28 de abril de 2010

Querido John

Querido Nicholas Sparks,

Conferi nos ultimos dias uma das suas duas adaptações que chegaram aos cinemas, Querido John, que foi dirigido por Lasse Hallström, estrelado por duas estrelas em ascenção que são Channing Tatum e Amanda Seyfried e que também Richard Jenkins. A oportunidade veio por que está passando o filme aqui nos cinemas aonde vivo e acredito que em algumas semanas chegará ao meu país natal, o Brasil.

Após de ver o filme com o maximo conforto, fiquei questionando alguns fatos interessantes de suas adaptações já que a história de Querido John mostra o romance entre um jovem militar que foi encarnado por Channing Tatum e mostrando mais uma vez seu perfil militar, já que se você conferir Stop Loss e Comandos em Ação, verá que ele faz um militar; e uma jovem moça recatada, feita por Amanda Seyfried que está crescendo a cada dia desde da adaptação teatral do cinema Mamma Mia, e mostram as idas e vindas do casal no periodo do 11 de setembro, periodo dificil para muitos e retratado de uma maneira sincera na tela.

Queria respostas claras e sinceras sobre as suas fontes. Acredito que você consegue ser algo bem curioso. É perceptivel que sua pessoa consiga repetir todos os temas possíveis retratados em suas adaptações. Temas como a doença terminal, a morte, o romance por muitas vezes impossiveis, os momentos decisivos entre o interludio da segunda para a terceira e ultima parte, as maneiras curiosas dos protagonistas se relacionarem entre si. Por muitas vezes parava e me perguntava: Estou diante de um Manoel Carlos americano?

Mas ao mesmo tempo Nicholas, vejo que você sabe prender muito bem as pessoas que vão ver suas adaptações por que elas conseguem refletir para si mesmas esse ador do romance utópico no sentido de pureza entre o casal protagonista e ao mesmo tempo real quando se refere aos impecilhos que existem nos destinos deles. A felicidade de Querido John praticamente está por ai e acredito que também está o outro fato, de quem leva isso a se tornar concreto.

Parece que a sensibilidade de Lasse Hallström caiu como uma luva para um dos seus contos, já que ele sabe ser sensivel mesmo com temas de praxe. Mesmo com uma condução meio que parado, já que o começo do seu conto Sparks é praticamente sonolento e com muitas soluções muito óbvias e surreais, mas quando chega no final da segunda parte e o inicio para o final, a formula mágica do diretor ultrapassa os niveis de emoção e de pouco a pouco entrega momentos de pura sincerdade e quem estiver meio desabilizado com a história em si, não será dificil se encontrar em seu rosto com um filete de uma lágrima sincera.

Não pode esquecer sobre o casal de protagonistas. Os dois não vai ser tão inesquecivel quanto foi Ryan Gosling e Rachel McAdams em Diários de Uma Paixão (sim, é a sua melhor adaptação) mas de acordo com o projeto proposto, eles seguram as pontas. E assim como frizei no ultimo paragráfo, nos ultimos momentos Tatum e Seyfried entregam os seus melhores momentos em cena, para compensar os momentos mornos iniciais que não pareciam ter fim. Em particular a ultima cena de Richard Jenkins com Tatum no qual o filme entrega o seu melhor e mais emocionante momento.

Serei sincero Nicholas Sparks, não achei Querido John a sua melhor adaptação e nem tão pouco um filme extremamente memorável. É um tipo de filme que tem qualidades, mas é pobre como cinema em um ambito restrito. Mas não devo esquecer que o cinema em sua totalidade é algo que abrange todo e qualque tipo de experiencia que deve ser levada a tela grande. E os seus romances se encaixam nisso, em um importante escapismo que ajuda a passar o tempo e esquecer um pouco a realidade entre si.

É um daqueles filmes que já tem um alvo especifico, que são as romanticas de plantão, aquelas que gostam de sentir em sua pele um romance especial e principalmente que gostam de ser como as protagonistas de suas histórias. Não sou seu fã Sparks, mas reconheço que sabes prender uma pessoa até o final, mesmo sabendo que já sabem o seu desfecho. E acredite, poucos conseguem fazer isso. Agora sobre sua outra adaptação, The Last Song, bem ... prefiro não conferir ...

Atenciosamente, um critico de cinema.



Ficha Técnica
Querido John (Dear John)
Diretor: Lasse Hallström
Elenco: Channing Tatum, Amanda Seyfried, Henry Thomas e Richard Jenkins
Gênero: Romance/Drama
Cotação 50%

24 de abril de 2010

Caso 39

Quando se vê que um filme é incrivelmente adiado tantas vezes, existe uma remota possibilidade de que seja um filme com qualidades boas ou certamente duvidosas. Caso 39 consegue se encaixar com veracidade no enquadramento do duvidoso porém com um agravante mais assustador. Consegue ser tenebroso ... Mas o que realmente aconteceu para o filme desse porte ser tão ruim?

A assistente social Emily (Renee Zellweger) vivia uma vida tranquila cuidando de casos de crianças problematicas e sempre contando com a ajuda do seu amigo, o psicologo Doug (Bradley Cooper). Porém o seu 39º caso veio mediante aos pais que queriam matar a inocente Lilly (Jodelle Ferland) e Emily sentiu que deveria cuidar da criança até achar um novo lar. Após a chega ao novo lar, estranhos assassinatos começam a ocorrer e um mistério começa a rondar a cabeça de Emily de querer saber quem é realmente Lilly.

Mesmo o filme tendo coadjuvantes interessantes como o próprio Bradley Cooper e o experiente Ian McShane, o filme será lembrado por muitos como a ponta do iceberg da carreira da atriz Renée Zellweger que está indo de mal a pior. Parece que de uma hora para outra, as escolhas da atriz se tornaram além de equivocadas, um completo desastre, assim como o seu visual, cheio de botox e outras coisas.

Escrito por Ray Wright, o mesmo do fracassado remake americano de Pulse, tenta criar uma história de suspense mas ao mesmo tempo parece que o tempo todo o ouro é entrege. Além de entregar personagens vazios que se tiver em cena ou não seria a mesma coisa. Pode até ser que ele propositalmente criou um circo para aprofundar mais na destruição moral da personagem da Zellweger mas o problema é que a atração principal é infelizmente uma palhaçada sem fim.

Soa engraçado em dizer que Bradley Cooper seja o melhor em cena, mas isso é uma verdade, o astro em ascenção consegue ser o único decente em cena mas mesmo assim, muito mal aproveitado e protagonista de uma das cenas mais ridiculas o tempo inteiro para perguntar, o que realmente aconteceu. Também se vê um disperdicio inacreditável de Ian McShane que morre de uma maneira que constrange até um espectador médio de cinema.

Parece que a ponta do iceberg para a Reneé é declaradamente esse filme. Tudo de ruim que se espera da atriz se encontra nessa tragédia de filme. Em nenhum momento ela consegue transmitir algum tipo de emoção ou algo que lembrasse isso, talvez deva ser a questão do botox que mal deixa a mulher esboçar alguma reação. E por ultimo, a direção do alemão Christian Alvart deveria cumprir o trabalho para fazer um suspense mediano, mas o que entrega é um Supercine de quinta que nem no sábado mais tenebroso funciona.

Caso 39 não é ruim, é pior do que se imagina. Uma fita de horror que se torna pavoroso não por causa da sua história fraca mas sim por ser a contastação irremédiavel da decadência da atriz Renée Zellweger no cinema. Esse filme é mais um caso perdido de como estragar uma carreira em menos de 108 minutos. E, já ia me esquecendo, dá para sentir medo sim, da atriz de tanto botox mal aplicado que não se sabe se ela tá rindo ou chorando de emoção e como consequencia, ficamos assim, rindo ou chorando da decadencia dela.

Ficha Técnica
Caso 39 (Case 39)
Diretor: Christian Alvart
Elenco: Renée Zellweger, Jodelle Ferland, Ian McShane, Bradley Cooper, Kerry O'Malley, Callum Keith Rennie
Gênero: Terror/Suspense (de quinta)
Cotação: 5%













PS: Para quem não leu a resenha de Alice No Pais das Maravilhas de Tim Burton, aqui está o link

16 de abril de 2010

Caçador de Recompensas


Sabe aquele tipo de filme que sabemos que é fraco, mas de uma maneira ou de outra, cria-se uma vontade incontrolável de ver e mesmo com poucos momentos inspirados, conseguimos rir e esquecer um pouco da vida em si? Bem, sempre existirão filmes assim e Caçador de Recompensas (The Bounty Hunter) com certeza será mais um dessa lista interminável de filmes do tipo.

Dirigido por Andy Tennant, o mesmo de Hitch e de Um Amor de Tesouro trás a história de Milo (Gerard Butler), um ex-policial que começa a ganhar a vida como um caçador de recompensas entregando criminosos para policia. Tudo até que ia bem, sendo que descobre que sua ex-mulher Nicole (Jennifer Aniston) está sendo procurada pela policia, assim Milo aproveita essa oportunidade para fazer um inferno na vida da ex-mulher.

Estreando nessa sexta nos cinemas brasileiros, o filme tem todos os elementos que agradam um espectador médio como dois protagonistas carismáticos, uma história fraca mas que não faça as pessoas pensarem muito sobre o que vai acontecer, final previsível e poucas cenas de comédia porém são cenas que fazem o espectador dar boas gargalhadas. O grande destaque mesmo é o Gerard Butler, que mesmo fazendo filmes duvidosos, todavia consegue carregar carisma suficiente nesse filme e ofusca fácil a figura de Jennifer Aniston. A direção de Andy Tennant repete a mesma formula de Um Amor de Tesouro em confiar tudo que acontece nas mãos dos protagonistas para assim esquecer um roteiro pífio e uma direção muito abaixo do que se imagina.

Caçador de Recompensas não é o melhor filme do mundo e nem tão pouco aquele tipo de filme que dissemos “não recomendo por que é uma bosta!”, não, o filme é daquele tipo de filme que você não tenha nada o que fazer num sábado a tarde e quer ver algo bobo para fazer o tempo passar, se vês o filme com essa ótica, talvez consiga alguns sorrisos amarelos e pronto, já conseguiu alguma coisa ...

Ficha Técnica
Caçador de Recompensas (The Bounty Hunter)
Diretor: Andy Tennant
Elenco: Gerard Butler, Jennifer Aniston, Jeff Garlin e Christine Baranski
Gênero: Romance/Comédia/Policial
Cotação: 35%















E em breve um especial titanico ... Aguardem.

9 de abril de 2010

Uma Noite Fora de Série

Phil e Claire Foster (Steve Carrell e Tina Fey) é um casal comum. Cada um tem suas tarefas, seus compromissos e principalmente um jantar romântico a cada semana. Ao ver o casamento de Brad e Haley (Mark Ruffalo e Kristen Wiig), seus amigos, Phil decide fazer algo diferente e decide ir para Nova York com sua esposa e tentar entrar em um restaurante chique, sendo que como não consegue de primeira, assumem o lugar de outro casal que tinha reserva, sendo que é a partir daí que eles vão começar a viver uma grande aventura perigosa.

A premissa de Uma Noite Fora de Série, filme dirigido por Shawn Levy, é interessante, porém ... No elenco tem além da dupla Carrell e Fey, Tarji P. Henson, Kristen Wiig, Mark Ruffalo, Mila Kunis, James Franco e algumas surpresas. O interessante é que o filme é considerado o melhor do diretor baseado no site de críticos Rotten Tomatoes que além de por enquanto ter uma nota interessante (70%), é o único filme com nota positiva do diretor no site já que o resto do trabalho dele... É... Bem, o resto já disse tudo.

O roteiro de Josh Klausner tenta fazer um estudo sobre relações matrimoniais em muitos momentos, porém ele se preocupa mais em desenvolver uma história capenga de suspense que não empolga quase nenhum momento o espectador assim fazendo dele refém da comédia que também gera muitos sorrisos amarelos, porém nas poucas cenas engraçadas do filme, realmente são engraçadas. Mas se for esperando um roteiro que pelo menos prenda o publico, bem, não conseguiram fazer isso.

Steve Carrell e Tina Fey formam um casal perfeito na tela. Engraçadíssimos e afiados ao extremo eles podem ser para muitos o melhor motivo para ver o filme e será. Agora o fato curioso é que a relação entre Fey e Carrell nos coadjuvantes também entrega momentos hilários, principalmente com James Franco que consegue fazer um dos personagens mais hilários junto com Saul de Segurando as Pontas e Mark Wahlberg que dá uma força para um dos momentos mais hilários e sinceros da trama.

A direção de Levy é aquela bem conhecida. Por muitas vezes sem graça, sem inovação porém ele utiliza muito de recursos de gags e cenas de ação que o publico mediano gosta. Acredito que uma cena que consegue ser acima da média do que ele pode fazer é a da perseguição com o Audi e os carros de policia que é interessante, porém pior é saber que após dessa cena o filme cai de uma qualidade impressionante que só resta o espectador saber o desfecho final para ir pra casa.

Uma Noite Fora de Série é um filme que tem tudo para agradar principalmente o seu publico alvo já que conta com fatores interessantes como uma ótima química entre os protagonistas, cameos engraçadas e uma interessante seqüência de ação para compensar um roteiro simplório, coadjuvantes muito abaixo do esperado e principalmente uma direção que quase nenhum momento consegue empolgar o espectador. Um filme que poderia ter sido tudo, mas nunca será uma coisa... Fora de série.


Ficha Tecnica
Uma Noite Fora de Série (Date Night)
Direção: Shawn Levy
Elenco: Steve Carrell, Tina Fey, Tarji P. Henson, Common, Jimmi Simpson, Willian Fichtner, Mark Ruffalo, Kristen Wiig, Mila Kunis, James Franco e Mark Wahlberg
Gênero: Ação/Comédia/Romance
Cotação: 40%

6 de abril de 2010

A Ilha do Medo

Amigos, serei sincero com vocês. A Ilha do Medo, novo filme de Martin Scorsese e repetindo mais uma vez a dobradinha com o ator Leonardo DiCaprio, é um dos mais previsíveis que já vi em minha vida. No qual um espectador mais atento do mundo perceberá o que realmente vai acontecer no final apenas baseando em diálogos simples, porém extremamente condizentes. Mas ao mesmo tempo, somos testemunhas de uma das experiências cinematográficas mais impressionantes dos últimos dois anos e ainda mais, um ótimo exemplo de fazer cinema.

Explicando bem. Baseado no livro de Dennis Lehane e roteirizado pela Laeta Kalogridis, a mesma de Guardiões da Noite, Alexandre e Desbravadores, conta a história de dois policiais federais que vão para uma ilha que é uma instituição mental para investigar um sumiço de uma paciente em especial que desapareceu sem quase deixar rastro. Assim como um bom filme de suspense, paro por aqui para falar da história do filme e deixar você espectador sentir o que realmente acontece.

No elenco, além de DiCaprio estão Mark Ruffalo, Michelle Williams, Ben Kingsley, Emily Mortimer, Patricia Clarkson, Jackie Earle Haley e Max von Sydow. O filme que estava previsto para estrear no ano passado foi recolocado para março desse ano por um motivo visível e simples, para tentar sair na frente e bem antes para o Oscar do ano que vem, e pelo jeito, já desponta como franco favorito.

Acredita-se que o único e estranho ponto fraco do filme reside em seu roteiro. O filme desde inicio mostra-se previsível, daquele tipo que você olhou um dialogo e o universo em volta, consegues moldar o que realmente vai acontecer o final mas mesmo assim, é inegável o poder que esse roteiro tem de prender o espectador até o final. É aquele tipo de texto que o importante não é o principal fator final, mas sim a construção para que esse fator prenda o espectador até o final para assim, causar espanto e procurar palavras para dizer no que viu no final.

Leonardo DiCaprio está vivendo uma fase em uma carreira que não precisa provar mais nada, é verdadeiramente um ator completo. E nesse filme pode ser com certeza sua melhor atuação. A sintonia entre DiCaprio e Scorsese consegue chegar ao seu ápice nesse filme. Todos os atores do filme entregam momentos espetaculares e sempre em momentos chaves porém quando estão juntos com DiCaprio são praticamente engolidos, menos Jackie Earle Haley que conseguiu o feito de ficar em par de igualdade com DiCaprio.

Porém quem faz a diferença é realmente Martin Scorsese. Quando diz que ele é um mestre do cinema não é a toa e principalmente faz por merecer. Ele é um maestro e vemos como ele orquestra de uma maneira sublime e impecável essa odisséia para a beira da loucura. Aliado a ele também vem uma impecável montagem, um figurino riquíssimo, uma fotografia de encher os olhos e todos os elementos que nos lembram a essência cinematografia verdadeira, pura e plena.

A Ilha do Medo é por enquanto o melhor filme de 2010. É aquele tipo de filme de horror onde não precisou de recursos sebosos para dar medo a um espectador. Apenas usou o poder da mente para criar isso. Essa mente que nos mostra caminhos, mas que também omite e esconde e quando vamos descobrir, entramos em um profundo pesadelo que não tem volta. Um grande suspense digno de ficar na eternidade, mas não por seu final, mas sim por ver um mestre guiando seus pupilos para uma lição onde vai ser extremamente difícil esquecer.


Ficha Tecnica
A Ilha do Medo (Shutter Island)
Diretor: Martin Scorsese
Elenco: Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Michelle Williams, Ben Kingsley, Emily Mortimer, Ted Levine, Patricia Clarkson, Elias Koetas, Jackie Earle Haley e Max von Sydow
Gênero: Drama/Suspense/Terror
Cotação: 95%