19 de novembro de 2007

Leões e Cordeiros (Lions For Lambs)

Primeira situação: Na reta inicial das eleições presidenciais, um nome ganha força e confiança do seu partido. O senador Jasper Irving, um político republicano, tem grandes propósitos para conquistar os corações e confiança do povo americano. E em uma manhã, ele concede uma entrevista onde só envolve o senador e a jornalista veterana Janine Roth. Porém os planos de Jasper desafiam os preceitos éticos de Janine.

Leões e Cordeiros é o mais novo filme do diretor e ator Robert Redford que estava afastado da bancada de diretor desde Lances da Vida de 2000. E conta no elenco, além do próprio ator, Meryl Streep, Micheal Pena, Derek Luke e Tom Cruise. E ainda Cruise, é o primeiro filme da United Artist que produz sobre a supervisão do ator depois da compra da produtora. Com tantos pontos atrativos para um bom cinéfilo, então por que esse filme foi (quase) massacrado pela critica americana.

Segunda situação: Afeganistão. A mando do senador Jasper Irving, alguns militares tiveram novas táticas militares no qual se baseia em mandar pequenas milícias para acabar com células do grupo terrorista Al Quaeda e achar o mito Osama Bin Laden. Mas o plano deu errado, já por causa das condições climáticas e armadilhas do destino, dois soldados Arian Finch e Ernest Rodriguez caem no terreno inimigo e começam a refletir do por que estão na zona de guerra.

O tema por si só é espinhoso. Assim como o incrível (porém saturado de debates pseudointelecuais) Tropa de Elite, Leões e Cordeiros trata sobre a sociedade política pós 11 de setembro, no qual mostra que no inicio existia uma comoção quase mundial contra a guerra contra o terror mas de acordo com o tempo, a situação ficou fora de controle, novos rumos de ideologia política, e a insatisfação popular por guerras de cunho econômico criou desgaste entre a sociedade sobre o tema e quando querem reparar os erros crassos que o tempo não irá curar, o sistema faz a questão de repetir fatos do passado porém o próprio passado provou que aquele sistema não deu certo.

Terceira situação: Em uma universidade paga da Califórnia, Todd Hayes, um estudante desleixado com a matéria do professor Stephen Malley, vai bem cedo a faculdade e pensando que iria agradar o seu professor com café bem cedo, o professor dá duas saídas para esse aluno passar em sua matéria, mas o verdadeiro propósito para esse professor é recrutar esse aluno aflorando sobre o papel dele na sociedade atual, assim como os seus outros dois alunos Arian e Ernest.

Outro ponto que o filme mostra sem pudor é a manipulação da mídia sobre determinadas situações, também a história nos provou que a mídia faz um perigoso jogo com o sistema político assim determinando rumos de opiniões publicas, assim remetendo assim para a sociedade dizer que tal situação é correta ou não. Assim lembrando uma fala que o personagem de Tom Cruise diz: “Vocês (se referindo a mídia) nos vendem o problema da sociedade, por que vocês não vendem a solução?”

Muitos dizem que o problema do filme está na questão técnica, por ser muito parado, ou que muitas vezes limitada para o tema. Mas isso pode até ser relevado por dois importantíssimos fatores: atuações e roteiro. O roteiro de Matthew Micheal Carnahan (irmão de Joe Carnahan) que também fez o roteiro do inédito O Reino, faz uma feroz e implacável critica ao sistema político atual dissecando ora nos seus diálogos ora nas atitudes retrogradas e inúteis. E o elenco está afiadíssimo, desde do novato Andrew Garfield (esse merece ficar de olho) até o polemico Tom Cruise e principalmente ele que sempre foi marcado por polemicas egocentristas mas que sempre ofuscam o grande ator que ele é e nesse filme é um dos personagens mais nojentos e antipáticos porém consegue conquistar o espectador com o seu jeito esperançoso e aquele sorriso implacavel, assim como a maioria dos políticos atuais, ponto positivo para o filme. Robert Redford e Meryl Streep já foram o que eu esperava, atuações impecáveis.

Com pontos técnicos abaixo do esperado, mas feito de coração e alma, Leões e Cordeiros é uma obrigação para quem gosta de um filme inteligente, profundo e verdadeiro. Mas não é recomendado a aqueles que são meio desavisados em diálogos, gostam de superproduções exageradamente acéfalos, e de não gostar de discutir o mundo onde vive. Sociologicamente perturbador, Leões e Cordeiros é para ser visto, debatido e não ser esquecido.

Leões e Cordeiros (Lions For Lambs)
Diretor: Robert Redford
Elenco: Robert Redford, Andrew Garfield, Derek Luke, Micheal Peña, Peter Berg, Meryl Streep e Tom Cruise
Gênero: Drama/Guerra

Se Você Gostou do filme Recomendo:

Todos Os Homens Como Presidente
A Firma
Tropa de Elite
O Caminho Para Guantanamo
A Revolução Não Será Televisionada

5 de novembro de 2007

Jogos Mortais IV (Saw IV)



Quem diria, um filme barato chegou a proporções jamais imagináveis, assim tornando para muitos fãs um marco obrigatório em uma época que é marcada pelos filmes que conseguem pouca arrecadação. Méritos para Jogos Mortais com certeza, mas fica o alerta, quando algo que é feito com dedicação percebe qualidade, porém quando entra a ganância, começa o desespero.

O tenente Rigg pode se dizer que é um policial exemplar, que sempre está a serviço da força policial, mas teve que aturar vários amigos policiais sendo mortos, incluindo a sua parceira Kerry, com essa dedicação a corporação esqueceu do seu lado humano, e o ápice disso é o distanciamento dele com a sua mulher. Porém Jigsaw tem um plano para ele para ter a “redenção” que é salvar o seu amigo Eric Matthews e o detetive Hoffman, porém ele deve ter muito cuidado, o que pode ser a redenção, poderá ser uma armadilha.

Em menos de meia década, a franquia cada vez mais ganha mais força e se torna um fato carimbado no Halloween. Também os números contribuem para isso, o primeiro alcançou 18 milhões no final de semana de estréia e o resto da franquia sempre estreou com a media impressionante de 30 milhões para cima, fora a forte campanha de doação de sangue que ocorre para promover o filme. Entretanto, a franquia começou-se a desgastar com os rumos que estava tomando e principalmente o curto tempo de intervalo entre um filme e outro que faz compromete muitas vezes a qualidade de seus projetos.

O roteiro do quarto exemplar da serie não são dos mesmos que começaram que são Leigh Whanhell (um acéfalo), Darren Lynn Bousman (outro acéfalo), e James Wan (além de acéfalo, péssimo diretor). Os novos roteiristas são Patrick Melton, Marcus Dunstan e Thomas Felton. Ao mesmo tempo esses novos roteiristas têm seus méritos, porém tem seus defeitos. O mérito é de contar a origem do por que John Kramer se tornou Jigsaw e suas simbologias, e defeitos por fazer o mesmo erro de O Ultimato Bourne onde aproveita um buraco visível de uma trama passada e montar a história encima dela e que muitas vezes, muito mal sucedida que foi no caso desse filme. Fora isso o desfecho poderia ter sido pior do que se imagina, mas eles tiraram uma curiosa carta na manga, porém vamos ver se essa carta é segura ou é apenas um blefe para ter mais filmes.

Bem, no elenco o único que ainda merece a conferida é Tobin Bell que consegue fazer a única e verdadeira atuação de verdade, por que o resto é mais do mesmo, no que podemos dizer: atuações horríveis, personagens terrivelmente mal construídos e que em alguns momentos dá ânsia de vomito de ver atuações horríveis como essa. E ainda a trilha de Charlie Clouser continua a deixar o espectador cair no sono por ser tão chata. A direção de Darren Lynn Bousman continua sendo ainda a coisa mais horrenda do mundo, ele ainda continua com cortes de videoclipes que são um saco. Porém ele conseguiu uma evolução, discreta em algumas cenas, porém não são de dizer que ele é um grande diretor.

Se a franquia de Jogos Mortais acabasse nesse filme, vocês, fãs, poderiam ter a certeza, vocês viram o melhor filme da série depois do primeiro assim provando que a cine-série aprendeu a formula de ganhar dinheiro com o novo segmento do horror, porém se esqueceu da essência do primeiro assim criando filmes vazios em aspectos técnicos e que se sustenta pelas torturas, que em decorrer dos filmes deixaram de ser próximo da realidade e se tornou algo impossível de se escapar, e da lição de moral que o vilão dá ao grande publico. Assim fica o alerta, se continuar à série, uma coisa ficará concreta, vai se tornar algo que Sexta Feira 13 se tornou, com o primeiro exemplar clássico e o resto de suas continuações algo deplorável ao grande publico. Mas, os fãs de Jigsaw vão ligar para isso, não... Claro que não.

2 de novembro de 2007

Tá Dando Onda

Pingüins são aquelas aves que sabem dançar e cantar, que ficam o tempo todo com a responsabilidade de chocar ovos. Pode se dizer que é uma vida incrível não? Mas isso é o puro tédio para Cody Maverick. Esse pingüim que desfavorecido pelo aspecto físico tem um talento incrível que é de surfar. E ele tem um sonho, de provar para todos que é capaz de chegar e não ser tão limitado a esgoelar a voz e dançar feito bobo.

Esse é o ponto de partida do falso documentário Ta Dando Onda que mostra detalhadamente a jornada de Cody Maverick, desde depoimentos de onde mora, em Shiverpool (Frio de Janeiro na versão nacional) até o seu destino final que é a competição de Surf em Pin Gu, uma belíssima ilha cheia de ondas e ganhar o campeonato. E também é o lugar do seu ídolo, Big Z, que era o mestre que morreu surfando. E também durante essa jornada irá encontrar algumas figuras pitorescas, um campeão que é odiado por muitos, um frango viajado, uma carismática salva vidas e o mais importante em qualquer documentário de esporte, o verdadeiro valor dele.

O curioso é que esse formato de filme está se tornando algo surpreendente e eficiente que é o falso documentário. Um exemplo disso é Borat, onde um personagem fictício conseguiu tocar no ínfimo de uma sociedade fazendo com que ela entre em xeque. Já no caso de Surf’s Up ele mostra na visão dos pingüins um esporte que muitos amam que é o surf e já nessa balada consegue satirizar o documentário A Marcha dos Pingüins e (do insosso) Happy Feet.

Uma coisa é lógica, como o filme é direcionado ao publico infantil, o roteiro é previsível até o osso, entretanto nessa previsibilidade conseguem tirar boas tiradas cômicas que funciona tanto para crianças quanto os adultos (principalmente eles). E nessa levada, para a versão nacional do filme foi muito bem readaptada apesar de carregar um linguajar característico de carioca e consegue algo melhor ainda, faz com as piadas que já eram engraçadas no original se torne ainda mais divertido. Nas vozes originais contam no elenco Shia LeBeouf (Paranóia e Transformers), Zooey Deschanel (O Guia do Mochileiro das Galáxias e a mina do clipe She’s Got a Issues do The Offspring), James Woods, Jeff Bridges, Jon Heder (Escorregando Para A Glória e Napoleon Dynamite) e Diedrich Bader (Napoleon Dynamite e Como Enlouquecer o Seu Chefe) e tem a participação especial dos surfistas Kelly Slater e Rob Machado .

Na trilha sonora é um outro ponto que faz que esse filme seja divertidíssimo, tem Incubus, 311, Sugar Ray, Pearl Jam e muito mais, fazendo que quem assista ao filme saiba que está no seu terreno de sossego. A qualidade técnica da animação pode se dizer que realmente pode-se confundir com o mundo real, e parecendo mesmo que é um documentário de verdade, mas eles utilizaram na edição o acabamento de uma câmera antiga dando assim uma veracidade nas imagens que são espetaculares e que no cinema a sensação de estar no tubo é única.

Tá Dando Onda pode se considerar um filme cult, por que assim como Por Água Abaixo, foi sucesso de critica, porém foi fraco nas bilheterias, mas a Sony não deve baixar a cabeça já que esse filme é infinitamente superior a Open Season (O Bicho Vai Pegar) e se continuar nesse caminho onde proporciona ao espectador uma história de amizade e superação, uma alta qualidade técnica, uma trilha sonora espetacular (pra mim quando toca Incubus, o filme ganha ponto) e que funcione não só para as crianças, mas os adultos que querem um escapismo de cores e magia podem ter a certeza meus amigos o caminho trilhado vai muito bem, obrigado. Pixar... Se cuide! Animação recomendada.

Tá Dando Onda (Surf's Up)
Diretores: Ash Bannon e Chris Buck
Vozes Originais de: Shia LeBeouf, Zooey Deschanel, Jon Heder, James Woods, Jeff Bridges, Diedrich Bader, Sal Masekela, Kelly Slater e Rob Machado
Gênero: Aventura/Documentário/Infantil/Comédia

Se você gostou desse filme, Recomendo:

Por Água Abaixo
Fabio Fabuloso
Borat - O Segundo Melhor Reporter da Gloriosa Nação do Cazaquistão Viaja a America
Escorregando Para A Glória