26 de maio de 2010

Ano 5 - O Clube dos Cinco

Especialmente para o inicio do Ano 5 do Cine JP, que nesses ultimos meses continua subtamente dificil em questionamentos pessoais como falta de inspiração ou até mesmo a escassez de filme porém o principal é sempre a preocupação de entregar a vocês não só apenas uma opinião formada de um filme, mas um texto de qualidade e diferenciada, marca registrada desse blog. No ano passado, tive uma oportunidade de conferir um excelente filme que consegue exprimir não só apenas uma arquitetura calculada de qualidade exemplar, mas também uma representação verdadeira de uma geração que mesmo passado alguns anos desde seu lançamento, ainda continua atual e marcante para quem assiste. O filme escolhido é com certeza O Clube dos Cinco de John Hughes.

Em um colégio de Illinois, tudo está vazio assim como o respecto dia. O sábado e o colégio é simbologia de um concreto vazio mas lembra também o descanso de um estudante. Bem, isso era ser. Entretanto em um sábado especial ou inglórioso, cinco jovens com personalidades distintas e peculiariedades únicas são punidos a ficarem dentro da biblioteca da escola e com uma tarefa em comum: Cada um fazer um ensaio de si mesmo.

Não vou me aprofundar muito em suas curiosidades ou o rumo dos atores e principalmente na carreira do diretor John Hughes que praticamente em vida e em seus filmes conseguiu imortalizar a questão do estilo dos adolescentes da decada de 80 e de quebra ditou modos e a mente de muitos jovens nas decadas seguintes e a prova disso é de como uma sessão de qualquer filme dele consegue ser não só apenas um escapismo mas sim uma obra de arte que conseguiu explanar a pulsação juvenil. Obrigado John Hughes por trazer para todos nós esse cinema tão interessante e inesquecivel.

Quem tem mais de 20 anos ou mais sabe o quanto o filme representa: um clássico inquestionavel para o que muitos consideram uma década perfeita onde se via de tudo e até hoje fica aceso em nossos corações. Crescemos vendo a fantasia sendo praticada com tanta perfeição com Spielberg, Lucas, Cameron e a cinesérie de James Bond; Vimos o medo sendo implantado ao mais profundo de nossos corações com os filmes de horror de John Carpenter, George Romero e as cineséries de Jason, Freddy e cia.; Também vibramos e sentimos a adrenalina explodir em nossas veias com os filmes de Stallone e Schwarzenegger. Mas o cinema de John Hughes executou a imagem do adolescente como um pintor mediante a sua obra máxima. E foi com essa visão sutil e inesquecível que O Clube dos Cinco é a representação máxima dessa juventude e talvez da nossa também.

O roteiro de Hughes transparece do inicio até o seu termino a efervencia jovial sintetizados em cinco adolescentes. Muitos dos jovens criticos que surgem no mundo ou aqueles que veem um filme como um produto industrializado veem esse filme como um cliche atrás do outro e alguns vêem como lixos atuais como High School Music, Malhação ou agora Quase Anjos como referencia juvenil. Hughes construiu cada personagem em uma maneira que gradaualmente o público se identifica ao ponto que não só apenas se identifica com um, mas sim com todos ao trazer temas comuns e verdadeiros da juventude como sexualidade, frustrações, reeprendimentos, alegrias, tristezas, ou seja, sentimentos que lembramos o quanto somos frágeis.

Mesmo sendo lançado a mais de 25 anos, consegue ser tão atual quanto a busca de novas emoções desconhecidas em um adolescente. O Clube dos Cinco é um filme tão essencial quanto a própria essencia da vida. Ficamos até surpreendidos que algumas obras tocam em uma maneira tão verdadeira, tão pertinente e tão especial quanto é esse filme de Hughes. Os filmes dele, os discos do Legião Urbana, os desenhos inesqueciveis foram e serão fatos que marcaram as nossas vidas que aqueles tempos vivenciamos ao máximo. Assim como a segunda feira, o dia que o clube tinha mais medo, também temos medo mas vamos deixar chegar e que nos contamine a saudade dos melhores tempos da nossa vida.

Don’t you forget about me ...

Ficha Técnica
O Clube dos Cinco (The Breakfast Club)
Diretor: John Hughes
Elenco: Emilio Estevez, Judd Nelson, Molly Ringwald, Ally Sheedy, Anthony Micheal Hall e Paul Gleason
Gênero: Drama
Cotação: 100% - *****

22 de maio de 2010

Fúria de Titãs (Remake)


Um sociologo chamado Pierre Bourdieu, que já faleceu a quase uma década, fez um texto interessante e pesado sobre a questão da cultura nos ultimos dias. Ele falou em seu texto que a cultura em si, ou a arte em si estava morrendo. Que o capitalismo está destruindo a arte assim criando produções, e a cada momento quem é amante da arte ou do cinema está sendo vitima desse sistema ao ser testemunha de projetos duvidosos. Para muitos, esse dado curioso pode ser incrivelmente aplicado para a superprodução que estreia nesse fim de semana, o remake Fúria de Titãs.

A história do remake é quase identica ao original, na qual a rebeldia de uma cidade diante dos deuses do Olimpo, principalmente Zeus (Lian Nessom). Como castigo, a cidade deve sacrificar sua linda princesa, Andromeda (Alexia Devalos) para um terrivel e invencível monstro Kraken ou a cidade será destruida pelo mesmo. Como contraponto Perseu (Sam Wortthington) , um jovem pescador de familia humilde, se torna a ultima esperança dessa cidade e partirá em uma jornada para encontrar um meio de salvar essa cidade da inevitavel destruição.

Nesse mesmo texto desse sociologo de cunho marxista fala que esse mecanismo capitalista destroe a figura do artista assim moldando as necessidades desse mercado na qual, para eles, quanto for maior a mudança para atrair mais público, melhor. Fúria de Titãs conta com um elenco de estrelas, assim como o original, e é dirigido por Louis Leterrier, responsável por O Incrível Hulk e alguns filmes da produtora Europacorp no qual em sua maioria foram filmes de ação.

O roteiro do remake faz algumas alterações para que pelo menos exista uma agilidade ao projeto, mas ao mesmo tempo, essas mesmas alterações prejudicaram por falta de originalidade, frases feitas entre quase todos os personagens e acima de tudo, poucas profundidades em relação a mitologia grega. Assim demonstrando que por muitas vezes sabendo para quem vai ser direcionado o projeto, uma das ultimas coisas que os produtores vão querer lembrar é de entregar um roteiro memorável. E sim algo que dê uma incrível desculpa para rolar a ação.

De todos os atores, os que valem a pena ver são Lian Nesson e Ralph Fiennes. Mesmo com personagens bem caricatos, eles são os que mais se divertem em cena, principalmente Nesson, que faz um Zeus que sabe do seu poder e faz o que quer ajudado com um visual de um cavaleiro do zodíaco. E Ralph Fiennes faz o vilão da trama, o deus Hades. Mais canhestro do que seu companheiro e com um visual IDENTICO ao vilão de God of War do Playstation 2, Ares.

Enquanto a dupla de protagonistas os jovens Sam Worthington e Gemma Arterton fazem a sua parte como casal principal da trama diferenccial e com pelo menos um minimo de pingo de quimica já que o casal principal do original formado por Henry Halmlin e Judi Bowker mal tinham uma quimica decente. Por falar nisso, Sam Worthington pode ser um ator limitado, mas conseguiu ser extremamente melhor do que o protagonista original já que pelo menos Sam tem carisma de sobra e consegue chamar atenção para ver um filme e Henry não.

Um ponto realmente positivo e interessante é com certeza a questão visual. O filme é um deslumbre de efeitos visuais e principalmente existe um respeito aos monstros mitologicos do original, sendo que em um upgrade que funciona bem para os olhos. Além também de ter uma trilha sonora que funciona e que não faz feio, destaque a sequencia de luta contra os escorpiões.

Por muitas vezes temos que lembrar que o cinema em si, não é algo que é para poucos apreciarem. Sim, reconheço que são poucos que fazem o cinema em sua essencia ou seja em sua beleza. Ultimamente tentamos conviver com a arte do cinema e o capitalismo fazendo a sua arte em criar franquias e gerar muito dinheiro. Mas eles sabem que o proprio publico é que fazem a arte. É aquele que tem o dom de criar novas culturas e novas tendencias, mesmo algumas sendo meio que ... suspeitas.

E Fúria de Titãs nunca negou desde seu primeiro trailer o que iria ser: um filme raso em atuações e profundamentos mitologicos em seu roteiro, mas ágil e cheio de efeitos visuais como qualquer fita de ação que se viu nos ultimos tempos. Um filme que veio para dois propositos, ter uma bilheteria respeitavel e ao mesmo tempo satisfazer os anseios de um espectador mediano que só pensa na mera diversão e ter seu escapismo perfeito para os problemas da vida. Um projeto que lembra o quanto é importante desligar o cérebro na hora certa e no momento certo.

Ficha Técnica
Fúria de Titãs (Clash of The Titans)
Diretor: Louis Leterrier
Elenco: Sam Worthington, Gemma Arterton, Alexia Devalos, Mads Mkkelsen, Jason Flemyng, Polly Walker, Pete Postlehwaite, Natalia Vodianova, Ralph Fiennes como Hades e Lian Nesson como Zeus.
Gênero: Ação/Fantasia
Cotação: 80% - ****

13 de maio de 2010

A Hora do Pesadelo

Ao contrario de muitos, gostei do reboot de A Hora do Pesadelo. Produzido pela Platinium Dunes, produtora de horror de Micheal Bay que fez reboots de outras séries de horror como Sexta Feira 13, O Massacre da Serra Eletrica e outros. Fazendo velhas caracteristicas da produtora, o diretor de videoclips Samuel Bayer, o mesmo de Smell Like Teen Spirit do Nirvana e Until it Sleeps do Metallica ficou encargo do projeto e tem no elenco jovens atores e o experiente Jackie Earle Haley substituindo Robert Englund no papel do Freddy Krueger.

A história tem como base o primeiro filme, no qual, alguns jovens que vivem na rua Elm começam a ser atormentados por uma estranha figura que tem como caracteristica marcante o rosto desfigurado e uma luva na qual os dedos estão cheio de navalhas. E todos correm contra o tempo antes que seja tarde demais ou serão vitimas do assassino mais implacavel e imperdoavel de todos os tempos, Freddy Krueger.


Um dos grandes debates que enferveceu a maioria das comunidades de horror é mais uma
vez Hollywood mexer com que era impossivel, com sagas classicas do horror. E A Hora do Pesadelo sem dúvida é uma franquia importante do horror. De acordo com os anos e com os filmes, Freddy Krueger habita nos sonhos de quem viveu essa época de ouro com a tematica muito mais do original pelo fato (e pra época claro) de um assassino que mata suas vitimas nos sonhos e ao passar dos filmes, quando mais diferente, melhor e mais assustador (se bem que nessa parte deveria ter sido mais assustador).

Infelizmente, isso não terminará tão cedo quanto muitos imaginam. As repaginações ou recriações de franquias continuam sendo os ovos de ouro de Hollywood em periodo de crise. Alguns tiveram sucesso como a franquia James Bond e o ganhador de Oscar, Os Infiltrados. Nesses casos de sucesso estavam atrelados a questão de qualidade entre envolvidos.

Mas na maioria das vezes não se vê essa qualidade, desde dos duvidosos remakes de clássicos orientais como O Chamado, O Grito, Espelhos do Medo, e algumas franquias antigas Sexta Feira 13 e O Massacre da Serra Elétrica. E parece que sempre a maior vitima é o próprio público do horror antigo que está cada dia mais se tornando vitimas de readaptações muito aquém do produto original. Mas isso não deixa que o remake tenha qualidades interessantes, ou não?

O roteiro do remake escrito por Wesley Strick, o mesmo de Cabo do Medo mas também de Doom, e pelo novato Eric Heisserer, que será responsavel pela pré-continuação de O Enigma do Outro Mundo, utilizam os principais argumentos do primeiro filme que foi escrito por Wes Craven. Os únicos pontos louvaveis é com certeza contar um pouco da origem de Freddy Krueger e colocando temas atuais que por si só causam nojo em qualquer um. De resto, se comporta como qualquer filme de horror com dialogos que não passam do comum e só.

Cobrar atuações nesse tipo de filme é praticamente pedir para nevar no sertão. Para se ter toda a ideia, dá para contar nos dedos quem atuou bem em toda a saga e isso parece piada, mas não é. Robert Englund conseguia ofuscar a todos e pior, sem se esforçar muito. E no remake, não é diferente, Jackie Earle Haley assume com uma responsabilidade extrema e se diverte e assusta fazendo um Freddy Krueger a sua maneira, assim não tentando imitiar o personagem original, assim deixando com mais credibilidade em sua atuação. A única pena infelizmente é para a maquiagem que não ficou tão perfeita quando queriamos e o computador atrapalhava um pouco a veracidade do ator. Mas lembrando que por muitas vezes a maquiagem não pode ser perfeita, mas o ator faz a diferença e nesse filme, com certeza ele faz. Já o resto dos atores juvenis, é aquela coisa, é sortear quem vai morrer primeiro.

A direção de Samuel Bayer em alguns momentos é ausente de originalidade, também quase todos os diretores dos filmes da Platinum Dunes são assim, mas a vantagem de Bayer é a sábia utlização da escuridão para criar horror nos momentos que Freddy Krueger chega em cena. De resto, é bem padrão mas que diverte o espectador. Muitos comentam que o filme consegue perder muito para o remake de Halloween mas tem um pequeno detalhe que difere no qual, por incrível que pareça, Halloween é um filme autoral, já que estamos vendo um ponto de vista particular de um artista a um projeto, já A Hora do Pesadelo, foi simplesmente para vender.

Sim, tem problemas mas em nenhum momento impede do espectador se divertir. Claro que em nenhum momento consegue ser melhor do que o original. Porém quando se analisa como parte de uma franquia que tem vários altos e baixos, capitulos que beiram ao brilhantismo e outros a mediocridade, o remake sai com saldo positivo por não só ter sido melhor do que os desastrosos O Maior Horror de Freddy, Pesadelo Final, e A Vingança de Freddy; Também conseguiu o feito de ser o filme mais eficiente da produtora de Micheal Bay. É um filme pipoca feito para se divertir, afinal, isso é Hollywood, onde nada é original e tudo se copia para pelo menos seu público alvo se divertir, pois bem, conseguiu com alguns e outros não.

Ficha Técnica
A Hora do Pesadelo (A Nightmare on Elm Street)
Diretor: Samuel Bayer
Elenco: Kyle Gallner, Rooney Mara, Katie Cassidy, Thommas Dekker, Clancy Brown, Connie Britton, Kellan Lutz e Jackie Earle Haley como Freddy Krueger
Gênero: Terror
Cotação: 75% - ***











E sim, novo visual e um perdão imenso por não ter atualizado nesses ultimos dias. Pode se dizer ... crises de inspiração, mas aqui e está e tentarei ser mais presente por aqui. Abraços a todos