30 de julho de 2007

Johnny Vai à Guerra


Ninguém gosta da Guerra, qual é o propósito dela? Uns acham que é para ser superior e mandar em um mundo e criar novos tipos de sentimentos (muitas vezes de ódio e repudio) nos restos das nações. Outros motivos são para achar uma paz, por que como já disseram em um filme de guerra que não me lembro disse que se a pessoa quer encontrar a paz, prepare-se para a guerra. Mas para Johnny (ou Joe se preferir) o único motivo é pelo bem do seu país, porém o preço que ele irá pagar é mais caro do que se imagina. (...)

Não consigo lembrar de nada
Não posso dizer se isto é sonho ou realidade
Lá no fundo eu me sinto gritar
Este terrível silêncio me impede

Agora que a guerra está em mim
Eu
acordo e não posso ver
Que não resta muito de mim
Nada é real a não ser a dor agora (...)

Johnny Vai Á Guerra de Dalton Trumbo é baseado no livro homônimo escrito pelo próprio diretor do filme. O livro foi lançado no ano de 1939 e fala a história de um soldado que foi para a Primeira Guerra Mundial e tentando escapar das trincheiras, foi bombardeado e ficando em um estado lastimoso e sem poder fazer nada ele vai viver em um estado semi-vegetativo.

(...) Prendo minha respiração como se eu quisesse morrer
Por favor, Deus, me acorde (...)

Johnny como tantos outros, se alistou para a Guerra pensando que vai fazer algo benéfico para o estado. Deixa o seu grande amor para trás, sua família, cheio de sonhos e esperanças. Porém todas elas são destruídas quando ele é vitima de um bombardeio e milagrosamente continua vivo, porém, ele perde os membros superiores e inferiores, a sua face, a sua visão, sua audição e agora ele vive em um pesadelo sem precedentes e o único jeito de se expressar é usar o código Morse para fazer um pedido singelo e sincero.

O livro é visivelmente uma ode contra a vida bélica, um livro anti-belico. Porém quando o seu livro ganhou um premio especial, dois dias depois, estourou a Segunda Guerra Mundial. Fora isso, o romancista foi considerado “comunista” na era negra de Hollywood, o Macartismo ou a caça as Bruxas, que se baseava em acusar, injustamente, pessoas de alto escalão de comunistas. Depois de algum tempo ele voltou ao mercado, porém o filme antes desse que ele teve destaque foi ser o roteirista de Spartacus de Stanley Kubrick e ganhou dois Oscars como roteirista em A Princesa e O Plebeu e Arena Sangrenta. Mas a consolidação do diretor veio com a sua adaptação do seu livro ao cinema. O filme foi a Cannes e ganhou o prêmio de Júri e a Palma de Ouro foi indicado ao diretor.

(...) De volta ao útero é muito real
Dentro pulsa a vida que tenho de sentir
Mas não posso olhar adiante para revelar
Olhe para o tempo quando eu viver

Alimentado pelo tubo enfiado em mim
Como
uma novidade em tempos de guerra
Preso a máquinas que me fazem existir
Tire esta vida de mim

Agora o mundo se foi, sou apenas um
Deus ajude-me
Prendo minha respiração como se eu quisesse morrer
Por favor Deus me ajude (...)

Curiosamente o filme foi banido no Brasil na época da ditadura e se tornou cada dia mais difícil de encontrar. Mas graças ao Metallica o filme ganhou um status curioso de Cult. No disco “... And Justice For All” considerado por muitos fãs, o disco mais bem trabalhado do Metallica, encontra a musica "One" que é uma homenagem tanto ao livro quanto ao filme. E depois disso muitas pessoas foram procurar o filme e viram o valor que essa obra tem.

O roteiro mescla entre as dores e o escapismo criado pelo personagem central, que em determinados momentos da trama. Além disso, Trumbo sabe muito bem valorizar o seu personagem, seus sonhos e paranóias. As atuações são únicas e sinceras, principalmente de Timothy Bottons e Jason Robards. E curiosamente também está no filme é o pai de Jack Bauer, Donald Sutherland fazendo o papel de Jesus Cristo, e diga-se de passagem, uma interpretação diferente.

(...) Escuridão me aprisiona
Tudo o que vejo
Horror absoluto
Eu não posso viver
Eu não posso morrer
Preso em mim mesmo
Meu corpo é minha cela(...)

A direção de Dalton Trumbo fez é única. Em todos os sentidos, desde sua introdução onde vemos imagens de guerras passadas, a escolha de deixar o filme preto-e-branco na sua realidade e as lembranças e sonhos em cores. Fora mostrar com uma veracidade temas que em uma sociedade normal não aprovassem, porém vendo o filme, pensar-se-ia duas vezes, e mostrar como uma batalha que muitas vezes é feita por orgulhos feridos pode causar em um homem que não pediu para ir.

Esse filme não é como tanto filme de guerras já feitas nos últimos 20 anos para cá. Ele não é um filme heróico e tão pouco de ação. O filme é uma experiência única, assustadora, cruel. E também agradecer sem duvida nenhuma ao Metallica por não só apenas fazer uma canção que representa toda a dor e o sofrimento do personagem principal, mas também para que todos tenham conhecimento de um filme tão grandioso e tão inesquecível. Uma obra prima.

(...)A mina levou minha visão
Levou minha fala
Levou minha audição
Levou meus braços
Levou minhas pernas
Levou minha alma
Me deixou com vida no inferno

Metallica - One


Ficha Tecnica

Johnny Vai A Guerra (Johnny Got His Gun, EUA 1971)
Diretor: Dalton Trumbo
Elenco: Timothy Bottons, Donald Sutherland, Jason Robards
Baseado no Livro Johnny Vai a Guerra de Dalton Trumbo
Gênero: Drama/Horror

Se Gostou do filme, recomendo

Some Kind Of Monster
Nascido Para Matar
Spartacus


Clipe do Metallica


Claro que o dia não está tão belo, hoje uma pessoa amada e respeitada morreu ... porém o que ele fez, a sua marca e a sua história não vai passar feito um carro na rua, ou quando anda pela rua. Não ... ele deixa a sua marca e se torna algo que todos nós, sim nós, queremos ser ... imortais ... ele fez a sua marca, agora ele poderá descansar em paz ...

Ingmar Bergman, obrigado pelas suas obras que deixaram o cinema ainda mais resistivel e adorado por todos

21 de julho de 2007

Transformers - The Movie


Como em qualquer filme que envolve adolescente, sempre tem alguém que aparentemente demonstra sinais de uma personalidade retraída e rejeitada, mas que no fundo ele carrega algo de especial e que irá mudar a rotina de alguns ou de todos. E Sam Witwicky, não foge da regra imposta pelo filmes do gênero. Um rapaz retraído, nada atraente, porém carrega algo especial e que pode mudar o destino do planeta (...).

Transformers é o mais novo projeto de Steven Spielberg e que se baseia em uma famosa serie animada que conquistou a maioria dos jovens dos anos 80 e que vive carinhosamente para quem viveu essa época que hoje se chama a década perdida, por tantas coisas boas que de inicio não deu a devida atenção, mas que ao passar do tempo, ela se torna especial por algumas vezes pela inocência ou pela ótima qualidade e emoção de que era feito os filmes e desenhos e isso, atualmente vai desaparecendo pouco a pouco...

(...) Esse jovem tanto quer é conseguir um carro para conquistar algo que se assemelha o respeito e uma garota. Depois de ouvir uma frase altamente machista, porém que funciona (Você não escolhe o carro, o carro é que escolhe você). Ele sente que um Camaro meio ofuscado pelo tempo tem um tipo de ligação entre ele. Entretanto o carro que alguns chamam de lata velha é uma peça para a esperança da humanidade (...).

Quando a noticia que esse incrível desenho iria ter a sua versão live-action todos ficaram em puro êxtase, mas o nome do diretor é algo de causar calafrios em qualquer cinéfilo de bom senso. Micheal Bay para muitos é o pior diretor de todos os tempos. Para outros, um mero palhaço que consegue fazer um cinema entretenimento esquecível que tem no intuito encher rios de dinheiro diretores e produtores. Depois de errar a mão (coisa comum dele) em A Ilha e ficar um bom tempo afastado, só investindo em remakes para a sua produtora Platinum Dunes, será que o homem, um dia, iria acertar em um filme?

(...) O que o garoto não imagina é que ele está no meio de uma guerra travada por seres robóticos alienígenas representados pelos bondosos Autobots, liderado pelo Optimus Prime e os Decepcticons, liderado pelo maléfico Megatron. Os dois estão em busca do Allspark, um cubo altamente poderoso que uma forte fonte de energia, mas causador de discórdia e guerras (o planeta deles foi destruído pela guerra pelo cubo) e o jovem Sam é o ponto crucial para implacável guerra começar.

Bem, o filme apresenta trejeitos de roteiro baynianos comuns. Piadinhas idiotas que funcionam, diálogos superficiais, algumas tiradas nacionalistas ufanistas e outros que não dá para descrever pela alta mediocridade. Mas nesse filme foca duas partes, na primeira parte, a guerra entre os Autobots e os Decepcticons, e a sua explicação no longa consegue pelo menos ser aceitável e o modo de como é introduzido ao publico funciona muito bem. Já a segunda parte é o foco do amadurecimento do rapaz ao longo da trama e todos os elementos oitentistas (ou atuais) de personagens que começam como perdedores e que chega ao final como o manda-chuva do pedaço.

A trilha sonora do filme é outro elemento bayniano típico. Uma trilha vibrante que tem acordes estratégicos para criar emoções em espectadores desavisados. Neste caso, quem comanda os acordes é o Steve Jablonsky, mais um rapaz que Micheal Bay investe, além de ter feito todas as trilhas dos filmes da produtora de Bay, ele parece que aprendeu nos filmes de Bay a fazer uma trilha que caia nas graças do publico. Também as musicas executadas durante a trama são em alguns momentos ótimas, principalmente no inicio do filme, mas o ponto negativo fica por conta da musica sem graça, sem alma e sem sal do Linkin Park que só está no filme no intuito de vender o seu peixe (que por sinal está estragado faz tempo).

O elenco do filme apesar de ter bons nomes, os dois grandes destaques são Hugo Weaving e Shia LeBeouf. Weaving mais uma vez não aparece como todo espera, porém a sua voz ecoa forte como Megatron. O ator mostra o seu jeito smithiano de ser e entrega uma voz vilanesca gostosa de ouvir dando assim um ponto alto a trama. E o astro da vez Shia LeBeouf mostra o por que ele é a mais nova promessa de Hollywood, nesse filme ele faz com maestria um dos personagens mais tarimbados do cinema norte-americano, o rapaz perdedor que dá a volta por cima. Mas aliado a carisma inegável do ator, faz com que esse estereotipo se torne agradável aos olhos do publico mais exigente.

E Micheal Bay? Quem diria, fez um filme a altura. Apesar de vícios ridículos como a tara por helicópteros, tomadas por do sol no intuito de glorificar o momento em cena, e sempre mostrar que os EUA são os caras do pedaço. Bem isso continua em Transformers, porém nem muito. Mas por incrível que pareça, quando o assunto é ação, cenas de perseguição e destruição em massa, Bay é o cara. E para muitos fãs, ele foi a escolha certa por que as cenas de adrenalina que os robôs despejam para o grande publico é algo de arregalar os olhos, fora os efeitos especiais que conseguem chegar próximo da realidade é um verdadeiro ponto positivo nesse filme.

Com elementos que deixam um espectador ansioso ou apreensivo, Transformers conseguiu algo que nem Homem Aranha, Piratas e Sherk conseguiram: ser um filme genuinamente pipoca. É um tipo de filme que você vai com seus amigos para o cinema para gritar, rir, torcer, coisas que só um filme pipoca genuíno faz; é um tipo de filme que quando vê na tela grande, vai querer ver o filme novamente, comprar o dvd e para quem é fã, matar a saudade e rever os desenhos originais. Micheal Bay... Você ta perdoado... Só desta vez.

















Ficha Tecnica
Transformers (EUA,2007)
Diretor: Micheal Bay
Elenco: Shia LeBeouf, Megan Fox, Josh Duhamel, Tyrese Gibson, Rachel Taylor, Anthony Anderson, Jon Voight, John Turturro e Hugo Weaving
Gênero: Fantasia/Ação/Ficção Cientifica

Se Gostou de Transformers, Recomendo:

Jurassic Park
O Exterminador do Futuro (A Trilogia)
Superman The Movie
Star Wars

16 de julho de 2007


O formaldeído é uma substancia química simples e tem outro nome, metanal e é o aldeído mais simples. É muito usado para fabricação de resina; matéria prima de alguns produtos químicos; agente preservante de produtos de cosméticos e de limpeza; e principalmente em laboratórios. Assim como determinados produtos químicos, podem acarretar conseqüências danosas para o ser humano. Agora imagine o dano nesse produto em um rio (...).

O Hospedeiro chega ao Brasil por um milagre pela Pandora Filmes e junto com ele a sua fama. Sucesso por onde passa, o filme dirigido pelo diretor Bong Joon-ho, conta com o elenco Kang-ho Song (o mesmo de Memórias de um Assassino, Zona de Risco e Senhor Vingança) e o filme reinventa um gênero do terror que foi esquecido por muitos anos e ofuscado pelos filmes sobrenaturais (na sua maioria remakes sem alma).

(...) Em um modesto trailer de venda (um popular fiteiro), mora a família Park. O senhor e líder da família é o dono do trailer e ele tem três filhos. O mais novo é um recém formado, porém desempregado e tem que encarar a realidade dos fatos do seu país. A irmã do meio é uma atleta de tiro e flecha, mas em uma competição nacional ela perde o momento de glória e fica com o bronze. E o mais velho, tem problemas, por falta de proteínas ele não é tão esperto quanto se imagina, porém o que motiva a ele viver é sua filha de 13 anos, que ele a ama. E essa família vai sofrer um terrível evento por algo realmente misterioso (...).

O filme por onde passa causa furor instantâneo, um filme que participou em grandes festivais como o Saturn Awards que foi indicado para Melhor Filme Internacional para El Laberinto del Fauno e de Melhor Interpretação Para Um Jovem Ator/Atriz e perdeu novamente para Fauno. Também foi indicado ao Empire Awards, na Inglaterra, como Melhor Filme de Horror e só perdendo para O Albergue de Eli Roth e ainda concorreu com o remake sensação The Hills Have Eyes e The Texas Chainsaw Massacre The Begining. Mas o verdadeiro fenômeno se deu mais uma vez ao Rotten Tomatoes. Em suas famosas e polêmicas listas baseadas na força das criticas ao filme decorrente. The Host carimbou o seu nome nos anais dos melhores filmes já feito baseado pelo site. Além de o filme ser um dos melhores do ano, ele também está entre os dez melhores filmes de ficção cientifica já feitos, ficando na frente de Star Wars, Blade Runner, 2001 e entre outros. E a grande pergunta fica no ar, realmente ele é esse furor todo?

(...) Seguindo ordens de um coronel americano, um funcionário de um laboratório é obrigado a jogar litros e mais litros de formaldeído no rio Han e a conseqüência veio anos depois que um monstro implacável, insaciável, e assustador. E que em um ataque devastador, rapta a mais nova da família. O medo se instaura na região e a família mesmo com suas diferenças vai ter que se unir contra esta nefasta aberração da natureza.

A trilha sonora desse filme é algo incrível. O filme mostra a valorização da musica local e eleva os tons a lá John Williams e pense como isso funciona e faz com que o filme ganhe força e alma. O elenco principal é outro fator de arrancar elogios. Na maioria dos filmes catástrofe ou semelhante, sempre os personagens principais não tem simpatia, mas sim muita empatia e na maioria dos casos faz com que você, leitor, torça pela morte deles (mesmo que não morram, como no caso de Josh Lucas em Poseidon) já em O Hospedeiro não. Os personagens cativam o espectador desde primeira aparição conquistam o publico com o seu jeito peculiar de ser. E fora a melhor interpretação de Kang-ho Song, um ator que o grande público precisa saber, por que ele é um ator que só de olhar para o personagem dele e o contexto da história, já sabe que o filme é espetacular.

Agora os verdadeiros fatores que fazem que esse filme não seja apenas um mero filme de monstro. O roteiro do filme faz algo que deixa alguns fãs de horror em xeque, ou até mesmo do cinema, que é um roteiro aparentemente simples. Porém nesse filme a história simples na realidade é um plano de fundo muito além do esperado que envolva criticas a globalização e suas conseqüências. E principalmente um estudo sobre o valor da família. Mas tudo isso não funcionaria sem um diretor competente. Mas Bong Joon-ho não é um simples diretor não. Como já falado na resenha de Memórias de Um Assassino, o cara é uma verdadeira promessa, e nesse filme nos entrega o seu melhor trabalho. Ele manteve características fortes do seu filme anterior e aprimorou, no quesito de humor e emoção, e nos entregou um exemplar único de filme, onde ao mesmo tempo coloca elementos de um gênero que para alguns estava enterrado a sete palmos e nem dava mais sinal de vida e reciclou de uma maneira que provavelmente será mais um novo divisor de águas.

Ele é um ótimo filme. É assustador, é tenso, mas também é engraçado e é emocionante. Porém ele não é um filme povão. Ele não funciona para aqueles que estão acostumados a padrões baynianos ou emmerichianos. E tão pouco para aqueles que vão assistir “desligando o cérebro”. Ele é um tipo de filme para aqueles que procuram uma ótima história, personagens envolventes, cenas eletrizantes e pasmem um final surpreendente. Acreditem... Cinema de verdade e de qualidade se encontra longe do ocidente... O melhor filme do ano por enquanto. E sobre o furor do filme... É verdadeiro.


Ficha Tecnica

O Hospedeiro (The Host, Gwoemul, KOR)
Diretor: Bong Joon-ho
Elenco: Kang-ho Song, Byeon Heui-bong, Park Hae-il, Bae Doo-na, Ko A-sung
Gênero: Horror/Drama/Fantasia/Ação

Se Gostou de O Hospedeiro recomendo:

Tubarão
Memórias de Um Assassino
King Kong
Pequena Miss Sunshine

13 de julho de 2007

El Laberinto del Fauno


Nos anos decisivos da Segunda Guerra Mundial, alguns regimes de cunho fascistas estão perdendo a força. E na Espanha a ditadura de Franco não foge do caso. Assim como os italianos, eles tentavam se reerguer nas pequenas cidades, tentando prosseguir o regime e tentando conter o avanço dos aliados e dos comunistas. E é nesse momento nefasto da história espanhola que vive a nossa heroína Ofélia (...).




El Laberinto Del Fauno, o mais novo e ambicioso projeto do diretor Guillermo Del Toro, o mesmo dos melhores filmes de quadrinhos já feitos, Blade 2 e Hellboy. O filme foi considerado por muitos críticos como o melhor filme de 2006 e ainda para alguns fãs do filme, ele foi injustiçado no Oscar por não ter levado o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro, perdendo para o alemão The Lives of Others. E também por nem ser indicado a Melhor Filme. Mas diante disso tudo, das expectativas criadas pelo publico e pela critica, o filme está propenso a ser decepcionante?



(...) Ofélia, uma garota sonhadora, parte com a mãe, grávida de 8 meses, para morar com o seu padrasto, o coronel Vidal. Porém a vinda dela para aquele lugar especifico irá desencadear uma antiga profecia onde ela é uma princesa de um mundo subterrâneo. Mas Ofélia precisa provar que ela é a prometida fazendo três tarefas com a supervisão de uma criatura mágica, um fauno. Porém alguns dizem que os faunos não são confiáveis. Agora ela vive uma questão, é melhor fazer as provas ou viver num pesadelo real?




O tom de conto de fadas que é inalado nesse filme demonstra uma tendência curiosa que saiu no ano passado. Esse e outro filme tocaram na mesma tecla dos contos de fada. Esse exemplar e A Dama Na Água. Mas nessa estranha comparação só de igual tem o tema da fantasia, por que enquanto El Laberinto tem tendências para ser um filme de criança, mas a temática adulta é intensa e dependendo de quem irá ver, confusa. Já Lady parece ser um filme adulto porém a sua temática é puramente infantil, por que o seu diretor fez a obra (tanto o livro quanto o filme) para os seus filhos.


O roteiro do filme tem a vantagem de não só enfocar o lado “infantil” da trama. A exploração que Del Toro fez para o regime fascista é de algo que surpreende o espectador com a crueldade que um regime pode fazer em uma sociedade. As atuações do filmes são belíssimas, porém o melhor em cena foram Doug Jones e Sergi Lopez. Jones, que já trabalhou com Del Toro em Hellboy, volta a trabalhar com ele fazendo dois papeis enigmáticos e aterrorizantes. E Lopez encarna o coronel Vidal de uma maestria inquestionável. E mais uma vez foi provada que a direção de Guillermo Del Toro é impecável. Para muitos ele entregou o seu melhor filme da sua carreira e ainda mais, a cada dia que se passa ganha novos admiradores. Fora isso, ausência dele como melhor diretor no Oscar é notável.

Voltando a pergunta que fiz, se um filme com essas qualidades pode decepcionar, com certeza, por que dependendo do filme e de como é endossado pelo publico, pode gerar por parte de algumas pessoas decepção. E nesse filme não foi diferente, todo mundo me falou que esse filme é uma obra prima e tal. Quando vi, eu gostei do filme, belíssimo, fez jus a todas as indicações e seus prêmios, porém ele deixa uma sensação de vazio por causa das expectativas criadas pelo grande publico. Pelo menos não é como Procurando Nemo, que colocaram o filme lá no topo e além do filme não ser a ultima bolacha do pacote, o filme é ruim demais.

El Laberinto del Fauno se junta no hall dos melhores filmes do ano passado. Porém na minha sincera opinião, o filme deixa para alguns uma sensação estranha. Del Toro está no passo certo para se tornar um dos melhores diretores da atualidade. Fauno é sensível e brutal. Mas não tem aquela magia que tinha em A Espinha do Diabo. Ótimo filme, porém não é uma obra prima.


Ficha Tecnica

O Labirinto de Fauno (El Laberinto del Fauno, ESP,MEX)
Diretor: Guillermo Del Toro
Elenco: Doug Jones, Sergi López, Ivana Baquero, Maribel Verdú, Ariadna Gil
Gênero: Drama/Fantasia/Horror

Se gostou desse filme, Recomendo:

A Espinha Do Diabo
Hellboy
O Fabuloso Destino de Amélie Poulan






11 de julho de 2007

Ringu 2


Reiko Asakawa e Yoichi, seu filho, pensavam que estavam livres da maldição que Sadako Yamamura impôs contra eles, ledo engano. Mais uma morte baseada na fita ocorre nas redondezas e os dois desaparecem. Enquanto isso, a policia tenta encontrar respostas sobre o que está acontecendo. E quando fazem a autopsia do corpo da Sadako eles descobrem algo realmente perturbador (...)



Ringu – O Chamado 2 é continuação direta do primeiro filme e ainda fez algo que só agora, alguns cineastas fazem, o “time que se ganha não se mexe”. E exemplos não faltam como a franquia do Piratas do Caribe, Homem Aranha, Evil Dead e por ai vai. Porém na franquia americana não foi tão bem assim. Eles fizeram o mesmo erro que Sam Raimi fez. Chamar o diretor da franquia original, Hideo Nakata e fazer a sua seqüência, mas assim como O Grito de Sam Raimi, O Chamado 2 de Hideo Nakata não foi tão bom quanto parecia, mas a continuação japonesa ...

(...) No meio disso tudo, Mai Takano, vai à busca do que aconteceu com seu amado, Ryuji Takayama, morto pela maldição de Sadako. Ela vai por iniciativa própria saber o que aconteceu e vai atrás de Reiko e seu filho. E Mai tentará buscar ajuda a um repórter que quer continuar o trabalho inacabado de Reiko e um doutor que quer provar a existências de espíritos através de meios científicos. Mas quem teve o contato com Sadako e não morreu proliferam poderes psíquicos semelhantes dela e será que realmente quem desfez a maldição está totalmente livre?

Bem, o roteiro do filme não chega ser tão rico quanto o primeiro, mas mantém alguns preceitos básicos como o desenvolvimento gradual dos personagens. Entretanto, a continuação fez algo no mínimo curioso que foi dar mais ênfase aos personagens secundários da primeira trama e elevar eles a peças fundamentais (exemplo disso, é que a Mai Takano no primeiro era só uma mera figurante, nesse ganha destaque forte para a trama). Hideo Nakata acertou em vários pontos cruciais: a segunda parte da trama consegue ter o mesmo envolvimento subjetivo que tinha no primeiro, porém no decorrer da trama, em nenhum momento a sua continuação quis superar o primeiro e sim dar continuidade ao trabalho. Também ele optou mais uma vez esconder a peça “chave” que é Sadako.

O filme deixa logo uma coisa bem implícita, ele não quer ser melhor do que o primeiro, como se vê na maioria das seqüências hollywoodianas, vide Mamão Aranha e Shereca, e sim continuar uma história para ver quais são os rumos ou proporções que ela pode tomar. E nesse filme conseguiu com louvor continuar o belo trabalho que Hideo Nakata construiu. Momentos tensos, conclusões surpreendentes e seqüências malignas que fazem que o espectador fique preso na cadeira até o ultimo instante. Melhor que o original nunca, mas pense numa continuação que vale a pena ver e rever.

Ficha Tecnica
Ringu 2 (Jap, 1999)
Diretor: Hideo Nakata
Elenco: Miki Nakatani, Hitomi Sato, Rikiya Otaka, Hiyroyuki Sanada e Nanako Matsushima
Gênero: Suspense

Se gostou desse filme, recomendo:

Uma Noite Alucinante 2
Dark Water
Ju-On - O Rancor


4 de julho de 2007

Memórias de um Assassino


Em uma pequena cidade da Coréia do Sul, uma mulher é assassinada. A maneira de como é achado os corpos é de uma perversidade incrível. As suas roupas intimas servem de mordaças e a posição dos corpos dão a evidencia de um estupro. A policia local começa a fazer a investigação e quem lidera é o detetive Park. E ele acha um potencial suspeito e o caso poderia teria sido fechado. Poderia, mas não foi (...).

Memórias de Um Assassino (Salinui chueok) chega com um relativo atraso (entre 3 a 4 anos) ao Brasil pela distribuidora Europa Filmes. E chegou nos últimos meses em uma bela edição de DVD, incluindo com entrevistas, depoimentos e uma versão em MP4 do filme. Baseado em fatos reais, houve 10 assassinatos de belas jovens entre 1986 a 1991 e onde 3.000 suspeitos foram interrogados e até hoje ninguém sabe o paradeiro do assassino.

(...) Porém, o segundo crime foi cometido, mais uma jovem morre nas mesmas conseqüências e a policia local sem saber como agir e coagindo com violência suspeitos que no fundo eram inocentes, vem um policial de Seul, o detetive Seo, gabaritado em seu trabalho e as diferenças de métodos investigativos começam a aparecer. Porém o assassino volta a atacar e a policia vai ir ao extremo para achar o verdadeiro assassino.

De inicio, alguns podem até dizer: “há isso é igual a Seven, e isso é aquilo.” Mas poderia ser mais um filme de serial killer em nossas vidas e deixar para lá. Mas assim como Zodíaco, o filme mostra um caso real que chocou a sociedade sul-coreana e mais ainda mostra o desrespeito da policia local com os suspeitos com o objetivo de não chamar mais atenção a região com as decorrências negativas que os crimes estavam trazendo.

O roteiro do filme não só fica limitado nos assassinatos, também mostra como um crime mexe com os valores éticos dos policiais e que a cada crime que ocorria, pistas falsas eram reveladas, há uma mudança psicológica e visível entre os personagens, dando assim uma veracidade em seu papel. O filme também é incrementado com ótimas atuações e sem duvida Kang-ho Song é o homem da vez. Ele já pode se dizer que é um ator altamente consagrado. Além de ser protagonista no sucesso de bilheteria coreana The Host, também fez os dois clássicos de Chan Wook Park, Joint Security Área e Simpatia Pelo Senhor Vingança e uma pequena participação especial em Lady Vingança, e nesse filme não é diferente, entrega mais uma vez uma atuação incrível e nos entrega bons momentos, tanto de riso quanto de drama.

Agora a direção de Joon-ho Bong é algo de se salientar. Antes de tudo, impecável, apesar de um erro muito clinico no final do filme (mas não se preocupe, não foi erro de cena ou erro de roteiro). Nesse filme ele consegue misturar gêneros sem cair na mesmice ou perder o ritmo. Ele consegue colocar humor em doses coerentes e precisas, coloca um suspense frenético onde o espectador fica apreensivo para o próximo ataque e coloca um drama soberbo que em alguns momentos a emoção pode aflorar para aqueles que não resistem a momentos sensíveis. Por isso que alguns podem até estranhar o modo de direção desse diretor em O Hospedeiro. Se quereres encontrar alguma resposta do por que o estilo do filme ser aquilo, vejam esse para compreender.


O conjunto da obra leva a uma conclusão simples: mais um filmaço coreano que está destinado a virar um novo clássico do suspense. Um filme que apesar de ter uma referencia pesada de Seven consegue em determinados momentos, ser melhor do que o próprio referenciado, coisa que é difícil ou fácil, dependendo de quem está dirigindo e nesse caso, estamos lidando com mais um grande cineasta asiático que entrou na galeria dos melhores como Park, Takashi Miike e Kim Ki-duk. E podem ter certeza ele não é um filme comum... Como assim? ... Não é um filme comum.

Ficha Tecnica:
Memórias de um Assassino (Memories of A Murder/Salinui chueok)
Diretor: Joon-ho Bong
Atores:Kang-ho Song, Sang-kyung Kim, Roe-ha Kim, Jae-hoj Song, Hie-bong Byeon
Gênero: Triller/Drama

Se Gostou Desse Filme, Recomendo:

O Hospedeiro
Seven - Os Sete Crimes Capitais
Joint Security Area
Zodíaco

Trailer do filme










3 de julho de 2007

Como Enlouquecer o Seu Chefe - Office Space


O Trabalho dignifica o homem. Trabalhar em uma boa corporação é a salvação da sua vida. Trabalhar é um verdadeiro prazer. Hoje no Brasil se encaixa esse belo lema, tanto para quem passou em concurso ou não. Mas para Peter Gibbons, o seu trabalho se resume a uma palavra: PESADELO. Todo santo dia ele enfrenta um engarrafamento infernal, chega sempre atrasado, tem que aturar uma tele-atendente dizendo sempre a mesma coisa e para piorar, um chefe (em sutis palavras, um filho da puta!) pé no saco, e tudo tem tendências a piorar(...)

Baseado em uma curta metragem do próprio diretor, Office Space ou o nome podre nacional, Como Enlouquecer o Seu Chefe, de Mike Judge explora um tema de um jeito peculiar e curioso: a ética no trabalho. Também o filme ajudou a carreira de Jennifer Aniston, para esquecer um pouco que ela fazia na época. Também o projeto inicial saiu pela Liquid Television pela MTV e que gostaram tanto que ele conseguiu lançar pela própria emissora a sua obra prima. Beavis and Butt-Head, que são grosseiros, burros, estúpidos, porém mostra algo que os americanos não gostam de saber. Que os dois belos jovens são na verdade a decadente juventude americana. Depois disso a carreira do diretor só alavancou e nesse filme ele mostrou por que veio.

(...) Estressado com tudo e a cada dia que se passa, vivendo os piores dias da sua vida, ele, por intermédio de sua namorada, ele vai a uma terapia de hipnose para pelo menos amenizar a sua situação, porém o hipnotizador morre e ele não sai do transe. E a partir daí ele decide tomar decisões contrarias ao seu ritmo de trabalho e as suas conseqüências irão mexer com os todos ao seu redor.


O roteiro do filme se baseia em todo o momento sobre a ética. Passando por vários setores abrangentes que o tema pode ter como motivação, desprezo e preconceitos. E o principal, será que realmente há motivação nos empregos atuais ou se as empresas tentam descobrir meios de entreter o seu funcionário. Fora isso, diálogos interessantes e escrotos sobre a vida e o trabalho. O elenco é muito bom e propõem bons momentos. Sendo que a única pessoa que merece uma analise é a Jennifer. Carisma ela tem e de sobra, e nesse filme ela faz algo interessante, tenta sair daquela imagem que ela construiu durante anos naquele seriado. Já nesse filme faz a única personagem feminina de destaque, fazendo uma atuação até que interessante, dando destaque a cena dos broches.



Um filme engraçado não por causa dos seus diálogos, um filme engraçado por não ter mediocridades a lá Irmãos Wayans, e sim por causa de um tema que ao mesmo tempo causa risos, poderá causar mal estar por que parece que mesmo o filme sendo feito há alguns anos atrás, se sentirá como um dos personagens principais. Um ótimo filme, recomendo.



Ficha Tecnica
Como Enlouquecer O Seu Chefe - Office Space, 1999
Diretor: Mike Judge
Gênero: Comédia
Duração: 89 Minutos
Elenco:Ron Livingston, Jennifer Aninston, David Herrman, Ajay Naidu, Dierdrich Bader, Stephen Root e Gary Cole


Trailer do Filme


Animação no Angry Alien: http://www.starz.com/features/bunnyclub/office%5Fspace/

Se gostou de Office Space, recomendo:

Beavis and Butt-Head Detonando a America
Um Dia de Fúria
Monstros SA
Taxi Driver