17 de fevereiro de 2010

Cirque du Freak - O Assistente de Vampiro

Mais um filme de vampiro! Nossa, é copia de Crepúsculo! Hoje em diante será o pensamento de uma pessoa “leiga” (ou para alguns, fãs da saga Crepúsculo) em qualquer lançamento que envolve a temática vampiresca. Mesmo sabendo que alguns saíram um pouco antes ou pouco tempo depois, vai existir ou vão tentar criar um link para essa saga que a cada dia se torna fogo de palha.

Cirque Du Freak - O Assistente de Vampiro poderia se encaixar nessa pragmática de caminhar na saga do vampirinho brilhante, mas acredite, é um ledo engano. Já que é baseado nos livros do escritor Darren Shan que por coincidência tem o mesmo empresário do que a autora de Harry Potter e o personagem principal também têm o mesmo nome do escritor, assim deixando a narração bem mais curiosa.

O roteiro foi adaptado por Paul Weitz e Brian Helgeland constrói os personagens principais de uma maneira rápida, eficiente e sem muita dificuldade de compreender de quem é o mocinho e de quem é o vilão da história. Com isso surge o problema, que é a construção para continuações, com isso, o roteiro teve preguiça ou desnecessidade de desenvolver personagens secundários para o principal, adiantar que o filme vai ter continuação e que foi feito o primordial, a separação do joio do trigo.

O único que segura a peteca o tempo inteiro do filme é o experiente John C. Reilly que faz um personagem natural que tem sua pegada de comédia balanceado com a sinceridade, apesar de estar meio desconfortável no papel. Os dois protagonistas Chris Massoglia e Josh Hutcherson (esse guri tá comendo fermento, até um dia desse ele era um guri) ainda são inexpressivos, mas se comparar a outra saga vampiresca, eles são dignos de Oscar. Completam o elenco Willen Dafoe que aparece só para se divertir fazendo um personagem altamente caricato e Salma Hayek que faz a presença da experiência do filme, além de ser bem chamativa em suas cenas.

A direção de Paul Weitz não é tão incrível quanto se imagina já que na parte técnica, o filme deve um pouco no quesito efeito especial já que alguns ficaram devendo como o modo de corrida dos vampiros porém o trabalho de maquiagem consegue ser um ponto essencial para o filme. Outro ponto legal das boas cenas de lutas que acontecem no terceiro ato que mesmo que mínimas, funcionam de acordo com a proposta.

Cirque Du Freak - O Assistente de Vampiro tem defeitos porém tem seus acertos por ser uma alternativa pop para ver uma outra ótica sobre esse mundo, porém e infelizmente a saga de Crepúsculo ofuscou o filme e por ai vai. Vendo de uma maneira descompromissada se torna até um passatempo eficiente já que tem consigo uma duração aceitável, um roteiro acessível (apesar dos defeitos) personagens interresantes e um desfecho aceitável. Acredito que vale a pena esperar o que vai acontecer só para ver para onde vai parar.

Ficha Tecnica
Cirque du Freak - O Assistente de Vampiro (Cirque du Freak - The Vampire Assistant)
Diretor: Paul Weitz
Elenco: Chris Massoglia, Josh Hutcherson, John C. Reilly, Ken Watanabe, Jessica Carlson, Ray Steverson, Patrick Fugit, Micheal Cerveris, Orlando Jones, Jane Krakowski, Willen Dafoe e Salma Hayek.
Gênero: Fantasia/Aventura
Cotação: 65%
E sim, post 250 do Blog Cine JP ... NICEEEEEEE
Abraços a todos!

11 de fevereiro de 2010

Corrida Para O Oscar 2010 - O Segredo de Kells


O primeiro texto falando sobre alguns filmes que foram indicados ao Oscar desse ano que por profunda tristeza em ver grandes projetos ou grandes momentos serem literalmente esquecidos e ser testemunhas de filmes que não conseguiram sua indicação por merecimento, mas sim por nome de A ou B. O filme comentado a seguir até agora surge como o filme que tirou tal filme do Oscar e talvez por isso podemos até esquecer do que ele é. A animação O Segredo de Kells.

A animação infanto-juvenil que já tinha estreado em alguns festivais alternativos veio como uma surpresa bombástica para o Oscar desse ano na categoria de animação. Não chega ser cansativo ou repetitivo em dizer que 2009 foi um ano perfeito para o gênero. Porém acredito que grandes animações ficaram de fora de uma maneira que até mesmo o mais pé quente de premonições do que pode ser eleito ou não ficou surpreso. Apesar de continuar a acreditar que infelizmente a tendência de premiar nomes e não projetos avançou para essa categoria pelas indicações de Coraline que apesar de ser uma boa animação, a força está no seu criador e não na criatura e de A Princesa e o Sapo que só por que o filme é o retorno da Disney em 3D e a modificação de uma princesa diferente.

Porém O Segredo de Kells entra como um ladrão? Não. Essa animação irlandesa/francesa/búlgara resgata a mitologia da época da idade média sobre a idéia de um inocente sobre o mundo que há fora e também sobre a importância do livro e do seu papel na vida de todos. Também sua força técnica mistura beleza, simplicidade e pouca interferência do cinema digital, porém são interferências que ajudam ao tom da história ficar mais rico.

O Segredo de Kells é uma ótima animação e tem seus méritos, mesmo a ultima parte perder o ritmo. Uma animação curta porém tem seu efeito no espectador trazendo uma belíssima história sobre o homem e a natureza, apesar de Ponyo ter feito isso com mais impacto. Como não pode voltar atrás, esse é mais um filme indicado pela academia e refletindo bem, a maior vitória dele já está ai, em ter sido indicado em um ano praticamente feito. Pelo menos essa indicação, muitos terão oportunidade de ver uma história interessante e diferente. Uma animação para crianças e adultos. Recomendo.


Ficha Tecnica

O Segredo de Kells (The Secret of Kells)
Diretores: Tomm Moore e Nora Twomey
Gênero: Animação/Fantasia
Cotação: 80%
Indicações ao Oscar: Melhor Animação

5 de fevereiro de 2010

Expectativas - o mau do cinéfilo (Incluindo Critica de Um Olhar do Paraíso)

Expectativa, palavra perigosa e que infelizmente muitos cinéfilos cruzaram em 2009. Curiosamente poderia falar de um filme que felizmente ou não de ter superado ou decepcionado suas esperanças. Não. O foco do texto é mostrar e ao mesmo tempo deflagrar o perigo que temos quando crescemos esse sentimento dentro de nossas mentes e que pode nos levar a caminhos por muitas vezes sem volta e conseqüentemente desastroso.

Acredito que para muitos projetos de cinema que aparecem no ano surgem idéias e projetos que podem, dependendo do estilo e gosto refinado do espectador, aumentar ou negar esse projeto. A cada passo ou a cada foto que surge sobre esse projeto começa a surgir dentro de si essa idéia de como será desenvolvido o filme. Em muitas listas ou em passeios em blogs, sites de relacionamentos, fóruns de cinema vejo uma ligeira ojeriza em reclamação de dizer que o ano passado foi fraco e que muitos projetos que eram considerados para eles de ponta, não passa de uma dolorosa decepção, até mesmo criam momentos de autonegação de dizer que tal projeto foi péssimo por orgulho de ser fã dos realizadores.

Falando isso, qual é o segredo supremo de não ser surpreendido? Qual é o remédio contra esse sentimento chamado expectativa? Nesse texto mostro algumas técnicas que desenvolvi de acordo com o tempo que se passa mesclado com o tempo de escrita (afinal, será o inicio do ano 5 do Cine JP) que por muitas vezes ajudou a minha pessoa a sofrer menos e hoje, compartilho em nesse texto como uma homenagem as pessoas que por muitas vezes conseguem ser surpreendidos por algo que não esperavam e aqueles que como a lendária tragédia grega de Ícaro que queria tocar no sol e sua aventura culminou sua ruína e a decepção em conseqüência.

O primeiro ponto fundamental é com certeza o trabalho psicológico de não criação de idéias do que pode ser desenvolvido de acordo com os envolvidos do projeto. Devemos colocar na cabeça que por muitas vezes que mesmo com o elenco impecável ou um diretor impecável não é e nem será uma garantia provável de sucesso. Podemos colocar em pauta projetos interessantes como As Duas Faces da Lei, filme que voltou a reunir dois monstros do cinema que é Robert De Niro e Al Pacino em uma trama policial. Muitos estavam crentes da garantia que seria um encontro implacável porém esqueceram de observar outros fatores como produtora que demonstra claramente desconfiança e descrédito desse blogueiro (Millienium Films, quem conhece, foge), um diretor fraco e elenco de apoio abaixo da mèdia, resultado, um filme policial fraco e por muitas vezes frustrante. Outro caso recente é com certeza Nine. Apesar do elenco maravilhoso e fotos incríveis lançados na internet, não garantiu o sucesso tanto de publico quanto bilheteria, apesar de alguns dizerem que é bom, que tal canção é incrível, não consegue esconder que o filme tem problemas e é o tópico do segundo ponto tem muito haver com a idéia desse filme e de outro que vai ser citado agora.

O segundo ponto fundamental é a destruição da figura do fã e se tornar um admirador.
Parece que quando somos fã de alguma coisa tornamos por muitas vezes cegos e arrogantes e que por acreditar (talvez sim ou não) na presença do nosso ídolo em um filme é a garantia de sucesso. Acredito que muitos que viram Nine pensaram que a presença de suas atrizes favoritas era uma garantia de um ótimo filme. Um ledo e poderoso engano. E até eu mesmo, autor desse articulo tive que perceber isso. O exemplo foi com uma atriz que admiro muito que é Cate Blanchett, no qual não consigo perdoar a péssima atuação dela na seqüência de Elizabeth e pior ainda é saber que ela foi indicada para o Oscar com esse filme.

Parece que a partir do momento que nos tornamos admiradores, parece que é muito mais fácil assimilar os acertos e erros de uma pessoa do que um fã. Por muitas vezes por essa postura de negação de que o seu objeto de admiração errou consegue cegar uma postura critica e poderosa e com isso, criar criticas tendenciosas com ausência de pontos negativos e assim citando poucos pontos e transformar isso em um endeusamento duvidoso ao projeto.

O terceiro ponto é algo muito legal e ao mesmo tempo curioso, que é o resgate ao fator surpresa. Por tantas vezes por acompanhar um filme passo a passo, parece que já sabemos o que vai acontecer na cena seguinte. E quando isso torna-se vida, pode ter reações diferentes como alegria, decepção, êxtase e tristeza. E aqueles que fizeram questão de não saber nada do filme e ter o mais importante na cabeça que é apenas um cartaz, ou um trailer ou até mesmo uma simples cena de comercial? Acreditem, sai melhor do que o esperado.

Os melhores filmes do ano passado como UP, Avatar e Distrito 9 tiveram uma coisa em comum para a minha pessoa e de como eles me atingiram que foi no mínimo interessante.
Não acompanhei a fundo de como foram feitos os filmes, o que quer dizer, assim como muitos que só faltavam enfartar com uma cena. No meu caso, evitava ver qualquer tipo de material ou simplesmente ignorava. Para se terem uma idéia da “gravidade” para Up, só me interessei ao filme uma semana antes quando vi a famosa e por que não clássica cena do GPS, além do fato de saber depois que quem dirige o filme é Pete Doctor, o mesmo que dirigiu até então em minha opinião o melhor filme da Pixar, Monstros S.A.
Parece que essa negação voluntaria ao filme deu certo, o filme além de o melhor filme da Pixar, ele toca em temas complexos de uma maneira sutil assim como Monstros S.A. e principalmente coloca idéias que jamais poderia ter sito tocada em uma animação e do porte que é a produtora, e principalmente de retornar a verdadeira concepção de animação de que muitas vezes técnica não garante tudo que se imagina e que ao contrario de muitos fãs da Pixar, esse pode ser o verdadeiro filme da Pixar que pode ganhar o Oscar de uma maneira incontestável e inquestionável.

Esse ponto do texto é um dos mais essenciais desse articulo por que é esse o ponta pé para um sucesso de um filme. Parece que sempre temos a obrigação de ter e de saber de tudo que esquecemos que coisas simples como o fator surpresa pode ser delicioso. De como podemos saber de nada do filme e escrever sobre isso, de como ele conseguiu chegar a você sem precisar ver imagens a todo o momento ou trailers de uma maneira obsessiva e somos agraciados pelo todo e não por uma imagem já que podemos ver imagens, mas também podemos sentir muitas vezes o vazio disso tudo ou o desastre que é realmente isso.

Esses pontos parece que se reúnem em um filme só, Um Olhar do Paraíso de Peter Jackson. O esquecimento dos envolvidos, a desmistificação da figura de fã para admirador e principalmente a tentativa de ter surpresas foram os combustíveis importantes para assistir o filme. Peter Jackson teve uma difícil tarefa de fazer um filme tão inesquecível quanto o seu ultimo projeto que foi a trilogia do Senhor dos Aneís, mas a cobrança exagerada de muitos atrapalhou sua visão para a adaptação literária da obra de Alice Sebold.

Claro que existe problemas como as atuações mecânicas de Rachel Weisz e Mark Wahlberg (esse mesmo se esforçando em algumas cenas chaves da trama) e principalmente na deslocada Susan Sarandon que mesmo com uma divertida atuação, parece que o contexto da personagem para a trama se tornou um alivio cômico desnecessário. Porém somos compensados com as duas belíssimas atuações de Saoirse Roman e Stanley Tucci e esse ultimo ter conseguido acima de tudo a indicação de Melhor Ator Coadjuvante, mesmo com uma atuação bem abaixo daqueles que foram indicados a esse ano. E Jackson cria bons momentos criando momentos belíssimos visualmente sobre esse “paraíso”.

Um Olhar do Paraíso não é um filme perfeito já que muitos esperavam uma obra prima incontestável mas ruim ele não é. Por muitas vezes precisamos de projetos assim para lembrar que expectativas podem levar todos nós a bons e maus caminhos, sendo que no cinema, o que se viu foi maus caminhos e que por muitas vezes o próprio espectador sentiu, porém assumir que foi vitima do desejo é difícil. Um bom filme e nada mais.

Agora é tudo uma questão de sabedoria. Saber como enfrentar, saber como esperar e principalmente saber como se divertir. O principal desse texto é colocar e postar idéias sobre esse sentimento, porém quem sou eu em dizer que isso é uma verdade absoluta ou algo do tipo? Assim digo a todos, a expectativa de uma pessoa funciona como um mar, queremos saber o que se encontra no outro lado da costa porém só sabemos quando vamos cruzar ela até o final. Um grande abraço e até mais!

Cotação de Um Olhar do Paraíso - 70%