25 de março de 2010

Estão Todos Bem

Um senhor recém aposentado e viúvo (Robert De Niro) tenta reunir os seus quatros filhos para uma reunião familiar, mas não tem sucesso por todos dizerem que estão super ocupados. Com essa frustração, ele arruma uma pequena mala e vai atrás de todos os seus filhos para saberem como eles estão apesar de todos esconderem algo para não machucar o seu patriarca.

Dirigido por Kirk Jones, o filme conta no elenco, além do De Niro, Sam Rockwell, Drew Barrymore e Kate Backinsale. O filme infelizmente sofreu grandes atrasos no Brasil e provavelmente chegará ao mercado de DVD em breve assim enterrando uma interessante oportunidade de ver esse curioso filme na tela grande. Lembrando fundamentalmente o que o filme é um remake de um filme italiano dirigido por Giuseppe Tornatore e estrelado por Marcello Mastroianni.

O roteiro do remake, adaptado pelo próprio Jones segue uma cartilha a risca para emocionar o publico e de como envolver ele, criando assim personagens interessantes. A trilha sonora ressalta aquela sensação gostosa de filme Road movie feel good. Mas acredito que realmente mostra do por que o filme seja inesquecível seja a incrível e emocionante atuação de Robert De Niro, ele consegue cativar o espectador em sua jornada e consegue se transformar em não só apenas um personagem, mas alguém da família e principalmente nos momentos finais no qual é difícil não segurar a emoção. Enquanto os irmãos, Barrymore e Rockwell fazendo de melhor, serem competentes em seus papeis enquanto a Kate Beckinsale, bem ... ela continua mantendo aquela mesma cara que não emociona ninguém e ainda bem que ela não compromete o filme.

Para muitos não será um filme memorável, porém é aquele tipo de filme que mesmo com um roteiro com nenhuma inovação, uma direção padrão demais, o filme consegue envolver por si só pela aproximação dos personagens com publico, aliados a ótimas interpretações chegando a tal ponto do próprio espectador se vê na tela. Bem, tem gente que pode achar incrível, outros não. Eu adorei e sem duvida será daquele tipo de filme que mesmo sabendo que tem defeitos, tocou em seu coração, já é uma tarefa cumprida.



Ficha Tecnica
Estão Todos Bem (Everybody's Fine)
Diretor: Kirk Jones
Elenco: Robert De Niro, Drew Barrymore, Kate Beckinsale e Sam Rockwell
Gênero: Drama/Comédia
Nota: 85%

18 de março de 2010

Alice no País das Maravilhas de Tim Burton

Após a noite do Oscar, podemos dizer que 2009 chegou ao fim. E temos que entrar de mente aberta para esse ano que começa e nada melhor do que falar do primeiro grande filme de 2010 que foi lançado. A volta de Tim Burton e Cia na adaptação de um clássico da literatura infantil Alice no País das Maravilhas para os cinemas e também iniciando uma leva de grandes produções a serem levadas em 3D.

Alias, é melhor nem contar toda a história do filme, já que todos já conhecem de cor e salteado. O filme foi um febre instantânea já que arrecadou em apenas um final de semana 115 milhões de dólares, feito que nem Avatar conseguiu fazer em seu final de semana de estréia e agora está com 440 milhões de dólares arrecadados no mundo inteiro, e ainda nem estreou em muitos países como a terra brazilis.

Uma das coisas que não se pode omitir ou negar é a parte técnica do filme, sempre os pontos mais altos do filmes de Burton, nesse não seria diferente. O filme conta com uma impecável trilha sonora de Danny Elfman; um trabalho de maquiagem digna de aplausos, tão melhor quanto o Sweeney Todd; uma direção de arte que enriquece os olhos do espectador que seria um crime essa parte não ser lembrado no próximo Oscar; e claro, de praxe, atuações maravilhosas de Johnny Depp e Helena Bonham Carter.

Porém nem tudo são flores. Aqueles problemas incômodos de Sweeney Todd voltam nesse filme como a falta de essência em sua direção que vem com a questão do uso deselegante e gratuito em algumas cenas em 3D ajudam a mostrar uma das grandes inconseqüências do filme que é a direção por muitas vezes sem vida e defeituosa de Tim Burton. Enquanto o elenco, falar que Depp salva o filme com sua atuação que mesmo no final exagera no tom já é normal nos filmes de Burton. A Helena Bonham Carter criou com certeza uma das personagens mais extravagantes e estranhas desde Marla Singer de Clube da Luta. Também o filme tem uma atuação bem interessante de Crispin Glover e que teve uma ajuda interessantíssima do seu visual computadorizado que deu um ar especial ao personagem.

Mas nem tudo são flores nessa parte já que fomos agraciados com uma decepção visível de Mia Wasikowska como Alice. Apesar de ouvir elogios em alguns trabalhos menores, a primeira oportunidade como protagonista consegue ser muitas vezes apática que faz jus ao brilho dos coadjuvantes por falta de carisma. Por outro lado pensar que poderia ir para as péssimas Amanda Seyfried ou Linsday Lohan, o resultado poderia ter sido infinitamente pior. Porém nada vai esconder o estrago que Anne Hathaway faz em si mesma interpretando a Rainha Branca. Em muitos momentos ela parecia que estava a base de acido o tempo inteiro. Uma interpretação digna do esquecimento de talento, principalmente do excepcional O Casamento da Rachel.

Decepcionante, pode ser, já que mais uma vez parecemos que estamos tornando testemunhas de um diretor que prima pela perfeição visual e esquece do primordial, de uma condução tolerável, um roteiro que envolva o espectador e variedade em sua estética. Nunca que Tim Burton será chamado de medíocre ou coisa parecida por que ele conseguiu que o estranho seja mágico para todos mas a falta de variação faz com que esse estranho fique comum e a magia desapareça. Mas para os fãs de Burton, tudo que ele é, continua lá, o problema é... Até quando. E quando pensamos que poderia piorar, a musica de Avril Lavigne consegue ter a mesma capacidade que teve a musica de My Chemical Romance no fim de Watchmen, a capacidade de todo mundo querer sair do cinema antes mesmo dos fins dos créditos.

Ficha Tecnica
Alice no País das Maravilas (Alice in the Wonderland)
Diretor: Tim Burton
Elenco: Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway, Crispin Glover, Alan Rickman, Matt Lucas, Sthephen Fry, Micheal Sheen, Timothy Spall, Martin Csokas, Christopher Lee e Mia Wasikowska como Alice
Gênero: Fantasia/Aventura/Infantil
Cotação: 50%

10 de março de 2010

Ninja Assassino


Acredito que a maioria de quem acompanha esse blog sabe da minha tendência a filmes violentos. Não nego que quanto mais violento for, melhor porém com algo que faça esse espectador prender como uma história um pouco decente ou debates interessantes sobre de como conduzir isso para o espectador ficar hipnotizado com tudo que se vê. Porém vendo Ninja Assassino, nova produção da Dark Castle, fica o questionamento no ar, é necessário ser quase ultraviolento para conquistar o espectador?

A história do filme, ou pelo menos é o que se parece, é sobre uma bibliotecária da Interpol que por descobrir que clãs de ninjas sempre estiveram por trás de assassinatos políticos se torna alvo desse clã, porém um jovem e misterioso ninja renegado vai proteger ela contra esse clã implacável. Se vocês acham que essa história está bem elaborada, pois bem, coloquei alguma dificuldade por que o filme não tem história já que o roteiro escrito por J. Micheal Straczynski (sim, o mesmo de A Troca de Clint Eastwood) é cheio de falhas, trás uma história incrivelmente porca e não explica praticamente nada deixando assim o espectador perdido no mar de sangue artificial.

De conhecido mesmo só está à atriz Naomi Harris que em muitos momentos é evidente a cara de desconforto em fazer uma personagem que não consegue ter profundidade dramática em nenhum momento. Acredita-se que o filme era um veiculo perfeito para alavancar a carreira do cantor coreano Rain que já participou no romanticamente bizarro I’m a Cyborg de Chanwook Park e Speed Racer dos Irmãos Wachowski (que também produzem esse filme). E nesse filme ele tem o fundamental, carisma, mas não convence no principal, que é em ser um herói de ação, já que o seu rosto em nenhum momento demonstra ter perfil de um matador incrível.

Agora, e a violência? Bem, tem aos montes, e logo de cara uma decapitação ultra violenta quase tão característica aos filmes de Takashi Miike porém tudo soa tão artificial que depois todo aquele furor de que está vendo um filme digno de ninja onde a pancadaria rola solta, se torna um festival de cenas artificiais que mesmo com um bom trabalho de James McTiegue, o mesmo de V de Vingança e que remendou Invasores, alguns momentos o sangue artificial e os efeitos especiais desentoam o filme.

Ninja Assassino soa como um filme que funciona para quem não quer pensar muito e quer ver pancadaria rolando solta, mesmo sabendo que o roteiro é praticamente inexistente e cheio de diálogos vergonhosos. Ficaria até feliz pelo filme ser violento já que filme de ninja sem sangue e mutilação é incoerente demais, mas por tudo soar tão falso, não fica uma bela impressão e se vê mais uma vez um desperdício de fazer um filme que mescle violência com algo que valesse a pena a ser contado. Porém, tem gente que gosta né?

Ficha Tecnica
Ninja Assassino (Ninja Assassin)
Direção: James McTiegue
Gênero: Ação
Cotação : 40%

8 de março de 2010

Comentando o Oscar 2010

Ontem foi a premiação mais importante do mundo do cinema, o Oscar. Aqui vocês leram opiniões sobre a premiação e de seus vencedores e dos filmes vencidos. Ontem a noite foi a consagração de mais um filme independente, o “aclamado” The Hurt Locker que ganhou os maiores prêmios da noite como Melhor Diretora para Kathyrn Bigelow que marcou história como a primeira mulher a ganhar o Oscar de diretora e assim tendo uma coincidência por hoje ser o dia da mulher. E também ganhou de Melhor Filme, derrubando até então Avatar de James Cameron.

Mas temos certeza que esse foi os melhores momentos da noite? Claro que... Não.
Vamos começar logo com as vitórias gloriosas de UP como Melhor Animação e Trilha Sonora para Micheal Giacchino. Ao meu ponto de vista foi a vitória mais importante da Pixar por pontos fundamentais, já que esse foi o único dos 3 que ganharam o Oscar que mereceu pelo seu conjunto impecável e ainda de quebra ganhou de um filme tão quanto especial quanto ele que foi O Fantastico Sr. Raposo. Outro ponto também foi o reconhecimento do trabalho do compositor Micheal Giacchino que já é parceiro da Pixar já que ele entregou Os Incríveis e algumas trilhas interessantíssimas como Speed Racer e Cloverfield Overthure.

Outro vitorioso foi com certeza o argentino O Segredo dos Seus Olhos. Curiosamente na resenha tinha comentado que o filme era o favorito da noite desde setembro do ano passado e ver essas minhas palavras sendo concretizadas foram a melhor alegria da noite. E já comentado nos outros blogs, que o filme é um exercício belíssimo de cinema e tem uma história que envolve qualquer um e que no final ficamos sufocados e sem palavras com o que viu. O fato de derrubar dois países que são tradição mundial na categoria e claro, com um cinema über superior a qualquer um, não é desmerecimento, mas sim reconhecimento de que o que se viu é o que é primordial aos dias de hoje, o resgate da emoção de fazer cinema.

Porém o fato que pode incomodar a gente, brasileiros, é pelo fato do segundo Oscar que a Argentina leva para casa. Soa estranho já que fomos nós que tivermos uma retomada espetacular de incentivo ao cinema sendo que as escolhas equivocadas de alguns filmes, e muitos ainda por ter sido selo Globo colaboraram a comunidade cinéfila desacreditar que uma produção brasileira pode ir ao Oscar. E se lembrar o que aconteceu no ano passado, podemos ter a certeza que escolher filmes sem antes ter sido conferido pelo publico e vender como o nosso representante para o Oscar é um erro horrível e que infelizmente não adianta nesse texto mudar nada por que provavelmente qualquer filme com selo Globo Filmes pode dizer que tem o possível candidato ao Oscar e nem passa das preliminares. Obrigado Campanella por mostrar a gente que é fazendo cinema de verdade que se ganha um premio...

Agora ninguém pode reclamar do mais óbvio da noite. A entrega das estatuetas correspondentes a atuação. Pareciam que os 4 já tinham os seus nomes cravados na sua estatueta e como sempre, seus discursos sempre serão a prova do por que de suas vitórias. Principalmente Mo’nique e Sandra Bullock que conseguiram que esqueceram por poucos momentos que eram as rainhas do riso para se tornar portadoras de sentimentos reais e o resultado é esse... O reconhecimento justo e inquestionável dos seus prêmios.

Acredita-se que a única surpresa foi a vitória de Preciosa para Melhor Roteiro Adaptado. Se via no rosto dos realizadores que conseguiram as duas maiores vitórias da noite, além da atuação poderosa de Mo’nique, com certeza a fidelidade de sua história contada e de ter conseguido alcançar o coração do publico americano. E para tirar qualquer duvida, só apenas ver o semblante do roteirista e da comitiva do filme.

Porém a parte complicada fica com a consagração de The Hurt Locker. Mas antes um aviso de que não achei o filme ruim, muito pelo contrario, ele realmente é muito bom e vale a pena ver. Entretanto a vitória do filme soou como injusta por muitos momentos, assim lembrando a trapalhada do ano passado com Quem Quer Ser Um Milionário? A começar com a entrega equivocada para Melhor Roteiro Original já que tínhamos belíssimas histórias sendo indicadas, mas infelizmente... Ele ganhou, mas volto a frizar, já tivermos filmes com essa mesma temática sobre as conseqüências da guerra melhores como o próprio O Mensageiro que foi indicado a categoria.


Agora soa algo estranho. A torcida era com certeza para Tarantino, que mais uma vez resgatou a essência do cinema para seu publico. Mas negar a importância da vitória de Bigelow é burrice. É muito importante ver o poder feminino conseguir transpassar todas as barreiras. Claro que não existe mais o sexo frágil e o próprio filme que ela dirige é a prova disso, um filme visceral, forte e tenso. Premio justo para a pessoa... Porém injusto se for comparar com os outros diretores.

E claro, Melhor Filme. Parece que não se consegue digerir a vitória desse filme, já que fomos agraciados com filmes incríveis como Distrito 9, Bastardos Inglórios, Amor sem Escalas. Porém ninguém sabe como se comporta mais a academia. Parece que a cada dia está mais preocupada em premiar filmes por seus feitos, mas não por sua essência, do que ele é realmente capaz. E são filmes assim, que ganham por fatores externos que ganham esse Oscar, mas filmes que tem qualidade, que ficam marcados em nossas mentes que não sairão jamais em nossas cabeças.

Mas é assim... Entra ano e sai ano e será a mesma coisa. Bem, até mais e um agradecimento especial ao Vinnicius Pereira, dono do Central de Prêmios pelo seu bolão do Oscar que acontece todo ano e que tive uma surpresa pessoal já que sempre iria mal nesses bolões e tive uma posição até que muito boa. Parabéns a todos.
E claro, Feliz Dia das Mulheres e felicidade para todas as blogueiras desse país. Um grande beijo e nunca se esqueçam que vocês são especiais hoje, amanhã e sempre.

2 de março de 2010

Corrida ao Oscar 2010 - O Mensageiro e The Hurt Locker

O Mensageiro – Drama independente que mostra a difícil tarefa dos soldados que portam as más noticias de falecimento para as famílias. Estrelado por Bem Foster, Woody Harrelson, Samantha Morton e Jena Malone. Escrito e dirigido por Oren Moverman, o filme tem duas indicações ao Oscar (Ator Coadjuvante e Roteiro Original). Dos filmes que falam sobre as conseqüências da guerra na vida de muitos, O Mensageiro consegue ser um dos mais sinceros e emocionantes mesmo com uma direção até que padrão e sem ousadia. As indicações como Melhor Roteiro Original e Melhor Ator Coadjuvante são merecidas já que tanto Harrelson e esse roteiro fazem por merecer. É bom ficar de olho já que o roteiro ganhou o Urso de Prata no Festival de Berlin do ano passado como Melhor Roteiro. É bom ficar de olho.

The Hurt Locker – A guerra é uma droga. E para suprir esse vicio, tranca a emoção e que a adrenalina se transforma combustível de sua vida. Parece que essas palavras são seguidas a risca pelo Sargento Will James (Jeremy Renner, indicado ao Oscar de Melhor Ator) no Iraque fazendo o trabalho ingrato de desarmar bombas. O filme, junto com Avatar, é o que tem mais indicações ao Oscar desse ano, nove ao total. Sendo que os únicos que merecem um grande destaque são com certeza de Melhor Direção para Kathryn Bigelow no qual sabe conduzir impecavelmente o elemento da tensão as alturas e os prêmios técnicos.

Os dois filmes apesar das semelhanças em desenvolver o desequilíbrio emocional em soldados em decorrentes a guerra do Iraque, O Mensageiro consegue ser mais interessante por trabalhar o lado humano de uma maneira mais intensa enquanto The Hurt Locker tem o fator tensão ao seu lado, mas pouca relação dramática entre os personagens e o publico que assiste, assim vendo por muitas vezes um filme forte na parte técnica, porém precário em emoção.

São dois grandes filmes, sem duvidas, no qual tem o fundamental em si em demonstrar em suas maneiras o como a guerra destrói não só apenas a si mesmo, mas também a todos que estão ao seu lado. Dois filmes que valem a pena em conferir, mesmo sabendo que The Hurt Locker é extremamente valorizado e que é um filme menor dos que foram indicados.

Fichas Tecnicas

The Hurt Locker
Direção: Kathryn Bigelow
Elenco: Jeremy Renner, Anthony Mackie, Brian Geraghty, Christian Camargo, Evangeline Lilly, Guy Pearce, David Morse e Ralph Fiennes
Gênero: Drama/Ação
Cotação: 80%
Indicações ao Oscar - Melhor Filme, Melhor Diretora (Kathryn Bigelow), Melhor Ator (Jeremy Renner), Melhor Roteiro Original, Melhor Fotografia, Melhor Som, Melhor Efeitos Sonoros, Melhor Montagem e Melhor Trilha Sonora







O Mensageiro (The Messenger)
Direção: Oren Moverman
Elenco: Ben Foster, Samantha Morton, Woody Harrelson, Jena Malone e Steve Buscemi
Gênero: Drama
Cotação: 85%
Indicações - Melhor Roteiro Original e Melhor Ator Coadjuvante (Woody Harrelson)