Diario de Viagem em Buenos Aires Parte II - A chegada / Iniciando as festividades do Ano 4

Uma metrópole no horizonte. Cheguei a Buenos Aires, mas incrivelmente, não pisei em Buenos Aires primeiro. Aqui, a maioria dos vôos sai em Ezeiza, uma província meio distante da capital federa. Quem me recepcionou foi o meu assessor do intercambio, Robson. Também veio com ele sua assistente Priscilla e o meu amigo que me convenceu a estar aqui, Luiz Humberto. Uma das primeiras coisas que eu fiz foi agradecer a todos por eu estar aqui e após esse momento ir para o locutório, lugar onde você pode ligar para onde quiser, já que é melhor usar isso do que orelhão. Liguei para mainha e não sei como, não consegui expelir tudo que eu queria falar, tive que falar breve para não ficar tão caro a ligação, já que aqui,se ligar fixo para fixo gasta muito pouco. O máximo que conseguir falar foi: mainha, seu filho está na Argentina.

Depois de uma maratona dentro de uma maquina voadora, comecei a tentar dialogar com o povo daqui. É realmente estranho já que eu pensava que falava péssimo, e chego aqui vejo o povo além de falar extremamente rápido, muito baixo e em muitos momentos, incompreensível até para eles mesmos. Pegamos um taxi pelo serviço de aeroporto com um motorista gordo e muito simpático. Durante a viagem, ele me amostrou vários lugares como onde fica o CT da seleção argentina de futebol, povoado de Ezeiza e uma outra província.

Durante essa viagem não conseguir desvincular esse momento da chegada com muitos momentos onde eu estava na BR 232 chegando de Petrolina para Recife e vendo as matas e os concretos que existem por esse caminho. O motorista por incrível que pareça lembrava e muito o meu pai em um sentido curioso, não por aspecto físico, já que painho é bem mais magro do que ele, mas na questão de saber pisar fundo mesmo. Ele ia a 120 km/h como se estivesse a 60 e nada no muito atrapalhava o caminho dele.
Tanto Luiz quanto Robson ficavam perguntando a mim sobre a minha sensação, na hora eu não conseguia falar nada ou falava besteira, por que o que ocorreu para mim foi como se eu colocasse aqueles óculos de Eles Vivem e visse um novo mundo e a percepção estava ainda salivando por novos momentos. A estrada era bem reta e os carros praticamente não paravam, só quando apareceu o primeiro pedágio é que realmente entramos em Buenos Aires.

Contraste de luzes, cores e concreto. Isso é que eu posso dizer inicialmente de Buenos Aires. Após ele entrar várias ruas que eu não conseguir compreender, cheguei na minha primeira estadia, em um albergue na Avenida Belgrano. O estilo arquitetônico lembrou uma seqüência curiosa em 007- Os Diamantes são Eternos quando James Bond vai ao encontro de Tiffany Case, belo que só, apesar de ser um pouco do que eu sou (ou era) acostumado. e depois disso, a ficha caiu. João Paulo, estas tão longe que nem imaginas, você irá viver algo diferente, algo único, iras ver que você se despediu de si quando pisasse na sala de embarque em Recife e que sua essência está em sua casa, protegendo a sua mãe, sua irmã, sua família e seus verdadeiros amigos. Parece que quando olhas no espelho, consegues distinguir quem você foi e o que você é hoje. Como em Fade To Black do Metallica “Ele era eu, mas ele se foi” O que se foi está em um lugar especial, no coração de todos que querem o seu bem.

O momento cinema do texto nem chega ser uma resenha de um filme, mas sim o primeiro passo do especial do mês de aniversário do blog, em rumo ao ano 4 e percebendo que estamos acabando uma década, poderemos discutir ou expor opiniões curiosas de uma década que para o cinema pode ser um dos mais importantes e polêmicos desde anos 80. Mas iniciando esse momento especial, é bom lembrar de fatos desse ano que começou para o cinéfilo, cheio de perguntas e respostas.

É perceptível que a chave esse ano se baseia em uma palavra: simplicidade. Imaginava que iríamos ver isso em filmes simples e ingênuos mas pela grata surpresa, a maioria dessa palavra chave está nos melhores filmes que vi no começo de 2009. A começar pelo topo do ano (e dificilmente de ser batido) O Lutador. O filme tem todos os elementos mais básicos de se fazer um filme, um roteiro adequado, uma direção com pouca movimentação de câmera, linguagem acessível, ou seja, fatores elementares para uma boa película. Entretanto, o que faz dele ser o melhor filme do ano?

Outro filme que também alcança esse top é a dramédia Simplesmente Feliz, que ainda consegue ter características mais pertinentes para contar a rotina de uma professora primaria que exalta riso e felicidade que tenta fazer uma carteira de motorista. a partir desse pressuposto sai outra pergunta, que esses dois filmes, além da simplicidade, serem películas maravilhosas?

Essa resposta está tão evidente que soa comum dizer isso, mas se alguém me contar outra palavra para isso, eu iria agradecer e muito: dedicação de todos para o projeto. O Lutador foi feito com tanto amor e dedicação de seus realizadores que ficamos até atordoados ao final do filme tentando saber ou achar palavras do que viu. A linguagem de Darren (o nome do cara) aplica no filme para o publico é algo que poucos conseguem transgredir como ele conseguiu. A direção dele faz com que o espectador seja uma pessoa que está ao lado do personagem, que interage com ele, que sinta todos os momentos. E ainda com atuações soberbas de Mickey Rourke e Marisa Tomei (JIZUZZZ) não fica muito difícil dizer que esse filme é apenas ótimo para baixo, mas sim uma obra prima contemporânea que vai ser dificilmente esquecida para quem viu e está com lugar garantido no Top da década.

Em Simplesmente Feliz, o negocio é mais interessante. O roteiro de Mike Leigh tem uma falsa proposta de fazer o espectador seguir uma rotina dessa professora de primário, mas sim fazer um debate e uma reflexão sobre a dificuldade de felicidade que acontece nos últimos anos. Parece que a sociedade está perdendo essa noção de uma sensação boa e que quando nos deparamos com uma pessoa como essa, a irritabilidade visível e transparente, mas será que somos nós que estamos vivendo assim? Com essa infelicidade em nossos peitos ao ponto de brigar com o outro por causa dessa felicidade inquestionável. Apoiado com uma trilha deliciosa, uma atuação digna de Oscar mas infelizmente esquecida de Sally Hawkins e uma direção segura e precisa, faz com que esse filme seja também um dos melhores que já vi esse ano.

É possível acreditar que muitas vezes pode ser deixado de lado a questão da megalomania cinematográfica e fazer projetos que não tem apenas o pé no chão, mas sim a entrega dos envolvidos a obra, tomando como exemplo, a renuncia de beleza de Michelle Williams para fazer Wendy & Lucy e com isso incorporar sua melhor interpretação e o seu devido respeito como atriz. Outro exemplo também a se tomar é da animação francesa Fear(s) of The Dark que tem como sua principal característica a dedicação dos diretores as suas histórias que envolvem como ponto de partida, o sentimento do medo.

Depois tem mais relatos de viagem e mais relatos cinematográficos e com um assunto extremamente polemico. Abraços a Todos!

Comentários

  1. João, está sendo bem legal acompanhar esse seu diário de viagem! E eu quero muito ver "Simplesmente Feliz", mas acho difícil que o filme acabe chegando por aqui.

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  2. Puxa, essa experiência deve estar sendo maravilhosa, algum dia quero passar por algo semelhante. Aguardo mais relatos da viagem!

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  3. Tô adorando o "diário"! Continue. =D

    Ciao!

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