nós que somos todos iguais, que somos humanos e podemos ser capazes de tudo com amor, dedicação e carinho.

Eu Também se firma como um dos melhores do ano por criar elementos simples para contar uma história poderosa sobre amor e superação. Um filme que cria risos e lagrimas e em seu termino ficamos com o coração mais leve e com esperança ao ver barreiras sendo superadas e acima de tudo quando percebemos que todos são iguais, que somos seres humanos. Extremamente recomendado.

Trailer


Ficha Técnica
Eu Também (Yo También)
Diretores: Antonio Naharro e Álvaro Pastor
Elenco: Lola Dueñas, Pablo Pineda, Isabel Garcia Lorca, Antonio Naharro
Gênero: Drama/Comédia/Romance
Cotação: 90% - *****

19 de novembro de 2010

Os Melhores Filmes da Década 1º Parte - 11º-20º

Com o final do ano chegando, começam a chegar listas. Mas no momento não será de nenhum filme que saiu esse ano, já que para esse momento guardo para o começo do ano que vem, no qual é o momento perfeito da efervescência das listas de TOP 10 e por ai vai. Aproveitando a leva de um dos maiores eventos da SBBC, Sociedade Brasileiras de Blogueiros Cinéfilos, no qual dia 28 lançará os 20 melhores filmes da década baseado na votação coletiva de todos os participantes. Aqui o Cine JP adianta já a lista dos 20 melhores da década, sendo que do 20-11 hoje e semana que vem, os 10 primeiros. Espero que gostem da lista.

20º Os Infiltrados (The Departed) de Martin Scorsese


19º Antes do Por do Sol de Richard Linklater


18º Kill Bill de Quentin Tarantino


17º Milk – A Voz da Igualdade


16º Réquiem Para Um Sonho


15º Pequena Miss Sunshine


14º O Segredo dos Seus Olhos


13º O Hospedeiro


12º Sangue Negro


11º O Senhor dos Anéis – A Trilogia


Sexta-feira que vem divulgarei os 10 primeiros. O que acharam? Comentem! Abraços a todos.

14 de novembro de 2010

Igualzinha a Mim (Igualita a Mi)

É bom quando vemos os elogios de muitos sobre o cinema vizinho, o argentino, no que diz a respeito das qualidades dos seus filmes. Sim, eles sabem fazer o que podemos dizer cinema de qualidade. Porém o exemplar aqui é realmente a prova que nada é perfeito e acima de tudo, não será nem o primeiro filme e nem o último a sair dessa maneira, ou seja, quase uma catástrofe. Estou falando da comédia dramática Igualzinha a Mim (Igualita a Mi).

A história se baseia em torno de Freddy (Adrián Suar), um quarentão que vai para todo tipo de balada e pega as menininhas. Praticamente coisa comum para alguns homens que não se tocam do ridículo. Porém em uma dessas baladas ele se esbarra sem querer com a jovem Alyan (Florencia Bertotti) que revela ao Freddy que ele é o pai dela e ainda de quebra será avô. Com isso, a vida de Freddy terá mudanças profundas de se ver o mundo e dele mesmo.

Apesar de ser um tema interessante como a inversão dos papeis e o amadurecimento tardio de um homem, o filme em poucos momentos empolga. Diálogos fracos, personagens sem carisma salvando apenas a adorável Florencia Bertotti fazendo a jovem Aylan. Adrián Suar consegue fazer um personagem antipático, oco e principalmente inexpressivo. E a direção de Diogo Kaplan é praticamente seguir a risca a escola americana de comédias dramáticas atuais e sinceramente, sem emoção.

Igualzinha a Mim se torna aquele tipo de filme que por tentar alcançar um publico especifico esquece do fundamental, apresentar um bom filme para que esse mesmo público que ele direciona. Tornou-se uma fita universal que preza por colocar elementos que no final da sessão, o espectador mais atento ficará irritado com o tratamento do filme. Mas para um espectador médio, o filme sem duvida pode emocionar, mas a lembrança do filme se acabará quando a gota da sua lagrima cair no chão.

Ficha Técnica
Igualzinha a Mim (Igualita a Mi)
Diretor: Diogo Kaplan
Elenco: Adrián Suar, Florencia Bertotti, Gabriel Chame Buendía, Ana María Castel, Claudia Fontán
Gênero: Comédia/Drama
Cotação: 25% - *

8 de novembro de 2010

As Melhores Atuações Masculinas da Década.

Seguindo a continuidade, aqui postarei as melhores atuações masculinas da década. O agradecimento a esse post vai a Sociedade Brasileira dos Blogueiros Cinefilos por iniciar essa iniciativa de pesquisar a todos nós da comunidade a escolher de uma forma democrática e belíssima. Mas por aqui vem uma lista usual, para quem já conhecem o meu blog, sabem que a surpresa está em primeiro lugar ...


10 - George Clooney - Conduta de Risco


9 - Benicio Del Toro - 21 Gramas


8 - Sean Penn - 21 Gramas


7 - Javier Barden - Mar Adentro


6- Christoph Waltz - Bastardos Inglóriosos


5- Jim Carrey - Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças


4- Sean Penn - Milk, A Voz da Igualdade


3- Javier Barden - Onde Os Fracos Não Tem Vez


2- Daniel Day Lewis - Sangue Negro


1- Mickey Rourke - O Lutador


Espero que gostem. Abraços a todos.

3 de novembro de 2010

Jogos Mortais - O Final

Para muitos, a sensação de tristeza. Para outros, a sensação de alivio mas sem duvida muitos querem saber o que realmente acontecerá no ultimo (espera-se que sim) da saga mais lucrativas em proporção produto-lucro. Estamos falando da franquia que mais gerou fãs e detratores: Jogos Mortais. Agora chega ao sétimo filme da franquia em menos de meia década, o que se pode dizer da última e verdadeira cartada dessa franquia que mesmo com seus pós e contras, é digna para seus fãs?

Um dos principais focos do novo filme é o personagem Bobby, um guru que vende um livro no qual conta sua experiência de ser um sobrevivente do assassino Jigsaw mas em realidade, o guru não passa de um charlatão e agora ele e as pessoas que vivem ao seu lado, principalmente sua ingênua mulher são as próximas vitimas do derradeiro jogo final. Enquanto isso, ao contrário do que se pensava, o Det. Hoffman não está morto e agora ele não poupará esforços para encontrar a viúva de Jigsaw, Jill Tuck.

O diferencial desse filme está sem duvida entrar na onda do 3D, enquanto filmes realmente filmados nessa tecnologia não vem, infelizmente a sua maioria tem os seus projetos convertidos em 3D e sem duvida dependendo da situação o resultado se torna constrangedor. E nesse filme, sim, é pura vergonha alheia. Existem truques safados de jogar algum objeto (digital por preferência) porém o melhor efeito do 3D é quando as tripas falsas saem de suas vitimas, consegue ter uma imersão mais real do que as falhas transposições digitais.

Infelizmente o roteiro de Marcus Dustan e Patrick Melton consegue criar um enredo tão falho quanto foi a do terceiro filme, no qual enche a tela de personagens que é melhor os ver sendo vitimas do que sair delas. Outro fato também é que a expansão do universo de Jigsaw chegou ao extremo da paciência nesse filme. Parece que sempre tem algo a mais para contar e enfiar mais nessa mitologia. Acredito que até os fãs mais hardcore já perderam a noção do que está realmente acontecendo em cena. Tudo isso consegue destruir a “critica implícita” que a trama faz as pessoas que ganham dinheiro coletando esperanças ou algo do tipo e mesmo assim há de sentir que foi extremamente mal estruturada.

O diretor Kevin Greutert, o mesmo do filme anterior ainda consegue ter o mínimo de decência e ter uma câmera extremamente sólida para que o espectador veja o horror pleno, mas nesse filme, mesmo repetindo os passos do capitulo anterior, não consegue convencer como o esperado. A única cena que pode se dizer fascinante do filme inteiro está bem no começo no qual mostra uma armadilha que envolve um triangulo amoroso e de quebra várias pessoas testemunhando esse mesmo fato. E além claro de uma trilha decente de Charlie Clouser.

Jogos Mortais 7 ou O Final é praticamente um final de novela global, no qual decide por muitas vezes decidir o que realmente vai acontecer no último e derradeiro capitulo. E termina muito mal, quase um desastre. E ainda para piorar, as piores teorias dos fãs dessa série se tornaram verdade. Tomem essa ultima frase para reflexionar, por que cada vez que me lembro dessa tentativa de fechar de vez a série cinematográfica, preferia que ficasse em aberto.


Ficha Técnica
Jogos Mortais - O Final (Saw 3D)
Diretor: Kevin Greuturt
Elenco: Tobin Bell, Costas Mandylor, Besty Russell, Gina Holden, Deam Armstrong, Sean Patrick Flanery e Carl Elwes como Dr. Gordon
Gênero: Terror
Cotação: 35% - **

PS: Se amam o seu dinheiro, não vejam o filme em 3D, é desastroso.