20 de dezembro de 2007

Postagem Dupla de Horror/Suspense: 30 Dias de Noite e P2 - Sem Saida

P2 - Sem Saída

O que é terror? O que é sentir o pavor de uma situação? O medo de um cenário difícil de escapar. Isso sempre será um grande plot para um filme de suspense e derivados. E dependendo do filme, mesmo com limitações extremas, sempre o tema da incapacidade de sair é uma chamativa para o mais desavisado espectador. P2 – Sem Saída se junta no hall de filmes limitados, porém que funciona para aqueles que gostam desse tipo de trama.

Simplicidade é o que resume a história desse filme. Uma bela funcionaria fica um pouco mais tarde em seu escritório na véspera de natal. Atrasada para a festa, o seu carro para de funcionar e ela pede ajuda a um sereno segurança, porém a situação se complica e ela se torna refém desse suposto segurança que tem uma proposta curiosa a ela. Sem sinal, sem comunicação, será que ela conseguirá sobreviver no estacionamento?

A chamativa desse filme não seja ser o seu tema que é tão copiado e nem tão pouco a protagonista Rachel Nichols, que faz uma atuação fraquíssima, nem o seu antogonista Wes Bentley, que fez uma suposta evolução de canastrisse de vilão em Motoqueiro Fantasma, mas que mesmo assim é um ator fraco. Mas sim por ser um filme produzido e roteirizado por Alexandre Aja.

O roteiro de Alexandre Aja, Grégory Levasseur e do diretor Franck Knalfoun não trás algo de novo, e nem tão complexo, Aja se tornou especialista em explorar a relação de perseguição entre a suposta mocinha e o suposto vilão, já que Aja faz com que o seu vilão conquiste a simpatia do publico assim torcendo para que ele faça algo realmente cruel com a mocinha. Isso sim é uma característica dele. Porém alguns acham que o que marca ele é a violência explicita, mas na realidade é o desmembramento de personagens assim fazendo que a mocinha nem seja tão mocinha assim e o vilão não tão sem motivo também. E outro ponto muito bom que é a trilha sonora, o compositor tomandandy se tornou uma célula importante para o filme do tipo, onde faz uma trilha nervosa que combina com o estilo de Aja no que se diz a respeito em tensão e sustos secos. Mesmo não sendo um filme dirigido por Aja, a trilha é a alma desse filme.

Uma direção mais do mesmo, P2 se torna um tipo de escapismo para alguns, um exercício de descarga de adrenalina para aqueles que não conhece a história e decepção para aqueles que acreditam que Aja se sustenta só no que diz a respeito de tripas, membros e sangue jorrando. Mesmo sendo um relativo fracasso, se passar nos cinemas nacionais, pode até valer o ingresso. Bom filme e nada mais.



P2
Diretor: Franck Knalfoun
Elenco: Rachel Nichols e Wes Benteley
Gênero: Suspense

Querem algo melhor:

Red Eye - Vôo Noturno
Psicose
Encurralado (Duel)
Perseguição (Joy Ride)




30 Dias de Noite (30 Days Of Night)

Ghost House Pictures, logo de cara queremos saber que produtora de terror é essa? Vejamos, se entrar a detalhes, iremos saber logo de cara que é a produtora de Sam Raimi, o mesmo da trilogia que começa ótimo e termina de maneira satisfatória Evil Dead e de uma outra trilogia que começou clássico e terminou desastroso que foi Homem Aranha. Mas esse novo detalhe faz com que essa produtora perca muitos pontos entre alguns cinéfilos. Essa mesma produtora é a mesma de “clássicos” como o remake e a seqüência de O Grito e O Pesadelo (aquele do bicho-papão). Assim faz com que para o mais novo projeto da produtora, 30 Dias de Noite, venha com uma expectativa baixíssima, porém acreditem, vocês é que saem ganhando.

Em uma cidade do extremo-norte do Alaska, tem um fato temporal estranho. A cidade de Barrow todo ano fica em 30 dias dentro da mais profunda escuridão, sem a luz do sol brilhar na cidade. E em como toda vez, algumas pessoas viajam para ficarem longe desses dias de escuridão, assim como a esposa do policial Eben, Stella, porém perde o ultimo vôo e tem que voltar a conviver com o marido mesmo com o processo do divorcio. Mas um estranho está chegando na cidade profetizando a morte de todos de algo desconhecido. E começa a escuridão e a partir daí, criaturas da noite sedentas de sangue (vulgo vampiro) começam a dizimar quase toda a cidade e os sobreviventes irão tentar perpetuar a vida e esperar a próxima alvorada de sol.

Se fosse fazer um ranking de produtoras atuais de horror, a briga é feia para quem vai ser a pior produtora. De um lado está a Platinum Dunes (Micheal Bay e se brincar é melhor do que os seus próprios filmes) que mesmo chamando “diretores novos” alias, ratificando, restos de diretores de videoclipes oscilam entre um filme decente e um filme ruim. A Dark Castle que apesar dos seus donos serem realmente poderosos (Joel Silver e Robert Zemickis) fez muitos lixos cinematográficos como 13 Fantasmas, Navio Fantasma (ooo criatividade), A Casa da Colina, Na Companhia do Medo, A Casa de Cera, A Colheita do Mal e detalhe, alguns desses filmes conseguiram queimar um pouco a filmografia de alguns diretores e atores como Mathieu Kassovitz, Penélope Cruz, Hilary Swank, Geoffrey Rush, Annasophia Robb e o mais importante: todos são um lixo! E chega a nossa produtora Ghost House que surgiu na minha concepção na seguinte prerrogativa: de tanto ganhar dinheiro em Homem Aranha, ele pegou o dinheiro e começou a financiar no que seria o “futuro promissor do horror” que é os remakes de filmes orientais e com o seu “toque mágico” conseguiu que o filme original, Ju-On se torne uma piada para o resto da nação do horror e ainda o seu remake fez a grande confirmação: que fazer remake de filme oriental de horror é roubada! Depois disso a produtora só acumulou filmes fracos aumentando a dor de cabeça dos fãs do horror. Porém com uma adaptação de HQ ou uma Graphic Novel, a produtora poderia ter novos rumos?

O roteiro não é um grande espetáculo, mas pelo menos tenta trazer algumas coerências para não dizer que é um fiapo. Mas alguns diálogos são memoráveis e principalmente por colocar um idioma próprio para os vampiros. Alguns diálogos do chefão são espetaculares mas outras que parece lições de moral de Beyblade, Pokémon e derivados. As duas únicas atuações que prestam no filme são de Bem Foster e Danny Huston. Bem Foster faz O Estranho e que no começo é o único atrativo para continuar a ver o filme antes dos vampiros chegarem, assim confirmando a notável e elogiável evolução desse ator que esteve em Alpha Dog, nesse filme e 3:10 To Yuma de James Mangold. Danny Huston faz o chefão dos vampiros, ele pode falar pouco, porém a presença dele é inegável em tela e fora que as melhores falas do filme são dele. E o resto dos atores... Sabe o que é ter em um filme de horror um herói que quer salvar todos, a mocinha, o irmão do principal e uma cambada que vai morrer pronto, nesse filme não é exceção.

Sam Raimi, agradeça a David Slade, aparentemente poderia se dizer antes de ver o filme que ele fosse um tipo de pau-mandado do produtor, já que em 110% das produtoras de horror utilizam diretores diferentes porém quem mandam é eles, os produtores. Nesse filme ele foi fiel ao gibi original fazendo até alguns repetecos quadro a quadro tipo Sin City e pelo menos ele foi decente em criar muita tensão em algumas cenas, porém tem coisas que fazem que o filme caia de ritmo e que não fica sem graça graças a uma ação desenfreada e sanguinária no começo e depois vira o joginho favorito de qualquer fã de horror: quem vai morrer na próxima seqüência?

E antes da conclusão é bom falar de duas forças eletromotriz desse filme:

(1°) Violência: muita gente reclama que filmes do tipo não têm violência, mas nesse eu nem reclamo, na dose certa conseguiu atingir expectativas dos esfomeados da nova geração onde se pingar sangue na tela é vibração na certa.
(2°) Vampiros: quem disse que os vampiros tinham que parecer com Brad Pitt ou com o Tom Cruise? Nesse ele ousa a serem feios, violentos e implacáveis, e ainda dando destaque a seqüência da menininha vampiro que ficará na cabeça como uma das cenas mais ousadas que já vi em um filme de horror.

30 Dias de Noite de tantos filmes que já saíram esse ano, fica junto com P2 como um filme de horror que não é tão bom porém que não é tão ruim, fica para aqueles que gostam do gênero vampirismo, mas pelo menos foi o único acerto dessa produtora que vive as custas do Aranha que ganha horrores, e assim lembrando de um jargão do Captão Nascimento para essa produtora: “Você, Sam Raimi, que pega o dinheiro do Mamão Aranha e fica financiando esta merda de produtora!”. Para alguns um tiro pela culatra por ser decente, e para mim... Já vi coisas melhores esse ano.

30 Dias de Noite (30 Days Of Night)
Direção David Slade
Elenco: Josh Harrnett, Melissa George, Danny Huston e Ben Foster
Gênero: Horror/Ação

Se Procuras algo melhor:

Nosferatu
Dracula de Francis Ford Coppolla
Entrevista Com Vampiro

15 de dezembro de 2007

Quando se imagina que temos a maturidade suficiente para determinados assuntos, aparece um desafio para alguns e para outros uma oportunidade de reavaliar o que somos, o que gostamos, das nossas influencias, das nossas alegrias e o mais importante, a capacidade de absorver o desconhecido. Sensações conturbadas e inexplicáveis, queria achar palavras concretas e concisas, porém quando mais pensamos, mas as palavras se tornam distantes e impossíveis. Introduzo a vocês um filme que muitos já conhecem, porém uns reconhecem como um marco no cinema, outros um exercício terapêutico para voltar a ter sono. Isso é 2001 – Uma Odisséia No Espaço de Stanley Kubrick (Stanley Kubrick’s 2001 A Space Odyssey).

Antes de tudo: quem detém a tecnologia, detém tudo. A alvorada do homem até hoje dá e fortalece essa idéia. Durante a pré-história humana, em um reduto de vida sem percepção ou idéias, perpetuava os instintos mais crus e verdadeiros. Mas com a aparição de uma rocha negra e perpendicular começa o espetáculo que envolve beleza e maestria, porém não tão bem executados, concretiza o pesadelo mais tocante do mundo: A Evolução Humana. Passamos a ver o incrível raciocínio humano aflorar quando um começa a matar o outro e reforçando a idéia inserida no começo do texto no qual se refere: tens a maquina da destruição, tens o poder entre as mãos.


E em uma seqüência de cena antológica, quando o símio mata sem dó e perdão o seu semelhante (coisa que o ser humano faz com exaustão e acha bom), e em um momento de satisfação joga o instrumento que aprendeu dominar e chega ao mais alto que pode e de repente em uma característica kubrickiana, o osso se torna uma nave espacial indo para muitos anos após em 2001 (na visão do ano de 1968) onde se ouve a belíssima melodia de Danúbio Azul.

Depois de um filme épico, sucedido por um drama com toques libidinosos e de uma comedia acida sobre o pior momento da história mundial, Stanley Kubrick se preparou para fazer, o que é para muitos a sua obra máxima, porém quase ninguém esperava para o que ele fez. Baseado em uma obra de Arthur C. Clarke, no qual o próprio autor junto com Kubrick fez o roteiro. Curiosamente o filme não tem exaustivas trocas de dialogo, porém são diálogos que marcam por causa de sua densidade para o momento especifico do filme.

Depois da alvorada humana, vimos em nossa época, onde em primeira instancia Dr. Heywood Floyd tentando descobrir uma falha que está ocorrendo em uma falha em uma base lunar, porém se repara que o problema é com algo além do esperado. Nesse segmento, Kubrick dá mais atenção para o que tanto ele, quanto o autor do livro, esperava do primeiro ano do novo milênio já estivéssemos no espaço, em colônias espaciais para tentar amenizar o problema de superpolulações, porém quando olhamos e vimos o que se passou em 2001 real, percebemos que não fizermos uma bela odisséia no espaço, nem tão pouco se viu o espetáculo do espaço ao alcance de todos.

E Kubrick aprofundou mais com algo que a cada dia cresce ainda mais que é a relação homem - maquina. Depois de 18 meses dos eventos ocorridos na lua, um grupo de astronautas irão fazer uma viagem de expedição para Júpiter e ainda levando um componente de equipe em especial, o supercomputador avançado HAL 9000 que é um dos computadores mais avançados que existe no mundo que além de ser um órgão necessário para a nave, HAL tem uma vantagem curiosa que é se aproximar dos sentimentos humanos, porém nesse meio termo quando se detectou um erro na espaçonave, os humanos da nave pensam que o erro foi de HAL e eles irão perceber o que acontece quando se dá o dom do sentimento a maquina. Assim como o primeiro segmento do filme onde mostra o dom do pensar aos símios, nesse segmento foca o dom da sensibilidade e pensamento que as maquinas adquiriram no futuro, mesmo sendo filme uma relação breve, porém marcante Kubrick no seu filme demonstrava a preocupação no relacionamento entre as maquinas e os homens. Muitos falam que HAL 9000 é um dos maiores vilões da história do cinema, curiosamente eu não acho. A partir do momento que oferece o dom de pensar a alguém, ele irá questionar o que está ao redor, no que é certo e no que é errado. Se ele fez foi certo, vejam e tirem as suas conclusões.

E no ultimo e antológico segmento apenas o que posso falar? Palavras não definem o que se vê. É nesse momento é somos transportados a algo que tentamos descrever, mas cadê as palavras? Cadê os verbos que saem das nossas mentes para criar um texto argumentativo sobre algo indescritível. E ainda para deixar a viagem final algo marcante: Existe uma musica do Pink Floyd chamada Echoes do disco Middle de 1971 que tem uns aproximados 23 minutos. Curiosamente o Pink Floyd iria fazer a trilha sonora, mas não deu. Porém essa musica tem uma sincronia perfeita os últimos momentos do filme. Para a lenda funcionar, comece a colocar a musica (que começa com um som de um sino) no momento que aparecer o nome do segmento Júpiter e Infinito e abaixe o som do filme e coloque a musica no som mais alto que puder e ainda vejam de noite e preparem para uma viagem psicodélica única.

Assim termino um pequeno texto sobre esse importantíssimo filme onde sabemos que não é um filme fácil, não é um filme que se assiste em qualquer hora e tão pouco se encaixa para padrões blockbusters que os jovens estão acostumados hoje. É um filme que mexe com a sensibilidade cinematográfica de um simples espectador. Muitos que viram o filme no inicio da caminhada cinéfila, não compreenderam ou não gostaram, porém quando se consegue o momento certo e a hora certa. Tenho certeza meus amigos que lêem esse singelo autor, que irão ver a verdadeira força desse filme. Soa preconceituoso, porém é tão verdadeiro e cruel: que a cada dia, gostar de assistir filmes é uma coisa e gostar de cinema está totalmente diferente e desvirtuado.

E o nosso ano 2001, nem vale a pena lembrar... É melhor cultivar o que Kubrick sonhou, por que se estivesse vivo até hoje, iria perceber que o sonho foi apenas uma breve ilusão psicodélica e que os homens que estão no poder hoje se aproximam mais dos símios do começo dos tempos. Não fomos ao espaço, não vimos grandes naves de colônias, pior ainda que nem tenhamos um computador como HAL 9000, mas ainda temos a principal característica do filme... Queremos saber o que está além do infinito...


2001 - Uma Odisseia no Espaço (Stanley Kubrick's 2001 A Space Odyssey)

Direção: Stanley Kubrick

Baseado na obra 2001 Uma Odisseia no Espaço de Athur C Clarke

Gênero: Ficção Cientifica/Fantasia

13 de dezembro de 2007

Um Post Diferente

Para passar o tempo e falar que adquiri esses dois filmes porém não consigo escrever algo para ele de tão especial que ele é ... Essa canção de Julie Delpy consegue transpor o que é realmente esses belissimos filmes






Deixe-me cantar uma valsa para você
Vinda de lugar algum, vinda dos meus pensamentos
Deixe-me cantar uma valsa para você
Sobre essa única noite


Você foi para mim, aquela noite
Tudo aquilo que eu sonhei na vida
Mas agora você se foi, você se foi para longe
No caminho para sua ilha de chuva



Foi para você apenas coisa de uma noite
Mas você foi muito mais para mim
Apenas para você saber




Eu ouvi rumores sobre você
Sobre todas as coisas ruins que você faz
Mas quando nós estivemos juntos a sós
Você não pareceu um jogador




Eu não ligo para o que eles dizem
Eu sei o que você significou para mim aquele dia
Eu apenas queria outra tentativa
Eu apenas queria outra noite
Mesmo que isso não pareça nada correto
Você significou para mim muito mais
Do que qualquer outro que eu encontrei antes



Apenas uma única noite com você, pequeno Jesse
Vale milhares com qualquer outro
Eu não tenho amargura, meu querido
Eu nunca vou esquecer essa coisa de uma noite
Mesmo amanhã, em outros braços
Meu coração será seu até eu morrer


Deixe-me cantar uma valsa para você
Vinda de lugar algum, vinda dos meus pensamentos
Deixe-me cantar uma valsa para você
Sobre essa única noite

9 de dezembro de 2007

O ramo do direito no cinema é algo sedutor, para se falar a verdade. Nós, meros expectadores, ficamos muitas vezes em êxtase pelo clamor da justiça, ou pela inquietação que o filme toma até chegar ao clímax. Sim, vibramos com o belo desfecho ou nos chocamos mais ainda com o final “nem é tudo que parece”. E some isso ao bom momento de George Clooney que desde que ganhou o Oscar, virou a maquina de filme ótimo, temos a equalização impecável chamado Micheal Clayton – Conduta de Risco.

Mas se pergunta, quem é Micheal Clayton, o que ele faz? Alguns chamam de milagreiro, mas na realidade ele se autodenomina um faxineiro, mas de luxo. Ele trabalha em uma poderosa corporação de advogados, porém não é um advogado fixo e sim um tipo de “conselheiro especial” da empresa. E ele foi designado para fazer mais uma limpeza. Um advogado importante dá um surto e fica pelado em uma audiência em um estado dos EUA, e de inicio, se crê que por falta de medicamento, o surto pode ser inevitável, porém nada é o que parece e um faxineiro antiético irá se envolver em uma trama que envolve muito além do que se imagina.

Em filmes jurídicos, muitos dão ênfase a julgamentos e os rumos que ele toma, porém a trama escrita por Tony Gilroy dá ênfase às condutas éticas de advogados em determinados casos onde grandes corporações e casos que envolvem poderosos. E ainda fica mais acido e desconcertante o fato do personagem de Clooney não ser um personagem ético e por que não, a escoria desse ramo que em alguns momentos é um belo dom para propagar a justiça ou um câncer que continua a perpetuar a injustiça e beneficiamento de mal feitores.

Micheal Clayton também não é só se sustenta pelo roteiro e seu conteúdo. As atuações de seu grande elenco são assim como o tema do filme, impecável e desconcertante. Tilda Swinton se forma além como uma grande atriz britânica, emplaca mais uma vilã memorável em sua carreira e principalmente desse filme onde juntando com a frieza e a instabilidade de seu trabalho, atuação de Oscar. Tom Wilkinson faz uma atuação forte apesar de poucas vezes em cena como o advogado Athur Edens, o ator prova que é um dos mais competentes do cinema atual. E não pode deixar de falar dele, George Clooney, que prova a cada ano que se passa o por que é um dos melhores atores de Hollywood, onde muitos pensavam que depois do Oscar poderia cair em produções fracas, dá a volta por cima e consegue provar que o seu Oscar não veio por acaso e espera-se que uma nova indicação venha para o ano que vem. Clooney faz um personagem que merece um estudo profundo tanto juridicamente quanto psicologicamente, mostrando que mesmo com a privilegiada função em seu trabalho, não consegue manter a postura ética para si e o que vive ao redor de sua pessoa e principalmente nos momentos finais da trama onde se vê uma atenuante e sufocante interpretação ao seu desfecho.

Apesar de alguns problemas de ritmo de Tony Gilroy, mas que rapidamente se recupera e deixa o espectador voltar a respirar no final do filme, Micheal Clayton sem duvida é um dos melhores filmes desse ano, assim juntando os louros de qualidade ao currículo de George Clooney. Sufocante e reflexivo, um filme importante para ser debatido em aulas e seminários de direito com um propósito, será que é tão difícil ser ético para ser considerado loucura? Recomendado.

Ficha Tecnica
Conduta de Risco (Micheal Clayton)
Diretor: Tony Gilroy
Elenco: George Clooney, Tom Wilkinson, Tilda Swinton e Sydney Pollack

Se Gostou do filme, Recomendo:

- Syriana
- Boa Noite e Boa Sorte
- O Homem Que Fazia Chover
- Os Donos da Noite

3 de dezembro de 2007

Encantada



Era uma vez, uma fabrica de sonhos que prevaleceu o seu império de magia e encanto durante décadas criando vida aos mais belos contos de fantasias já feitas, porém o tempo foi passando e essa fabrica começou a inovar colocando mais fabulas em versões perto do mundo real e pensou que iria soltar um feliz para sempre no final. Mas uma empresa que o nome se chama Fábrica de Sonhos começou a fazer uma coisa que a antiga fabrica de sonhos não teve ousadia de fazer, uma distorção vulgar e irônica sobre os antigos sonhos e ainda mais, a nossa fabrica de sonhos começou a entrar em um período de trevas onde os sonhos se tornavam pesadelos por que perdeu a sua magia estava entrando em colapso e ainda mais, quando começou a ser mais tecnológico, mas perdia a alma assim criando um circulo vicioso para os seus fãs com a cobrança xiita e cega pelos seus novos projetos no quais muitas vezes é uma tortura mental e visual. Será que a nossa fabrica de sonhos ainda tem a magia de encantar o novo e exigente publico?

No vale encantado de Andalasia, vive Giselle, uma bela moça que mora em uma arvore oca e tem uma habilidade que é conversar e cantar com os animais que a rondam. E uma bela canção ela conhece o Edward, um rapaz robusto que vive passando o tempo caçando ogros e em uma compatibilidade musical se apaixona pela bela jovem e já no dia seguinte iria se casar, porém há uma pessoa que não quer isso, a Madastra Narissa que é uma perigosa bruxa que tem o medo de perder a coroa faz uma armadilha a nossa heroína mandando para um mundo onde o sorriso nunca é dado e não existe a fantasia e a magia de uma bela história: o nosso mundo. (...)

A ultima tacada para o final do ano da Disney é o que mais parecia que iria dar errado, Encantada soou como uma bomba para a produtora esse ano já que esse ano estreou a franquia enche-cofre Piratas do Caribe III e o primeiro filme da Pixar já sendo uma célula importante da Disney, Ratatouille e por ultimo chegaria esse filme. Assim, Piratas do Caribe III alcançou o seu objetivo que é massacrar o Mamão digo, Homem Aranha III nas bilheterias, mas em contra ponto, o filme é uma lastima de tão ruim. Já Ratatouille apesar de agradar uma boa parcela de publico e de críticos, não me convenceu e com a queda de qualidade assim questionando se valeu a pena o valor que a Disney comprou a produtora. E nesse filme, a Disney se vinga esse ano por falta de qualidade (por que dinheiro, o cofre ta cheio)?

(...) Assim nossa princesa caiu em um dos lugares onde ninguém dá um sorriso ou ajuda que é a cidade de Nova York pós 11 de setembro e a ingênua princesa quase cai em desgraça, mas um advogado viúvo e sua filha sonhadora começam a cuidar dela e assim criar situações curiosas, mas o corajoso príncipe junto com seu escudeiro irá tentar salvar essa desse mundo e resgatar Giselle de volta, mas a Narissa não vai deixar barato e tentará atrapalhar a situação da princesa. Mas com o convívio com o advogado irá dividir o coração dela entre o mundo real e o mundo encantado.

Hoje se tornou algo triste que é a banalização da fantasia, onde teve uma crescente onda de distorção de magia assim criada pela péssima franquia Sherk e suas péssimas ramificações assim acostumando o publico a esquecer da magia de contar uma fabula e ainda mais, a Disney continua focando se ainda mais na questão de moralidade fazendo que alguns desenhos se tornem cansativos por esse “belo” formato, mas Encantada irá conseguir fazer rivalidade a outra fabrica de sonhos e seus projetos abaixo da media?

O roteiro de Encantada faz um retorno a magia dos antigos clássicos da produtora como Cinderella, Branca de Neve e derivados, mas também consegue ser pé no chão com o relacionamento entre Giselle e Robert, mesmo com as previsiblidades do roteiro porém nesse ponto foi bem executado e valeu a pena. As canções retornam aquela magia que a Disney sabe fazer, porém ouvir dublado (como eu ouvi, infelizmente) é um chute nos eggs e para se ter uma idéia, teve cenas que não existia sincronismo entre a pessoa e a canção dublada.

As atuações do filme são de alto nível, tanto para o caricato porém ideal para o papel, James Mardsen consegue cativar e rir com o seu personagem, o príncipe Edward e algumas tiradas dele são impagáveis. Também outra surpresa é o ator Timothy Spall que já apareceu em alguns filmes de Tom Cruise com O Ultimo Samurai e Vanilla Sky faz o ajudante que é lacraio da madastra, Nathaniel e também faz uma atuação caricata e cativante em seus momentos. mas as estrelas do filme são sem duvida Amy Adams e Susan Sarandon, enquanto a princesa Amy Adams (mesmo um pouco velha para o papel) faz com inocência e ingenuidade a Giselle e alguns até sofrem um pouco com as feições abobadas dela porém ela é cativante em todos os momentos que aparece. Já para a maléfica Narissa, Susan Sarandon dá um espetáculo de vilania entrando no hall das maiores vilas da Disney mesmo sendo um conjunto de todas as vilãs.

Encantada faz com o espectador se emocione, chore, cante e vibre em seus 107 minutos de pura magia e alegria, e para alegrias de muitos, o filme se tornou uma virada de mesa da Disney tentando provar para alguns que não só vive da Pixar e de alguns piratas, é só trilhar o caminho da reinvenção e criatividade sem sair da realidade atual, pelo menos o filme deu gosto de ouvir uma frase tão brega, porém tão reconfortante quanto é: Felizes Para Sempre. Recomendado!

Ficha Tecnica
Encantada (Enchanted)
Direção: Kevin Lima
Elenco: Amy Adams, Patrick Dempsey, James Mardsen, Timothy Spall, Rachel Covey, Idina Menzel e Susan Sarandon
Gênero: Fantasia/Romance

Se Gostou de Encantada irás gostar:

Para Sempre Cinderella
Branca de Neve e Os Sete Anões
Ricky Bobby - A Toda Velocidade
Hairspray
O Fabuloso Destino de Amelie Poulain

1 de dezembro de 2007

Ratatouille

Sete bilhões de dólares... O que se pode gastar com todo esse dinheiro. Esse mesmo valor pode ser um PIB de um país pequeno, dá para construir milhões de casas populares, investir em áreas sociais como educação, alimentação, saneamento básico, porém esse valor é pequeno e insignificante para a Walt Disney que fez com esse mesmo e pomposo valor a compra da Pixar Animation Studio e Ratatouille é seu primeiro filme como departamento oficial de animação da Disney, porém o preço foi bem alto do que se imagina.

Remy é um ratinho especial, ignorado pela colônia onde quem comanda o seu pai, Django, tem um dom especial, um apurado olfato onde ele consegue distinguir o melhor cheiro de comida a distancia. Um dia enquanto roubava algo decente para comer ele vê na TV algo inspirador o chefe de cozinha Gusteau com o seu livro “Qualquer Um Pode Cozinhar” e nesse dia por uma infelicidade do destino ele se separa da colônia e vai parar em um lugar especial (...)

Quando a Pixar surgiu revolucionando o mundo da animação em 1995 com o clássico indiscutível Toy Story e a partir desse momento a criatividade espetacular da empresa começou a crescer tanto na qualidade quanto recordes de bilheteria, porém tinha um contrato dizendo que a empresa só poderia fazer no máximo sete filmes com a Disney e depois disso, poderia fazer o que quiser até ai tudo bem, porém com o avanço da tecnologia nos últimos anos somando com as bilheterias pomposas de seus filmes e principalmente os desenhos da Disney estavam decaindo de qualidade a única saída para eles é entrarem na moda dos conglomerados onde um engloba o outro (a Paramount comprou a Dreamworks, a Sony comprou a MGM e etc.) e compra com a exorbitante quantia citada acima porém com disso, se pode desleixar no padrão Pixar de qualidade ?

(...) E o herói vai parar na belíssima cidade de Paris, França e logo em um lugar especial, o restaurante do seu ídolo que infelizmente morreu após uma critica negativa do implacável Anton Ego, um especialista em culinária. E quando chegou lá criou uma estranha relação com Linguini, um desajustado rapaz que tem algo especial e juntos, um ratinho oprimido por ser especial e um rapaz sem talento nenhum irão provar a frase do grande chefe: Qualquer um pode cozinhar.

O roteiro do filme sofre com as conseqüentes e cansativas “lições de morais com selo Disney” que estava começando a assolar já no chatíssimo Procurando Nemo, no mais ou menos Carros (onde se sobressai com a canalhice de Lighting McQueen que é a copia escarrada e cuspida de Zoolander) onde vemos bordões onde tal fato é mais importante do que o que vives e blábláblá. Fora que nesse filme acontece umas reviravoltas (diga se passagem, forçadas) que beiram a questionar a lógica do espectador. Porém Ratatouille tem uma ligeira vantagem de roteiro diante dos anteriores no qual sempre tem as famosas mensagens implícitas, em Procurando Nemo foi sobre o vicio do alcoolismo, em Monstros SA foi o fim da inocência entre as crianças e em Carros que foi a apologia à maconha. Já em Ratatouille não teve esse tipo de linguagem pouco peculiar e que dependendo da película funciona ou não, sorte que esse filme não precisou desse recurso curioso.

Outro ponto que a Pixar sempre foi competente foi na criação de personagens em seus filmes, porém o que deveria ter sido o centro das atenções que é o ratinho Remy se tornou um dos personagens mais irritantes e chatos de toda galeria Pixar, e olha que já tiveram piores como Nemo, Flik, Dory e Mater. E curiosamente o melhor personagem da trama sem duvida nenhuma é o implacável critico Anton Ego, onde as referencias fúnebres são assustadores, porém sedutores e principalmente no ato final da trama onde a maquina moralista Disney começa a engrenar, ele consegue fazer um dos mais belos e sensíveis discursos que um filme pode produzir.

Outro ponto positivo e incrível da trama é a trilha sonora de Micheal Gianchinno que já tinha feito uma trilha espetacular para a Pixar para Os Incríveis, volta a trabalhar para o diretor Brad Bird e faz uma trilha que refinada dando ênfase as belezas de Paris e assim provando a versatilidade do compositor que cada dia está se firmando como um dos melhores compositores da atualidade por que ele consegue captar em suas trilhas as sensações que a trama pode passar, exemplo, ele cria uma trilha nervosa pra Lost e sutileza e lirismo para Ratatouille. Também a direção de Brad Bird é muito boa, assim firmando a linearidade de ótimas animações, porém Ratatouille foi um pouco abaixo da media que a Pixar fez.

Ratatouille não seja ser um péssimo filme quanto foi Procurando Nemo, porém há ressalvas por que ele não conseguiu alcançar a genialidade dos filmes anteriores, entretanto consegue atingir o seu propósito para quem é fã, um filme redondinho, com tudo bonitinho, mensagem bonitinha ou mais simples, é tudo inho... Poderia até dizer que é um filme que fica entre o bonzinho e o ruinzinho.

Assim termino essa resenha sobre esse desenho com o belíssimo discurso de Anton Ego

“Sob vários aspectos, o trabalho de um crítico é fácil. Arriscamos-nos muito pouco, e ainda gozamos de uma posição de superioridade sobre aqueles que nos oferecem seu trabalho para o nosso julgamento.
Vivemos das críticas negativas, que são divertidas de escrever e ler. Mas a dura realidade que nós, críticos devem encarar... É que, na maioria dos casos, a mais simples porcaria talvez seja... Mais significativa do que a nossa crítica aponta.
Mas há vezes em que um crítico arrisca, de fato, alguma coisa... E isso acontece quando se descobre e se defende uma novidade. O mundo costuma ser hostil aos novos talentos, às novas criações.
O novo precisa de amigos.”

Pena que não consegui sentir isso em Ratatouille...


Ratatouille
Diretor: Brad Bird
Com as Vozes Originais de :Peter O'Toole, Iam Holm, Jeneane Garlofalo, Brian Denneny, Brad Garrett, Patton Osvald, Lou Romano, Peter Sohn
Gênero: Animação/Romance/Comédia/Infantil