22 de setembro de 2010

O Último Exorcismo

Muitos dizem que existem vários falsos documentários que saíram nos últimos anos, porém poucos admitem a veia documental. Alguns dizem que [REC], Cloverfield e até mesmo Atividade Paranormal se encaixam nessa pragmática. Porém não é assim. Já filmes de horror que também são falsos documentários são poucos como Diários dos Mortos e A Bruxa de Blair. Agora vem mais um exemplo genuíno de uma mistura entre o horror e a linguagem documental, O Último Exorcismo.

O grande tema desse documentário vem no polemico e ao mesmo tempo carismático Reverendo Cotton Marcus. Popular em sua congregação e descendendo de uma linhagem de pastores, porém tem algo especial: O dom de ser exorcista. Mas em realidade ele não acredita muito na temática de exorcismo e que tudo soa como uma fraude. Entretanto Marcus convida uma equipe de documentaristas a registrar o ultimo exorcismo dele agora por surpresa da equipe, eles irão testemunhar algo que está além da fé dos mesmos.


Produzido por Eli Roth, o mesmo criador de O Albergue e Cabana do Inferno, e dirigido pelo novato Daniel Stamm, O Último Exorcismo com um orçamento extremamente baixo e um elenco desconhecido conseguiu ótimos lucros já em seu primeiro final de semana com os pomposos 20 milhões de dólares e conseguindo uma boa média de critica no site Rotten Tomatoes com mais de 72% de aprovação entre os críticos.

Um dos grandes destaques desse filme vem por incrível que pareça em seu roteiro. Pode tirar várias conclusões metafísicas sobre o filme e questionamentos sobre a fé assim como inúmeros filmes de horror que envolve essa pragmática. O roteiro sabe envolver o espectador de uma forma quase ofegante e com direito a surpresas em seu caminho até chegar ao ato final que sem duvida, assustador.

Outro fato legal que muitos atores usaram seus primeiros nomes para deixar algo mais real. A atuação da guria possuída, a atriz Ashley Bell, é algo realmente impressionante e é um grande achado do projeto. A direção de Daniel Stramm consegue ser o fundamental que alguns filmes de terror fracassaram que é manter a linguagem documental até o final da trama e diferente de alguns do gênero, sua câmera é bem estática até mesmo nos momentos mais tensos da fita.


O Último Exorcismo é uma grata surpresa por saber arquitetar de uma maneira correta essas duas linguagens e assim criar uma experiência interessante e sem igual que o cinema pode proporcionar. Sem duvida, o filme remete aos filmes antigos de horror no qual somos convidados a um circo e vemos o espetáculo ser armado para depois vivenciar o terror de ver tudo ruir em pânico e chamas.

Ficha Técnica
O Último Exorcismo (The Last Exorcism)
Diretor: Daniel Stramm
Elenco: Patrick Fabian, Ashley Bell, Iris Bahr, Jamie Alyson Caudle, Louis Herthum, Shanna Forrestall, Tony Bentley, Allen Boudreaux
Gênero: Terror/Documentário
Cotação: 85% - ****

19 de setembro de 2010

O sucesso de Resident Evil

Resident Evil. Sem duvida é um dos jogos mais importantes nos últimos 20 anos. Um dos jogos que consolidou de vez o gênero survival horror nos videogames. Seu estilo de jogo atrelado a uma história de mortos vivos a criaturas horripilantes ainda consegue está vivo em vários jogos e está muito longe de ter um fim. Já nos cinemas, bem, ainda está muito longe do que os fãs que o jogo adquire ao passar dos anos imaginam a retratação dos jogos ao cinema. Mas por outro lado, a franquia no cinema impulsionou a transformar nas telas de cinema franquias de jogos populares como Príncipe da Pérsia, Silent Hill e entre outros, apesar da falta de qualidade cinematográfica.

O quarto filme da franquia de Resident Evil chega aos cinemas brasileiros nessa semana e o novo capitulo, Recomeço, chega com novos elementos e o principal destaque é ser filmado integramente em 3D pós Avatar. Também é de pela primeira vez usar o vilão supremo de toda a franquia, Albert Wesker, e um dos maiores protagonistas, Chris Redfield. O filme foi primeiro lugar nas bilheterias e está fazendo seu papel no mercado internacional.

Acredita-se que muitos fãs esperavam desde primeiro filme uma recriação quase impecável do grande clássico de 1996, porém o que se viu foi outra coisa quase nada haver com os jogos, a não ser elementos fundamentais do primeiro e segundo jogo. Alguns deixaram passar e deixaram um resultado satisfatório e acima de tudo o impulso as adaptações. Já no segundo filme consegue ser mais fiel ao que é os jogos mas consegue dever muito como filme em si. Qualquer coisa, pergunte o que fizeram com Nemesis no segundo filme. O terceiro filme foge de tudo do que é o jogo é consegue fazer um filme apocalíptico, porém de um resultado duvidoso.

Mesmo com esses pontos negativos, a saga no cinema está longe de acabar e principalmente no requisito de ganhar novos fãs. Alguns questionam qual é o verdadeiro fator de sucesso dessa franquia no cinema e a resposta desses questionamentos vem de uma simples palavras e curiosamente são que os fãs do jogo mais reclamam por não ter ou não ser. Adaptação.

Parece piada de mau gosto em referir que adaptação é a chave do sucesso da franquia de Resident Evil, mas parando e refletindo bem, a surpresa bate em nossa porta. Nos filmes da franquia, Paul W.S. Anderson não se preocupa em nenhum momento em fazer um xérox dos jogos. Em realidade ele se preocupa mais em manter a questão da ação e a questão da Umbrella sendo que o diferencial é que ele cria uma visão própria da saga e assim transformando a saga de Alice, personagem da Milla Jovovich, em uma personagem adicional ao universo dos jogos. Ou seja, uma crônica externa aos jogos.

A partir do momento que se consegue desassociar a obra original de uma crônica, existe a possibilidade de entrar na diversão e a franquia do cinema de Resident Evil propõe isso, a diversão do seu espectador. Esqueça algo fiel aos jogos no pé da letra e agradeça por ele abrir as portas para Silent Hill e inspirar algum cineasta decente fazer algo realmente espetacular. E que venha o quarto filme!

16 de setembro de 2010

Alguns Motivos Para Não Se Apaixonar


A jovem Clara (Celeste Cid) é aquele tipo de mulher que não consegue ter muita sorte em seus relacionamentos. E em uma dessas encontra atual namorado com sua melhor amiga e que repartia o apartamento. Após essa decepção, ela sem querer cruza com a vida de Teo (Jorge Marrale), um homem de meia idade e um pouco recluso da sociedade, que aluga um quarto do seu apartamento por pena da moça. E mesmo todas as regras possíveis, irão aparecer aos dois um sentimento em comum.

Alguns Motivos Para Não Se Apaixonar é mais um exemplar de comédia romântica argentina que chegou aos cinemas brasileiros esse ano e daqui a algumas semanas chegará ao dvd. A história do filme é daquelas que já foram contadas várias vezes em qualquer filme romântico, porém existe um charme especial nesse por causa da força dos dois protagonistas Celeste Cid e Jorge Marrale. Por outro lado, mesmo com a curta duração, o filme carrega dentro de si um ritmo extremamente irregular que o espectador tenta assistir até o fim para ver o que acontecerá com os dois protagonistas.

Para quem gosta de um filme romântico, pode até ser uma boa pedida para passar o tempo e só. Alguns Motivos Para Não Se Apaixonar se torna um exemplar curioso que se fosse filmado em outro país poderia ter sido melhor, afinal, a base de sua história consegue ser contada por qualquer um sabendo como fazer. Ajuda passar o tempo, mas em nenhum momento vai conseguir ser memorável após o seu termino.



Ficha Técnica
Alguns Motivos Para Não se Apaixonar (Motivos Para No Enamorarse)
Diretor: Mariano Mucci
Elenco: Jorge Marrale e Celeste Cid
Gênero: Romance/Comédia/Drama
Cotação: 45% - **

12 de setembro de 2010

Vivenciando o cinema estrangeiro

É tão interessante entrar em determinados fóruns de cinema e constatar que muitas vezes estufamos o peito e dizemos que o nosso cinema brasileiro é mais defeituoso do que um aparato falsificado e que estamos longe de entregar um cinema de qualidade que entrega qualquer outro país, até mesmo criando uma notória inveja aos nossos vizinhos argentinos por possuírem mais prêmios do que o cinema da gente. Porém quando estamos no outro lado, quando estamos começamos a conviver com esse cinema no qual, todos tem inveja, é a mesma coisa quando se falava quando estávamos no Brasil?

Inicialmente a grande resposta é um solene não. Ao viver longe da terra natal e ir para um ar diferente e costumes diferentes, é compreensível sentir que de inicio, tudo que se vê por aqui é o êxtase do novo. Ou seja, tudo que soa diferente ao que se vê ou o que era acostumado em casa se torna uma grande experiência. Tudo aqui, no qual vivencias é valido, e nada mais pulsante do que o cinema em si.

Quando começa a conviver com as pessoas daqui, com a mentalidade de como é abordado o cinema, iniciamos a esquecer paradigmas criados em nossa terra natal. Quando começa a sentir na pele o mecanismo de um outro país em fazer cinema sem duvida aprendemos inicialmente que nem tudo é tão fácil quanto parece e tão pouco tem o glamour quanto sonhamos.

Vivenciar um cinema dito como estrangeiro é um quase sonho de muitos cinéfilos que conhecemos por ai que amam o cinema e nutrem um sentimento de quase xenofobia ao cinema americano. E não quer exemplo melhor aqui mesmo, em nosso país vizinho, a Argentina, país que tem dois Oscars de Melhor Filme Estrangeiro por A História Oficial e O Segredo de Seus Olhos?

O legal de vivenciar o cinema estrangeiro sem duvida é você assistir ao lado de pessoas que vivenciam o cinema local. E não posso reclamar, eles amam o cinema nacional incondicionalmente. Presenciei em algumas sessões de cinema o publico ao redor prestigiando o filme como uma obra de arte, e sim, eles valorizam o cinema como um meio de arte. Ao ponto de chegar a deliciar o silencio na sala de cinema e deixar que a emoção do filme chegue ao espectador.

Mas e os filmes? Como é? Em resposta bem simples, da mesma forma de qualquer mercado cinematográfico. Aqui também como no Brasil, França, Estados Unidos ou qualquer lugar onde os quase – xenofobicos endeusam o cinema também existem suas cotas de filmes. Ou seja, existe uma época que sai só filme comercial e quando só sai filme de festival. A sorte é que aqui conseguem ou tentam equilibrar os dois, porém quando se compreende ao fundo essa questão cai o maior mito que muitas vezes é levantado por pessoas que acreditam que sabe dos movimentos estrangeiros.

Nem tudo que é lançado por aqui é digno de aplausos ou algo do tipo. Nada de desprezo, muito pelo contrario. Todos por aqui admiram o papel de risco que o cinema argentino toma para experimentar novas mídias ou novas formas de fazer cinema. Mas o mesmo publico reclama que esses mesmos filmes experimentais sofrem de falta de contato com o próprio publico e por muitas vezes tachar vários filmes como “filme onde só quem vai ver é alguns críticos e só”.

Também existe aquele tipo de filme popular idiota que nos lembra os trocentos filmes que sai no mundo afora. Desde comédias pastiches protagonizados por atores de televisão ou produções vazias que tem o propósito de trazer um grande publico, e por muitas vezes conseguem ser sucedidos. Por sorte que nos últimos anos alguns cineastas daqui estão conseguindo atrelar essa junção entre o cinema artístico e o cinema popular, tanto que conseguiu um fruto importante, a vitória no Oscar com O Segredo de Seus Olhos.

É a partir do momento que vivenciamos um outro lugar e uma outra cultura consegue ser o primeiro passo a reconhecer o erro dos rótulos que colocam em nossas cabeças e ver que não existe mais um rotulo a dizer que tal país tem um cinema melhor do que o outro. O que se aprende é que o cinema é único, em todos os lugares. Uma expressão de arte onde o autor, tenta conseguir um objetivo, alcançar o publico que quer, seja com risos ou lágrimas. Com diversão ou tragédia. Afina, isso é o cinema.

3 de setembro de 2010

Os Mercenários

Somos nostálgicos, sem duvida. Afloramos no fundo dos nossos conhecimentos cinematográficos, peculiaridades que forma a todos nós sobre o que é o cinema. Até mesmo, filmes péssimos conseguem fazer parte do nosso imaginário cinéfilo. Para a nossa geração, entre os 20-30 anos, sem duvida, o Domingo Maior fazia parte do nosso imaginário e saia como uma obrigação para todos nós em ver filmes de ação em alta voltagem. Nesse ano, Stallone brinda ao espectador em montar um verdadeiro time de freqüentadores assíduos do Domingo Maior para criar um “espetáculo épico” chamado Os Mercenários. Sim, o filme é um legitimo Domingo Maior com direito a tudo que esse espectador adora. Mas o problema reside em uma simples pergunta, funciona como cinemão?

Acredito que não dá para contar a história do filme por que será a ultima coisa que a pessoa que vai conferir essa fita de ação vai querer saber. Não importa em saber a história de uma republica menor do que a região metropolitana de Recife que está sendo controlada por um general e um agente corrupto americano. Praticamente o que se sabe da história mesmo é um monte de brucutu com o braço parecendo uma manga rosa metendo porrada e bala e fazendo tudo que o povo gosta, inclusive explodindo cais ...

Em nenhum momento há de se negar que exista a emoção de ver uma galera que nos enche de orgulho (os fãs de filmes de ação, claro!) que crescemos em ver nas sessões do Domingo Maior, ou nos VHS da América Vídeo, ou da Califórnia Filmes na década de 90. Hoje, adultos e com uma visão mais rebuscada e profunda do cinema em si, vemos em Os Mercenários uma oportunidade curiosa e interessante em rever em um momento único, todos os homens que fizeram as nossas glórias e também novos rostos que tentam fazer de um jeito peculiar e único àquela ação oitentista até o inicio dos anos 90.

Sinceramente, olhando bem, não existe roteiro nesse filme. O que existe mesmo é uma grande desculpa para rolar a ação e Stallone sabe do fundamental, quem disse que o espectador desse filme quer saber disso? Ponto (???) para Stallone. A ação nesse filme é constante e bem satisfatória aos fanáticos. O problema está na péssima edição dessas mesmas cenas. As incríveis cenas de luta dos porradores do filme são visivelmente prejudicadas pela péssima edição e do CG que piora a veracidade de muitas cenas, principalmente na seqüência final que entrega um dos momentos mais vexatórios do ano.

Porém a surpresa é que existem atuações nesse filme, sim, atuações. Jason Statham é um verdadeiro destaque por que praticamente nesse filme sacramenta de uma maneira incontestável por que ele é um dos melhores atores de filmes de ação do momento. Dolph Lundrgen e Eric Roberts surpreendem em atuações extremamente fortes ao ponto do próprio espectador sair extremamente surpreso em ver algo do tipo que por um lado, soa como impossível. Também há de elogiar o trabalho da Giselle Itié como a moça do filme. Sabemos que ela é limitada, mas consegue agüentar o tranco em protagonizar com vários atores de “alto” escalão. Mas se fosse entrego para Carol Castro ou Cleo Pires (que por burrada preferiu a novela Caminho das Índias do que o filme), seria um pouco melhor. Agora, quem tiver coração fraco, sem duvida sentira emocionado com a pequena porém emocionante cena de Mickey Rourke, que no filme se diverte horrores e tem uma química impecável com Stallone, que praticamente só os homens de coração forte irão compreender de uma forma sensível suas palavras.

Mas e o Stallone? E o encontro dos reis da ação? Cadê? É nesse momento amigos que ausento minhas palavras e se torna uma ótima oportunidade de ver no cinema esses incríveis momentos. Apesar do filme ser ruim, não há de negar o exercício da diversão e o esforço de Stallone para entregar isso a todos. Sucesso, talvez, para os fãs de ação é uma experiência única e voltar a ser nostálgico. Mas quando olha no âmbito mais critico... Bem, é ruim, assim como os n filmes da produtora Millennium, uma cria da Cannon produtora bucha oitentista que tem como curiosidade, o mesmo dono. É o tipo de filme que a nostalgia é colocada em prova já que nem tudo que é nostálgico faz bem a saúde.

Ficha Técnica
Os Mercenários (The Expendables)
Diretor: Sylvester Stallone
Elenco: Sylvester Stallone, Jason Statham, Jet Li, Dolph Lundgren, Randy Counture, Terry Crews, Gisele Itié, Eric Roberts, Steve Austin, Gary Daniels, Charisma Carpenter, Bruce Willis, Arnold Schwarzenegger e Mickey Rourke
Gênero: Ação
Cotação: 40% - **