19 de março de 2007

Joint Security Area - Zona de Risco

A tensão entre as duas Coréias se estabelece por causa de um atentado na zona de fronteira entre dois países. Dois soldados norte coreanos são assassinados e dois soldados, um sul coreano e um norte coreano ambos feridos. Para resolver esse terrível impasse, a Comissão de Segurança das Nações Neutras é designada para resolver esse caso. A encarregada desse terrível fardo é a Major Sophie Jean, filha de coreano, mas que nasceu na Suíça. Os sobreviventes têm diferentes versões sobre aquela noite e ambos cheio de falhas. Agora só a Major Jean para tentar não saber quem é o culpado, mas saber a verdade daquela terrível noite.





Joint Security Area, ou se preferir, Zona de Risco depois de tantos anos chega a DVD no Brasil e ainda de quebra é o primeiro longa de Chan Wook Park e o filme é o começo de uma carreira muito elogiada onde a cada filme é esperado com entusiasmo. O filme também é uma introdução, mesmo que pequena, sobre a história da separação dos dois paises e a tão falada Zona de Risco que é uma área neutra que fica entre os dois paises. Infelizmente o diretor não pode filmar no lugar original, mas o trabalho de recriação é sublime. E com o sucesso do filme (que não foi pouco) ele teve confiança que precisava e fez Simpatia Pelo Senhor Vingança e o resto todo mundo sabe.

O roteiro do filme começa quente e não para. Divido em três partes aparentemente diferentes, mas que se interligam de uma maneira intrigante aonde a cada descoberta modifica o rumo da história. Uns dizem que o filme Violação de Conduta tem uma forte influencia desse filme. No elenco estão os maiores colaboradores do diretor; Byung-hun Lee e Kang-ho Song brilham na tela fazendo os soldados rivais, mas com um segredo importantíssimo para a trama. Lee Yeong Ae faz a Major Sophie Jean. Em uma interpretação segura e importante em toda trama. A direção de Chan Wook Park desse filme comparada aos outros filmes é relativamente mediana, mas mesmo assim, o espectador é agraciado com cenas e seqüências de câmera inesquecíveis e a cena final é com certeza, uma das melhores cenas já feitas do cinema coreano.

Um filme que é difícil se dizer, uma mistura sábia de suspense e drama com belos toques de sensibilidade e brutalidade. Um filme que abriu portas para os atores principais e principalmente para o diretor que mostrou por que veio já nesse filme e nas suas obras conseqüentes. Uma obra-prima que passou despercebido para o publico brasileiro que ainda não coloca na cabeça que Oldboy não é o único filme do diretor. Infelizmente o filme poderá ganhar o seu remake americano e espero que isso nunca aconteça.


14 de março de 2007

Os Infiltrados (The Departed)

Frank Costello é um dos mais poderosos chefões de um dos bairros mais problemáticos de Boston. Para ter mais tranqüilidade, recruta desde criança Colin Sullivan para ser o seu informante na policia. Enquanto o sonho de Billy Costigan era ser um policial e conseguiu passar nos testes, mas o passado da sua família e principalmente pelo seu pai... Que foi um marginal perigoso e não consegue ser efetivado Mas encorajado pelo Capitão Queenan e o sargento Dignam, Billy aceita o desafio e tentará se infiltrar na gangue de Costello. O tempo passa e cada um cresce em sua respectiva área, mas depois de um tempo a desconfiança aumenta de ambos os lados fazendo questionar sobre o papel de cada um.

Billy Costigan - O policial infiltrado

Os Infiltrados é o trabalho mais recente de Martin Scorsese e que conta mais uma vez com o seu pupilo Leonardo DiCaprio, Matt Damon, Mark Walkberg, Alec Baldwin, Vera Farmiga e Jack Nicolson no elenco. O filme foi o grande vencedor do Oscar, levando quatro dos cinco prêmios que foi indicado, incluindo de melhor diretor, filme e roteiro adaptado. Mas ao mesmo tempo há de se questionar de qual é o ponto que dá certo um remake de um filme. Por que Infernal Affairs para muitos é um dos maiores filmes já feito no oriente na sua retomada (a retomada por que depois de determinados filmes, o cinema oriental ganhou o seu mereceido reconhecimento) e quando saiu a versão americana, muitos saíram frustrados ou com uma ponta de revolta assim causando a mesma sensação dos remakes atuais, de que em determinados momentos mancham a obra original colocando elementos que não tem nada a ver com o filme original ou pior, se esquecem dos principais elementos que davam o charme da obra original. E se for contar o que esse filme tirou... A lista é extensa.

Colin Sullivan - O espião da gangue

O roteiro do filme foi vencedor do Oscar... Mereceu? Bem, o roteiro não se contentou em apenas fazer só do primeiro filme, ele foi muito mais além, pegou coisas do segundo e do terceiro filme e colocou em uma só, é algo de praxe de remake de filme oriental que é simplesmente explicar de onde começa a história e isso e aquilo que são elementos que poderão surgir em uma seqüência futura... Bem se eles pensassem nisso, poderia ter mais charme para ter uma continuação. Mas na sumula de tudo, não mereceu o Oscar. A trilha sonora é um espetáculo e ainda as musicas que tocam no filme dão alma e vida ao filme e principalmente Confortably Numb de Roger Walters que dá uma sensação do que os personagens principais sentem durante a trama.





Frank Costello - O líder da gangue

O elenco do filme é fortíssimo, mas com ressalvas. Pela primeira vez posso dizer, Leonardo diCaprio é uma promessa que se realiza, por que ele dá um show de interpretação e ainda fazendo algo que dificilmente será visto, melhorar o personagem principal original deixando mais emotivo e importantíssimo para trama. E não foi só ele que melhorou comparado ao original. Jack Nicolson (deveria ter sido indicado ao Oscar) faz Frank Costello que se for comparado ao personagem original, foi o que mais ganhou espaço e liberdade na trama e fora os momentos mais geniais da trama são de Frank Costello. Martin Sheen e Alec Baldwin fazem interpretações discretas, mas decisivos na trama. Mark Walkberg faz o sargento Dignam e mesmo com poucos momentos na trama ele faz valer a cena, com diálogos incríveis e força de interpretação foi até merecido a indicação do Oscar pra ele. Mas há ressalvas. Vera Farmiga fez um ótimo trabalho nesse filme, isso é uma certeza, mas o personagem dela foi um dos erros mais crassos do filme fazendo que duas personagens importantíssimas do filme original se resumissem em um personagem e essa tentativa não deu certo. Mas o pior em cena é com certeza é Matt Damon, depois de entregar ótimos trabalhos, esse filme ele decepcionou geral, atuação mecânica ao extremo e ainda para completar destruiu a imagem do personagem original deixando patético e imbecil. Talvez do elenco todo Matt Damon foi o que mais desapontou ao espectador.

A direção de Martin Scorsese sem duvidas nenhuma mereceu o Oscar. Por que é difícil manter o nível da adaptação igual ou idêntico ao original. E ele já conseguiu esse feito com Cabo do Medo e mais uma vez fez um remake que para muitos superou o original, outros foi inferior. E no mais grosso modo, ele readaptou e deixou nos moldes do cinema americano. Sinceramente ele foi brilhante nesse filme sem duvida. Em algumas seqüências que tem no original, algumas ficaram sem brilho e outras o nível de tensão foi elevado a mil e outras as características dele eram não só marcantes, e sim vibrantes e envolventes. Oscar de melhor diretor sem duvidas.


O filme tem duas conclusões. Primeira – Para quem não viu o original é apenas um dos melhores filmes policiais já feitos nessa década. Envolvente e marcante em todos os sentidos. Segunda conclusão – Para quem teve oportunidade de ver o original e depois ter visto o remake é um filme que desvirtuou a história original tirando os principais pontos que marcaram o primeiro filme, mas reconhece que pelo menos é um ótimo filme mesmo sendo uma adaptação em determinados momentos medíocre. Mas uma coisa é inegável: é um ótimo filme, interpretações quiçá brilhantes quiçá medíocres, direção impecável. Mereceu alguns Oscars... Bem, melhor filme e de melhor roteiro não mereceram, mas de diretor, foi com louvor. Hoje se quiseres um remake bem feito ou pelo menos no mesmo nível, chame Scorsese.

9,5


7 de março de 2007

Shutter





Tum é um fotografo free lancer (ou estagiário) que tem uma vida comum, junto com isso tem uma namorada Jane que é uma estudante universitária. Mas depois de um acidente que envolveu o casal e uma jovem, estranhos fatos começaram a atormentar a vida dos dois e principalmente Tum, por que a maioria das fotos que veio tirar depois do acidente mostrava feixes brancos inexplicáveis. Agora o casal tentará entender esse mistério antes que seja tarde demais.

Shutter ou Espíritos – A Morte Está Ao Seu Lado mais um exemplar de horror oriental que chegou com um atraso incrível ao Brasil. O país de origem do filme é a Tailândia e que de todos os paises orientais, é que tem o cinema mais fraco, ou menos expressivo. Nos últimos anos despontou em disparada foi a Coréia do Sul depois o Japão, mas nos últimos anos eles tentam crescer na área do horror, mas ainda a maioria dos títulos não foram ainda explorados ou revelados. Mas na Tailândia está mais investindo no cinema de ação do que de horror, Ong Bak e O Protetor são os mais fortes exemplos.

O roteiro do filme é mais ligado à religião e a crença dos orientais sobre fantasmas, mas toca em um ponto real e importante que são as fotos que de um jeito inexplicável tem espectros e faz com que esse tema dê ao filme uma força extra e assustadora. A trilha sonora do filme é algo de praxe que tem pro gênero, uma boa trilha e nada de mais. O elenco não tem nenhuma atuação extraordinária, mas o ator principal é que dá uma atuação acima do normal para o gênero e fora de ele parecer muito com Orlando Bloom, o cara é tão igual a Orlando que até os erros de atuação, os dois cometem os mesmos erros. A direção do filme é acima da media dos filmes de horror orientais e principalmente para o cinema tailandês que tem uma nula expressão para o cinema de horror.

Um filme de horror oriental forte, muito bom, com todos os elementos que consagram esse gênero, cenas inesquecíveis de agonia e desespero, mas que foi incrivelmente afetado pela má repercussão que o gênero ganhou no meio do mundo e principalmente no Brasil que a maioria é vitima de chacotas e piadas sem sentido. Um bom filme de fantasmas, mas que se tivesse lançado uns 3 anos atrás ... Os olhos seriam outros.

7,5