Cloverfield

Uma vez discutindo com um amigo meu percebi que o terror verdadeiramente é um drama enrustido. Dependendo da obra que se é discutida muitas vezes a violência exacerbada, a tensão pelo desconhecido e a apreensão por perseguição muitas vezes serve como plano de fundo para sentimentos humanos escondidos e adormecidos e que são planos implícitos de uma trama de horror.

Em meados de maio, a cidade de Nova York sofreu um grande ataque por algo desconhecido e durante os destroços no Central Park, acham uma câmera de vídeo e nela está contida no inicio uma festa de despedida, porém mostra no âmbito da câmera todo o horror que a câmera presenciou desde primeiro ataque ao clímax final.

Cloverfield é o mais novo projeto de J.J. Abrams famoso não só por fazer Lost, mas também ter feito o seriado Alias com a Jennifer Garner, Felicity com Keri Russell, dirigido o subestimado Missão Impossível III e roteirizado o suspense Joy Ride – Perseguição. Porém que está na direção é Matt Reeves que já dirigiu alguns episódios de Felicity assim dando mais confiança para o produtor. Agora, de como é o filme é o que não agradou uma parcela do publico, será que eles não compreenderam ou foi um equivoco dos realizadores.

Muitos dizem que o filme é copia de Bruxa de Blair, e isso e aquilo. Porém vendo com mais atenção na segunda vez, acreditem, não tem nada a haver uma coisa com a outra. De invés de colocar de uma forma documental idêntico A Bruxa e do ultrasuperestimado REC, Cloverfield usou algo mais real e assustador. Citando dois casos, em dezembro de 2005 onde aconteceu a Tsunami no sudeste asiático, quantas vezes passaram na TV imagens de câmeras normais filmando apenas momentos tranqüilos e de repente são deparados com ondas gigantes e captando o desespero de todos que estiveram na praia prestes a morrer. Ou o caso mais recente, no qual, uma mãe de família durante a viagem começou a filmar algo curioso que foi um caminhão que estava andando na outra faixa da rodovia e quando de repente, o caminhão tomba e explode no meio da estrada causando pânico para quem viu e principalmente para a mulher e seu filho que caíram nos prantos por ter visto tamanho horror em cena. Pronto, assim é Cloverfield, um registro através de uma câmera simples que estava cobrindo uma festa e fortuitamente acontece algo bizarro e a partir daí, o espectador é convidado a ver a destruição a partir de um ponto de vista.

O roteiro em muitas vezes em filmes catástrofe não tem muito que explorar, só de perguntar o que é aquilo que está metendo medo todos e ai está um trunfo do filme. De invés de explicar dentro do filme o que é o monstro, eles criaram um ARG, Alternative Reality Game onde as respostas sobre o monstro iriam ser respondidas e começar a pesquisa em sites e daí cabe ao espectador saber de onde surgiu o monstro. Mas assim como em filmes catástrofes, tem relações humanas em jogo como o romance dos protagonistas, coisa que não foi tão convincente para um publico que queria ver “destruição” “um monstro detonando tudo”.

Muitos reclamam das atuações, porém são mais naturais do que se imagina. Ao contrario dos outros filmes do estilo onde só tinha histeria generalizada, em Cloverfield mostra o pânico, o sofrimento, o desespero. Pelo menos existe o fator natural em suas atuações. Os efeitos sonoros do filme são espetaculares e ainda o espectador recebe de brinde a melhor trilha de Micheal Giacchino fora de Lost, a musica chamada Cloverfield Overture é magnífica assim se juntando as grandes trilhas como de Tubarão de John Williams, Psicose de Bernard Herrman e Halloween de John Carpenter.

A direção de Matt Reeves é impecável, primeiro ele fez algo importante: convencer que o que se vê inicialmente é uma festa comum. Por isso que muitos reclamam, mas isso foi importante por que é um fator chave para que o espectador creia que realmente está vendo uma festa para que depois os acontecimentos venham de surpresa. E as cenas de ataque do monstro são de uma maestria inconfundível, desde primeiro momento ao ataque final.

Cloverfield já é uma das melhores coisas que já apareceram nos últimos anos no cinema americano, só pelo fato da possibilidade de ser levado a destruição de um lugar através de um ponto de vista já é um grande ponto positivo, mas como nem tudo são flores, o povão não irá querer saber que ele terá que buscar respostas sobre o monstro, não quer saber do romance e nem tão pouco saber que algo simples se tornou algo tão complexo e tão curioso. Um grande filme, pena que será tão incompreendido como é até hoje Guerra dos Mundos.

Cloverfield
Diretor: Matt Reeves
Elenco: Micheal Sthal-David, Jessica Lucas, Lizzy Caplan, TJ Miller, Mike Vogel e Odette Yustman
Gênero: Ação/Horror/Fantasia/Romance
Cotação do Filme: 78% - Filme Imperdivel

Se Gostou do Filme, Recomendo:

- Guerra dos Mundos
- O Hospedeiro
- Perseguição
- Missão Impossivel III

Comentários

  1. Fazia tempo que não gostava tanto de um filme assim...

    Abraço!!

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  2. Cloverfield é mutio bom mesmo... acho que não foi compreendido pela maioria de quem ía assistir, já qeu queriam ver um filme "normal" onde fosse explciado a origem do monstro e mostrasse grandes sequencias de açãoe como vc mesmo disse o monstrengo destruindo tudo em cameras lentas... toda aquela parafenáia que já existe... mas ele é diferente, mostrando um único ponto de vista e quem o assite vai se supreendendo junto com os personagens... isso é demais, com cara de original, dando um tapa na cara de mutios filme de monstro por aí..
    é excelente!

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  3. "Cloverfield" foi um filme que funcionou muito comigo. Acho que o Matt Reeves foi muito feliz na decisão de ter usado, como fotografia principal, as imagens feitas pelos próprios atores. Além disso, escolher atores desconhecidos fazem com que a gente acredite no caráter documental do filme.

    Eu gostei bastante das atuações, especialmente do herói do filme, que não me recordo o nome agora. :-)

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  4. Ronald e Pedro - Realmente Cloverfield é um ótimo filme que melhora cada vez revisto.

    Rodrigo - é aquela coisa, o filme não tem a preocupação de dizer quem é o monstro e tal, mas sim de relatar um fato que aconteceu, como no caso, o ataque em NY.

    Millinha - Elenco desconhecido faz com que a credibilidade de passar para o espectador que aquilo no qual está sendo visto, pode ser verdadeiro. e o nome do personagem heroi é Rob ...

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  5. Amigão, você cometeu um pequeno erro de português, onde você escreveu "De invés..." deveria ser "Ao invés...", ok?

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