25 de abril de 2008

Mar Adentro

Momentos bruscos surgem na vida de todos, e o que aconteceu com Ramón Sampedro (Javier Barden, Onde Os Fracos Não Têm Vez) foi mais grave do que se imagina. Um homem sonhador, aventureiro, rodou o mundo e tem uma declaração de amor pelo mar. Entretanto foi este mesmo mar que quase lhe tirou a vida. Durante um simples mergulho, ele bateu com a cabeça na areia deslocando o pescoço, mas que não lhe tirou a vida, mas deixou tetraplégico.

A sua vida durante 30 anos foi de pura dependência de sua família. Para não ser um fardo para sua família, ele decide recorrer à eutanásia, junto com uma ONG que trabalha em liberdade de uma morte digna. E enquanto esse momento não chega, ele inventou aparelhos que facilitam a vida dele assim incentivando a escrever poemas sobre a morte e tudo mais.

Porém o antagonismo da vida e morte para Ramón aparece na figura de duas mulheres distintas. Uma é Julia (Belén Rueda, O Orfanato) e a outra é Rosa (Lola Dueñas, Volver). Julia é uma advogada que está empenhada a levar até as ultimas conseqüências o ato de Ramón, porém esconde um segredo que faz com que seja o principal motivo dele escolher a advogada. Rosa é uma mulher que se emocionou vendo uma reportagem sobre o desejo da morte de Ramón assim tentando incentivar ele o prolongamento da vida mas como um paradoxo, ela não vive uma vida feliz, é uma pessoa visivelmente frustrada e que vê em Ramón um sopro de vida. Mas para Ramón Sampedro, o mais importante e o verdadeiro amor não é daquela que irá ficar com ele, mas daquela que irá ajudar a pessoa dele chegar ao final da vida.

Alejandro Amenábar (Os Outros, Preso na Escuridão) junto com Mateo Gil, contam a história real de Ramón Sampedro no filme Mar Adentro. É o segundo filme que trata a história de Ramón, já que o primeiro foi um filme espanhol para televisão chamado Condenado a Vivir de 2001. O filme foi ganhador de Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e participou de festivais importantes.

O foco jurídico do filme está transposto em sua própria história: A eutanásia. Palavra originária do grego: eu = a boa e thanatus, que dá o sentido de “morte piedosa,boa”. Consiste em minorar os sofrimentos de uma pessoa doente, de prognostico fatal ou estado de coma irreversível, sem possibilidade de sobrevivência, apressando-lhe a morte ou proporcionando-lhe os meios para o conseguir. O mesmo que homicídio piedoso ou por compaixão, morte benéfica.

A Comissão de Reforma do Código Penal manteve, no projeto, a proibição legal dessa pratica, mas enquadrando-a como eutanásia e não mais como homicídio com pena menor. O legislador aborda o ângulo da ortotanásia (morte por interrupção do tratamento, por ser inútil ante o quadro clinico irreversível), e da distanásia (prolongamento do momento da morte por meios reanimatórios). Algumas correntes aprovam a ortotanásia porém ainda o conceito de vida e de bem estar do homem está em primeiro lugar.

No roteiro de Mateo e Alejandro reforçam as contradições da eutanásia e do código de ética no pressuposto do bem estar do paciente no que se diz a respeito ao bem estar. Durante em algumas seqüências, mesmo com o ótimo tratamento da família, a vergonha de ser dependente depois de uma idade, se torna um peso insuportável e que piorava com a situação dele.

Antes, pode até se dizer que a eutanásia era justo para o caso dele antes de 2004, porém com os avanços da engenharia genética, pode ser possível voltar a andar. Neste últimos anos, as pesquisas com células tronco dão suporte necessário para que pessoas que sofrem de paralisia, paraplégicos e tetraplégicos tenham ou voltem a sentir o mexer dos dedos, ou como Ramon, sentir novamente a sensação do bater das ondas em seus pés com a inalação da vida.

Se o publico aceitou a morte do personagem, não se pode se dizer mas que a jornada de Ramon consegue ter mais vida do que a morte. Ele conseguiu despertar dentro de quem os rodeiam que a morte não é o fim, porém é uma etapa que existe no ciclo da vida onde se termina uma era e recomeça uma nova etapa, apesar de desconhecida, porém mágica e única.

Assim termina-se esta resenha critica com as palavras finais do personagem Ramón:

Senhores juizes, autoridades políticas e religiosas. O que significa a dignidade para os senhores? Seja qual foi à resposta de suas consciências, sabia que para mim, isso não é viver dignamente. Teria gostado ao menos de poder morrer dignamente. Hoje, cansado da inércia das instituições me vejo obrigado a fazer nas escondidas como um criminoso. Os senhores devem saber que o processo que me conduzirá a morte foi escrupulosamente calculado em pequenas ações que não consiste crime por si sós foram levadas a cabo por diferentes mãos amigas. Se ainda assim, o Estado insistir em punir os meus colaboradores, sugiro que cortem as mãos deles pois foi essa a colaboração de todos deles. A cabeça, quer dizer, a consciência, foi minha. (...) Considero que viver é um direito e não uma obrigação que foi o meu caso. Obrigado a suportar esta penosa situação durante 28 anos, quatro meses e poucos dias. Passado esse tempo, avalio o caminho percorrido e não encontrei a felicidade. Só o tempo que correu contra a minha vontade durante quase toda minha vida, será a partir de agora, o meu aliado. Só com o tempo e a evolução das conseqüências decidirão algum dia se minha petição fosse razoável ou não.

Um filme único e especial. Recomendado

Mar adentro... Mar adentro e na leveza do fundo, onde se realizam os sonhos se juntam duas vontades para realizar um desejo. Seu olhar e meu olhar como um eco repetindo, sem palavras. Mais adentro... Mais adentro. Até mais além de tudo pelo sangue e pelos ossos. Mas acordo sempre, e sempre quero está morto para continuar com minha boca enredada em seus cabelos...

Ficha Tecnica
Mar Adentro (Sea Inside)
Diretor: Alejandro Amenábar
Elenco: Javier Barden, Belén Rueda, Lola Dueñas, Mabel Rivera, Celso Bubalo, Clara Segura e José Maria Pou
Gênero: Drama/Romance

Cotação do filme: 93% - Filme Obrigatorio

Se gostou, recomendo:

- Onde os Fracos Não Tem Vez

- Preso na Escuridão

- Volver

- Johnny Vai a Guerra

19 de abril de 2008

Awake - A Vida Por Um Fio



Clay Bresford Jr. pode se dizer que é um homem de sorte. Um homem bem sucedido que tem uma noiva linda e a ama, mas nem tudo são flores em sua vida. Uma relação complicada com a mãe e o pior, o seu coração debilitado. E na madrugada de Halloween, ele é submetido a um transplante de coração com seu amigo, Dr. Jack Harper, porém com um currículo duvidoso. Porém durante a anestesia algo de errado acontece, um evento raro no qual ele consegue ficar acordado durante a cirurgia e sentir toda a dor que acontece no procedimento. Porém além da cirurgia dolorosa, algo pior ainda irá surgir.

Awake – A Vida Por Um Fio é mais um filme de suspense que aparece que explora um tema assustador que envolve a área da medicina. O filme é estrelado por Jessica Alba, Hayden Christensen, Lena Olin e Terence Howard. Dirigido pelo novato Joby Harold que também assinou o próprio roteiro do filme. Bem, o filme não foi um sucesso de bilheteria e ainda fechou com chave de ouro o fraco ano que teve a atriz Jessica Alba que protagonizou muitos filmes fracos. E esse filme poderá entrar no hall da atriz de péssimas escolhas como mais um erro dela?

O roteiro do filme começa bem interessante trilhando o filme como um drama sustentável e chega ao seu ápice quando começa a sensação de dor e o paciente não poder fazer nada. Até ai tudo bem, entretanto, no interlúdio para a ultima parte, o filme se torna aquele filme “supercine” que estamos cansados de ver e por sorte essa parte quase comprometeu o filme todo. A trilha sonora não é memorável, mas também não é de todo mal. É típico de “supercine” também.

Jessica Alba ainda se compara ao vácuo no que se diz a respeito de atriz. Mas nesse filme ela finge que atua e você espectador, o que se pode fazer é fingir que acredita. Terrence Howard pode ser um ator competente, porém não é tão feliz em suas escolhas e seu personagem no filme pode se dizer que é o mais emblemático da trama. Lena Olin faz a atuação regular que não tem o que comentar. Já o principal, Hayden Christensen ainda precisa e muito ter aulas de atuações, já que o rosto dele não tem carisma e ser muito canastra, porém ele fez a sua melhor atuação, mas que não é louvável e que precisa urgentemente melhorar.

Awake – A Vida Por Um Fio não pode se dizer que é uma grande bomba, mas também não é um grande filme e não foi desta vez que Alba e Christensen tiveram a oportunidade perfeita para tentar provar ao grande publico que não são apenas rostinhos bonitos. Mas pode se dizer que é um “supercine” que você assiste, fica pensando sobre o filme até a hora de dormir e quando acordar... Como é mesmo aquele filme?

Ficha Tecnica Awake - A Vida Por Um Fio (Awake)
Diretor: Joby Harold

Elenco: Hayden Christensen, Jessica Alba, Terrence Howard, Lena Olin, Christopher McDonald, Sam Robards

Gênero: Drama/Suspense
Cotação do Filme: 40% - Filme Mais ou Menos

13 de abril de 2008

Ponto de Vista - Vantage Point

Cenário: cidade de Salamanca, Espanha.
Fato: Atentado terrorista.
Alvo Principal: O presidente dos Estados Unidos Asthon
Cena do Crime: A Praça da Prefeitura de Salamanca
Descrição: Durante um discurso de paz em meios de protestos contra a política norte-americana, o presidente foi alvejado por tiros pela sacada. Momentos depois de terem socorrido o homem mais poderoso da América, uma explosão súbita deixando vários feridos.
Testemunhas: oito pessoas, entretanto cada uma tem um fragmento especifico para o crime em si.

Ponto de Vista é a mais nova fita de ação que chega esse ano e surpresa de bilheteria. Conta no elenco atores de peso como Dennis Quaid, Forest Whitaker, Matthew Fox, Willian Hurt e Sigourney Weaver. Um relativo sucesso de bilheteria americana e teve um tranqüilo publico aqui no Brasil. Chegando com um relativo atraso, o filme deveria ter sido lançado em meados de outubro do ano passado, apenas chegou em fevereiro e até hoje não se sabe qual é a explicação dada ao assunto.

O roteiro pela complexidade do projeto tinha que ser no mínimo surpreendente até o final, mas ai aparece o primeiro pecado do filme. A história era tão simples que de uma transição de personagem para outra dava para pelo menos juntar as peças para descobrir a coisa mais óbvia do filme. Um pecado grave para um formato incrível. As atuações do filme juntam tudo que um cinéfilo não quer. Segundo pecado: atuações nulas de Willian Hurt e Sigourney Weaver e ainda pior para Sigourney que teve uma personagem inexpressiva e sem sentido para a trama. Terceiro pecado: desperdiço de um grande ator em um papel fraco. Ver Eduardo Noriega, protagonista de grandes filmes espanhóis e dono de grande talento sendo totalmente jogado em um personagem ridículo e sem sentido. Consegue ser um dano irreparável e ainda competindo com os desperdícios de Paddy Considine e Daniel Brhul em O Ultimato Bourne.

Mas vamos falar de coisa boa, se não, por que pode se pensar que o filme é puro lixo. Uma atuação segura de Dennis Quaid que não tem um grande perfil para filmes de ação e de Forest Whitaker que não pode ter sido um personagem exigente, porém cumpre em seu papel fazendo dele um personagem útil. Os momentos finais do filme onde tem uma perseguição de carros de tirar o fôlego e um jogo de câmera na cena clímax do filme. O diretor mesmo com os pecados estarrecedores, entrega ao espectador uma boa fita de ação no qual cumpre os desejos de um simples espectador.

Ponto de Vista poderia ter sido um filme genial, porém ao mesmo tempo foi um gerador de desperdício de grandes oportunidades e esperança de uma eficiente fita de ação. Pelo menos para o gênero de ação, o ano começou bem e com pés seguros de que podemos ver coisas boas, ou não... Depende do ponto de vista de cada um. E no meu ponto de vista, o filme tem problemas, mas funciona.

Ficha Tecnica
Ponto de Vista (Vantage Point)
Diretor: Pete Travis
Elenco: Dennis Quaid, Matthew Fox, Forest Whitaker, Bruce McGill, Edgar Ramirez, Saïd Taghmaoui, Ayelet Zurer, Zoe Saldana, Sigourney Weaver, William Hurt, James LeGros, Eduardo Noriega, Richard T. Jones, Holt McCallany, Dolores Heredia e Alicia Zapien.
Cotação do Filme: 51% - Filme Assistivel

Se Você Gostou Dele, Recomendo:

- Na Linha de Fogo
- Abra Los Ojos
- Munique
- Cloverfield

8 de abril de 2008

Terminando o Jogo : A Busca Pelo Novo Bruce Lee

Nos últimos anos, dependendo do ator, tudo que ele fez durante a vida inteira poderá dizer, é um clássico, é isso, é aquilo e etc. o exemplo mais recente foi do ator Heath Ledger que morreu subitamente de uma reação alérgica de remédios. Já tem fãs que estão considerando qualquer coisa do ator (qualquer coisa mesmo) como clássico, como obra importante do cinema. E pior ainda foi para Terry Gillian que estava filmando o mais novo projeto do ator e ainda para agravar a situação, Ledger era o principal. Raciocinando bem, é melhor continuar o projeto ou engavetar? Mas para responder essa idéia vamos voltar para os anos 70 e lá, poderá (ou não) ter a grande resposta.

Em 1973, o ator Bruce Lee morre em circunstâncias misteriosas e deixou para trás o seu projeto mais ambicioso de toda a sua carreira, O Jogo da Morte. Momentos depois da morte, aproveitando a transformação do ator em mito, uma produtora decide completar o filme e ainda fazendo uma busca para o novo Bruce Lee porém entre os candidatos são mais estranhos do que se imagina. Assim, se faz a grande pergunta, quem será o grande “sortudo”?

Terminando o Jogo: A Busca Pelo Novo Bruce Lee é um falso documentário de comédia sobre os bastidores e de como seria feito o filme após a morte súbita de Bruce Lee. Esse filme independente foi dirigido por Justin Lin que pasmem, é o mesmo de Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio, porém com um fato bem curioso, como diretor de blockbuster é muito fraco, porém de um filme independente funciona mais do que se imagina. Mas será que o filme é tão legal assim ou pode ser o mesmo erro que foi O Jogo da Morte?

O roteiro do filme consegue ser acessível por que ele se torna interessante com as piadas bem sacadas de cada personagem e sem apelar pelo banal como se vê em muito filme de comédia e ainda faz uma brincadeira saudável sobre o racismo entre caucasianos e asiáticos. Mas também sofre com o estigma que envolve o fato da mistura da comedia com documentário que é a falta de ritmo em determinadas partes da trama. Também é complicadíssimo manter a balada, porém isso não deixa o filme se perder.

Todos os atores entregam interpretações bem legais, todos estão a vontade e os dois maiores destaques da trama são Sung Kang e Roger Fan. O primeiro faz um dos candidatos mais empolgados, Cole Kim, e sua empresaria é também a namorada. Além de fazer um personagem carismático ele rouba a cena em um dos melhores momentos do filme. Roger Fan faz Breeze Loo, uma copia descarada de Bruce e ainda é humilde até dizer chega, personagem engraçadissimo e ainda lembra Tank Evans do desenho-documentario Tá Dando Onda.

Justin Lin fez uma direção coerente e realmente mesmo sendo comédia, ele assume e muito bem a postura de um documentário convencional, mas sem cair no marasmo que existe nesse tipo de projeto. E o filme ainda ajuda a questionar a importância do mito de um ator, será que aproveitar a morte dele para continuar um projeto duvidoso. Hoje já se sabe que O Jogo da Morte é um erro, um filme fraquíssimo que tem algo bizarro, no qual ele é um filme que assistimos sem saber o porquê. E hoje com a morte do Heath Ledger fica ainda mais questionável se dever prosseguir com o projeto ou não, mesmo com atores consagrados substituindo ele.

Terminando o Jogo é um filme bacana, mesmo não sendo engraçadissimo em todos os momentos, funciona e é bem divertido junto com seu plot, ganha mais força ainda por provar que o maior sonho do mito se transformou em um erro colossal e a visão bem humorada de como seria feito o filme consegue ser mais genial do que a obra final. Um filme que vale a pena assistir, pena que ninguém sabe se virá para o Brasil.

Ficha Tecnica: Terminando o Jogo: A Busca Pelo Novo Bruce Lee (Finishing The Game: The Search For A New Bruce Lee)
Diretor: Justin Lin
Elenco: Roger Fan, Sung Kang, Dustin Nguyen, McCaleb Burnett, Mousa Kraish, Monique Curnen, Mederith Scott Lynn, Bernardo Peña, MC Hammer e James Franco
Gênero: Comédia/Documentario
Cotação do filme: 65% - Filme Assistivel

Se Gostou do filme, Recomendo:

- Operação Dragão
- Tá Dando Onda
- The King Of The Kong

7 de abril de 2008

Cloverfield

Uma vez discutindo com um amigo meu percebi que o terror verdadeiramente é um drama enrustido. Dependendo da obra que se é discutida muitas vezes a violência exacerbada, a tensão pelo desconhecido e a apreensão por perseguição muitas vezes serve como plano de fundo para sentimentos humanos escondidos e adormecidos e que são planos implícitos de uma trama de horror.

Em meados de maio, a cidade de Nova York sofreu um grande ataque por algo desconhecido e durante os destroços no Central Park, acham uma câmera de vídeo e nela está contida no inicio uma festa de despedida, porém mostra no âmbito da câmera todo o horror que a câmera presenciou desde primeiro ataque ao clímax final.

Cloverfield é o mais novo projeto de J.J. Abrams famoso não só por fazer Lost, mas também ter feito o seriado Alias com a Jennifer Garner, Felicity com Keri Russell, dirigido o subestimado Missão Impossível III e roteirizado o suspense Joy Ride – Perseguição. Porém que está na direção é Matt Reeves que já dirigiu alguns episódios de Felicity assim dando mais confiança para o produtor. Agora, de como é o filme é o que não agradou uma parcela do publico, será que eles não compreenderam ou foi um equivoco dos realizadores.

Muitos dizem que o filme é copia de Bruxa de Blair, e isso e aquilo. Porém vendo com mais atenção na segunda vez, acreditem, não tem nada a haver uma coisa com a outra. De invés de colocar de uma forma documental idêntico A Bruxa e do ultrasuperestimado REC, Cloverfield usou algo mais real e assustador. Citando dois casos, em dezembro de 2005 onde aconteceu a Tsunami no sudeste asiático, quantas vezes passaram na TV imagens de câmeras normais filmando apenas momentos tranqüilos e de repente são deparados com ondas gigantes e captando o desespero de todos que estiveram na praia prestes a morrer. Ou o caso mais recente, no qual, uma mãe de família durante a viagem começou a filmar algo curioso que foi um caminhão que estava andando na outra faixa da rodovia e quando de repente, o caminhão tomba e explode no meio da estrada causando pânico para quem viu e principalmente para a mulher e seu filho que caíram nos prantos por ter visto tamanho horror em cena. Pronto, assim é Cloverfield, um registro através de uma câmera simples que estava cobrindo uma festa e fortuitamente acontece algo bizarro e a partir daí, o espectador é convidado a ver a destruição a partir de um ponto de vista.

O roteiro em muitas vezes em filmes catástrofe não tem muito que explorar, só de perguntar o que é aquilo que está metendo medo todos e ai está um trunfo do filme. De invés de explicar dentro do filme o que é o monstro, eles criaram um ARG, Alternative Reality Game onde as respostas sobre o monstro iriam ser respondidas e começar a pesquisa em sites e daí cabe ao espectador saber de onde surgiu o monstro. Mas assim como em filmes catástrofes, tem relações humanas em jogo como o romance dos protagonistas, coisa que não foi tão convincente para um publico que queria ver “destruição” “um monstro detonando tudo”.

Muitos reclamam das atuações, porém são mais naturais do que se imagina. Ao contrario dos outros filmes do estilo onde só tinha histeria generalizada, em Cloverfield mostra o pânico, o sofrimento, o desespero. Pelo menos existe o fator natural em suas atuações. Os efeitos sonoros do filme são espetaculares e ainda o espectador recebe de brinde a melhor trilha de Micheal Giacchino fora de Lost, a musica chamada Cloverfield Overture é magnífica assim se juntando as grandes trilhas como de Tubarão de John Williams, Psicose de Bernard Herrman e Halloween de John Carpenter.

A direção de Matt Reeves é impecável, primeiro ele fez algo importante: convencer que o que se vê inicialmente é uma festa comum. Por isso que muitos reclamam, mas isso foi importante por que é um fator chave para que o espectador creia que realmente está vendo uma festa para que depois os acontecimentos venham de surpresa. E as cenas de ataque do monstro são de uma maestria inconfundível, desde primeiro momento ao ataque final.

Cloverfield já é uma das melhores coisas que já apareceram nos últimos anos no cinema americano, só pelo fato da possibilidade de ser levado a destruição de um lugar através de um ponto de vista já é um grande ponto positivo, mas como nem tudo são flores, o povão não irá querer saber que ele terá que buscar respostas sobre o monstro, não quer saber do romance e nem tão pouco saber que algo simples se tornou algo tão complexo e tão curioso. Um grande filme, pena que será tão incompreendido como é até hoje Guerra dos Mundos.

Cloverfield
Diretor: Matt Reeves
Elenco: Micheal Sthal-David, Jessica Lucas, Lizzy Caplan, TJ Miller, Mike Vogel e Odette Yustman
Gênero: Ação/Horror/Fantasia/Romance
Cotação do Filme: 78% - Filme Imperdivel

Se Gostou do Filme, Recomendo:

- Guerra dos Mundos
- O Hospedeiro
- Perseguição
- Missão Impossivel III

1 de abril de 2008

MEME : Filmes Subestimados

Filmes Subestimados

Pode se dizer com certeza que esse MEME é curioso e vale a pena comentar. Sabe como é, sou meio chato com isso porém é algo que gosto e que vale a pena colocar um sorriso no rosto. e irei dar a minha lista de subestimados, se bem que muitos desses subestimados foram que a critica detonou ou o próprio publico não percebeu.

Sem ordem de preferência, os mais subestimados em minha opinião são:

Guerra dos Mundos de Steven Spielberg

Precisa lembrar qual foi a sensação de um espectador quando terminou o longa de Spielberg? Para não lembrar do constrangimento de ver os xingamentos de um espectador comum sobre uma jornada filosófica e espiritual de um homem que tinha tudo perdido e por uma situação fortuita apareceu uma oportunidade divina para recuperar o que tinha perdido. O que é mais desastroso, o mundo se acabar ou o que move o seu mundo acabar? E que fiquei extremamente emocionado quando terminei de ver esse filme no cinema. Uma das melhores experiências que já tive, além de uma das melhores interpretações de Tom Cruise.



Talladega Nights: A Balada de Ricky Bobby de Adam McKay

A história desse filme é puro clichê até dizer chega. Mesmo com muitos elementos que muitas vezes é enjoativa como o patriotismo exacerbado dos protagonistas. Mas o carisma de Will Farrell e John C Reilly em tela fazem com esse filme seja uma pequena perola da comedia e fora isso com altos momentos clássicos de humor dando destaque ao supremo: “I’M ON FIREEEEE”, além de ótimas seqüências de corrida. Filme joinha joinha.


Alien A Ressurreição de Jean Pierre Jeneut

Depois de um desastre que foi a adaptação do então recém diretor David Fincher para Alien³, poderia se dizer que o quarto filme seria uma das maiores forçadas do cinema. E quando veio a obra, bem, muitos detonaram. Porém olhando muito tempo depois iremos perceber a belíssima direção de Jeneut, mais personagens marcantes e principalmente de Ron Pearlman e Dominique Pinón, porém o destaque foi as incríveis seqüências de ação que tem no filme e um desfecho “feliz” para uma heroína que provou durante esses anos que no espaço não é tão colorido quanto Star Wars colocou em nossas mentes e que ninguém pode ouvir a sua pessoa gritar.



007 A Serviço Secreto a Sua Majestade de Peter Hunt

a desistência de Sean Connery para o papel de agente secreto deu espaço para o novato e inexperiente George Lanzeby, e ainda ele conseguiu fazer feitos únicos até então para a franquia de 007: uma perfomace única; uma das bond girls mais importantes da saga, a mulher de James Bond Tracy; Telly Savallas como o vilão Blofeld; seqüências longas e épicas de ação; é o único datado como romântico de toda a saga e o ultimo filme sério de 007 antes da derrocada na metade da década de 70. Um filme que muitos não compreenderam na época, mas que ainda bem perceberam o grande valor assim considerando o único filme cult de 007. Que chique não?


Corpo Fechado de M Night Shyamalan

Todos estavam com euforia após o fantástico O Sexto Sentido e a nova reunião de Bruce Willis e Samuel L Jackson depois do divertidíssimo Duro de Matar: A Vingança, e o que o publico esperava era mais um filme de fantasmas e coisas do gênero, mas quando ele colocou logo no inicio a trajetória de um gibi, estávamos prestes a entrar o que é uma influencia base para qualquer adaptação de quadrinhos e fora as melhores interpretações dessa incrível dupla. Porém a partir daí colocaram a credibilidade do diretor fazendo a pergunta se ele é um diretor de filme de horror... Acho que não, acho que ele é um diretor da essência humana, mas para a maioria dos cinéfilos, quem liga para isso?




Agora fica difícil passar a corrente ...