24 de junho de 2010

Kick Ass - Quebrando Tudo

Em 2006, o diretor Matthew Vaughn teve a oportunidade de dirigir X3- O Confronto Final mas no final, a banca ficou para Brett Rattner e virou aquele filme fraco que todos conhecem. Anos se passaram e Matthew Vaughn ganha uma nova oportunidade de dirigir um filme baseado em uma história em quadrinhos. O resultado não foi outro, Kick Ass – Quebrando Tudo já é considerados um dos melhores filmes do ano e ainda mais, consegue ser mais uma adaptação de quadrinhos bem sucedida. Qual ou quais são os motivos desse filme ter chutado muitas bundas?

O filme relata a jornada de Dave (Aaron Johnson) que é praticamente um rapaz comum que de tanto ver impunidade se torna Kick Ass, um vigilante noturno porém um heroi falho, porém o suficiente para inspirar um ex-policial (Nicolas Cage) e sua filha (Chloe Grace Moretz) a se vingar contra um poderoso magnata e traficante Frank D’Amico (Mark Strong).

Baseado nos quadrinhos de Mark Millar e John Romita Jr. ganha sua adaptação cinematografica graças ao talento de Matthew Vaughn e seu elenco que vem com as novas apostas de Hollywood como o proprio Aaron Johnson, Chloe Grace Moretz, Christopher Mintz-Plasse e experiencia com Mark Strong e um surpreendente Nicolas Cage.

O roteiro de Vaughn não se preocupa em criar filosfias moralisticas como em Homem Aranha de poderes e responsabilidade. Existe uma preocupação em que o espectador se identifique com o personagem e que no final deixe aquela sensação de que nada é impossivel e também que por muitas vezes com coragem e ingenuidade se chega muito longe.

Não se pode esquecer das tiradas comicas que o filme carrega. É uma cena mais engraçada do que a outra embalada em várias referencias principalmente a Scarface de Brian de Palma que sem duvida já nasceu classica. Também o outro detalhe é de como todos os personagens conseguem ter tiradas engraçadas até mesmo nos momentos mais truculentos graças aos personagens Hit Girl e Big Daddy.

Todos os atores principais estavam inspirados. Antes de tudo, tem que falar do amigo do cinefilo, o graaaaande Nicolas Cage, depois dos cacoetes nojentos de alguns filmes pavorosos, volta ao rumo em criar um personagem diferente e alucinado que fazia falta ver um personagem desse tipo. Fora que ele protagoniza uma das cenas mais emocionantes de todo o filme.

Mark Strong vem a cada dia solidando por que é um dos atores mais interessantes nos ultimos anos, desde Sunshine ele vem de uma ascendencia incrivel e participando em filmes incriveis como Stardust, Rede de Mentiras e em Kick Ass ele só apenas detona criando um vilão interessante e ao mesmo tempo extremamente ironico, detalhe para o dialogo entre ele e Mintz-Plasse na limosine.

Outro que também rouba a cena é Christopher Mintz-Plasse no qual muitos acreditavam que iria ficar sempre estigmado com o papel em Superbad, se engana já que é em Red Mist consegue se expressar mais como ator e assim fazendo assim seu melhor papel e com sinais de evolução notaveis atrelados sempre quem o dirige. Também Aaron Johnson segura muito bem as pontas como Dave. Um personagem que instantaneamente conquista o publico, assim como os outros. Porém de todo o elenco, ele é o elo mais fraco, mas em nenhum momento ele está pessimo.

Para muitos, Hit Girl, personagem interpretada pela Chloe Grace Moretz com certeza entrou no hall de uma das personagens mais violentas da história do cinema. Carinha de anjo e instinto assassino, ela consegue dar orgulho na Beatrix Kiddo no quesito violencia e ainda com uma atuação belissima da jovem atriz, se torna uma engrenagem fundamental para que todo o maquinário de chutar bundas seja forte e inesquecivel.

Matthew Vaughn consegue aqui fazer seu melhor filme. Com uma ação crescente, ele usa e abusa de refencias e estilo de ação, que vem desde de cameras lentas até estilo camera em primeira pessoa, como os jogos de ação e conseguindo um resultado impressionante. Outro fato muito legal é de como essa mesma ação crescente na trama ajuda na valorização de armar o circo para depois tacar fogo na qual é digno de se apreciar no cinema ou em um telão extremamente gigante cada momento precioso da explosão da violencia.

Extremamente violento, extremamente ágil e acima de tudo, extremamente divertido Kick Ass – Quebrando Tudo consegue facilmente conquistar a todos que gostam de um cinema pop, divertido e acima de tudo que não tem medo de fazer o que der na telha, coisa que infelizmente em muitas adaptações de quadrinhos estão em falta, principalmente em dar um chute a mediocridade. Um filme altamente recomendado e já briga no posto de um dos melhores do ano.

Ficha Técnica
Kick Ass - Quebrando Tudo (Kick Ass)
Diretor: Matthew Vaughn
Elenco: Aaron Johnson, Christopher Mintz-Plasse, Chloe Grace Moretz, Mark Strong, Clark Duke, Evan Peters, Lyndsy Fonseca, Dexter Fletcher, Jason Flemyng, Tammer Hassan e Nicolas Cage.
Gênero: Ação/Comédia
Cotação: 95% - *****

20 de junho de 2010

Por Tua Culpa

O cinema por muitas vezes nos prega peças curiosas. Hoje, é muito mais facil e mais concreto ver atuações espetaculares de atrizes com carreiras suspeitas ou de não muito reconhecimento nessa área do que no seu terreno conhecido em filmes independentes ou pequenos. Wendy e Lucy, O Casamento da Rachel e Sherrybaby são exemplos perfeitos e concretos do tema abordado. Imagine juntar essa peculariedade com um cinema que nunca deixou de trazer para si elementos novos para contar uma história como o cinema argentino. Es que surge o drama Por Tua Culpa de Anahí Berneri.

A produção Argentina-França parte de um plot simples, porém de uma carga questionavel. Julieta (Erica Rivas, O Corredor Noturno) tem um carinho imenso aos seus dois filhos pequenos Teo e Valentin (Nicasio e Zenón Galán) mas em uma noite no qual as crianças, o mais novo Teo sofre um pequeno acidente e cai da cama. Julieta desesperada leva a criança ao hospital porém ao examinar a criança, o pessoal do hospital começa a suspeitar que a propria mãe machucou a criança.

O filme estreou no começo do ano no Festival de Berlin e foi elogiado pela Variety e os principais criticos argentinos. A história escrita pela propria Anahí Berneri toca em temas pesados no que corresponde a conduta das crianças e seus pais nos dias de hoje. Claro que também trata de outros temas, mas em realidade, o filme quer que o próprio espectador perceba os temas sutis que acontecem dentro da trama para refletir.

Erica Rivas, atriz que conheci em um papel cômico e inesquecivel como Maria Elena na adaptação argentina do seriado Married With Children, faz com certeza um dos melhores papeis da sua carreira de atriz entregando uma personagem extremamente pesada, densa, o desgaste fisico, o olhar triste e o carinho que tem com os seus filhos dentro da trama (os dois garotos estão sensacionais nesse filme) são fatos que concretiza de vez o nome da atriz como uma das melhores dessa geração atual do cinema argentino.

Anahí Berneri é feliz em muitos momentos por ter um elenco maravilhoso, um roteiro interessante e acima de tudo uma condução que parece que o espectador está ao lado da protagonista e que estamos sentindo as mesmas aflições da mesma. E um fato curioso é que o apartamento onde foi filmado a primeira parte do filme pertence a diretora do filme.

Sufocante, desolador, sensivel e pertubador. Por Tua Culpa consegue carregar esses sentimentos e deixar o espectador no final com uma sensação de desconforto e satisfação por ter visto mais um cinema diferente, que não tem medo de tocar em temas polemicos e abordar de uma maneira mais viseral possivel. Assim como os exemplos citados acima, Por Tua Culpa consegue facilmente nesse grupo seleto onde quanto mais simples e intimo o projeto, mais emocionante e verdadeiro será a entrega de seus atores em cena. No caso de Por Tua Culpa vemos a entrega plena de Erica Rivas em um filme extremamente dificil.



Ficha Técnica
Por Tua Culpa (Por Tu Culpa)
Diretora: Anahí Bernari
Elenco: Erica Rivas, Nicasio Galán, Zenón Galán, Rubén Viani, Marta Bianchi, Osmar Núñez y Carlos Portaluppi.
Gênero: Drama
Cotação: 80% - ****

10 de junho de 2010

A Caixa

É um tema recorrido aqui no blog, mas é bom lembrar. O verdadeiro teste de um cineasta nunca será o seu melhor filme, e sim, o posterior no qual prova se realmente tudo aquilo que saiu dele foi realmente fruto do trabalho dele, ou uma mera jogada do destino. Essa filosofia flerta na cabeça dos cinefilos quando se trata do diretor Richard Kelly. Esse jovem diretor lançou no final do ano passado uma adaptação de um conto de Richard Matheson, o mesmo de Eu Sou a Lenda, Ecos do Além, Encurralado e muitas histórias de Além da Imaginação.

A Caixa conta a história de um casal Norma e Arthur Lewis (Cameron Diaz e James Mardsen) que começam a passar por dificuldades e que em uma manhã perto das festividades natalinas, recebem uma misteriosa caixa de um estranho (Frank Langella). O estranho conta que se eles apertarem o botão eles ganharão um milhão de doláres, mas a consequencia será a morte de uma pessoa.

A Caixa é baseado no conto Button, Button que foi ao ar em Além da Imaginação na decada de 80. O filme traz Cameron Diaz, uma atriz que sempre faz comédias em um papel “denso”, James Mardsen que está em um bom momento de sua carreira escolhendo papeis mais acalhados a seu perfil e encarando esse projeto como um desafio a sua carreira e Frank Langella, que traz a experiencia nos momentos que o filme precisa.

Acredito para Richard Kelly a responsabilidade de entregar um ótimo filme está muito além do que muitos crêem. No começo da decada ele conseguiu entregar o que podemos dizer, um dos filmes de ficção cientifica mais cultuados, que é Donnie Darko, e quem ainda não assistiu, corra logo. Porém assim como qualquer cineasta que conseguiu sucesso logo em seu primeiro filme, a cobrança se tornou extremamente maior e mais exorbitante do que se imaginava. Com Southland Tales, dividiu muita gente mesmo e até mesmo quem gostou, sentiu que o filme poderia entregar mais, além de ser muito confuso.

Em A Caixa, Kelly trabalha em seu roteiro várias tematicas que abordam preceitos basicos da ficção cientifica, em na qual trabalha a questão do fantastico para explicar ou questionar valores humanos, já que o roteiro transforma o objeto inanimado, que é a caixa, em um personagem fundamental de todo o filme no qual, todo o arco dramatico da trama é a caixa em si e sua representação. E claro de ser mais pé no chão do que o filme anterior.

Kelly também tem outro fato marcante e que poucos reparam, no qual sabe trabalhar bem o seu elenco, no quais conseguem tirar leite de pedra ou muito mais. Qualquer coisa, é só lembrar de Seann William Scott em Southland Tales ou Patrick Swayze em Donnie Darko. Poderia até citar Cameron Diaz, mas de todo o filme é ela que consegue ser a pior de todo o elenco, já que o papel exige demais e infelizmente(?) não corresponde as espectativas. Já James Mardsen, que mesmo sendo um ator carismatico é extremamente limitado, consegue suportar o filme inteiro um personagem que consegue ter mais proximidade ao público do que a personagem de Diaz, além claro de ser provavelmente seu melhor filme como ator. E para finalizar, Frank Langella é um personagem assustador e mesmo forçando pouco da sua veia artistica, mostra por que é um ator extremamente competente e incrivel. Além claro de sua caracterização extremamente assustadora.

Richard Kelly mostra mais uma vez de que é um dos diretores mais subestimados de Hollywood. A direção desse filme está extremamente refinada e intimista. Grandes sacadas de câmeras, utilização de uma fotografia limpa e belissima, O uso correto e até interessante dos efeitos especiais nos fazem lembrar que conseguimos ver diretores que conseguem lembrar de um cinema autoral que resgata a essencia do cinema e de sua importancia, levar o fantastico em tela.

Confuso? Talvez. Simples? Talvez. O que importa verdadeiramente em A Caixa é uma viagem sem volta sobre a moralidade junto com a fantasia do gênero. Um filme que prende atenção de um jeito que chegamos em muitos momentos a ficar sufocados de uma maneira que o cinema sabe propror. Talvez seja um proximo candidato a um dos filmes mais subestimados do ano. Mas por favor Cameron Diaz ... mais classes de atuação ...

Ficha Tecnica
A Caixa (The Box)
Direção: Richard Kelly
Elenco: Cameron Diaz, James Mardsen e Frank Langella
Gênero: Drama/Fantasia/Ficção Cientifica
Cotação: 85% - ****