Quando se imagina que temos a maturidade suficiente para determinados assuntos, aparece um desafio para alguns e para outros uma oportunidade de reavaliar o que somos, o que gostamos, das nossas influencias, das nossas alegrias e o mais importante, a capacidade de absorver o desconhecido. Sensações conturbadas e inexplicáveis, queria achar palavras concretas e concisas, porém quando mais pensamos, mas as palavras se tornam distantes e impossíveis. Introduzo a vocês um filme que muitos já conhecem, porém uns reconhecem como um marco no cinema, outros um exercício terapêutico para voltar a ter sono. Isso é 2001 – Uma Odisséia No Espaço de Stanley Kubrick (Stanley Kubrick’s 2001 A Space Odyssey).

Antes de tudo: quem detém a tecnologia, detém tudo. A alvorada do homem até hoje dá e fortalece essa idéia. Durante a pré-história humana, em um reduto de vida sem percepção ou idéias, perpetuava os instintos mais crus e verdadeiros. Mas com a aparição de uma rocha negra e perpendicular começa o espetáculo que envolve beleza e maestria, porém não tão bem executados, concretiza o pesadelo mais tocante do mundo: A Evolução Humana. Passamos a ver o incrível raciocínio humano aflorar quando um começa a matar o outro e reforçando a idéia inserida no começo do texto no qual se refere: tens a maquina da destruição, tens o poder entre as mãos.


E em uma seqüência de cena antológica, quando o símio mata sem dó e perdão o seu semelhante (coisa que o ser humano faz com exaustão e acha bom), e em um momento de satisfação joga o instrumento que aprendeu dominar e chega ao mais alto que pode e de repente em uma característica kubrickiana, o osso se torna uma nave espacial indo para muitos anos após em 2001 (na visão do ano de 1968) onde se ouve a belíssima melodia de Danúbio Azul.

Depois de um filme épico, sucedido por um drama com toques libidinosos e de uma comedia acida sobre o pior momento da história mundial, Stanley Kubrick se preparou para fazer, o que é para muitos a sua obra máxima, porém quase ninguém esperava para o que ele fez. Baseado em uma obra de Arthur C. Clarke, no qual o próprio autor junto com Kubrick fez o roteiro. Curiosamente o filme não tem exaustivas trocas de dialogo, porém são diálogos que marcam por causa de sua densidade para o momento especifico do filme.

Depois da alvorada humana, vimos em nossa época, onde em primeira instancia Dr. Heywood Floyd tentando descobrir uma falha que está ocorrendo em uma falha em uma base lunar, porém se repara que o problema é com algo além do esperado. Nesse segmento, Kubrick dá mais atenção para o que tanto ele, quanto o autor do livro, esperava do primeiro ano do novo milênio já estivéssemos no espaço, em colônias espaciais para tentar amenizar o problema de superpolulações, porém quando olhamos e vimos o que se passou em 2001 real, percebemos que não fizermos uma bela odisséia no espaço, nem tão pouco se viu o espetáculo do espaço ao alcance de todos.

E Kubrick aprofundou mais com algo que a cada dia cresce ainda mais que é a relação homem - maquina. Depois de 18 meses dos eventos ocorridos na lua, um grupo de astronautas irão fazer uma viagem de expedição para Júpiter e ainda levando um componente de equipe em especial, o supercomputador avançado HAL 9000 que é um dos computadores mais avançados que existe no mundo que além de ser um órgão necessário para a nave, HAL tem uma vantagem curiosa que é se aproximar dos sentimentos humanos, porém nesse meio termo quando se detectou um erro na espaçonave, os humanos da nave pensam que o erro foi de HAL e eles irão perceber o que acontece quando se dá o dom do sentimento a maquina. Assim como o primeiro segmento do filme onde mostra o dom do pensar aos símios, nesse segmento foca o dom da sensibilidade e pensamento que as maquinas adquiriram no futuro, mesmo sendo filme uma relação breve, porém marcante Kubrick no seu filme demonstrava a preocupação no relacionamento entre as maquinas e os homens. Muitos falam que HAL 9000 é um dos maiores vilões da história do cinema, curiosamente eu não acho. A partir do momento que oferece o dom de pensar a alguém, ele irá questionar o que está ao redor, no que é certo e no que é errado. Se ele fez foi certo, vejam e tirem as suas conclusões.

E no ultimo e antológico segmento apenas o que posso falar? Palavras não definem o que se vê. É nesse momento é somos transportados a algo que tentamos descrever, mas cadê as palavras? Cadê os verbos que saem das nossas mentes para criar um texto argumentativo sobre algo indescritível. E ainda para deixar a viagem final algo marcante: Existe uma musica do Pink Floyd chamada Echoes do disco Middle de 1971 que tem uns aproximados 23 minutos. Curiosamente o Pink Floyd iria fazer a trilha sonora, mas não deu. Porém essa musica tem uma sincronia perfeita os últimos momentos do filme. Para a lenda funcionar, comece a colocar a musica (que começa com um som de um sino) no momento que aparecer o nome do segmento Júpiter e Infinito e abaixe o som do filme e coloque a musica no som mais alto que puder e ainda vejam de noite e preparem para uma viagem psicodélica única.

Assim termino um pequeno texto sobre esse importantíssimo filme onde sabemos que não é um filme fácil, não é um filme que se assiste em qualquer hora e tão pouco se encaixa para padrões blockbusters que os jovens estão acostumados hoje. É um filme que mexe com a sensibilidade cinematográfica de um simples espectador. Muitos que viram o filme no inicio da caminhada cinéfila, não compreenderam ou não gostaram, porém quando se consegue o momento certo e a hora certa. Tenho certeza meus amigos que lêem esse singelo autor, que irão ver a verdadeira força desse filme. Soa preconceituoso, porém é tão verdadeiro e cruel: que a cada dia, gostar de assistir filmes é uma coisa e gostar de cinema está totalmente diferente e desvirtuado.

E o nosso ano 2001, nem vale a pena lembrar... É melhor cultivar o que Kubrick sonhou, por que se estivesse vivo até hoje, iria perceber que o sonho foi apenas uma breve ilusão psicodélica e que os homens que estão no poder hoje se aproximam mais dos símios do começo dos tempos. Não fomos ao espaço, não vimos grandes naves de colônias, pior ainda que nem tenhamos um computador como HAL 9000, mas ainda temos a principal característica do filme... Queremos saber o que está além do infinito...


2001 - Uma Odisseia no Espaço (Stanley Kubrick's 2001 A Space Odyssey)

Direção: Stanley Kubrick

Baseado na obra 2001 Uma Odisseia no Espaço de Athur C Clarke

Gênero: Ficção Cientifica/Fantasia

Comentários

  1. Como conversamos no MSN, João, eu assisti a este filme e não sou muito fã do gênero de ficção científica. Por isso, o filme não me marcou tanto quanto te marcou.

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  2. Não ligue para o Alex... está com frescura! hahah

    2001 é o melhor filme de ficção cientifica de todos os tempos!

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  3. Tens razão quando fala q é preciso maturidade cinematográfica para absorver as mensagens de 2001,tb é um dos meus filmes preferidos do Kubrick.Quando ele naum nos presenteia com a trilha escolhida a dedo nos proporciona com imagens nunca antes pensadas, de uma beleza profunda e de um silêncio, um vazio.Dsde a passagem dos símios até seu final, 2001 exige do público um nível de abstração absurdo, nem com 2 sessões, acredito ter captado todos os detalhes de 2001, ainda assim é um dos meus preferidos.

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  4. aushsausahuashasush
    esse pessoal as vezes é engraçado!
    Cada coment...rsr

    Então...preciso ver este filme, ainda não vi!
    Mas prefiro conhecer toda a filmografia do Kubrick, deixar por último 2001! Até lá...vou amadurecendo mais!
    rsrsr
    abraço! Ótimo texto

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  5. Will, este pessoal quem? Eu?

    Filme nauseante ao extremo!

    Ronald, com frescura e ânsia de vômito!

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  6. "maturidade cinematográfica" essa é a chave para muitas críticas infundadas - seja para criticar positiva ou negativamente.
    abraços

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  7. Clássico do cinema. Não sou muito fã de ficção científica também, mas tenho que concordar que o filme é um marco...

    Pernambucano também? Legal! Vou linkar por lá também.

    Abraço

    P.S.: "Cineastro" é tudo junto. =P

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  8. Teu texto humilhou o meu, mas isso demostra justamente a tal maturidade que falamos. Ainda faço um texto desses...

    2001 é o filme mais perfeito de todos os tempos.

    Abraço!

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