27 de novembro de 2008

O Sonho de Cassandra

O Sonho de Cassandra, penúltimo filme de Woody Allen, é uma tragédia. Mas antes das perguntas, não podemos esquecer de um conceito importante sobre a tragédia. O conceito grego da palavra tragédia definia acima de tudo uma forma artística, ou algo que acontecia entre os grandes expoentes da arte. E ainda na concepção de Aristóteles, uma representação imitadora de uma ação séria, concreta, de certa grandeza, representada, e não narrada, por atores em linguagem elegante, empregando um estilo diferente para cada uma das partes, e que, por meio da compaixão e do horror provoca o desencadeamento libertador de tais afetos.

Os irmãos Terry e Ian conseguiram o seu maior sonho de infância, comprar um pequeno veleiro, para eles. Como homenagem a esse feito, Terry batiza o barco com um nome curioso: O Sonho de Cassandra, por causa do nome do cachorro que ele ganhou em uma aposta em uma corrida de cachorros. Os dois irmãos têm uma ligação extremamente forte, apesar das suas diferenças. Terry apesar de ser um cara simpático, é um apostador invertebrado; enquanto Ian apesar de sua calma aparência, é um ambicioso e que não ter ficar no restaurante de seu pai.

As complicações aparecem para os dois em dois modos distintos. Enquanto Ian está saindo com uma atriz de teatro de uma peça trágica e por causa dela quer mudar imediatamente de vida, Terry apesar de gostar se arriscar nas suas apostas, praticamente perdeu uma grande quantia em dinheiro. A solução para os dois é pedir ajuda ao tio deles, Howard, que é um empresário bem sucedido. Howard tem uma grande disposição em ajudar os dois, mas em troca ele pede um favor que praticamente irá mudar a vida dos dois irmãos.

O roteiro de Allen tem como linha de raciocínio de criar uma tragédia grega ao pé da letra contando uma história gradual de atos e conseqüências por um bem comum a todos: a família. É perceptível ao publico mais atento as referencias a outras tragédias gregas como a história de Medeia e ao próprio nome do barco/filme, no qual, diz a história que Cassandra era uma profetiza da mitologia grega que previa inúmeras tragédias. A maior tragédia que ela previu foi a queda de Tróia, mas o seu pai, o rei Príamo não acreditou e momentos depois, o império troiano caiu.

Woody Allen tem sempre ao seu favor, um elenco afiado no qual parece que a cada momento crescia em tela. Apesar de aparecer pouco, Tom Wilkinson faz um personagem essencial que faz desentoar o filme para um suspense atenuante e sufocador. Sally Hawkins é a melhor que atua na ala feminina do filme. Ela interpreta a esposa de Terry, a Kate. Apesar da beleza dela não ser tão maravilhosa, ela faz uma personagem segura e preocupada com o seu marido. E fiquem de olho nessa atriz para o filme Happy Go-Lucky, no qual ela faz uma grande interpretação.

Mas eu nunca pensaria em dizer isso, mas o filme é de Colin Farrell. Considero ele um ator muito mediano e que tinha muita sorte em estar em filmes de ponta. Mas depois do vexame que foi Alexandre, provavelmente ele foi mais cuidadoso em suas escolhas e o primeiro passo da mudança foi com certeza em O Sonho de Cassandra. Woody Allen explora até o osso o talento oculto do ator e ele entrega se não for uma das melhores, a atuação da sua vida. Ele consegue levar ao extremo o personagem e com isso ele faz com que o espectador fique preocupado e ansioso por ele. E agora com Na Mira do Chefe e o inédito Força Policial, Farrell pode provar o que estava oculto em seu ser: um talento inquestionável. Ewan McGregor também dá show, mas é tranquilamente engolido por Farrell em todas as cenas, principalmente no clímax do filme.

O Sonho de Cassandra é uma tragédia grega sufocante com uma interpretação monstruosa de Colin Farrell. Allen transparece ao publico a habilidade de criar uma história envolvente sem cair na piegas. Um suspense elaborado apenas em uma premissa macabra e que deixa o espectador com a falta de ar até o seu final. Admito que foi a minha primeira experiência com Woody Allen e sei que preciso aprender muito mais sobre esse incrível cineasta que merece o respeito. O Sonho de Cassandra é um filme que sintetiza o valor artístico de tragédia. Entrou fácil como um sonho entre os melhores do ano.

Ficha Tecnica
O Sonho de Cassandra (Cassandra's Dream)
Diretor: Woody Allen
Elenco: Colin Farrell, Sally Hawkins, Ewan McGregor, Hayley Atwell e Tom Wilkinson
Gênero: Drama/Suspense
Cotação: 84% - Filme Indispensavel

24 de novembro de 2008

Pineapple Express - Segurando as Pontas

Pineapple Express – Segurando As Pontas, novo filme da trupe de Apatow talvez seja um dos filmes mais completos do ano. Estrelado por Seth Rogen e James Franco corre mais uma vez de ter a sua estréia aos cinemas limada e mais uma vez, assim como as ultimas produções de Apatow como Ressaca de Amor e A Vida É Dura ir diretamente as locadoras. E mais uma vez, a trupe de Apatow acerta, porém de um jeito diferente.


Dale Denton é um agente judiciário que tem como serviço entregar citações, uma namorada que ainda está na escola e tem praticamente uma vida ordinária, comum. A não ser por uma coisa, ser um maconheiro. Ele tem como melhor amigo, o seu próprio traficante, o totalmente dopado Saul, que mostra um tipo raro de maconha chamada Expresso Abacaxi. Antes de entregar mais uma citação judiciária, ele puxa a erva e sem querer testemunha um assassinato envolvendo um poderoso e uma policial. O problema é que durante a fuga, ele joga a bituca da maconha e o assassino sabe quem é o único proprietário da maconha, o dopado Saul. Daí começa uma caçada no mínimo, bizarra.


A história de Seth Rogen, Evan Goldberg e Judd Apatow poderia gerar de inicio um longo e cansativo debate sobre o uso e legalização da maconha, mas por sorte o próprio filme fica longe disso e tem todos os recursos da trupe como diálogos dinâmicos, humor rasgado e a valorização da amizade. Nada contra isso, é bom demais a dinâmica deles em tratar de assuntos sensíveis dando mais qualidade ao cinema. Mas para alguns já pode ser considerado um ponto de cuidado já que quando se repete demais um tema, o medo da previsibilidade no próximo filme deles se torna prioridade, mesmo com o filme sendo bom.


Quando todos dizem que James Franco deu uma atuação incrível, acreditem, é uma certeza. Como o traficante boa índole Saul, James Franco dá um show incrível e ainda protagoniza os momentos mais engraçados do filme e inclusive o momento mais dramático. Também Seth Rogen dá vida a Dale Danton um personagem desengonçado, mas que consegue cativar o espectador e rir dele em muitos momentos. E continuem ficando de olho em Danny McBride, o cara realmente tem um faro pra comedia que é de tirar o chapéu.


Mesmo com o roteiro mostrando padronização das histórias de Apatow e companhia, o diferencial está na direção. O nome de David Gordon Green foi a escolha mais acertada para essa produção. Mesmo carregando na bagagem filmes extremamente sérios, Green consegue captar momentos incríveis nesse filme principalmente nas seqüências dramáticas e de ação, dando destaque a perseguição com os carros da policia.


Segurando as Pontas consegue ser um projeto de resultado inusitado. Ao mesmo tempo consegue ser o menos engraçado da trupe, tem como contra ponto em ser um filme de ação/suspense acima da media. Soa muito como uma fita de ação sendo protagonizado por dois chapados onde cada vez que ficam doidões mais a diversão aparece. Não pode ser um filme para rir, mas mesmo assim é um grande filme.


Ficha Tecnica
Pineapple Express - Segurando as Pontas (Pineapple Express)
Diretor: David Gordon Green
Elenco: Seth Rogen, James Franco, Gary Cole, Rosie Perez, Amber Heard, Nora Dunn, Kevin Corrigan, Craig Robinson, Ed Begley Jr., James Remar, Bill Hader e Danny Mcbride
Gênero: Comédia/Drama/Ação/Suspense
Cotação: 71% - Filme Indispensável

21 de novembro de 2008

Os Estranhos

Uma mentira muitas vezes contada se torna real. Essa estratégia tem dado certo em muitas vezes no cinema e principalmente no âmbito do horror. Não podemos esquecer do jeitão documental fictício que A Bruxa de Blair e O Massacre da Serra Elétrica deixaram por muitas gerações, principalmente esse último onde até hoje, muito crêem que realmente os 33 assassinatos cometidos pela família Hoyt é verdade. E no filme Os Estranhos, utiliza o recurso de que foi inspirado em um evento real, mas até que ponto?

Um casal é surpreendido no meio da madrugada por um grupo mascarado criando medo. Pronto. Essa é a história do filme. Os Estranhos é estrelado por apenas Liv Tyler e Scott Speedman. Também é o longa de estréia do diretor Bryan Bertino. O filme que deveria ter sido lançado no final do ano passado chegou com um relativo atraso e pior ainda no Brasil. O filme ganhou um premio em especial que foi o Scream Awards 2008 de Melhor Atriz de Horror para Liv Tyler derrubando a favorita de muita gente que foi Belen Rueda em O Orfanato.

Ai pensa: “cara, em uma frase dá para se resumir a história do filme toda, então não existe roteiro, certo?”. Para dá uma falsa ajuda, o filme praticamente não tem muitos diálogos. Mais é ai que reside a força do filme. A linguagem que é demonstrada no filme é praticamente a mesma em um livro, parece que cada gesto ou situação é descrita com tanta veracidade que o espectador fica preso ao filme. Lembrando um fato curioso da trilogia do mariachi de Robert Rodriguez, no qual a cada filme que se passa, a história do musico que carrega uma maleta cheia de arma é aumentada e contada de um modo diferente. Assim pode ser lembrado o roteiro de Os Estranhos, pode ter sido alterado no meio do caminho, mas a sua execução é tão correta que leva a concluir que não importa o que aconteceu na real, sabendo contar ao seu modo o que ocorreu consegue ser mais emocionante.

A direção de Bryan Bertino é algo insano. Bryan é praticamente um aluno aplicado e dá uma verdadeira aula de como criar tensão e medo. O uso sábio do cenário, do silencio, dos detalhes de cada local, o tom alaranjado em muitas cenas dando uma coloração belíssima a muitas cenas e principalmente usar para si as vantagens que o roteiro dá. Isso poucos conseguem. Ao contrario de muitos filmes de horror que quer dá uma de surpreendente trazendo altas jogadas para mexer o publico, mas no final mostra toda a sua fragilidade entregando muitas vezes momentos vexatórios que fazem esquecer o que foi o filme.

Os Estranhos consegue ao lado de Cloverfield em ser o melhor filme de horror do ano. E o principal fator dele ser isso é com certeza em não enganar o seu publico querendo dá uma de surpreendente e sim ser direto. Um exercício pratico e eficiente de sentir medo e apreensão em uma hora e pouca. E que fique de lição para os próximos filmes de horror: quer criar medo em seu espectador? Crie um vilão com um motivo tão torpe e ao mesmo tempo tão assustador que cada ato, cada movimento seja tenebroso e único.

Ficha Tecnica
Os Estranhos (The Strangers)
Diretor: Bryan Bertino
Elenco: Liv Tyler e Scott Speedman
Gênero: Horror/Suspense
Cotação: 79% - Filme Indispensável

20 de novembro de 2008

O Traidor

Lembro-me de um comentário muito curioso em Leitura Dinâmica reclamando do fracasso comercial do filme Rede de Mentiras de Ridley Scott por causa da falta de fôlego e cansaço dos filmes onde o foco são os conflitos políticos no oriente. Também não pode esquecer do foco de renovação que se alastrou como uma febre por lá pelo fato da vitória de Barack Obama e a esperança de que os envolvimentos dos EUA com a guerra contra o terror cheguem ao fim.


Parece que o cinema foi praticamente um exorcista dessa mancha atual dos nortes americanos. Principalmente nos filmes que mesmo com uma mensagem inflamada de paz com intenção de guerra nas entrelinhas. E logo quando o povo se cansou do câncer da sociedade, eles conseguem lançar um dos filmes mais coerentes sobre os conflitos que explodiram de uma maneira devastadora a sociedade global: O Traidor.


Dirigido por Jeffrey Nachmanoff, O Traidor tem no elenco Don Cheadle, Guy Pearce e Archie Panjabi. O filme teve uma media relativa no site Rotten Tomatoes, mas foi o primeiro filme a receber o estigma do cansaço do tema, depois foi o filme de Ridley Scott. Mas por ser um filme independente, não teve tanto prejuízo que teve Rede de Mentiras, que tinha no orçamento de 70 milhões e ainda nem se pagou nos EUA e no mundo, já que O Traidor tem um orçamento de 22 milhões e praticamente já se pagou.


Provavelmente essa vibe pós-11 de setembro praticamente tem seus dias contados. Não se sabe dizer com a plena certeza, mas por um lado foi até curioso esse ataque. Parece que o cinema aflorou o verdadeiro sentimento do americano, aquele gigante que estava vivendo ocultamente com o desejo de matar gente inocente com um legado falso. Muitos filmes refletiram isso em longas de drama, principalmente Crash – No Limite onde para muitos é a pura realidade naquele momento. Outros exemplos importantes sobre essa situação foram com certeza Leões e Cordeiros, O Caminho Para Guantanamo e O Preço da Coragem, no qual mostram quem realmente sofrem nessa situação.


O roteiro é de Jeffrey Nachamanoff em parceira com Steve Martin, sim o comediante Steve Martin, e apesar de ser extremamente previsível, ele consegue prender a atenção do espectador do inicio ao fim. Don Cheadle dá praticamente uma aula de atuação, criando um personagem difícil de ser lidado junto com momentos conturbados em que a história carrega. Também não pode deixar de elogiar a atuação de Said Taghmaoui, o amigo do personagem de Cheadle. O único problema é a atuação nula de Guy Pearce que praticamente é um coadjuvante de luxo que deveria ter importância e não faz absolutamente nada.


O Traidor tem uma direção segura, um bom casting, um roteiro que o espectador comum gosta por ser bem amarrado e conciso, e principalmente tem um conteúdo que vale a pena ser discutido. Provavelmente esse e Rede de Mentiras poderão ser lembrados como filmes que debateram com seriedade o tema tão espinhoso. Isso se no futuro próximo quererem ressurgir o mal adormecido.


Ficha Tecnica

O Traidor (Traitor)

Direção:Jeffrey Nachamanoff

Elenco: Don Cheadle, Guy Pearce, Archi Panjabi, Said Taghmaoui e Jeff Daniels

Gênero: Drama/Policial

Cotação: 68% - Filme Assistivel

16 de novembro de 2008

A Comédia E Seus Contrastes: Judd Apatow e John C. Reilly

Todo ano tem sempre aquele que se destaca em algum ramo. Esse ano foi fundamental para compreender uma coisa: as parodias pré-fabricadas e alguns atores que já perderam a graça não são o tom da vez. Esse ano, o sucesso da comedia está em dois nomes, em um produtor e um ator: Judd Apatow e John C. Reilly. Alguns projetos deles dois nesse ano foram praticamente os destaques de 2008. Judd produzindo Ressaca de Amor: Esquecendo Sarah Marshall e A Vida é Dura e John C. Reilly protagonizando A Vida é Dura, A Promoção e o ápice do riso, Quase Irmãos.

Judd Apatow não é um diretor maravilhoso, Ligeiramente Grávidos é a prova concreta disso. Mas ele por trás, produzindo algumas comédias é praticamente um midas: tocou, virou ouro. Esse ano praticamente o que ele produziu caiu nas graças da critica mas por incrível que pareça, parece que esse potencial ainda não foi descoberto aqui na nossa terrinha.

Em Ressaca de Amor, ele produz um romance que começa com um fim. O filme conta a história de Peter Bretter (Jason Segel) que tinha tudo perfeito ao seu redor, principalmente por estar com a bela Sarah Marshall (Kristen Bell) mas tudo vira um pesadelo quando ela rompe com ele. Após de um tempo em lagrimas, ele aceita ajuda de seu meio irmão Brian (Bill Hader) para ir ao Havaí, mas ele descobre que no mesmo hotel que ele vai se hospedar, descobre que seu ex-amor está junto com o roqueiro bizarro Aldous Snow (Russell Brand).

O roteiro de Jason Segel trata de um jeito hilário um ponto de vista que é difícil ver em um filme romântico, no qual é o sofrimento do homem após a quebra do relacionamento. Além de ter ótimas piadas e situações, o maior destaque foi a cena constrangedora do rompimento. Além disso, todos no elenco estão extremamente afiados dando destaque a Russell Brand que praticamente rouba o filme a cada momento, principalmente quando ele canta umas das melhores musicas do ano “Inside of You” e se você ficar cantarolando no final do filme, não é impressão sua.

O grande diferencial desse filme não é tão clichê e nem superficial. O filme é um romance gostoso de se assistir mesmo com o gosto libidinoso inflamado em algumas cenas. Mas pelo menos o gosto de doçura está longe de matar uma pessoa de diabete com tanta glicose, tem pimenta suficiente para deixar o espectador louco para rever novamente. O melhor filme romântico do ano com folgas e tranqüilidade.

Judd Apatow produziu um filme de parodia, mas a ultima coisa que esse longa consegue é ser tão pastiche em comparação a trupe que faz atrocidades como Os Espartalhões, e qualquer porcaria que termina em Movie. A Vida é Dura: A História de Dewey Cox conta a história fictícia de Dewey Cox, um cantor que marcou a história da musica americana, onde cada single lançado era sucesso absoluto.

O roteiro de Judd Apatow e Jake Kasadan mesmo lembrando muitas biografias lançadas como Walk The Line e Ray, ele segue uma sistemática padrão no qual é mostrar o inicio, as glórias, os vícios, o declínio e a consagração total do artista. Também o filme satiriza os encontros de Dewey com Elvis Presley, Buddy Holly e The Beatles. Mas o grande destaque está em vários diálogos memoráveis e engraçados.

John C. Reilly está praticamente impagável como Dewey Cox, em alguns momentos o filme consegue fazer acreditar que ele é uma pessoa real. Ele consegue trazer seriedade e fazer rir em muitas cenas, trazendo um toque único a ele. Merecido a indicação ao Globo de Ouro como melhor ator de comedia. Além disso, não pode esquecer a participação hilária do cantor Jack White como Elvis Presley com um sotaque bizarro e muito divertido.

O único ponto negativo é o dvd nacional, no qual a curta duração do filme corta todo o prazer dele no qual ele não só apenas encarna como uma simples parodia, mas sim uma jornada curiosa que nos lembra qualquer cantor, no qual a importância é marcar a vida de todos, mesmo com uma canção. Uma surpresa esse ano, um musical decente e com um final surpreendente emocionante. Procurem a edição estendida.

Nesses dois filmes de Apatow são visíveis algumas características como chamar os coligados de alguns filmes como Paul Rudd, Jonah “tomelirolla” Hill, Bill Hader e entre outros; O balanceamento entre sensibilidade com o escracho rasgado e chamar pessoas competentes para os seus filmes. Porém Judd Apatow tem ao seu lado um dos grandes atores de Hollywood no qual é John C. Reilly que esse ano está impagável.

Em um outro filme, de cunho independente, John C. Reilly divide a tela com Seann Willian Scott em A Promoção. O filme é dirigido pelo mesmo roteirista de A Procura da Felicidade, Steve Conrad e têm ainda no elenco Jenna Fischer (que também contracenou com Reilly em A Vida É Dura) e Lili Taylor. Estreou em poucos cinemas nos EUA, chegando rápido ao mercado de DVD e ninguém sabe se o filme poderá chegar aqui no Brasil.

O roteiro de Steve Conrad foca muito uma situação por um lado, constrangedor e por outro comum, no qual é a luta desleal eticamente por um cargo maior na empresa. Mesmo sendo comedia, ele não quer fazer piadas para fazer rir o espectador, mas sim que o espectador reflita em situações bem humoradas a dificuldade no mercado de trabalho. Além disso, o filme tem umas das melhores atuações de Seann Willian Scott e John C. Reilly dando suporte fazem com os personagens deles sejam daqueles que não conseguimos ter uma parcialidade e torcer para que os dois se dêem bem.

A Promoção é uma comedia ética que preza o humor criado no mercado de trabalho e trata de uma maneira simples e criativa. O filme prova que muitas vezes o mais engraçado nunca será em uma piada contada, mas sim na articulação de uma situação que se aproxima no mundo do espectador que já passou por uma situação de rivalidade no trabalho. Não é a melhor comedia, mais vale uma conferida.

Mas o show de Reilly está junto com seu parceiro Will Farrell retomando a química incrível em Ricky Bobby em Quase Irmãos. A história é um pastiche só: dois quarentões praticamente irresponsáveis têm que se aturar como meio-irmãos por causa do casamento de seus respectivos pais. Mas as vagabundagens dos dois ameaçam o matrimonio de seus pais e eles tentam bolar um plano para salvar o casamento deles.

A história foi escrita tanto por Farrell quanto Reilly e fala de uma maneira bem humorada a situação que na realidade é muito chata, no qual é o segundo casamento dos primogênitos, eles exploram no filme situações que constrangem tanto o padrasto quanto a madrasta. Mas nesse meio termo aparecem situações hilárias inesquecíveis que ao ficar na cabeça do espectador por um longo tempo principalmente a seqüência da bateria.

As atuações dos dois atores são uma das coisas mais fantásticas do filme, parecem mesmo que eles são irmãos. A química deles se fortalece muito mais nesse filme do que Ricky Bobby, eles conseguem fazer improviso na maioria das cenas no quais contracenam dando um brilho único ao filme. Não pode esquecer também da participação hilária de Seth Rogen como um atendente de loja.

Um filme genuinamente engraçado, uma nova jóia da comedia americana. Uma prova que um time que se ganha não se mexe e assim entregando ao publico um conto diferente de responsabilidade e amor a família, no qual, o mais importante é que exista a harmonia entre ambos. A melhor comédia do ano com folgas e tranquiliade. É mais uma vez Judd Apatow e sua trupe mostrando que bons ventos estão batendo na porta do espectador que não quer só rir, mas sim tirar bons frutos dessa colheita maravilhosa.

Com certeza o ano de 2008 pertence a eles. Se a comedia continuar assim, com pessoas competentes e talentosas por trás e principalmente atuando. Podemos ter certeza que teremos risos garantidos por um longo tempo. Mas infelizmente teremos comedias sem graças de Eddie Murphy, dos acéfalos de As Branquelas e o que se dizem comediantes e criadores de parodias infames que terminam em Movie ainda irão reinar nos cinemas. Mas se verem “Da mesma trupe de Superbad ou Ressaca de Amor” podem ter a certeza, é garantia de risos.

Fichas Tecnicas

Ressaca de Amor - Esquecendo Sarah Marshall (Forgetting Sarah Marshall)
Diretor: Nicholas Stoller
Elenco: Kristen Bell, Jason Segel, Russell Brand, Mila Kunis, Bill Hader, Liz Cacckowski, Jonah Hill, Paul Rudd, Jason Bateman e Billy Baldwin
Gênero: Romance/Comédia
Cotação: 85% - Filme Indispensável











A Vida é Dura - A História de Dewey Cox (Walk Hard - The Dewey Cox History)
Diretor: Jake Kasadan
Elenco: John C. Reilly, Jenna Fischer, Kristen Wiig, Tim Meadows, Raymond J Barry. Participações Especiais de: Eddie Vedder, Jewel, Jack White, Paul Rudd, Jack Black, Jason Schwartzman, Justin Long, Jane Lynch e Jonah Hill.
Gênero: Comédia/Drama/Musical
Cotação: 75% - Filme Indispensável
PS: Baseado na versão completa do filme (120 minutos) e não da versão nacional (95 minutos)









A Promoção (The Promotion)
Diretor: Steve Conrad
Elenco: Seann Willian Scott, John C. Reilly, Jenna Fischer, Lili Taylor, Fred Armisen e Jason Bateman.
Gênero: Comédia/Drama
Cotação: 65% - Filme Assistivel













Quase Irmãos (Step Brothers)
Direção: Adam McKay
Elenco: Will Farrell, John C. Reilly, Mary Steenburgen, Richard Jenkins, Adam Scott, Kathryn Hahn, Andrea Savage e Seth Rogen
Gênero: Comédia
Cotação: 86% - Filme Indispensável

14 de novembro de 2008

Max Payne


Quem ainda sofre com o maior descaso de adaptação decente cinematográfica é com certeza os adeptos de videogames. Soa até constrangedor perguntar para um fã de videogames qual foi a obra que conseguiu adaptar bem um jogo ao cinema. Exemplos tenebrosos ainda rondam as nossas mentes como a franquia de Resident Evil, Street Fighter, Doom, os filmes de Uwe Boll e etc. Esse ano tinha-se a esperança que Max Payne fosse um filme que conseguisse pelo menos lavar a alma das adaptações. Por um lado funciona, por outro, um ledo engano.


Max Payne foi lançado em 2001 e fazia um misto de clima noir com o John Woo. Uma das marcas registradas do jogo era o famoso bullet time quase semelhante ao de Matrix, sendo que no jogo era um bullet time misturado com câmera lenta que possibilita ao jogador usufruir do recurso para matar mais inimigos ou fugir do tiroteio. O jogo tem quatro modalidades sendo especial o ultimo no qual tem que matar todos os inimigos em um período de tempo no qual, expirado, o personagem morria.


O enredo do jogo é mais batido do que filme policial: Max Payne era um policial bem realizado, mas que sofre um terrível pesadelo ao ver sua amada, Michelle e seu bebê sendo mortos na sua frente. Após isso, ele vai trabalhar na narcóticos para desmontar uma quadrilha que vende uma droga chamada Valquíria mas ele descobre que tem algo muito grande por trás disso e ainda para completar, deflagra uma terrível conspiração.


A versão live-action ficou encarregado por John Moore, o mesmo rapaz que fez O Vôo da Fênix e o remake frustrante de A Profecia. No elenco ficou assim: Mark Walhberg como Max Payne, Mila Kunis como Mona Sax, o rapper Ludacris como Det. Jim Bravura, Kate Burton como Nicole Horne e Olga Kurylenko como Natasha Sax, a irmã de Mona Sax. A grande pergunta que ronda qualquer um é: agora vai?


O maior problema foram alguns cortes abusivos transformando o filme para 13 anos. Todo mundo que tem conhecimento do jogo, a ultima coisa seria um filme para adolescente. Pois bem, o pesadelo teve sua concretização, já que ele foi um dos filmes que certificaram a péssima fase da Fox alastrando o cinema com filmes fracos e de bilheterias medianas. Além dessas mudanças abusivas... E o filme?


Pois bem, o roteiro do live action começa muito bem fazendo um resgate ao filmes noir dando uma incrível veia investigativa, mas de uma hora para outra, o tom de velocidade de roteiro fica tão rápido que chega ao seu ápice de um jeito tão vergonhoso que quem não conhece o jogo vai pensar: Será que o jogo tem isso? Mas pelo menos o roteiro valorizou a dor do personagem deixando intacto e ainda com aquelas narrações depressivas sobre o triste pesadelo em sua vida.


Mark Walhberg consegue encarnar com uma boa personalidade e o seu estimga de policial durão para Max Payne. Até o porte da voz consegue ser tão sombrio quanto o personagem. Mila Kunis apesar de bela, ela está praticamente horrível como Mona Sax ficando o tempo todo com os olhos arregalados e portando uma metranca. Fora o momento vergonhoso para Chris O’Donnel que além de ter pouco tempo em tela, está triste de ruim. Apenas Olga Kurylenko consegue, além do Mark, fazer uma personagem a seu perfil, de uma misteriosa femme fatale que dá um charme a trama.


A direção de John Moore é por muitas vezes é segura ao tratar muito bem situações do jogo como as bullets time, uma Nova York noir lembrando vagamente Sin City, transportar o publico aos delírios da droga Valquíria e só. Mas com o medo de não fazer um filme violento, entrega ao espectador um filme de ação morno, sem nenhuma novidade, falta de tato para o filme do gênero e principalmente uma direção pacifica para quem sabe que a ultima coisa que Max Payne é... Pacifico.


Max Payne consegue ser dúbio: ao mesmo tempo ele consegue ser muito mais fiel ao clima do jogo, manter alguns aspectos importantes como os monólogos de Max e o bullet time, mas fracassa e feio como uma fita de ação que foi feito para agradar uma parcela, menos os próprios fãs do jogo. E ainda para piorar, Mark Walhberg nunca jogou o jogo com medo de se viciar. Mas se ele tivesse jogado, ele saberia que faltou muita coisa para o filme ser equiparado ao jogo. Fãs de videogame ainda vão continuar nesse caminho tortuoso com o alimento da esperança de que algum jogo conseguirá captar tudo que o seu respectivo game poderá propor ao cinema.


Ficha Tecnica

Max Payne (Max Payne)

Diretor: John Moore

Elenco: Mark Walhberg, Mila Kinus, Ludracris, Beau Brigdes,Chris O'Donnel, Kate Burton, Donal Logue, Nelly Furtado, Amaury Nolasco, Marianthi Evans e Olga Kurylenko

Gênero: Policial

Cotação: 32% - Filme Mais ou Menos

11 de novembro de 2008

Bond Is Back - Especial 007 - Quantum of Solace



Digam-me um personagem que conseguiu perpetuar ao longo da história do cinema com tanta veracidade quanto ele fez? Digam-me um personagem que praticamente mudou o jeito de fazer cinema de ação? Digam-me qual foi o personagem que suspira as mulheres de uma maneira explosiva? E principalmente, digam-me se existe alguma franquia que conseguiu a metade dos feitos que ele fez? Se a resposta é Bond, James Bond... Está extremamente correto. E Quantum of Solace chega aos cinemas nacionais com todo o vigor, mas como será a recepção para a mais nova aventura de James Bond?


Desde Cassino Royale, novamente o agente secreto caiu no gosto popular. Mas nem tudo são flores e ainda existe uma incrível racha entre os fãs. Uma parcela dos fãs do agente ainda não consegue aturar o ator Daniel Craig por muitas vezes não aparecer esteticamente, ou por carregar um comportamento extremamente diferente se for comparado ao anterior, Pierce Brosnan. Outro fato que incomoda é a comparação com o ex-agente desmemoriado Jason Bourne, por causa da valorização extrema pelas proezas de dubles e pelo ultra-realismo.


Colocando a real. Por incrível que pareça, foi uma opção acertada a escolha de Daniel Craig como o 007. Infelizmente é praticamente impossível ver outro ator que atende as necessidades atuais que o personagem carrega quanto Craig faz. Além disso, o ultra-realismo chega em boa hora, mas não por causa desse agente desmemoriado, mas sim pelo apelo do publico que não quer mais um personagem indestrutível e perfeito, mas sim um personagem crível que deixa uma sensação para o espectador que ele é uma pessoa comum, uma pessoa perceptível de falhas e sentimentos.


Voltando a falar um pouco de Quantum of Solace, a volta de Paul Haggis ao roteiro continua sendo um ponto forte para a nova saga de Bond e nesse filme apenas termina de lapidar a construção feita no filme anterior e resgata princípios importantes do personagem. Também vale a pena ressaltar o surgimento da nova organização criminosa que mesmo não sendo a SPECTRE, consegue ser tão calculista quanto à antiga organização. Outro fato curioso é o humor a trama, mesmo que muito pouca, o roteiro consegue extrair bons momentos de riso do espectador em algumas cenas.


A trilha sonora de David Arnold está crescendo a cada filme. Se em Cassino Royale ele fez a sua melhor trilha sonora, em QoS ele consegue estabilidade e consegue fazer uma ótima harmonia com a musica tema e a trilha original de 007. A musica tema “Another Way to Die” é o primeiro dueto das canções temas de 007 e praticamente foi um encontro inusitado entre Alicia Keys e o roqueiro Jack White. A canção inicialmente não desce bem por causa do embate de estilos que os interpretes tem, mas quando é visto os créditos iniciais junto com a musica, a saga entrega mais uma vez um conjunto certo e preciso de acordes e visual.


Assim como no filme anterior, a escolha do elenco é mais uma vez acertada. A escolha do ator experiente Mathieu Amalric para ser o vilão calculista em atos e sarcasmo deu um tom de seriedade e que faz com que a organização criminosa seja a grande vilã do filme. Olga Kurylenko prova ser uma Bond Girl ideal, mesmo não se relacionando com Bond, tem porte e beleza como toda Bond Girl deve ter, não pode ter entrado na galeria, mas com certeza chegou perto. Judi Dench mesmo aparecendo pouco, consegue ter um papel mais relevante do que o episódio anterior e aumentando a química com Daniel Craig.


Não dá para ficar indiferente. Daniel Craig faz uma interpretação espetacular nesse filme, elevando o que ele já tinha de diamante bruto em Cassino Royale. Em QoS ele é praticamente entrega uma atuação incrível fazendo com que ele seja um dos principais atrativos. Ele está mais seguro e a vontade em seu personagem. A lapidação do roteiro para o personagem por Haggis foi um fator fundamental para a entrega do ator para o papel. Não sei se isso pode ser vantagem ou não. Ele consegue ter uma grande vantagem para Brosnan no quesito de entrega ao personagem, ponto fundamental que foi um pouco esquecido.


Marc Foster torna um outro fator para assistir o longa-metragem. Imaginar um diretor de sensibilidade extrema conseguir conduzir um espetáculo que um filme de 007 já é o ingresso e ele surpreende em conduzir ótimos momentos de ação (dando destaque a seqüência no Panamá e os momentos finais) e momentos dramáticos. Fazendo com que se confirme que os diretores de drama têm um olhar mais profundo ao personagem quanto um diretor de ação. Assim como os diretores de filme de suspense tem uma tendência ao sucesso aos filmes de quadrinhos.


Quantum of Solace é um dos melhores filmes do ano. Fato. Tem belas atuações, ótimos momentos de ação e suspense, um roteiro que dá continuidade ao bom trabalho demonstrado no projeto anterior e principalmente um ator que dá mais emoção a um personagem que tinha esquecido o que sentir algo. Agora é como um Bond Movie é padrão, onde elementos da saga voltam e ao mesmo tempo, novas brechas são abertas. Hoje, as mudanças são bem vindas e necessárias, mas não podemos é prever como vai se comportar o publico atual daqui aos anos conseqüentes. Por que assim como nos filmes, a mentalidade do seu publico é mutável, mas não se sabe se vai melhorar ou piorar daqui em diante.


Ficha Tecnica
007 - Quantum of Solace (Quantum of Solace)
Diretor: Marc Foster
Elenco: Daniel Craig, Olga Kurylenko, Mathieu Amalric, Giancarlo Giannini, Gemma Arterton, David Harbour, Jesper Christensen, Jeffery Wright e Judi Dench.
Gênero: Ação/Aventura
Cotação: 90% - Filme Indispensavel

9 de novembro de 2008

Bond Is Back - Especial 007 - Segunda Parte

Na segunda parte do especial e desculpem a demora, irei postar uma entrevista exclusiva com o jornalista Eduardo Torelli. Para quem não sabe, ele é um jornalista de renome nacional, que escreve para algumas revistas conceituadas como a Revista Set. O fato mais especial desse incrivel homem que ele é um escritor maravilhoso e profundo conhecedor sobre 007 e o seu livro "Sexo Glamour e Balas", o único livro nacional sobre o agente secreto. Dedico esse post a ele e aqui agradecer por ceder essa entrevista.

Cine JP - Eduardo, qual é a sua real expectativa para o longa Quantum Of Solace? Espera um Bond movie ou um filme bom?

Eduardo Torelli -
Espero um filme bom, mas não um “Bond movie”. “Cassino Royale”, por exemplo, foi um filme bom. E dificilmente não o seria, porque, com um orçamento polpudo de produção e toda a experiência do time da EON na realização de filmes desse gênero, dificilmente a produtora entregaria um produto ruim ou mal-acabado. Nunca tive dúvidas de que “Cassino” seria bom e tenho certeza de que “Quantum” também o será. A questão é se esses filmes “bons” são ou não “Bond movies”. Acho que não. Acho que houve uma completa descaracterização temática na série e esse personagem que nos apresentaram não é o mesmo idealizado por Fleming.












Cine JP - Lendo o seu livro, o espetacular Sexo, Glamour e Balas, você comenta na resenha de Cassino Royale de 2006 que foi o reboot da série, comenta os pontos positivos e negativos. Hoje, vendo que alguns reboots de séries como Batman e Hulk deram lucros positivos, o reboot de 007 foi a melhor saída ou ainda um das manobras mais arriscadas de toda a saga?

Eduardo Torelli - Obrigado pelo “espetacular”! Eu só me pergunto se este “reboot” era mesmo necessário. Os exemplos citados – “Batman” e “Hulk” – são séries de filmes que estavam em declínio e com déficit financeiro quando ganharam seus respectivos “reboots”. A série 007 estava indo muito bem, e a mudança de “tom” nos filmes (da fantasia rasgada de “Um Novo Dia Para Morrer” ao realismo de “Cassino Royale”) poderia ter sido conduzida sem que se zerasse a cronologia da série, o que é, sim, uma atitude extremamente radical e de risco. Não no presente, mas a longo prazo. Não sei se essa nova fase dos “Bond movies” terá força suficiente para alavancar outras quatro décadas de filmes – e não podemos contar mais com os longas-metragens anteriores como “base” para a manutenção do mito, pois o “reboot” excluiu qualquer conexão com aqueles filmes. Além disso, o “reboot” idealizado por Bárbara Broccoli e Michael G. Wilson foi um “reboot” desastrado. Costumo traçar a seguinte comparação: é como se “Lost” fosse “rebootada” entre a atual temporada e a próxima – e de repente, tivéssemos outra queda de avião, um elenco inteiramente novo e o início de uma nova história... Mas Locke continuasse a ser interpretado pelo mesmo ator, simplesmente porque os produtores gostam dele ou porque é um intérprete reconhecido pela crítica. Qual o sentido disso? O que Judi Dench faz nos novos filmes? Enfim, por que “rebootar” a série, se não havia nenhuma razão financeira ou crítica para isto?














Cine JP - Estava comentando com uma amiga minha sobre um fato curioso. Que algumas franquias estão buscando não só apenas agradar os fãs, mas sim buscando trazer novos adeptos a suas franquias com elementos de qualidade e confiança que atraem o grande publico. Achas que a franquia de Bond está visando isso ou não? Comente.

Eduardo Torelli -
Acho que a franquia “Bond” está fazendo isto, sim, mas a estratégia tem um alto preço. Para atrair esse novo público que você citou, eles estão descaracterizando completamente o personagem. Não é preciso ser gênio para levar à frente uma estratégia como esta. Por exemplo, se a moda de repente passar a ser a dos filmes de ficção científica, os produtores de “O Hobbit” poderiam ambientar a próxima adaptação da obra de Tolkien no espaço, e não na Terra Média. Mas isto seria muito ruim para a mitologia de Tolkien, não? O mesmo está ocorrendo com 007. Ian Fleming nunca imaginou um agente nos moldes de Jason Bourne, e os produtores, para atrair esse público mais flutuante, simplesmente privaram Bond de suas peculiaridades habituais, que lhe davam uma “identidade” no panteão cinematográfico (as frases de efeito, o gun barrel etc.), e o transformaram em um personagem canhestro, próprio dos filmes de ação americanos. Assim, a estratégia terá sucesso, mas o personagem será progressivamente degradado até se tornar uma entidade irreconhecível para o grande público.



Cine
JP - Voltando um pouco a saga, qual foi o primeiro filme que você assistiu do agente em sua vida e qual foi aquele que lhe marcou em seu coração?

Eduardo Torelli -
“007 Contra Goldfinger”, quando o filme estreou na Rede Globo nos anos 70 (acho que em 1979). Nunca tinha visto um longa do personagem e adorei a mistura de ação, ficção científica, cenas picantes e absurdos dosados com precisão cirúrgica. Na mesma época comecei a ler os livros de Fleming. No cinema, o primeiro “007” que assisti foi “Octopussy”. Também me causou uma impressão muito forte.



Cine JP - No processo de criação do seu livro Sexo, Glamour e Balas, qual foi o momento mais difícil e o mais gratificante? E Será que pode ocorrer uma terceira edição do livro Eduardo?

Eduardo Torelli -
O momento mais difícil foi concluir a pesquisa e a redação enquanto trabalhava alucinadamente em diversas publicações da Opera Graphica (a editora de “Sexo, Glamour e Balas”, que também terceirizava a produção de revistas para a editora Escala, aqui de São Paulo). Eu tinha que trabalhar no livro à noite, muitas vezes de madrugada – e nesse meio tempo, entre o início da pesquisa e a publicação da primeira edição, meu pai adoeceu e faleceu. Assim, esse trabalho é, para mim, um misto de muita alegria e muita tristeza (a alegria, fruto da satisfação que senti quando a obra foi positivamente resenhada no “Estadão”, na revista “Isto É”, na “Folha de São Paulo” etc.). Quanto a uma terceira edição, francamente, não me sinto muito estimulado a fazê-la, porque não me identifico com esse novo momento cinematográfico do personagem. Mas quem sabe em alguns anos, se as coisas voltarem a mudar na EON?


Muito Obrigado Torelli, e que esse post eu dedico a você, além de um jornalista formidavel, um grande amigo. Um grande abraço a você e a todos que lêem o blog.

Daqui a dois dias, a resenha de Quantum of Solace.

5 de novembro de 2008

Bond Is Back - Especial 007 - Primeira Parte

Essa semana, mais precisamente sexta feira, irá estrear o novo filme de 007, o Quantum of Solace, o 22° filme oficial da franquia que começou em 1962 com O Satânico Dr. NO. Pois bem, para começar esse especial aqui no Cine JP, irei fazer algo diferente, vou trazer aqui alguns memes que rolaram nos últimos meses por aqui como Top 5 com tudo que o nosso homenageado tem direito.

No primeiro post irei fazer um top 5 de Bond Girls. Também no final do post irei divulgar a primeira entrevista exclusiva com uma companheira de blog e amiga do peito, Ana Kamila Azevedo, formada em jornalismo e dona de um dos mais populares blogs do meio cinéfilo que é “Cinéfila por Natureza”. Milla, esse post é dedicado a você.

Top 5 Bond Girls

5- Tiffany Case (Jill St. John) – Apesar de achar Os Diamantes São Eternos muito abaixo do esperado, a Bond Girl do filme é aquela que consegue tirar muitos suspiros de marmanjos por sua beleza e inspiração feminina por ser uma personagem que sabe o que quer.









4- Mary Goodnight (Britt Ekland) – Com certeza uma das mais divertidas da série. Engraçada, divertida, romântica e esperançosa. Dá até pena em saber que ela foi a Bond Girl de um dos piores filmes da saga de 007, no filme O Homem da Pistola de Ouro. Mas pelo menos ela foi um dos pontos positivos nesse filme decepcionante.





3- Honey Ryder (Ursula Andress) – A aparição dela em O Satânico Dr. NO não apenas uma das melhores cenas da saga de 007, mais sim, uma das melhores do cinema em todos os tempos. Ela com aquele biquíni branco com uma faca. Bela cena não?





2- Major Anya “Triplo X” Amasova (Barbara Bach) – Uma das poucas Bond Girl que conseguiu peitar em igualdade o agente secreto no filme O Espião que Me Amava. Além de trazer uma união inusitada e ao mesmo tempo polemica entre um agente britânico e uma agente russa, a beleza da atriz só apenas ressaltou o charme para o filme que é um dos mais divertidos da saga.












1- Condessa Tereza “Tracy” Di Vicenzo (Diana Rigg) – Só pelo fato de ter conseguido fazer o James Bond se apaixonar por ela, já faz com que ela consiga ser o primeiro lugar. Com um rosto delicado e de temperamento regido a emoção, ela conseguiu marcar a saga com um dos melhores filmes da franquia, que é A Serviço Secreto Sua Majestade e ainda protagonizou um dos momentos mais melancólicos da saga. Com certeza, a Sra Bond é digna de primeiro lugar.



Agora, uma entrevista com Kamilla do Cinefila Por Natureza:

(1)O que é para você, 007?

Kamila - Apesar de não conhecer muito a respeito da série James Bond, está claro, para mim, a importância do personagem para o cinema, afinal ele tem um magnetismo que faz com que a série que estrela possua fãs que ultrapassam gerações. Além disso, os filmes do espião são sinônimo de charme, técnica e elegância. Ou seja, mesmo fazendo missões sangrentas pelo mundo, James Bond nunca perde a classe.

(2) O que você espera do novo filme do agente, Quantum of Solace?

Kamila - Eu gostei muito da renovação do personagem, que foi feita em “Cassino Royale” e espero que “Quantum of Solace” mantenha o mesmo nível de entretenimento, qualidade e roteiro que assistimos no filme anterior. Particularmente, acho que meu maior interesse no longa é ver como o Marc Forster vai se sair dirigindo um filme de ação.

(3) Estava comentando com uma amiga minha sobre um fato curioso. Que algumas franquias estão buscando não só apenas agradar os fãs, mas sim buscando trazer novos adeptos as suas franquias com elementos de qualidade e confiança que atraem o grande publico. Achas que a franquia de Bond está visando isso ou não? Comente.

Kamila - A partir do momento em que convidou o ator Daniel Craig para interpretar o personagem principal, a franquia “James Bond” provou a vontade de seguir o que diz a sua afirmativa. Os produtores sabiam que os tempos mudaram e que era necessário fazer transformações no personagem, mostrar Bond como alguém mais humano, como alguém seguindo uma motivação, um propósito – de forma que o público possa se conectar de uma melhor maneira com o personagem e, conseqüentemente, os filmes da série.

(4) Dos filmes que você já viu do agente, qual foi aquele que mexeu em seu coração e por quê?

Kamila - Como disse na resposta à primeira pergunta, conheço muito pouco a respeito da filmografia do “007”, mas o filme mais marcante, para mim, com certeza, foi “Cassino Royale”, pois mostrou o James Bond, pelo menos para mim, de uma forma mais humana, como um homem marcado por algo e com um plano, cuja motivação seria algo permanente em sua vida. Acho que eu só comecei a entender o propósito da série do espião inglês a partir desta obra.

(5) Achas que o publico feminino do agente é mais visível e presente após o sucesso de Cassino Royale? Comente.

Kamila - Acho que o público feminino sempre foi muito visível e presente na platéia dos filmes de James Bond. O personagem é um tipo que agrada muito às mulheres: tem educação, charme, elegância, é galanteador, confiante. Enfim, acho que as mulheres sentem-se bastante atraídas por personagens assim e, claro, por aquele elemento de romance (mesmo que seja passageiro) que está sempre presente nas tramas dos filmes da série.

(6) Na sua opinião, qual foi o elemento primordial para que a saga se perpetuasse a mais de 40 anos trazendo novos admiradores?

Kamila - Acho que, não importa o roteiro escrito, a trama sempre se manteve fiel ao personagem, àquilo que foi idealizado por Ian Fleming. Isto foi fundamental para que a série tenha se mantido, ao longo destes quarenta anos, na preferência dos fãs e atraindo, por outro lado, toda uma nova platéia.

Abraços a todos e em breve tem mais ...

4 de novembro de 2008

Jogos Mortais V

Qualquer filme segue uma ordem cronológica ou uma formula datada para o seu sucesso. Algumas franquias como 007, Duro de Matar, Indiana Jones e entre outros conseguem dentro de si mudanças significativas, mas ainda segue uma linha padrão que deixam seus fãs em euforia e êxtase. Nos últimos anos não dar para negar, mesmo odiando ou não, a franquia Jogos Mortais conseguiu um status de não só apenas um filme de horror, mas sim um evento cinematográfico sem igual para essa época que é propicia a sentir medo. Hoje a franquia consegue chegar ao quinto capitulo e fez o seu dever de casa: uma bilheteria gorda e alvejamento de criticas negativas por especialistas. Agora o que será que ocorre ao quinto filme?


Jogos Mortais em seu primeiro filme envolveu o tempo todo, como uma montanha russa, o mistério que sufocava o espectador e quando pensa que acabou e que se tornou uma experiência satisfatória, veio aquela musica e o “game over” foi o suficiente para o filme ter se tornando cult e um fenômeno para o publico de horror. Tive o privilegio em ver o primeiro filme nos cinemas sem acreditar que estava presenciando um verdadeiro monstro de bilheteria.


O segundo filme veio em seguida, colocando mais elementos chamam a atenção do publico e de seus fãs, o que pelo menos imaginava ser, que era as engenhosas torturas que parecia não ter escapatória. Pois bem, o filme lucrou horrores, derrubou filmes importantes e se consagrou de vez como o evento do Halloween. Porém vendo com mais cuidado é perceptível a precariedade de roteiro, incluindo os erros graves de não contar o nome de todos os participantes do jogo e pela obviedade da trama. Mas em compensação, elevou de vez a Lionsgate e ainda quebrou recordes de bilheteria.


O terceiro filme elevou a potencia máxima da formula estabelecida da série: chamar alguém que não vive uma boa conduta, associar a armadilha ao comportamento desenfreado da vitima, colocar torturas impossíveis para jorrar sangue, reviravoltas que de surpreendente não tem em nada e para dar uma sensação chocante, a musica que marcou o primeiro filme para dar aquela forçada de barra ao espectador para fazer com que ele acredite no choque final. Formula repetida, os grandes fãs agradecem, ganham rios de dinheiro, qualidade decai e tudo que você imagina de uma terceira edição de um filme: ou vai ou racha!


O quarto filme aparece prometendo o mais do mesmo, uma história rasa feito pires, maniqueísmo industrial nas mortes “elaboradas”, uma edição que mais tremia do que câmera amadora e sangue demasiado. Mas são perceptíveis algumas mudanças como às inclusões das novas roteiristas e dos remanescentes ficarem apenas na produção, e eles fizeram algo até que inusitado que era de contar em uma maneira paralela a história principal o inicio do por que de todo o maniqueísmo da série. Mas o problema foi de ficar remoendo o passado e juntando com o gore excessivo... Deu naquele típico filme, nem cheira e nem fede.


O quinto filme vem com mudanças significativas com a mudança de diretor, a permanência dos roteiristas e novos rumos. Ele fez seu papel de casa como todos os outros, no que diz a respeito de ganhar em seu final de semana seus 30 milhões, a critica norte americana meter a lenha no filme e a certeza plena de que ainda os jogos de John Kramer, vulgo Jigsaw estão longe de acabar. Mas bizarramente ele tem elementos que deixam alguns espectadores, intrigados.


Patrick Melton e Marcus Dunstan estão provando que foram uma adição positiva a serie. Claro que não dá para não ficar deslocado com alguns eventos do quarto filme, mas nesse filme ganham força e vez. Outro detalhe curioso é que o roteiro foca em algo praticamente sumido na série e só existiu no primeiro filme, que foi a veia policial investigativa, deixando assim o que era o forte da serie em segundo plano, que é as torturas. Também não deixa de ser presença a critica ao sistema judiciário, e nesse filme ganha uma conotação mais acida e contundente deixando bem claro que nem todo sistema penal é livre de perfeição e que é existem brechas para que o crime mais hediondo se torne apenas um crime comum.


David Hackl foi a melhor coisa que apareceu na série. Com a saída de Darren Lynn Bousman, que praticamente criava agonias instantâneas no espectador com a câmera que mais tremia do que tudo. Hackl aproveita e valoriza tudo que existe ao seu redor, e com a estabilidade de câmera, parece que ele queria que o publico ficasse preso ao jogo. Os brinquedos de Jigsaw estão nesse filme com menos frescuras e mais diretas, deixando assim mais viáveis de fuga se for comparado aos outros exemplares da franquia.


Mesmo com a mania odiosa de não dizer os nomes dos personagens e a repetição da musica do primeiro filme, o quinto surpreende por não querer ser surpreendente e sim ter sido óbvio. Provavelmente soa como uma ironia ou brincadeira pelo fato de cada vez que eles tentam ser surpreendentes, eles conseguem ser óbvios. E no ano que vem, espera-se que encerre a franquia de vez. Com um gancho interessantíssimo, a franquia e principalmente esse novo filme soa muito como uma novela das 8: você sabe que em alguns momentos é ruim até dizer chega, mas quando sabemos que está perto do final, a vontade incontrolável para saber do desfecho bate em nossas portas, mesmo com o risco de ser uma merda ou não.


Ficha Tecnica

Jogos Mortais V (SAW V)

Diretor: David Hackl

Elenco: Costas Mandylor, Scott Parterson, Julie Benz, Meggan Good, Mark Rolston, Carlo Rota, Greg Bryk, Betsy Russell e Tobin Bell

Gênero: Horror

Cotação: 50% - Filme Assistivel














E amanhã ... HE IS BACK!