30 de novembro de 2009

The Hangover (Se Beber Não Case/O Que Aconteceu Ontem?)

Se quiser fazer alguem rir de verdade, conte uma história de bêbado. Nunca acreditamos a tal ponto pode chegar tais histórias, principalmente quando se vê pobres coitados na televisão mais bêbados do que tudo na vida. E o depois da bebedeira? O que pode acontecer no dia seguinte? É nessa linha de pensamento que é a base do filme Se Beber Não Case de Todd Phillps, o mesmo diretor de Dias Incríveis e que com certeza se tornou uma das comédias mais bem sucedidas desse ano.

Quatro amigos decidem fazer a despedida de solteiro de um deles na cidade do pecado: Las Vegas. Sendo que a cachaça foi tão forte e tão violenta que se depararam com uma cena inusitada e vários questionamentos para estarem desse jeito, porém a pior pergunta é: Cadê o noivo? Agora os três marmanjos ressacados tentarão recriar os passos da noite passada para descobrirem o paradeiro do amigo.

O roteiro se preocupa em 3 partes, a primeira é o desenvolvimento dos personagens e de seu comportamento, pressuposto importante e essencial para o que vai acontecer na segunda parte no qual existe o choque do álcool etílico e na terceira e ultima parte acontece o desfecho e as respostas das duvidas. Praticamente segue uma cartilha rígida, porém não deixa de ser extremamente divertida. E isso tudo juntado com diálogos divertidos e situações incrivelmente constrangedoras.

O interessante no filme é que todas as atuações do elenco não são isoladas como nas próprias comédias de Todd Phillps, nesse filme, todos tem seu destaque como o trio de protagonistas Bradley Cooper, Ed Helms e Zack Galifianakis, sendo que esse ultimo revelação do ano fazendo as caras, bocas e cenas mais engraçadas do ano. Também como seus coadjuvantes como Heather Graham, Ken Jeong, Rob Riggle (quem já viu Quase Irmãos vai reconhecer ele na hora) e principalmente do personagem Carlos que para mim já é o personagem mito do ano junto com Dug e Russel de Up e Aldo Raine e O Urso Judeu de Bastardos Ingóriosos e Poppy de Simplesmente Feliz.

Se Beber Não Case com certeza figura entre os melhores filmes do ano por transformar uma história esdrúxula, porém ao mesmo tempo sincera e curiosa sobre as amizades e bebedeiras em um filme extremamente eficiente, engraçado e principalmente memorável. É aquele tipo de filme que quando estamos tristes é perfeito para levantar o riso perdido e ver que por muitas vezes o mais legal é rir de nossas próprias histórias por que todo mundo tem pelo menos uma história de porre na vida.



Ficha Tecnica
The Hangover (Se Beber Não Case/O Que Aconteceu Ontem?)
Diretor: Todd Phillps
Elenco: Bradley Cooper, Ed Helms, Zack Galifianakis, Heather Graham, Ken Jeong, Rob Riggle, Mike Epps, Rachel Harris, Justin Bharta e Jeffery Tambor
Gênero: Comédia
Cotação: 95%

28 de novembro de 2009

Ataque de Pânico - O poder de um curta

Durante um passeio casual no twitter, vi uma noticia interessante sobre o cinema latino americano, ou pelo menos chama a atenção pelo choque surpresa do que é essa noticia. Um diretor uruguaio chamado Federico Alvarez de 30 anos foi contratado pela produtora de Sam Raimi, a duvidosa Ghost House, para fazer um filme de orçamento entre 30 a 40 milhões de dólares no qual as filmagens ocorrerão entre Buenos Aires e Montevideo. Agora vem a pergunta... Como foi isso?

Federico Alvarez fez um curta chamado Ataque de Pânico que mostra em 5 minutos a destruição da cidade uruguaia por algo desconhecido e o curta correu o Youtube e chegou facilmente nas mãos da produtora de Raimi que só para desenvolver a idéia já ganhou um milhão de dólares. E na quarta feira passada o diretor passou o tempo com o cultuado diretor de Evil Dead e que Raimi disse que ele terá total liberdade para fazer o filme e melhor para o diretor uruguaio que terá um grande cineasta, apesar das bombas colossais como Arrasta-me Para o Inferno e a trilogia Homem Aranha, como um padrinho em Hollywood.

Mais uma vez, vemos o poder de um curta interessante chegar em Hollywood. Temos de lembrança algo bem recente que vale a pena ser lembrado que deu certo e aumentou a visibilidade dos criadores, que foi Distrito 9, no qual o mundo conheceu a capacidade de Niell Blomkamp e de como ele desenvolveu essas idéias com um orçamento preciso. Também é bom lembrar a incrível iniciativa de James Wan e Leigh Whanell que fizeram um curta e mandaram para Hollywood e que hoje, a sua franquia, Jogos Mortais conseguiu feitos que mesmos os detratores tem que reconhecer que é uma jogada de mestre.

Acredito que as boas idéias estão espalhadas por ai. Estamos vivendo uma época curiosa onde por um veiculo interessante que é o Youtube em revelar novos talentos ou coisas parecidas. Mesmo sendo no humor, no drama ou no terror. A idéia continua assim acreditar na capacidade da sua idéia e vender para quem quer desenvolver por que é assim que aparecem as grandes revelações e principalmente de uma Hollywood carente de idéias.

Link da noticia
Link do curta

25 de novembro de 2009

500 Dias com Ela

Existem musicas interessantes que sempre serão o toque final para determinados momentos. Quando conquistas algo importante, quando caminhas na rua e principalmente quando estamos apaixonados. Parece que quando estamos vivendo esses belos momentos as rosas são as mais vermelhas possíveis, o cheiro do jasmim entra no nosso peito e renova tudo que está por dentro. E quando termina? O que acontece com esse brilho? Desaparece? A ilusão se torna realidade?

Perguntas assim são feitas e ao mesmo tempo respondidas em 500 Dias com Ela, a comédia romântica independente do ano. Estrelado por Joseph Gordon Levitt e Zooey Deschanel conta a história de Tom (Gordon Levitt), um arquiteto que trabalha numa empresa de cartões que em uma dessas reuniões conhece a Summer (Deschanel) e daí inicia uma relação no qual ele acredita que é perfeito porém desconhece uma coisa, da própria Summer.

Dirigido por Mark Webb, diretor de videoclipes sendo um dos seus famosos é de Make a Move do Incubus, em seu primeiro longa metragem fala sobre a realidade (dependendo de quem vê o filme) dos relacionamentos atuais. Em uma linguagem videocliptica, mas com essências cinematográficas belíssimas, principalmente quando se refere ao inesquecível Ingmar Bergman. Outro fato interessante é de como ele é um filme acessível sem cair nos maniqueísmos do gênero romântico e diferentes desses tipos que estamos vendo atualmente, como Lua Nova, Um Amor Para Recordar e etc, ele toca no que pode se dizer, no que é palpável e que se torna muito mais fácil o espectador sentir o que eles sentiram.

Joseph Gordon Levitt faz uma atuação segura e contida, que consegue muito bem representar muitos rapazes ocultos dessa sociedade cruel que ainda conservam o dom da esperança do amor pleno e verdadeiro, um grande personagem para se dizer a verdade. Zooey Deschanel é a graça em pessoa. É daquelas atrizes que dando um papel adequado ao que é a personalidade da atriz, tudo funciona tranqüilo e nesse filme não é diferente. Mesmo para uma personagem que merece um total desprezo desse homem que escreve já que ela representa tudo de ruim de uma ilusão amorosa e o pior de tudo, que tanto ele e principalmente ela, são tão reais que qualquer um é pego de surpresa em saber que em um dia, viveu ou viverá uma situação assim.

E está ai um dos problemas que não funcionou com esse espectador. O filme mostra todas as etapas desse sentimento em sua plena realidade. E por muitas vezes sentir a dura realidade do fim. Queríamos viver as letras românticas de nossos artistas favoritos e por um momento acreditar que eles fizeram essas canções pensando em nós, ou no que nós vivíamos em uma relação mas sabemos que é impossível e que a tentativa de pensar que o destino está em nossas mãos ou que podemos controlar é impossível. Praticamente se torna uma experiência meio que desagradável para quem já viveu o filme.

A vida imita a arte ou a arte imita a vida, isso ninguém sabe, o que eu sei é que 500 Dias com Ela é um filme sincero sobre as idas e vindas de um romance no qual não é aqueles exagerados como se vê ultimamente que trata buscar a idealização perdida de um romance. E sim um romance crível e real que muitas vezes o final pode ser feliz para um e não para o outro, porém lembrando que nunca devemos desistir de ter alguém ao nosso lado. Um bom filme.

Ficha Tecnica
500 Dias com Ela (500 days of Summer)
Diretor: Mark Webb
Elenco: Joseph Gordon Levitt e Zooey Deschanel
Gênero: Drama/Romance/Comédia
Cotação: 70%

18 de novembro de 2009

Distrito 9

“Há muitos segredos no Distrito 9” com essa frase direta e ao mesmo tempo incisiva, inicia uma analise do que um filme que possivelmente será um novo clássico da ficção cientifica. Aclamado pela critica, Distrito 9 é um filme dirigido pelo sul africano Niell Blomkamp baseado no curta Alive in Joburg e produzido e apresentado por Peter Jackson, que dispensa comentários. Porém qual é o verdadeiro segredo do sucesso desse filme?

No inicio da década de 80, uma nave alienígena para na maior cidade da Africa Do Sul por mero engano. Durante a chegada dos alienígenas, foi criado um órgão responsável para a monitória desses novos inquilinos, a MNU, apesar de ser extremamente questionável seus propósitos. E com isso surgiu o Distrito 9, uma zona limitada e extremamente vigiada. De acordo com os anos, a insatisfação de vizinhos com os alienígenas chega aos limites do insuportável.

Agosto de 2010 é considerado um ponto importante entre essa organização e os alienígenas. A criação de um novo setor para eles foi construído e que irá liderar a mudança de localidade é Wikus Van Der Merve, um dedicado funcionário dessa empresa. Porém nas inspeções as instalações do Distrito 9, algo de estranho acontece e inicia uma mudança significativa sobre esse local onde ainda esconde segredos obscuros.

Assim como a pergunta lançada no texto, acredito que muitos blogueiros questionaram o poder dessa frase exerce entre o publico e o projeto. Muitos não acreditaram no que viram ou acharam um projeto tão simplista ou dinheiro jogado fora. Distrito 9 reside sua força em uma palavra em si que faz a diferença desde seu inicio até o seu final incrivelmente simbólico: conjunto.

O roteiro escrito pelo Niell Blomkamp demonstra criticas visíveis sobre o racismo sendo que do ponto de vista entre humanos e alienígenas no qual mostra o pior âmbito no qual, mesmo sendo um ser estranho, ser tratado por muitas vezes pior que um animal, isso é retratado em muitas cenas. Também mostra por muitas vezes a fragilidade das corporações que sempre tem outros olhos, e principalmente alguns que usam a benevolência para ter mais riqueza ou algo mais, assim lembrando os problemas das empresas de saúde que usavam africanos como cobaias de seus inescrupulosos remédios.

Porém não só se reside em momentos críticos político-social. O filme mostra uma transformação comportamental de Wikus (aliado a uma soberba atuação de Sharlto Copley) no qual é dado o papel de caçador para caçado. E sentir a sua pele a sensação e o descaso com os alienígenas. Dando destaque a uma das cenas mais inquietantes quando ele usa a força as armas dos alienígenas. Uma das grandes forças do filme está ai, o desmascaramento da humanidade, no qual por muitas vezes acreditamos que criamos compaixão mas no filme, os humanos, ou que se dizem ser, conseguem criar um comportamento tão asqueroso e tão real sentimos vergonha em saber que existem homens assim nesse mundo.

Outro ponto importante é o seu orçamento. 30 milhões de dólares foi o seu orçamento.
Lembrando que qualquer filme blockbuster de ponta é 70 milhões para cima, porém fazendo uma cartilha interessante de barateamento como em filmar em local barato, atores desconhecidos, bom uso dos efeitos especiais e visuais e acima de tudo em acreditar no potencial do seu projeto foi um dos trunfos do filme. O visual dos alienígenas, os efeitos visuais da nave, um belíssimo trabalho de maquiagem feito para o personagem de Wikus e as seqüencias de ação que explodem na cara do espectador no seu terceiro ato que consegue colocar muitos filmes de ação no chinelo como Transformers 2 e Comandos em Ação que tinham o triplo de seu orçamento e deu no que deu.

Distrito 9 é um filme onde o principal destaque é o trabalho em conjunto de todos que participam e entregam para nós, espectadores famintos por algo diferente, uma pequena perola do gênero calcada em debates filosófico-sociais misturada com o principal fundamento da ficção cientifica que é de como nos, humanos, lidamos com o desconhecido e que nos final, descobrimos que desconhecemos a si mesmos. Com certeza, ao lado de Up e Bastardos Inglóriosos como os melhores filmes do ano.

Ficha Tecnica
Distito 9 (District 9)
Diretor: Niell Blomkamp
Elenco: Sharlto Copley e outros
Gênero: Ficção Cientifica/Drama/Ação/Documentário
Cotação: 100%

17 de novembro de 2009

O Corredor Noturno





Eduardo Lopez (Leonardo Sbaraglia) é um gerente de uma seguradora situada em Porto Madeiro, no bairro nobre de Buenos Aires. Casado com Clara (Érica Rivas) e tem dois filhos. Mesmo assim, não pode se dizer que é um homem feliz, mas sim um homem com algumas pontas de frustração, fazendo que suas corridas pelos parques da cidade uma válvula de escape. Na volta de uma viagem fracassada de negócios, Eduardo conhece Raimundo Conti (Miguel Ángel Solá), um senhor poderoso que começa a perturbar cada vez mais Eduardo e deflagrar segredos obscuros do corredor noturno.

Baseado em um best seller escrito por Hugo Burel, O Corredor Noturno é uma co-produção Argentina/Espanha (assim como a maioria dos filmes de ponta argentinos) e dirigido pelo espanhol Geraldo Herrero. O roteiro adaptado por Nicolas Saad mostra um suspense psicológico que segue a risca a cartilha norte-americana para tentar a acessibilidade para o publico, mas na busca dessa acessibilidade demonstra um roteiro falho, previsível e que muitas vezes incompleto fazendo um espectador atento perguntar o que aconteceu para chegar a esse ponto.

As atuações de Leonardo Sbaraglia e Érica Rivas são extremamente decepcionantes. Não dá para negar que são dois grandes atores no cenário atual argentino, mas nesse filme parece que estão no piloto automático fazendo assim que o fundamental que é a relação personagem – publico vá para o ralo. Praticamente quem carrega o filme inteiro nas costas é Miguel Ángel Solá fazendo o vilão da trama. Sereno e ao mesmo tempo extremamente ameaçador, ele é aquele que mexe com os nervos de qualquer um com suas atitudes. Fora a direção sem vida e por muitas vezes padrão de Geraldo Herrero que poderia ter feito algo melhor, mas preferiu fazer a cartilha da acessibilidade e no resultado não deu certo.

O Corredor Noturno é a minha primeira frustração no cinema argentino, mas ao mesmo tempo soa como uma oportunidade de perceber que nem tudo é maravilhoso no país onde dá uma lapada inquestionável no cinema brasileiro. O filme é uma nítida aproximação de fazer um cinema mais nivelado e ao mesmo tempo acessível para o publico, mas não necessitava ser aquele famoso “já vi isso antes”. Não é um dos piores filmes do ano, entretanto é um filme que tinha potencial, mas se tornou uma frustração necessária para sentir que nada é perfeito




Ficha Tecnica
O Corredor Noturno (El Corredor Nocturno)
Diretor: Geraldo Herrero
Elenco: Leonardo Sbaraglia, Érica Rivas e Miguel Ángel Solá
Gênero: Suspense
Cotação: 40%

15 de novembro de 2009

Coração de Papel




Amor? Acredito que poucos não sabem o verdadeiro significado do amor, ou conseguem conservar um especial em si. Esse sentimento que muitas vezes confunde. Deixa a pessoa louca e principalmente plena de si. Charlyne Yi, comediante e compositora musical, planejou fazer um documentário fazendo uma viagem em vários lugares e entrevistando várias pessoas para descobri a essência do amor. Nessas andanças, ela encontrará pessoas interessantes e principalmente, alguém para amar, o ator Micheal Cera.

Coração de Papel é o resultado dessa busca. É um misto de documentário com comédia e romance sobre a busca atual desse sentimento. Tal que muitos acreditam que não existe mais, ou que deixamos de apaixonar ou de principalmente das desilusões que deixa todos nós paralisados com esse sentimento. Vale também destacar os depoimentos de Martin Starr de Adventureland e Seth Rogen, amigos pessoais da comediante.

O grande destaque fica com certeza nos diferentes pontos de vista por esse mesmo sentimento e com alguns com uma história tão linda que não fica difícil se emocionar. Porém o problema do filme reside também nesse mesmo sentimento. O relacionamento real entre a comediante e Micheal Cera consegue ser tão apático que fica ainda mais difícil acreditar que tudo aquilo é crível. Porém ao mesmo tempo reflexionando acreditamos que a busca do amor por muitas vezes pode ser maravilhoso ou meio duvidoso. Um bom projeto mesmo com seus defeitos, assim como o amor de um casal para outro que sempre lembramos que sempre terá seus altos e baixos. UPDATE: Eles dois terminaram ...

Ficha Tecnica
Coração de Papel (Paper Heart)
Diretor: Nicolas Jasenovec
Elenco: Charlyne Yi, Micheal Cera e Jake Johnson
Gênro: Documentário/Romance/Comédia
Cotação: 65%

10 de novembro de 2009

Brüno

Quem não quer ficar famoso? Quem não quer ser celebridade? Muitos nutrem esse sonho que mais parece uma utopia do que uma realidade. Porém nos últimos anos, como um efeito global e por que não uma doença que está em todos os lugares, essa busca de ser famoso passa do limite. Muitos conseguem em coisas simples e outros conseguem de uma maneira rápida e assim como sua chegada, vão facilmente em nossas mente. Pois bem, Brüno mexe muito bem com essa delicada parte de nossa sociedade atual.

Brüno, personagem criado por Sacha Baron Cohen, é um estilista austríaco gay que tem um programa fictício chamado Funky Time, um programa de moda onde mostra as futilidades desse mundo. O mundo dele começa a ruir quando ele passa um incrível vexame em um desfile importante e a partir daí ele começa a perder status para entrar em desfiles, festas até perder o seu namorado, Diesel. Ele acredita que para recuperar essa credibilidade coloca na cabeça que tem que ser celebridade nos Estados Unidos para ser Top do Top no mundo.

Pois bem, mais uma vez o estilo do filme anterior está de volta. Sacha Baron Cohen mais uma vez consegue encarnar de um jeito impressionante e sem medo do perigo ou algo pior um estilista excêntrico. Porém diferente de 2006 que o outro personagem se adequava bem a proposta da destruição do mito cultural norte americano pós 11 de setembro e no caso foi extremamente “bem sucedido” em não só apenas fazer rir com cenas ultras constrangedoras, mas também de como foi fácil deflagrar essas problemáticas.

Em Brüno, o buraco já está muito mais embaixo. As criticas tem base encima de uma palavra: celebridade. No filme somos testemunhas de situações no quais, muitos críticos que conheço ficaram extremamente constrangidos do que viu, porém como não se constranger com a obsessão atual de se tornar uma celebridade? No filme, o personagem não poupa em chegar aos extremos para tentar ser o centro das atenções da mídia.

Muitos falam da superficialidade do filme, que no qual existia algumas situações que acreditamos que não é possível acontecer ou de uma pessoa cometer isso. Porém, parem para pensar e olhe no que acontece hoje ao nosso lado. Parece que a necessidade de ficar famoso em qualquer parte no mundo ou pelo menos estar em evidencia cada vez mais desgastante. E se parar para pensar, o que significa o BBB ou A Fazenda? Por muitas vezes soa muito mais fácil criticar um extravagante do que os criadores desse tipo de reality show e que muitos assistem, dá ibope e principalmente, se torna um vinculo social entre as massas.

Pior, é ver pessoas que acreditam que fizeram algo de cultural ou sei lá o que infestando os programas de TV onde só passa futilidades, como exemplo, os programas de fofocas onde diz detalhadamente onde cada sub-celebridade está comendo um biscoito na praça tal com seu cachorrinho no colo. Em Brüno, Sacha Baron Cohen não tem limites para deixar de criticar, em muitos momentos para muitos podem achar deplorável, mas ele consegue criar momentos de genialidade fazendo uma amostra do que acontece em todo o santo dia e que por sorte, a sensatez bate e desligamos a TV.

A meu ver, o único defeito do filme fica visivelmente em sua estrutura. Quando realmente time que se ganha não se mexe, o filme leva ao pé da letra, mas tão ao pé da letra que a estrutura de filme é idêntica a Borat, desde um desenvolvimento breve, mas eficaz do personagem chave e outros momentos. Porém pode até ser relevado tranquilamente já que a proposta do falso desmascarar a realidade é o que mais importa e o mais importante... É o que mais choca.

Brüno está longe de ser tão incrível quanto foi Borat. Isso é um fato inevitável, porém voltamos a ver a versatilidade e a dedicação de Sacha Baron Cohen como um ator que sabe muito bem incorporar personagens a fundo, que facilmente confundimos o criador da criatura. Não chega ser a melhor comédia do ano, já que temos exemplos notáveis, mas é mais uma vez, uma comédia extremamente acida, sem pudor e sem limites que mostra o quanto a busca de ser algo notável pode conter a ausência de pudor e de limite.


Ficha Tecnica
Brüno
Diretor: Larry Charles
Elenco: Sacha Baron Cohen e outros
Gênero: Comédia/Documentário
Cotação: 80%

5 de novembro de 2009

Postagem Dupla de Jogos Mortais: O Game e o VI

Assim como todos os anos, aprendemos que Carnaval, natal, vestibular e ENEM tem todo o santo ano. Na ultima década, o que está sendo como se fosse um evento prévio é com certeza um filme da franquia de Jogos Mortais. Não soa estranho que começamos novembro sem alguma resenha de Jogos Mortais. Mas antes de comentar sobre o sexto filme da franquia, irei comentar sobre o recém lançado jogo Saw – The Videogame (Konami) para Xbox 360, Playstation 3 e PC.

O enredo do jogo escrito pelos criadores do primeiro filme Leigh Wanhell e James Wan tem como ponto de partida os eventos posteriores ao primeiro filme, no qual Jigsaw (o ator Tobin Bell volta a colaborar ao enigmático assassino) consegue salvar o detetive Tapp de uma bala recebida no final do primeiro filme e com ele, inicia um jogo mortal com o pressuposto de que a obsessão do detetive pelo Jigsaw foi tanta que estragou a sua vida e assim como a franquia cinematográfica, Jigsaw dá uma “oportunidade” para o detetive mudar seu conceito de vida.

Antes de entrar afundo na critica ao jogo, lembramos do primordial. Mesmo não sendo fã da saga é bom lembrar os seus grandes méritos que essa saga conseguiu em tão pouco tempo. Hoje se tornou até uma tradição no cinema americano de terror estrear um filme da saga em seu momento apropiado, que é o Halloween. Sempre conseguindo bons índices de bilheteria e sangue em tela, apesar de que a medida que passou os filmes a qualidade dos filmes a cada dia aumentou e se tornou extremamente chato para alguns. Exemplo disso, de muitos cinéfilos deixarem de acompanhar a saga por ter quase todo ano isso, a qualidade que caia a cada capitulo e principalmente de evidenciar um subgênero que muitos acham um ultraje que é o torutre porn. Hoje, o sexto filme da saga mesmo sendo considerado o melhor filme da saga depois do primeiro filme amargou um relativo fracasso nas bilheterias arrecadando até menos do que o primeiro filme em seu final de semana de estréia. Mas também a febre da Atividade Paranormal está dominando o cinema americano atual e ao mesmo tempo reforçando a idéia de quem não viu de que se é um hype ou não.

Pois bem, o jogo é um survivor horror com o universo do jogo. Por muitos momentos lembra e muito Silent Hill por sua ambientação e pelo sons macabros que é omitido durante o jogo. Para se ter uma idéia, a morbidez do local de jogo, que se passa dentro de um hospício é tanta que nem os filmes conseguiram ter a metade da morbidez do jogo. E a cada passo que se dá, parece que o jogo faz com que entre em pânico assim como os personagens do filme, já que é torna muito fácil perder a paciência e a compostura e sofrer alguns sustos.

A dificuldade do jogo nem é tão difícil, mas também não é para se dizer que é fácil. Em alguns desafios de inicio pensa-se que é muito fácil passar, porém a cada passo de fase, os desafios que pareciam bem fáceis se tornam complicadas e juntando com a dificuldade de alguns desafios, é que consegue aumentar as dificuldades. Além, claro das principais armadilhas que se comportam como chefões de fases e fica a surpresa de algumas engenhocas serem tão incríveis que lamentamos a falta deles na tela grande, principalmente a mais “belíssima” de todas, The Iron Maiden.

Outro exemplo legal é que podes usar qualquer objeto jogado como arma. Desde bisturis, tesouras, braço mecânico, tacos e o mais famoso dos filmes que é o taco com pregos no qual faz um dano irremediável. Um dos problemas do jogo se reside ai que é o sistema de combate, já que por muitas vezes, podes usar o taco e não atacar o inimigo e uma das armas mais poderosas do jogo é por incrível que pareça... É o próprio punho do jogador.

Em seu resumo, Saw the Videogame surpreende em ser uma boa adaptação de uma saga cinematográfica para o mundo dos games, no qual quem é realmente fã da saga sentirá que o jogo tem um grande potencial e que merecia ter ido ao cinema pelo seu rico conteúdo. Para quem não é fã, pelo menos é um survivor horror sem monstros alienígenas ou zumbis que o principal inimigo é o sentimento de sobrevivência que explode no que está em seu redor, além dos desafios existentes no jogo. Dá até pena, poderia ter sido o melhor filme da saga... Sério mesmo.

Já o sexto filme da franquia. Agora quem assume a direção do filme é Kevin Greutert que sempre esteve envolvido com a saga de Jigsaw sendo editor dos últimos 5 filmes da franquia, e de também editar um dos melhores filmes de terror do ano passado, Os Estranhos. Nesse novo capitulo existe três focos distintos que se conectam durante o desenrolar do filme. Uma envolve o detetive Hoffman que percebe que o cerco contra ele está cada vez mais se fechando, a outra é sobre a viúva Jill que começa a executar o testamento de Jigsaw e por ultimo, um dono de uma seguradora é testado em mais um jogo sádico de Jigsaw.

O roteiro escrito por Marcus Dunstan e Patrick Melton tem duas bases primordiais. A primeira e a fundamental de todas é que praticamente todas as lacunas deixadas nos últimos capítulos são respondidas claramente no sexto filme e principalmente fecha a história original do mito de Jigsaw. Outro ponto e que deve ser comentado é que existe um teor critico social sobre a questão da problemática da saúde americana, que no qual o filme critica sem nenhum pudor os defeitos desse tipo de sistema e o mais interessante é que os jogos intercalam com a critica que o filme faz.

As armadilhas nesse episódio continuam como os fãs gostam, pelo menos são mais curiosas do que o filme passado e tem teve a oportunidade de jogar o jogo para PC, irá sentir que existe muito mais a opção causa/conseqüência do que as armadilhas impossíveis de passar dos outros filmes anteriores, principalmente do 3 e 4. Também a trilha sonora de Charlie Clouser deixou de ser irritante como em outros capítulos, porém considero que a trilha do jogo foi bem mais macabro do que a obra original. E principalmente a entrada de Kevin na direção foi o ajuste final que a franquia necessitava. Ele realmente não poupa da violência e que consegue resgatar “vigor” perdido da saga. Além de ser o mais bem dirigido de todos.

Jogos Mortais 6 encerra a franquia original com um desfecho que muitos fãs ou sensatos que acompanham a franquia desde o primeiro queria ver. Um filme que tem uma boa história (ou pelo menos conseguiu prender até o fim), boas cenas de gore, a melhor atuação de Tobin Bell de toda a série e principalmente temas que merecem uma boa reflexão. Mas infelizmente surgirá um novo capitulo da saga ano que vem, mas para aqueles que queriam acompanhar o grande plano de Jigsaw, o sexto é decisivo em tudo. Bem melhor do que finais das novelas da Globo, que sempre faz um grande desenvolvimento para entregar uma bosta, já Jogos Mortais 6 precisou saber acertar e errar para entregar um final digno de se ver.



Ficha Tecnica

Jogos Mortais 6 (Saw VI)
Diretor: Kevin Greutert
Elenco: Tobin Bell, Costas Mandylor, Besty Russell, Peter Outerbridge, Mark Rolston, Samantha Lemole e Shawanne Smith como Amanda
Gênero: Terror
Cotação 75%







Saw The Videogame
Plataformas: Xbox 360, Playstation 3 e PC
Produtoras: Zombie Studios e Konami
Gênero. Survivor Horror
Cotação - 80%

3 de novembro de 2009

[REC]²

Aprendemos que quando se faz uma continuação vem na mente dois tipos de vertente. Uma é para expandir o universo já que sabes que tem no material original, uma boa base para continuar contando algo. Ou encher os cofres de dinheiro sabendo que vai atrair o povo com os seus elementos pastiches e por muitas vezes, isso chama a atenção de desavisados. Pois bem, ainda to tentando encontrar como encaixar [REC]² nessas pragmáticas porém creio que tenho que criar uma nova.

O segundo filme começa momentos depois os eventos do primeiro filme e divido em duas partes. Na primeira parte acompanhamos um grupo de elite que vai entrar no prédio junto com um funcionário de saúde para saber o que aconteceu dentro desse prédio. Ao mesmo tempo, três adolescentes que estavam fazendo idiotices em um prédio vizinho vê um dos inquilinos tentando entrar no prédio e assim gravar algo “legal” porém a brincadeira chega longe demais.

Bem, primordialmente o filme repete o famoso lema de qualquer continuação que deu certo... Em time que se ganha não se mexe. Volta os diretores do original e também o seu produtor, Julio Fernandez, o mesmo que também produziu o remake do primeiro filme nos Estados Unidos e o estilo do filme também não muda, só ganha uma ótica a mais com uma outra câmera para dar um mesmo âmbito para uma mesma situação, porém sem profundidade.

A experiência de ser testemunha através de uma câmera ainda é um recurso que chama atenção, exemplo disso é o sucesso de Atividade Paranormal nos últimos dias no cinema e principalmente de como fazer susto com recursos simples e com pouco dinheiro. Mas ao mesmo tempo lembramos de Cloverfield que foi bem sucedido em mesclar elementos de Alternative Realty Game para mesclar com o filme. Até mesmo Diários dos Mortos conseguiu seu êxito em misturar ficção documental com zumbis sobre a importância dos meios de comunicação atual para demonstrar e esclarecer fatos que muitos consideram tabus.

Já no caso do espanhol [REC] é diferente. Muitos dizem que o filme é uma critica aos programas de TV aberta que está contagiado a cultura em si. Outros dizem que deflagra o problema de ocultações de grandes poderes sobre algumas determinadas situações. Em realidade, vejo [REC] como uma alegoria de sustos que no inicio tenta engatar com a questão do que é a força de bombeiros (que no remake foi melhor executado) e que depois se torna um carnaval de gritos histéricos e sustos que conseguem esconder seu ponto fraco.

No segundo filme consegue ser pior ainda porém com elementos novos como câmeras no capacete dos policiais, assim lembrando aquela seqüencia de Doom, o problema é que a condução dos personagens é tão idiota que faz essa mesma seqüencia do filme de Doom virar clássica. Fora algumas situações que conseguem fazer as cenas mais constrangedoras de Arrasta-me Para o Inferno serem... Sérias. E os argumentos para acontecer o segundo filme conseguem ser ainda mais sem pé e nem cabeça dando a oportunidade do espectador se estourar de rir de tanto ridículo ou sair da sala de cinema sabendo que gastou uma nota preta com isso.

Eu pensava que não poderia ser melhor do que o primeiro, mas consegue ser extremamente pior do que o primeiro. Acredito que conseguiu ser o pior filme do ano. Tudo que tinha do que alguns acreditavam que era decente facilmente desaparece no segundo filme. Acredito que ele aparece como uma terceira vertente da saga de sagas, de como consegue meter os pés pelas mãos usando praticamente os mesmos argumentos. Resumindo, um verdadeiro lixo atômico.
Ficha Tecnica
[REC]²
Diretores: Jaume Balagueró e Paco Plaza
Elenco: Manuela Velasco e outros.
Gênero: Horror (se bem que poderia ter sido comédia)
Cotação: 00% - BOMBA

2 de novembro de 2009

Clube da Luta e Eu




Parece que foi ontem e quando olhamos e percebemos, já se passou 10 anos da estréia de um dos melhores filmes que já vi em minha vida, e de muitos que conheço. O clássico supremo de David Fincher, Clube da Luta, que conta no elenco Brad Pitt, Edward Norton e Helena Bonhan Carter. Mas também não devemos esquecer que no dia 3 de novembro de 1999, data do meu aniversário, foi o dia que Clube da Luta se tornou essencial em minha vida e traumatizante para muitos.

Nessa noite do dia 3 de novembro, um maníaco entrou na sala de cinema em São Paulo e metralhou as pessoas que estavam dentro do cinema e ainda bem que tinham poucos, mas mesmo assim teve vitimas fatais. Lembro-me na época que todos os meios de comunicações possíveis diziam que o filme era culpado pelo comportamento, assim coroando as problemáticas de “filmes violentos” junto com o fato de Columbine nos Estados Unidos que até hoje juram que Matrix influenciou os assassinatos.

Ainda lembro minha mãe ficando estarrecida pelo fato do filme e ainda mais, por que ela sabia que estava louco para assistir e me proibiu durante alguns meses de mencionar o nome do filme para ela por causa da tragédia. Depois acompanhando quase todos as noticias possíveis, lembro de uma que passou no Programa do Ratinho onde mostra um dialogo no inicio do filme do personagem de Edward Norton reclamando do seu trabalho e como um condutor que sabe bem medir suas palavras, Ratinho não poupou o filme.

Porém dias depois foi descoberto que em realidade, o massacre foi incrivelmente planejado pelo autor do crime já que viu o filme dias antes e até escolheu o momento certo do tiroteio. E com isso o debate continuou durante alguns anos. Quando eu vi o filme, ainda me lembro como eu fiquei arrepiado com tudo aquilo. Mainha no inicio ficou aterrorizada com tanta violência, porém ela viu que consegui ver algo além disso. O roteiro de Jim Uhls e baseado no livro de Chuck Palahniuk faziam não só apenas uma visão estranha de se sentir livre com o pulsar da violência. Mas já demonstrava e fazia uma critica pesada a sociedade pós guerra fria que começou a entrar em uma avalanche capitalista ferrenha no qual a pessoa esquece sua vida e começa a viver baseado no que consume do que realmente é.


E se não fosse a química indispensável de Norton e Pitt, praticamente não existira Clube da Luta já que eles são a alma de personagens que são encantadoramente violentos que conquistam o carisma do espectador em suas primeiras cenas. Porém o show se reside em Brad Pitt. Um personagem que acreditamos que é tal amoral quanto sua filosofia, porém sua construção é tão incrível que ficamos no final, sufocados e ao mesmo tempo admirados com sua tamanha atuação e entregar uns dos personagens mais marcantes do cinema.

Até hoje não acredito que o filme seja violento, afinal não foi só apenas provado que por muitas vezes para desvirtuar um desequilíbrio emocional, alguns usam o recurso de jogos, musicas e filmes para provar o quanto é ao mesmo tempo falho em assumir que é um álibi por muitas vezes perfeito. Não podemos esquecer que também foi um dos temas levantados em Pânico 2 no qual um dos assassinos queria culpar o filme fictício para justificar seus atos.

Hoje, vejo todo santo ano Clube da Luta e toda vez vejo uma coisa nova. Mainha compreende que amo o filme e até hoje sonha em me dar o DVD especial do filme. Pelo menos pode ser aqui o post de aniversário que deveria ter feito no começo de maio, sendo que por muitos problemas técnicos, pessoais e etc, não deu para concluir alguma coisa. Pelo menos hoje no meu aniversário posso fazer alguma coisa. E além disso, Clube da Luta sempre será um filme de dizer palavras por que é difícil encontrar tais verbos para ele ... abraços a todos.